O PSICÓLOGO, O MARIDO, A ESPOSA E O AMIGO.......

O silêncio permaneceu por alguns instantes.
A mão da esposa continuava estendida sobre o lençol. O marido aproximou-se e sentou-se na beira da cama. Ela entrelaçou os dedos aos dele com naturalidade. Ninguém falou de imediato.
Foi ela quem rompeu o silêncio.
Voltou-se para o garçom e perguntou:
— Você acha que o meu marido vai aprovar a surpresa que preparei?
— Com certeza, minha senhora.
Ela inclinou levemente a cabeça.
— E se você fosse o marido? Aprovaria?
— Sim. Eu aprovaria.
Ela sorriu discretamente, como se estivesse avaliando a sinceridade da resposta. Depois voltou os olhos para mim.
— E você? Gostou da surpresa que preparei?
Observei-a por alguns segundos antes de responder.
— Você está ainda mais linda e sensual.
Ela sorriu.
— Nossa só isso, amigo? Lembra do que eu pedi enquanto dançávamos?
— Sim. Você disse que queria ver minha melhor versão aqui dentro.
— Exatamente. Então seja o amigo que prometeu ser.
Sorri antes de responder.
— Você está deslumbrante, uma verdadeira puta deliciosa.
Ela fechou os olhos por um breve instante, satisfeita.
— Era isso que eu queria ouvir, safado.
Voltou-se para o garçom.
— E acho que ele também, não é?
O marido sorriu por trás do personagem.
— Sim, era exatamente isso que eu queria ouvir.
Ela fez um pequeno gesto com a mão.
— Venha.
Aproximei-me sem hesitar.
Ela me observou durante alguns segundos, como se estivesse organizando um pensamento antigo.
Respirou fundo.
— Tem uma coisa que vocês dois não sabem.
A frase mudou imediatamente o clima do quarto.
Ela olhou primeiro para o marido.
— Quando ele me falou sobre tudo isso pela primeira vez, suas fantasias e vontades...
Fez uma breve pausa.
— Eu disse não.
Olhei para ela, surpreso.
O marido sorriu.
— Você nunca me contou isso.
— Porque, naquela época, isso não era importante.
Ela voltou a me encarar.
— Agora é.
O silêncio retornou. Desta vez, carregado de curiosidade.
— Eu disse não porque achei que estava fazendo aquilo por ele.
Falava sem pressa, escolhendo cuidadosamente cada palavra.
— E eu não queria participar de nada que não fosse uma decisão verdadeiramente minha.
Ninguém a interrompeu.
— Demorei semanas para entender isso.
Sorriu discretamente.
— Quando finalmente aceitei a ideia, já não era por causa dele.
Seu olhar passou pelo marido antes de encontrar o meu.
— Eu estava aceitando porque era a minha vontade.
O marido abaixou os olhos por um instante. Não parecia magoado. Parecia emocionado.
Talvez porque também estivesse compreendendo algo que, até então, nunca havia formulado.
Observei os dois em silêncio.
Foi naquele instante que percebi algo que me escapara durante toda a noite. Nenhum deles estava ali apenas para viver uma fantasia. Aquilo era apenas a superfície. Debaixo dela havia confiança. Liberdade. E a coragem de permitir que o outro escolhesse por si mesmo.
Ela percebeu meu silêncio.
— O que foi?
Demorei alguns segundos antes de responder.
— Acho que estou tentando entender por que vocês me escolheram.
A pergunta escapou antes que eu pudesse contê-la.
Os dois trocaram um olhar. Nenhum respondeu imediatamente. Pela primeira vez naquela noite, tive a impressão de que a resposta também não era simples para eles.
Ela sorriu. Não era um sorriso provocador. Nem plenamente seguro. Era um sorriso de quem refletia enquanto sentia.
Depois respirou fundo.
— Porque fui eu quem escolheu.
