Nos dias seguintes, o corpo de Lara carregava a marca silenciosa do que tinha acontecido. No primeiro dia, o cuzinho ainda ardia de forma constante, um calor fundo que lembrava a cada passo. Ela andava com mais cuidado, as coxas um pouco mais juntas, e evitava ficar muito tempo sentada. Na faculdade, escolheu sempre as cadeiras do fundo e atravessou as aulas com a mente longe, revivendo a pressão inicial, a invasão lenta, o momento em que o pau do médico rompeu e preencheu completamente. Várias vezes precisou cruzar as pernas com força para disfarçar o latejar. À noite, trancada no quarto, ela se examinava no espelho. O anel ainda estava um pouco inchado e sensível ao toque. Passava o dedo com cuidado, sentindo a diferença, e inevitavelmente acabava se masturbando — devagar no começo, depois com mais vontade. Gozava lembrando da voz dele mandando respirar, do peso das mãos nas nádegas, do esperma quente escorrendo depois. No segundo e terceiro dia a ardência diminuiu, substituída por uma sensação estranha de vazio. Lara se pegava apertando o cuzinho sem querer, como se procurasse a invasão de novo. Usou o lubrificante que tinha em casa e voltou a se tocar por trás, primeiro com um dedo, depois com dois, tentando reproduzir a abertura que ele tinha causado. O orgasmo vinha sempre misturado com a memória da consulta. Com a mãe, mantinha a mesma fachada tranquila. Respondia que estava bem, que a consulta tinha sido só de rotina, que não precisava de nada. A mãe não desconfiou. Às vezes Lara a pegava olhando de canto, como se notasse algo sutil na forma de andar, mas a conversa nunca ia além de comentários banais. No fim de semana a casa ficou vazia por algumas horas. Lara aproveitou. Tirou a roupa, deitou de bruços na cama e empurrou o pepino bem lubrificado com mais ousadia do que nunca. Desta vez conseguiu enfiar quase inteiro, gemendo alto contra o travesseiro, imaginando que era o pau do médico voltando a foder o cuzinho recém-desvirginado. Gozou forte, o corpo inteiro tremendo, e ficou depois quieta, ofegante, sentindo o vegetal ainda dentro enquanto o coração batia descompassado. Os dias foram passando assim: entre a vida normal que mostrava para todo mundo e o desejo constante, quase febril, que só ela conhecia. Cada manhã acordava molhada. Cada noite se tocava pensando nele. E cada vez que olhava o calendário, contava os dias que faltavam para a próxima consulta. Quinze dias. Depois doze. Depois nove. O corpo já não doía. Estava só esperando. E Lara sabia, com uma certeza quieta e intensa, que na próxima vez não ia querer só ser fodida de novo. Ia querer mais.
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