Não combinou com ele. Simplesmente apareceu. O templo ainda estava aberto para a reunião de oração das seis, e ele estava no escritório, os livros espalhados sobre a mesa, a Bíblia aberta em algum Salmo. Quando ela bateu na porta, ele ergueu os olhos como se já esperasse.
— Feche a porta.
Ela fechou.
Dessa vez não houve oração. Palavra nenhuma. Ele a puxou pelo braço, virou-a de costas para a mesa, abaixou o zíper da saia dela com uma mão enquanto a outra apertava a nuca dela contra a madeira. Entrou nela por trás, rápido, sem aviso. Doeu menos. O corpo já sabia.
— O que você quer de mim? — ela perguntou depois, ainda de joelhos, a saia subida, o rosto suado.
— Tudo.
Na terceira semana, ela começou a sentir falta.
Não era uma falta espiritual. Não era a ausência de Deus. Era uma fisgada física, localizada, que aparecia nos momentos mais impróprios — enquanto lavava a louça, enquanto datilografava as notas de aula do curso técnico, enquanto cantava os hinos no banco da igreja ao lado da mãe. Uma lembrança do corpo dele que se instalava entre as pernas dela como uma brasa viva.
À noite, na cama, ela começou a se tocar.
Primeiro com culpa. Depois com método. Aprendia o próprio corpo como quem decifra um mapa de um país estrangeiro — com estranhamento, com descoberta, com uma ponta de medo. O clitóris sob os dedos dela respondia do mesmo jeito que respondia à boca dele (sim, na quinta semana ele tinha descido, tinha aberto as pernas dela com as mãos, tinha mergulhado o rosto entre as coxas dela como quem reza num altar, e ela chorou de vergonha e prazer na mesma crise). Ela aprendeu a se levar ao orgasmo em silêncio, com a mão tapando a boca, os olhos fixos no crucifixo sobre a cama.
O corpo que antes era templo tinha se tornado campo de batalha.