Por um instante, o quarto pareceu menor. Não porque a resposta fosse inesperada, mas porque, ao ser dita em voz alta, adquiriu um peso diferente.
— Você?
Ela confirmou com um leve movimento de cabeça.
— Eu.
Olhei para o marido.
Ele apenas sorriu.
— Ela me perguntou se eu confiaria na escolha dela.
Fez uma pausa.
— Eu disse que sim.
— Mas por quê?
Ela refletiu antes de responder. Como se soubesse que qualquer simplificação diminuiria a verdade da resposta.
— Quando conversamos sobre essa noite, começamos a pensar em quem poderia estar aqui.
Lançou um rápido olhar ao marido.
— Alguns nomes surgiram. Amigos. Conhecidos. Pessoas em quem confiávamos.
Nova pausa.
— O seu foi um deles.
— Então foi uma decisão dos dois?
Ela sorriu.
— Não exatamente.
O marido respondeu com tranquilidade.
— Eu sugeri possibilidades.
Olhou para ela.
— Ela fez a escolha.
O silêncio voltou ao quarto. Eu ainda tentava organizar aquela informação.
— Então você me observava antes disso?
Ela riu baixinho.
— Muito mais do que você imagina.
Minha surpresa deve ter ficado evidente. Ela percebeu.
— Não do jeito que você está pensando.
Nós três sorrimos.
— Sempre que nos encontrávamos, havia uma característica sua que me chamava atenção.
— Qual?
— Você escutava mais do que falava.
Continuou:
— Nas conversas em grupo, quase todo mundo queria convencer alguém, defender uma ideia ou ocupar espaço.
Seu olhar permaneceu firme.
— Você parecia mais interessado em compreender as pessoas do que em ser compreendido.
Desviei os olhos por um instante. Talvez fosse o hábito da profissão (Psicólogo).
— E isso bastou?
Ela balançou a cabeça.
— Não.
A resposta veio imediatamente.
— Foi apenas o motivo para eu começar a prestar mais atenção em você.
Senti um leve aperto no peito.
— E o que mais você viu?
Ela demorou alguns segundos.
Quando respondeu, sua voz estava mais baixa.
— Vi alguém que não tinha medo do silêncio.
Olhei para ela sem compreender completamente.
Ela continuou.
— Pode parecer pouco.
Mas não é. Hoje quase todo mundo tenta preencher qualquer vazio com palavras, justificativas ou certezas. Você não. Quando não sabia, permanecia em silêncio. Quando discordava, não precisava vencer a conversa. Quando alguém compartilhava algo importante, você realmente escutava.
O marido assentiu.
— Foi exatamente isso que eu também percebi.
Ela sorriu para ele e voltou a me olhar.
— Nessa noite eu não queria alguém disposto apenas a participar de uma fantasia ou um desejo.
Queria alguém capaz de respeitar as pessoas que existiam dentro dela. O silêncio que se seguiu já não era de dúvida. Era de reconhecimento.
Respirei fundo.
— Acho que nunca me enxerguei dessa maneira.
Ela inclinou levemente a cabeça.
— Eu sei.
Sorriu com delicadeza.
— Talvez por isso você nunca tenha tentado ser escolhido.
As palavras permaneceram ecoando dentro de mim. Pela primeira vez desde que tudo começara, compreendi que aquela noite não estava transformando apenas a relação entre eles. Também mudava a forma como eu passava a olhar para mim mesmo. Ainda assim, uma pergunta permanecia. Talvez a mais importante de todas.
— E se eu tivesse recusado?
Ela sorriu, agora com uma serenidade diferente.
— Então eu teria respeitado a sua decisão.
Fez uma breve pausa.
— Porque a única escolha que realmente importava nessa noite nunca foi a minha.
Olhou para o marido.
— Nem a dele.
Então encontrou meus olhos mais uma vez.
— Era a sua.

