— Abre os olhos — ele disse.
Ela abriu.
Ele estava sobre ela. O rosto perto demais. A barba roçando o queixo dela enquanto ele beijava o seu pescoço — não um beijo, não exatamente. Uma pressão dos lábios que virava mordida, que virava sucção. Ela sentiu a saliva, o calor úmido, e depois o ar frio quando ele se afastou para puxar a blusa dela para cima.
— Levanta os braços.
Ela obedeceu. Era mais fácil obedecer. A blusa subiu, prendeu nos cabelos por um segundo, doeu no couro cabeludo, e então o ar gelado do ventilador de teto atingiu a pele nua do torso dela.
Gabriela nunca tinha ficado seminua na frente de um homem. As imagens que o corpo dela produzia nos espelhos, no banho, não a prepararam para a sensação de ser olhada. Os olhos dele percorreram o sutiã branco, os seios pequenos que subiam e desciam com a respiração acelerada.
— Você é linda — ele disse, e a palavra soou estranha na boca de um pastor. Como se fosse pecado. Como se fosse oração.
Ele passou a mão sobre o sutiã. Polegar no mamilo. Ela sentiu o tecido arranhar a pele sensível, o mamilo endurecendo contra a vontade, contra a fé, contra tudo o que a mãe tinha ensinado sobre guardar o corpo como templo.
O corpo não obedece à teologia.
A mão dele desceu para a barra da saia. Levantou o tecido devagar, revelando primeiro o joelho, depois a coxa, depois mais nada porque ela estava usando uma calcinha minúscula que a mãe jamais aprovaria e que ela mesma se perguntava por que tinha comprado.
— Tira.
A voz dele era baixa mas não pedia. Determinava.
Gabriela desceu a calcinha com as duas mãos, arqueando os quadris para facilitar, e o gesto a envergonhou mais que estar nua. O movimento era de entrega. De conivência.
Samuel ergueu-se sobre os joelhos. Abriu o zíper da calça preta. O som do metal se separando — agudo, definitivo — ecoou na sala pequena. Quando ele se inclinou sobre ela, o peso do corpo dele a comprimiu contra o carpete áspero, e ela sentiu a aspereza do tecido na pele nua das costas.
Ele a penetrou com um empurrão seco.
Gabriela arfou. A dor não veio como uma facada — veio como uma abertura. Como se algo dentro dela estivesse sendo forçado a ceder, a se alargar, a aceitar o que não cabia. Ela sentiu cada milímetro, cada avanço, o corpo dele encontrando resistência e vencendo, vencendo, vencendo.
Lágrimas escorreram dos olhos dela para as orelhas. Ela não sabia se chorava de dor, de medo, de alguma outra coisa que não tinha nome.
O pastor não parou.