Gabriela manteve os olhos abertos para o teto de laje. Uma teia de aranha no canto. Uma rachadura fina que parecia o mapa de um rio seco. Ela contou as batidas do corpo dele contra o dela — um, dois, três — tentando transformar o ato em número, em abstração, em qualquer coisa que não fosse o que era.
Mas o corpo traía. Apesar da dor, apesar do medo, apesar do pecado — o corpo dela estava reagindo. Ela sentiu a umidade se espalhar entre as pernas, a vagina se ajustando ao formato dele, uma onda de calor subindo do ventre.
— Você está molhada — ele disse. Não era pergunta. Era constatação, e havia orgulho na voz dele. — Viu como o teu corpo sabe o que o teu espírito ainda tem medo de aceitar?
Ela negou com a cabeça, mas o corpo continuava respondendo. As ancas dela começaram a se mover por conta própria, um movimento quase imperceptível no início, um contra-ritmo que encontrava o ritmo dele. Ela ouviu a própria respiração ficar mais curta, mais rápida, mais ruidosa.
— Isso — ele sussurrou. — Entrega. A tua entrega é o teu culto.
A mão dele encontrou o clitóris dela. Dedo gordo, áspero, circulando com a precisão de quem conhecia o mapa do corpo feminino. Gabriela arqueou as costas, a boca se abrindo num gemido que ela tentou engolir, que ficou preso na garganta como um soluço.
— Pode gemer — ele disse. — Não tem ninguém. Só nós e Deus.
Ela gemeu. Um som que não parecia dela. Algo animal, rasgado, que subiu do fundo do abdômen e saiu como um uivo abafado.
O pastor acelerou. O corpo dele agora batia contra o dela com força, a barriga dele encontrando a barriga dela, a coxa dele molhada do suor e do líquido que escorria dela. Cada estocada era um impacto que ecoava no corpo inteiro, os seios balançando, a cabeça batendo no carpete, as unhas dela cravadas nas costas dele sem que ela soubesse quando tinha levado as mãos até lá.
— Vai gozar — ele disse. Não perguntou. — Vai gozar para mim.
Ela não sabia o que era gozar. Tinha ouvido meninas na escola falarem, tinha lido em livros que a mãe queimava, mas nunca tinha sentido. Até aquele momento.
A onda veio de baixo. Dos pés. Subiu pelas pernas, concentrou-se no ventre, explodiu como um relâmpago entre as pernas dela. O corpo se debateu, os músculos se contraíram em espasmos que ela não controlava, e um grito longo, agudo — de prazer ou de terror, ela nunca saberia distinguir — escapou dos lábios.
Ele continuou empurrando. Mais alguns segundos. Mais algumas estocadas. E então se imobilizou, o corpo tenso como corda de violino, e ela sentiu o jato quente dentro de si.