A mensagem de Sheila
Assim que cheguei à instituição, antes de iniciar a instrução, ainda pensava no que havia acontecido naquela manhã.
Antes de sairmos, Marcelo havia feito algumas perguntas a Sheila. O jeito como a interrogara havia ficado na minha cabeça, principalmente porque eu não sabia o que os dois haviam conversado depois que ela chegara em casa.
Peguei o celular e mandei uma mensagem.
— Quando você chegou em casa, o Marcelo conversou com você sobre o que aconteceu?
A resposta não demorou.
Sheila contou que Marcelo estava esperando por ela. Queria saber como havia sido a manhã e, principalmente, o que estava acontecendo dentro da cabeça dela.
Em determinado momento, perguntou:
— Você está gostando dele?
Ela respondeu que sim.
Fiquei alguns segundos olhando para a tela.
Sheila explicou que Marcelo não havia ficado bravo. Admitira que sentia ciúme, mas também deixara claro que confiava nela.
Depois perguntou se aquilo era apenas uma brincadeira ou se existia alguma coisa diferente começando a acontecer.
Sheila respondeu que ainda não sabia.
Então Marcelo teria dito:
— Descubra devagar.
Li aquela frase mais de uma vez.
Havia alguma coisa nela que me surpreendia.
Marcelo sabia que eu começava a ocupar um espaço diferente na vida de Sheila. Apesar do ciúme, parecia disposto a deixá-la descobrir, no próprio tempo, até onde aquela história poderia chegar.
Coloquei o celular sobre a mesa.
Eu havia perguntado apenas se os dois tinham conversado.
Mas a resposta de Sheila havia revelado muito mais.
O segredo das quintas-feiras
O que eu ainda não sabia era que existia uma ligação muito mais antiga entre Marcelo e meu compadre.
Os dois compartilhavam uma amizade reservada, construída longe dos olhos de todos. Havia também um círculo de homens que se reunia nas chamadas noites de quinta-feira, em uma casa moderna e discreta, frequentada por pessoas de famílias tradicionais e posições importantes.
Ali, longe da vida pública, as aparências ficavam do lado de fora.
Existiam regras, confiança e absoluto sigilo.
Meu compadre fazia parte daquele círculo.
Eu não sabia.
Nem imaginava que aquela amizade ainda teria influência sobre os acontecimentos daquela semana.
A revelação do meu compadre
Na manhã seguinte, depois que Sheila saiu, meu compadre chamou-me para conversar.
— Preciso falar com você.
Percebi imediatamente que havia alguma coisa diferente.
Ele contou que estivera com Marcelo e que os dois haviam conversado sobre mim. Marcelo estava incomodado com a proximidade entre mim e Sheila e havia pedido ajuda para tentar me afastar dela.
Meu compadre inicialmente aceitara ajudá-lo.
Mas havia decidido me contar a verdade.
— Não quero fazer nada pelas suas costas — explicou. — Acho que você precisa saber o que está acontecendo.
Ouvi tudo em silêncio.
Naquele momento, compreendi que existia uma situação muito maior por trás dos acontecimentos recentes.
Mas não imaginava que aquela mesma noite acabaria me levando para uma história completamente diferente.
A sexta-feira
Durante a sexta-feira, procurei agir normalmente.
Ministrei os cursos para os quais havia sido convidado, conversei com as pessoas e cumpri minha programação, embora minha cabeça estivesse longe dali.
À noite, meu compadre me convidou para acompanhá-lo a um aniversário de uma servidora do tribunal.
Aceitei.
Eu não fazia ideia de que aquela festa mudaria completamente o rumo daquela noite.
O famoso Coronel
Fui apresentado a várias pessoas.
A aniversariante era uma mulher madura, elegante e muito bonita, cercada pelos filhos e netos.
Enquanto circulávamos pelo salão, meu compadre me apresentou a um promotor que conhecia há bastante tempo.
