Continuação.......
Enquanto isso, o marido deixou a sala e seguiu até o quarto.
Fernanda estava diante do espelho quando ele entrou. Observava o próprio reflexo, ajustando detalhes que já não precisavam de ajuste algum. Talvez estivesse apenas administrando a expectativa.
Ele parou na porta.
— O amigo chegou.
Ela voltou o olhar para ele.
— Já?
— Já.
Por um instante, os dois permaneceram em silêncio. Aquela noite carregava um significado especial para ambos. Não era apenas um encontro. Era a concretização de uma fantasia construída ao longo de conversas, confiança e cumplicidade.
— Está tudo bem? Perguntou ele.
Fernanda sorriu.
— Estou tentando entender quem eu quero ser esta noite.
O marido assentiu.
— Então seja exatamente quem desejar.
Ela respirou fundo, absorvendo aquelas palavras.
— E você?
— Hoje, eu sou apenas o garçom.
O sorriso dela se ampliou.
— Então faça bem o seu papel.
O garçom então saiu. Eu conversava com o garçom quando percebi sua presença. Levantei os olhos e interrompi o que dizia.
Fernanda entrou na sala com a elegância tranquila de quem havia se preparado para uma ocasião importante. Ela avançou com tranquilidade, segura de si, ocupando o ambiente com naturalidade. Ela usava um vestido preto sofisticado, de corte impecável, que valorizava as suas curvas generosas e transmitia confiança. O sorriso discreto revelava que ela compreendia o significado daquela noite melhor do que deixava transparecer.
Eu sorri.
— Você está deslumbrante.
— Que gentileza.
— Não é gentileza. É a verdade.
— Obrigada, respondeu ela.
Eu perguntei:
— E você? Como devo chamá-la esta noite?
Fernanda lançou um breve olhar ao garçom antes de responder:
— Hoje, sou apenas a esposa.
O garçom manteve a postura profissional e aproximou-se do casal.
— O que o casal deseja beber?
Eu sorri.
— Se o marido desta linda mulher estivesse aqui, o que ele sugeriria?
O garçom respondeu prontamente:
— Champanhe.
— Então será champanhe, está decidido eu disse.
O garçom então indicou a mesa para que o casal se acomodasse, para servir o champanhe.
Fernanda se sentou e apoiou suavemente as mãos sobre a mesa e sorriu.
— Então vá buscar o champanhe. Temos um momento muito especial para celebrar esta noite.
— Sim, senhora — respondeu o garçom, inclinando levemente a cabeça antes de se retirar.
Por alguns instantes, o silêncio permaneceu entre nos. Eu não conseguia tirar os olhos do decote, no vestido da esposa. E ela não conseguia parar de me olhar e lamber os lábios de cima com a língua.
O garçom voltou com a bandeja. Movimentos precisos, quase mecânicos. Primeiro as taças. Depois o silêncio respeitoso de quem serve sem interferir.
O líquido dourado preencheu os copos com suavidade.
O som era pequeno, mas no ambiente parecia marcar o início de algo maior.
— Ao que brindamos? Eu perguntei.
Houve um breve silêncio.
A esposa foi a primeira a responder.
— À coragem de estar aqui.
Eu sorri de leve, como se reconhecesse o peso da frase.
— E à curiosidade, eu completei.
O olhar da esposa se deslocou por um instante até o garçom, que permanecia ao lado da mesa, atento, mas distante o suficiente para não interferir.
— E você? Perguntou ela.
Ele hesitou por meio segundo, algo raro em sua postura.
— Às escolhas que fiz me sustentam neste momento, respondeu.
Aquilo ficou no ar.
Não era uma resposta simples. Nem neutra.
Eu inclinei a cabeça, como se aceitasse a provocação implícita.
— Interessante, você ainda fala como marido.
O garçom não respondeu.
Mas o silêncio dele foi suficiente para confirmar que entendeu.
A esposa ergueu a taça lentamente.
— Então brindemos disse ela. Não ao que estamos fingindo ser. Mas ao que estamos dispostos a descobrir.
O champanhe ainda repousava nas taças quando o silêncio voltou a ocupar o espaço entre nos três.
A esposa foi a primeira a quebrá-lo.
— Acho que falta algo, disse, sem pressa.
— O quê? Eu perguntei.
— Música, respondeu ela.
O garçom permaneceu discreto, aguardando.
— E que tipo de música você imagina? Eu insisti.
A esposa me encarou por um instante mais longo do que o necessário.
— Algo que combine com o que ainda não aconteceu.
Ela caminhou até o sistema de som e escolheu a faixa sem hesitação.
A música começou baixa, preenchendo a sala.
— Agora está melhor, disse ela.
Eu me levantei após um breve instante de hesitação. A esposa estendeu a mão e eu aceitei.
A dança começou sem anúncio, guiada mais pela música do que por palavras. Mas não era leveza o que dominava o ambiente, era a sensualidade pura.
O garçom permaneceu alguns passos afastado, observando em silêncio. Não como espectador distante, mas como alguém que compreendia que aquela noite já tinha um ritmo próprio.
Durante um giro, Fernanda cruzou o olhar dele. Curto. Direto.
E suficiente.
O garçom desviou primeiro não por desconforto, mas por escolha.
— Ele está muito concentrado no trabalho, acabei comentando.
A esposa não respondeu de imediato. Apenas deixou a dança ficar mais quente.
O silêncio que se seguiu era mais denso.
— Não é trabalho, disse ela.
— O que é então?
— É escolha.
O garçom manteve a postura, mas algo nele mudou sutilmente.
A esposa notou que ele estava excitado, então começou a se esfregar em mim. Eu, não entendi no começo, mas ela me disse no ouvido. Então eu a agarrei com força, e comecei a beija-la.
O garçom encostou-se na parede, respirando fundo.
A esposa disse para ele se sentar, pois a partir daquele instante começaria o show da esposa puta que ele tanto queria e imaginava.
A esposa voltou para a mesa e pegou sua taça de champanhe.
— Você está muito silencioso, disse ela ao garçom.
— Estou cumprindo meu papel, respondeu ele.
— Eu sei.
Eu observava, percebendo que a dinâmica havia mudado.
A esposa se levantou e veio até mim e disse:
— Venha hoje quero ser a puta que esse corno sempre sonhou.
Ela passou pelo garçom e disse:
— Vem seu corno, não queria ver a sua esposa ser comida na sua frente?
O garçom me olhou e nos acompanhou.
— Dois homens e o destino, diferente. Um querendo ser um corno que sempre sonhou, e o outro querendo, ter em seus braços, a esposa que ele desejou, desde a primeira vez que a viu entrar em seu consultório.
rob025