O SÉTIMO SELO - O RITMO

III — O ritmo
Ele começou a se mover. Um ritmo lento no início, quase experimental. Como quem testa os limites de um instrumento novo. Cada investida um pouco mais funda, um pouco mais firme.

Gabriela manteve os olhos abertos para o teto de laje. Uma teia de aranha no canto. Uma rachadura fina que parecia o mapa de um rio seco. Ela contou as batidas do corpo dele contra o dela — um, dois, três — tentando transformar o ato em número, em abstração, em qualquer coisa que não fosse o que era.

Mas o corpo traía. Apesar da dor, apesar do medo, apesar do pecado — o corpo dela estava reagindo. Ela sentiu a umidade se espalhar entre as pernas, a vagina se ajustando ao formato dele, uma onda de calor subindo do ventre.

— Você está molhada — ele disse. Não era pergunta. Era constatação, e havia orgulho na voz dele. — Viu como o teu corpo sabe o que o teu espírito ainda tem medo de aceitar?

Ela negou com a cabeça, mas o corpo continuava respondendo. As ancas dela começaram a se mover por conta própria, um movimento quase imperceptível no início, um contra-ritmo que encontrava o ritmo dele. Ela ouviu a própria respiração ficar mais curta, mais rápida, mais ruidosa.

— Isso — ele sussurrou. — Entrega. A tua entrega é o teu culto.

A mão dele encontrou o clitóris dela. Dedo gordo, áspero, circulando com a precisão de quem conhecia o mapa do corpo feminino. Gabriela arqueou as costas, a boca se abrindo num gemido que ela tentou engolir, que ficou preso na garganta como um soluço.

— Pode gemer — ele disse. — Não tem ninguém. Só nós e Deus.

Ela gemeu. Um som que não parecia dela. Algo animal, rasgado, que subiu do fundo do abdômen e saiu como um uivo abafado.

O pastor acelerou. O corpo dele agora batia contra o dela com força, a barriga dele encontrando a barriga dela, a coxa dele molhada do suor e do líquido que escorria dela. Cada estocada era um impacto que ecoava no corpo inteiro, os seios balançando, a cabeça batendo no carpete, as unhas dela cravadas nas costas dele sem que ela soubesse quando tinha levado as mãos até lá.

— Vai gozar — ele disse. Não perguntou. — Vai gozar para mim.

Ela não sabia o que era gozar. Tinha ouvido meninas na escola falarem, tinha lido em livros que a mãe queimava, mas nunca tinha sentido. Até aquele momento.

A onda veio de baixo. Dos pés. Subiu pelas pernas, concentrou-se no ventre, explodiu como um relâmpago entre as pernas dela. O corpo se debateu, os músculos se contraíram em espasmos que ela não controlava, e um grito longo, agudo — de prazer ou de terror, ela nunca saberia distinguir — escapou dos lábios.

Ele continuou empurrando. Mais alguns segundos. Mais algumas estocadas. E então se imobilizou, o corpo tenso como corda de violino, e ela sentiu o jato quente dentro de si.


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Ficha do conto

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Nome do conto:
O SÉTIMO SELO - O RITMO

Codigo do conto:
272455

Categoria:
Fantasias

Data da Publicação:
16/09/2026

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