Ao lado dele estava sua esposa.
Ela era uma mulher madura, extremamente elegante e dona de uma presença que chamava atenção.
Meu compadre fez as apresentações.
— Este é meu compadre. Está na ilha ministrando instruções sobre defesa pessoal e acompanhamento de autoridades.
Ela sorriu.
— Muito prazer.
— O prazer é meu.
Continuamos conversando por alguns instantes, até que meu compadre se afastou comigo para conhecer outras pessoas.
Mesmo assim, percebi que ela continuava me observando.
Mais tarde, aproximou-se.
— Então você é o famoso Coronel, compadre do juiz?
Ri.
— Famoso? Eu?
Ela sorriu.
— Seu nome já circula por aqui.
Conversamos durante algum tempo.
Até que ela fez um gesto discreto.
— Vamos caminhar um pouco?
Aceitei.
Saímos da área onde estavam os convidados e seguimos pelo gramado da propriedade.
Quando nos afastamos da festa, ela me olhou de lado.
— Posso contar uma coisa?
— Claro.
— Eu já sabia quem você era antes de hoje.
Fiquei surpreso.
— Como?
Ela mencionou minha comadre Aline.
Explicou que as duas haviam se tornado amigas depois que meu compadre fora transferido para o Sul.
Aline havia contado sobre mim.
E havia mostrado fotografias de nós dois durante uma viagem ao Nordeste.
— Você viu as fotos?
— Vi.
— E o que chamou sua atenção?
Ela pensou por alguns segundos.
— O olhar de vocês.
Fiquei em silêncio.
Ela explicou que, nas fotografias, havia uma intimidade e uma familiaridade que não pareciam pertencer a duas pessoas que simplesmente haviam se reencontrado depois de tantos anos.
— Aline me contou que essa história começou há mais de vinte e cinco anos.
— É uma história antiga.
— Talvez seja isso que tenha me deixado curiosa.
Olhei para ela.
— E agora?
Ela sorriu.
— Agora quero descobrir se o homem das fotografias é o mesmo homem que está diante de mim.
Naquele momento, percebi que a curiosidade dela havia se transformado em alguma coisa diferente.
O andar de cima
Pouco depois, meu compadre apareceu.
— Coronel, venha comigo.
Subimos para o andar superior da casa, onde alguns homens estavam reunidos em torno de mesas de cartas.
A festa continuava lá embaixo, mas aquele ambiente era muito mais reservado.
Depois de algum tempo, a esposa do promotor apareceu.
Conversou discretamente com o marido e depois com meu compadre.
Eu não conseguia ouvir o que diziam.
Então ela veio até mim.
— Preciso voltar para casa para buscar alguns baralhos. Você poderia me acompanhar?
Aceitei.
Entramos no carro.
Durante o trajeto, ela retomou nossa conversa.
— Desde que vi aquelas fotografias, fiquei curiosa sobre você.
— E agora?
Ela me olhou.
— Agora já não é apenas curiosidade.
Quando chegamos à casa, ela entrou para buscar os baralhos.
Enquanto esperava, observei algumas fotografias da família espalhadas pela sala. Em uma delas, ela aparecia ao lado do marido, os dois sorrindo diante da câmera.
Quando retornou, continuamos conversando.
Ela me falou novamente sobre as fotografias de Aline.
— Não foi apenas a proximidade entre vocês que me chamou atenção — disse. — Foi o seu olhar.
— O meu olhar?
— Sim. Era impossível não perceber que existia uma história muito maior ali.
Ela se aproximou.
— E agora estou curiosa para descobrir quem é você longe daquelas fotografias.
A proposta
No caminho de volta, ela foi ainda mais direta.
— Quero passar algumas horas com você depois da festa.
Olhei para ela.
— E seu marido?
— Sabe que estou aqui.
— E concorda?
— Ele confia em mim.
Depois de alguns segundos, ela acrescentou:
— Quero que seu compadre vá conosco.
