O SÉTIMO SELO - A CONFISSÃO

VI — A confissão
Na sétima semana, ele a chamou depois do culto de domingo.

Não para a sala dos fundos. Para a casa dele.

— A irmã está em viagem — disse, referindo-se à esposa. — Venha às oito.

A casa do pastor ficava num bairro afastado, cercada por muros altos e uma porteira de ferro. Gabriela foi de ônibus, o coração batendo tão forte que ela achava que os outros passageiros ouviam. Vestia uma blusa preta de gola alta e uma saia mais justa que as que costumava usar. A mãe tinha perguntado onde ia. Estudo bíblico, respondeu. A primeira mentira dita em voz alta.

Ele a recebeu na porta. Em casa, sem a camisa social, sem o terno, ele era outro homem. Calça jeans, camiseta branca, os pés descalços. Parecia mais novo. Mais perigoso.

— Vem.

A casa era espaçosa. Sala com sofás de couro, TV grande, uma estante com livros teológicos e fotos da família. A esposa sorrindo no altar do casamento. Dois filhos pequenos num retrato de moldure dourada. Gabriela olhou para aqueles rostos e sentiu o estômago revirar.

— Não precisa olhar para eles — ele disse, parando atrás dela. — Olha para mim.

Ela virou.

Ele a beijou. O primeiro beijo na boca. Até então tinham sido apenas toques, penetrações, palavras murmuradas. Mas a boca dele na boca dela — a língua, o gosto de café, a pressão dos lábios — foi mais íntimo que qualquer coisa que tinham feito. Ela sentiu o beijo nos joelhos, na base da coluna, no útero.

Ele a levou para o quarto.

A cama de casal, colcha branca, um abajur aceso no criado-mudo. O ambiente era limpo, doméstico, quase sagrado na sua normalidade. Gabriela pensou na esposa dele dormindo ali, nos lençóis que ela trocava, no travesseiro onde o rosto dela descansava. A imagem deveria ter afastado o desejo. Em vez disso, o intensificou.

Ele a deitou na cama da esposa.

Tirou a roupa dela devagar, como quem desembrulha um presente que já conhece. Cada peça de roupa que saía era uma camada de história que se despia. A blusa preta. A saia justa. O sutiã branco — sempre branco, como se ela ainda tentasse manter alguma pureza simbólica. A calcinha — não mais de moça recatada, mas de renda fina, comprada numa loja do centro com dinheiro guardado do lanche.

— Você está diferente — ele disse, olhando o corpo nu dela na luz do abajur. — Mais mulher.

Ela não sabia se era elogio ou constatação.

Ele se deitou ao lado dela. Dessa vez não houje pressa. Ele a tocou com a ponta dos dedos, traçando linhas imaginárias da garganta ao umbigo, dos seios ao púbis. Gabriela sentia cada toque como uma marca de fogo. O corpo dela ardia onde ele passava.

— Quero que você me chame pelo nome — ele disse.

— Samuel.

A palavra estranha na boca dela. O pastor não tinha nome. Era "pastor", "irmão", "senhor". Samuel era um homem. Apenas um homem.

— De novo.

— Samuel.

Ele sorriu. Um sorriso que não era pastoral. Era o sorriso de um homem que sabe que possui alguma coisa.


Faca o seu login para poder votar neste conto.


Faca o seu login para poder recomendar esse conto para seus amigos.


Faca o seu login para adicionar esse conto como seu favorito.


Twitter Facebook



Atenção! Faca o seu login para poder comentar este conto.


Ultimos 30 Contos enviados pelo mesmo autor


272463 - O SÉTIMO SELO - O QUE A ALMA NÃO PERDOA - Categoria: Fantasias - Votos: 0
272462 - O SÉTIMO SELO - O SELO - Categoria: Fantasias - Votos: 0
272459 - O SÉTIMO SELO - O QUE O CORPO SABE - Categoria: Fantasias - Votos: 0
272457 - O SÉTIMO SELO - AS SEMANAS - Categoria: Fantasias - Votos: 0
272455 - O SÉTIMO SELO - O RITMO - Categoria: Fantasias - Votos: 0
272454 - O SÉTIMO SELO - O CARPETE - Categoria: Fantasias - Votos: 0
272453 - O SÉTIMO SELO - A BOCA - Categoria: Fantasias - Votos: 0
272447 - FELIZ DOTE, DE VOLTA A ROTINA - Categoria: Exibicionismo - Votos: 0
272439 - O DIRETOR DESCOBRIU O QUE A IRMÃ REBECA IA FAZER NO PRESÍDIO E SE APROVEITOU - Categoria: Fetiches - Votos: 1
272437 - A DUALIDADE REPRESSIVA DA IRMÃ REBECA - Categoria: Fetiches - Votos: 0
272436 - CONTANDO AO MARIDO COMO FOI A FODA COM OS DOIS... - Categoria: Fantasias - Votos: 0
272435 - O DIA EM FOI FUDIDA PELO PEDREIRO E AJUDANTE - Categoria: Fantasias - Votos: 2
272434 - VICIADA EM SE EXIBIR PARA O PEDREIRO E AJUDANTE - Categoria: Exibicionismo - Votos: 1
272430 - FUDENDO A COLEGIAL NA RUA ESCURA E DESVIRGINANDO O SEU CUZINHO - Categoria: Fetiches - Votos: 2
272428 - A DINÂMICA DE PODER COM A COLEGIAL - Categoria: Fetiches - Votos: 1
272411 - CONTINUANDO A CONVERSA COM A COLEGIAL... - Categoria: Fetiches - Votos: 1
272407 - DEPOIS DE ENCOXAR A COLEGIAL, DESCEMOS NO MESMO PONTO DE ÔNIBUS - Categoria: Fetiches - Votos: 2
272404 - ENCOXANDO A COLEGIAL - Categoria: Fetiches - Votos: 1
272344 - AMOR DE CÃO - TERCEIRO ENCONTRO - Categoria: Zoofilia - Votos: 2
272340 - AMOR DE CÃO - SEGUNDO ENCONTRO - Categoria: Zoofilia - Votos: 2
272332 - A DUALIDADE PSICOLÓGICA DA IRMÃ REBECA - Categoria: Fantasias - Votos: 1
272245 - AMOR DE CÃO - Categoria: Zoofilia - Votos: 2
272212 - UMA NOVA VISITA DA IRMÃ PUTA AO PRESÍDIO - Categoria: Fantasias - Votos: 6
272211 - A IRMÃ PUTA NO PRESÍDIO - Categoria: Fantasias - Votos: 4
272161 - ENCOXANDO E FUDENDO A GORDINHA NO SHOW DE ROCK - Categoria: Fetiches - Votos: 2
272147 - REALIZANDO A FANTASIA, SER CURRADA... - Categoria: Fetiches - Votos: 2
272093 - ENCOXANDO A UNIVERSITÁRIA - Categoria: Fetiches - Votos: 2
272083 - ENCOXANDO A EVANGÉLICA NO ÔNIBUS - Categoria: Fetiches - Votos: 0
272081 - ENCOXANDO A GOSTOSA DA ACADEMIA - Categoria: Fetiches - Votos: 0
272079 - FELIZ DOTE, O ÚLTIMO DIA NA PRAIA - Categoria: Exibicionismo - Votos: 2

Ficha do conto

Foto Perfil mestrern
mestrern

Nome do conto:
O SÉTIMO SELO - A CONFISSÃO

Codigo do conto:
272458

Categoria:
Fantasias

Data da Publicação:
16/09/2026

Quant.de Votos:
0

Quant.de Fotos:
0