A manhã da partida amanheceu cinzenta e quente. Maria Cecília desceu as escadas com a mala pequena na mão. Vestia uma saia leve abaixo do joelho, blusa de manga curta, cabelo preso. O rosto de anjo estava no lugar, os olhos baixos, a voz mansa. Por baixo, não usava calcinha. A buceta ainda sensível das noites anteriores latejava a cada degrau. A mãe estava na sala, de pé, o terço enrolado nos dedos. Não a abraçou. Apenas fez o sinal da cruz à distância e murmurou alguma coisa sobre Deus e perdão. O pai esperava perto da porta, o rosto marcado de noites mal dormidas. Quando viu a filha, engoliu em seco. — O Renato já está chegando — disse, a voz rouca. Minutos depois o carro preto parou em frente à casa. Dr. Renato desceu, impecável, terno cinza, cabelo branco penteado, o sorriso educado de sempre. Subiu os degraus com a solenidade de um homem prestando um favor importante. — José. Dona Helena. — Cumprimentou os dois com um leve aceno de cabeça. — Estou à disposição. O pai apertou a mão dele com força demais. — Cuida dela, Renato. Por favor. — Como se fosse minha própria filha — respondeu o homem, olhando Maria Cecília por um segundo a mais do que o necessário. A mãe não disse nada. Apenas virou o rosto. Maria Cecília se aproximou do pai. Por um instante o corpo deles ficou perto demais. Ela falou baixo, só para ele ouvir: — Vou me comportar, pai. Do jeito que o senhor gosta. O homem fechou os olhos. As mãos tremeram. Não respondeu. Renato pegou a mala. Guiou Maria Cecília até o carro e abriu a porta do carona. Ela entrou, ajeitando a saia com um movimento lento que deixou a parte interna da coxa à mostra por um segundo. Renato fechou a porta, rodeou o carro e subiu no banco do motorista. O pai ficou na calçada, olhando. O carro arrancou. Maria Cecília virou o rosto para a janela e acenou levemente, o sorriso pequeno e secreto. O pai não retribuíu. Continuou parado até o veículo sumir na esquina. Dentro do carro, o silêncio durou só até a primeira curva. Renato colocou a mão na coxa de Maria Cecília, por baixo da saia. Os dedos subiram devagar até encontrar a buceta nua e já úmida. Ela abriu um pouco mais as pernas. — Seu pai quase chorou — murmurou ele, os olhos na estrada, os dedos começando a se mover. Maria Cecília reclinou a cabeça no banco e soltou um suspiro baixo. — Ele sabe o que vai acontecer. Só não tem coragem de impedir. Os dedos de Renato entraram. Maria Cecília gemeu baixinho, olhando a cidade passar pela janela enquanto a casa, a mãe e o pai ficavam para trás. A viagem tinha começado. E a primeira parada ainda estava longe.
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