Naquela mesma noite, depois do jantar, Lara trancou-se no quarto. A mãe já dormia. O tubo do creme prescrito estava sobre a escrivaninha, branco, com a tampa azul. Ela tirou a calcinha, deitou-se na cama de lado e abriu as pernas. O dedo médio entrou no tubo, tirou uma quantidade generosa do gel frio e branco. Com o coração acelerado, ela espalhou o creme primeiro nos lábios externos, sentindo o alívio imediato na ardência. Depois, mais fundo, empurrou o dedo entre as pregas, passando o produto pela entrada ainda sensível, exatamente onde o espéculo tinha estado horas antes. O toque do próprio dedo, escorregadio pelo creme, fez a memória voltar com força. O metal frio abrindo-a. A voz baixa do médico. Os olhos calmos dele observando enquanto o jato saía dela sem controle. O cheiro do gel lubrificante misturado ao do seu próprio orgasmo. Lara mordeu o lábio inferior. O dedo começou a se mover sozinho, devagar, em círculos no clitóris inchado. O creme esquentava com o calor do corpo. Ela fechou os olhos e imaginou: Ele de novo, de jaleco, as luvas novas. Pedindo que abrisse mais as pernas. Dizendo, com aquela voz profissional: — Relaxe, Lara… deixa eu ver melhor. No fantasia, o dedo dele entrava no lugar do dela. Lento. Profundo o suficiente para pressionar o ponto que a fazia tremer. Ela arqueou contra o travesseiro, as coxas se abrindo mais. O outro dedo desceu e penetrou a entrada virgem, só a ponta, exatamente como o pincel que usava às vezes, mas agora era ele. O médico. O homem que tinha visto tudo e não contara nada à mãe. O orgasmo veio rápido, mais forte que o da manhã. O corpo se arqueou, um gemido abafado saiu da garganta, e de novo o líquido quente jorrou, molhando os dedos, o lençol, escorrendo pela virilha. Desta vez o squirt veio misturado ao creme, branco e viscoso, espalhando-se sob ela. Lara ficou deitada, ofegante, as pernas ainda abertas, o dedo dentro de si, sentindo as contrações. A vergonha voltou, quente e doce. Ela tinha acabado de se masturbar imaginando o ginecologista que a examinara horas antes. E o pior: já estava pensando no retorno daqui a sete dias. Com a mão ainda trêmula, limpou o excesso de creme e esperma com um lenço. Guardou o tubo na gaveta. Apagou a luz. No escuro, o corpo ainda latejava. E a imagem dele, de jaleco, de luvas, observando-a molhada na maca, não saía da cabeça
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