— Para quê?
— Quero que ele registre algumas fotografias.
A ideia tinha relação com as imagens que Aline havia mostrado.
Eu disse que nada deveria acontecer se alguém se sentisse desconfortável.
Ela concordou.
— Então vamos perguntar a ele.
Quando retornamos à festa, ela procurou meu compadre.
— Preciso conversar com você.
Explicou o que pretendia.
Meu compadre ficou surpreso, mais aceitou o desafio.
A saída da festa
A festa já estava chegando ao fim quando a esposa do promotor se aproximou de nós.
Ela olhou para mim e depois para meu compadre.
— Acho que está na hora de irmos.
Meu compadre sorriu.
— Para minha casa?
— Sim.
Ela então olhou para mim.
— Se você ainda quiser me acompanhar.
— Quero.
Ela sustentou meu olhar por alguns segundos, como se quisesse ter certeza da minha resposta.
Antes de sairmos, aproximou-se do marido e conversou com ele em voz baixa. Não consegui ouvir o que disseram, mas percebi que não havia tensão entre os dois.
Quando voltou, estava tranquila.
— Está tudo certo, disse simplesmente.
Meu compadre pegou as chaves.
— Então vamos.
Saímos da casa e entramos no carro.
Fomos diretamente para o banco de trás. Meu compadre assumiu o volante, enquanto ela se sentava ao meu lado.
Assim que deixamos a propriedade, ela segurou meu kct.
— Finalmente, pegando naquilo que me chamou de verdade.
— Safada eu disse.
— Você não viu nada Coronel.
Aproximei-me dela. Ela me beijou.
O beijo começou delicado, mas rapidamente ganhou intensidade. Envolvi-a nos braços e correspondi ao beijo, sentindo que toda a tensão acumulada desde nosso primeiro encontro finalmente encontrava espaço para se manifestar. De repente ela subiu no meu colo, e subiu o vestido pra cima.
Meu compadre percebeu pelo retrovisor.
Depois de alguns minutos, diminuiu a velocidade e parou o carro em um trecho mais reservado da estrada.
Virou-se para nós.
— Continuem.
Ela olhou para ele e sorriu.
— Você realmente vai fotografar?
— Para isso, fui convidado.
Meu compadre pegou o celular. Ela se acomodou melhor em meu colo e começou a cavalgar. Continuamos trocando beijos enquanto ele registrava alguns momentos. Não havia pressa.
Depois de algumas fotografias, meu compadre abaixou o celular.
— Acho que já tenho algumas boas.
Ela ajeitou os cabelos e olhou para mim.
— Algumas?
— Algumas respondeu ele, sorrindo.
Ela voltou a me encarar.
— Então ainda temos tempo para outras.
Meu compadre ligou novamente o carro. Seguimos fudendo até chegar a casa do meu compadre. Ela encostou a cabeça no meu ombro.
— Me come Coronel, quero gozar gostoso nesse pau.
— Você é realmente diferente.
— Me come seu safado. Sou puta nas tuas mãos hoje a noite inteira.
— Delícia.
— Estou gozando. Não para continua me fudendo.
Meu compadre continuava dirigindo, aparentemente indiferente à nossa conversa. Quando chegamos à casa, estacionou e desligou o motor. Por alguns segundos, ninguém se mexeu.
— Vamos?
Abri a porta.
Descemos do carro e caminhamos em direção à casa.
Antes de entrar, ela parou ao meu lado.
— Coronel.
— Sim?
Ela sorriu.
— Lá dentro, quero esquecer completamente quem eu sou.
— E o que você quer lembrar?
Ela se aproximou.
— Sou toda sua hoje.
Então abri a porta.
Entramos.
Meu compadre fechou a porta atrás de nós.
A festa havia ficado para trás.
Dali em diante, éramos apenas nós três, uma casa silenciosa e uma noite que nenhum de nós sabia exatamente como terminaria.