De frente, com as pernas dela enlaçadas na cintura dele, os olhos nos olhos, a respiração misturada. De lado, como duas colheres numa gaveta, o corpo dele encaixado nas curvas dela, a mão dele nos seios dela, o hálito quente no ouvido, as palavras obscenas ditas em voz baixa — palavras que um pastor não diz, que um homem santo não conhece, mas que Samuel conhecia e pronunciava com a mesma convicção das escrituras.
Por cima, ela montada nele, as mãos dela apoiadas no peito dele, os cabelos soltos caindo sobre o rosto dos dois.
— Se mexe — ele disse. — Você sabe.
Ela se mexeu. Descobriu o ritmo por tentativa e erro, o quadril girando, o corpo encontrando o ângulo que fazia os olhos dele revirarem. Pela primeira vez, ela sentiu poder. O poder de fazer um homem perder o controle. O poder de ser desejada não como objeto de culto, mas como carne.
Gozou em cima dele, o corpo todo vibrando, o grito escapando sem que ela pudesse conter. Ele gozou dentro dela, as mãos apertando os quadris dela, o nome de Deus escapando dos lábios dele — não como oração, mas como invocação.
Depois, ficaram deitados em silêncio. O ventilador de teto girava. O suor secava nos corpos.
— Você não pode contar para ninguém — ele disse, olhando o teto.
— Eu sei.
— Se contar, minha família acaba. Minha igreja. Minha vida.
— Eu sei.
— Se contar, você também perde tudo. Você sabe disso, não sabe?
Ela sabia. A igreja a expulsaria. A mãe morreria de vergonha. Os irmãos a chamariam de prostituta. O nome dela seria sinônimo de escândalo na cidade pequena onde todos conheciam todos.
— Não vou contar.
— Boa menina.
Ele se virou de lado e dormiu.