Ela sempre chegou assim: sem pressa, sem promessas, só com aquele olhar um pouco baixo e a boca que nunca sabia se ia sorrir ou se fechar. No quarto de hotel de cortinas listradas, a Gata Tristonha tirou a roupa como quem tira um peso. Deixou o sutiã azul cair no chão, o cabelo bagunçado espalhado no travesseiro branco, e deitou-se de costas. A sacola verde de plástico ficou ao lado da cama, amassada, inútil. Ele pegou a caneta vermelha e escreveu devagar na barriga dela, letra por letra: PUTA. A tinta escorreu um pouco para o umbigo. Ela não se mexeu. Só respirou fundo e abriu um pouco mais as pernas, como se a palavra tivesse sido a chave que faltava. As mãos dela desceram, agarraram as próprias nádegas e puxaram. Mostrou tudo: o matinho claro, a pele rosada já úmida, o clitóris inchado. Os seios pesados caíram para os lados, mamilos escuros e duros. Quando o brinquedo bege apareceu entre as coxas, ela soltou um som baixo, quase um miado engasgado. Ele empurrou devagar. Ela engoliu. As paredes internas se abriram e se fecharam em volta do plástico grosso, brilhante de saliva e excitação. Às vezes ela olhava para a câmera com aquele meio-sorriso torto, os olhos meio tristes, meio provocantes. Outras vezes fechava os olhos e só sentia: o vai-e-vem constante, o esticar, o calor que subia pela barriga até a garganta. Ele tirou o brinquedo só para colocá-lo de novo, mais fundo, e as mãos peludas dele apareceram nas bordas da foto, segurando as coxas dela abertas. A Gata Tristonha arqueou as costas. A palavra vermelha brilhou sob a luz fraca. O plástico da sacola fez um barulho seco quando ela se mexeu. Em algum momento ela riu de verdade — um riso curto, quase sem voz — e depois voltou a ficar séria, respirando pela boca, as pernas tremendo. Quando ele finalmente parou, ela ainda segurava as próprias nádegas, mostrando o buraco aberto e molhado, pulsando sozinho. O rosto dela estava corado, o cabelo grudado na testa. Os olhos, porém, continuavam iguais: um pouco tristes, um pouco distantes, como se mesmo completamente exposta ainda estivesse escondida em algum lugar dentro de si. Ela soltou as mãos. As pernas caíram pesadas sobre o lençol. A tinta já tinha secado um pouco. O brinquedo descansava ao lado do corpo quente. A Gata Tristonha virou o rosto para o lado, olhou para a sacola verde amassada e fechou os olhos. Por um instante, o quarto ficou em silêncio. Só o som da respiração dela. E o cheiro doce e suado da puta que, mesmo satisfeita, ainda se sentia um pouco só.
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