Faca o seu login para poder votar neste conto.


Faca o seu login para poder recomendar esse conto para seus amigos.


Faca o seu login para adicionar esse conto como seu favorito.


Twitter Facebook

Comentários


foto perfil usuario rob025

rob025 Comentou em 26/06/2026

Boa tarde, se puderem façam os devidos comentários, pois o casal tem interesse de saber as opiniões dos usuários.




Atenção! Faca o seu login para poder comentar este conto.


Ultimos 30 Contos enviados pelo mesmo autor


265361 - O PSICÓLOGO, O MARIDO, A ESPOSA E O AMIGO ...... - Categoria: Heterosexual - Votos: 2
265153 - O PSICÓLOGO, O MARIDO, A ESPOSA E O AMIGO.... - Categoria: Heterosexual - Votos: 1
258413 - O PSICÓLOGO, O MARIDO, A ESPOSA E O AMIGO.... - Categoria: Heterosexual - Votos: 1
258346 - O PSICÓLOGO, O MARIDO, A ESPOSA E O AMIGO... - Categoria: Heterosexual - Votos: 2
258288 - O PSICÓLOGO, O MARIDO, A ESPOSA E O AMIGO.... - Categoria: Heterosexual - Votos: 2
258211 - O PSICÓLOGO, O MARIDO, A ESPOSA E O AMIGO.... - Categoria: Heterosexual - Votos: 3
258191 - O PSICÓLOGO, O MARIDO, A ESPOSA E O AMIGO - Categoria: Heterosexual - Votos: 1
258167 - O PSICÓLOGO, O MARIDO E A ESPOSA. - Categoria: Heterosexual - Votos: 2
257283 - SOMOS ETERNOS APRENDIZES - Categoria: Heterosexual - Votos: 3
255965 - O CASAL DA ACADEMIA, ONDE TUDO COMEÇOU...XX - Categoria: Heterosexual - Votos: 3
254333 - A TURMA DA BIKE PARTE 7 - Categoria: Heterosexual - Votos: 5
252938 - A TURMA DA BIKE PARTE 6 - Categoria: Heterosexual - Votos: 4
251539 - A TURMA DA BIKE - PARTE 5 - Categoria: Heterosexual - Votos: 5
250579 - A TURMA DA BIKE - PARTE 4 - Categoria: Heterosexual - Votos: 2
250285 - A TURMA DA BIKE - PARTE 3 - Categoria: Heterosexual - Votos: 3
250148 - A TURMA DA BIKE - PARTE 2 - Categoria: Heterosexual - Votos: 2
250092 - A TURMA DA BIKE - Categoria: Heterosexual - Votos: 3
248070 - A MASSAGISTA E O ASSESSOR IV - Categoria: Heterosexual - Votos: 2
247619 - AS AMIGAS E CUNHADAS DA MINHA ESPOSA. PARTE 8A - Categoria: Heterosexual - Votos: 3
247616 - AS AMIGAS E CUNHADAS DA MINHA ESPOSA. PARTE 8B - Categoria: Heterosexual - Votos: 4
247503 - AS AMIGAS E CUNHADAS DA MINHA ESPOSA. PARTE 7 - O TRIO DE MULHERES - Categoria: Heterosexual - Votos: 4
247443 - AS AMIGAS E CUNHADAS DA MINHA ESPOSA. PARTE 6 - O TRIO DE MULHERES - Categoria: Heterosexual - Votos: 5
247393 - AS AMIGAS E CUNHADAS DA MINHA ESPOSA PARTE 5 - A PROFESSORA CAMILA - Categoria: Heterosexual - Votos: 7
246273 - O PSICÓLOGO, O MARIDO A ESPOSA E O AMIGO... - Categoria: Heterosexual - Votos: 3
245657 - SOMOS ETERNOS APRENDIZES VIII - Categoria: Heterosexual - Votos: 2
245194 - O CASAL DA ACADEMIA, ONDE TUDO COMEÇOU....XIX - Categoria: Heterosexual - Votos: 4
244544 - A MASSAGISTA E O ASSESSOR.....III - Categoria: Heterosexual - Votos: 3
244091 - AS AMIGAS E CUNHADAS DA MINHA ESPOSA PARTE 4 - Categoria: Heterosexual - Votos: 5
244086 - AS AMIGAS E CUNHADAS DA MINHA ESPOSA PARTE 3 - Categoria: Heterosexual - Votos: 7
244083 - AS AMIGAS E CUNHADAS DA MINHA ESPOSA PARTE 2 - Categoria: Heterosexual - Votos: 6

Ficha do conto

Foto Perfil Conto Erotico rob025

Nome do conto:
O PSICÓLOGO, O MARIDO, A ESPOSA E O AMIGO.......

Codigo do conto:
265439

Categoria:
Heterosexual

Data da Publicação:
26/06/2026

Quant.de Votos:
1

Quant.de Fotos:
0