BONITINHA, MAS ORDINÁRIA: OUVINDO A CONVERSA E OS DIAS SEGUINTES...

Maria Cecília ouviu tudo.
Estava deitada de lado na cama, nua, os dedos ainda entre as pernas, quando as vozes subiram pela escada. A porta do quarto estava entreaberta. O pai falava baixo, mas as palavras chegavam claras. A mãe soluçava. Cada frase caía sobre ela como uma pedra quente.
“Três homens. Negros. Ela… eles pegaram ela.”
“Ela disse que gozou.”
“Ninguém pode saber.”
“Nossa filha está perdida.”
Maria Cecília não se mexeu. Continuou com os dedos dentro, parados agora, só sentindo o próprio corpo ainda sensível e sujo. Ouviu a mãe chorar. Ouviu o pai andar de um lado para o outro. Ouviu o terço cair no chão. E, no meio daquilo tudo, sentiu a buceta latejar de novo.
Não era vergonha.
Era outra coisa.
Uma excitação fria, suja, quase cruel. Eles estavam lá embaixo destroçados por causa dela. O nome da família. A reputação. O futuro. Tudo desabando. E ela, nua na cama, ainda com o cheiro dos três homens impregnado na pele, sentia o prazer subir outra vez só de imaginar o desespero dos pais.
Passou o dedo no clitóris com mais pressão.
Lá embaixo a mãe dizia, a voz quebrada:
— Ela está perdida, José.
Maria Cecília sorriu no escuro. Os dedos entraram mais fundo. Rebolou leve contra a mão, o lençol ainda manchado de sêmen seco. Ouviu o pai gritar alguma coisa, depois o barulho de um objeto quebrando. Continuou se masturbando. O orgasmo veio devagar, silencioso, o corpo inteiro se contraindo enquanto a mãe soluçava no andar de baixo.
Quando terminou, ficou quieta, a respiração ainda irregular, ouvindo os passos do pai subindo a escada. Ele parou na frente do quarto. Maria Cecília não se cobriu. Ficou deitada de frente para a porta, as pernas ligeiramente abertas, o cheiro de sexo subindo no ar abafado do quarto.
O pai não abriu a porta.
Ficou ali alguns segundos, respirando pesado do outro lado, e depois desceu de novo.
Maria Cecília virou de bruços, enterrou o rosto no travesseiro e riu baixo. Um riso curto, abafado, quase feliz.
Eles estavam destruídos.
E ela, pela primeira vez na vida, se sentia completamente livre.
Mesmo trancada.
Mesmo marcada.
Mesmo com o sêmen dos três homens ainda secando nela.
Livre.
Os dias seguintes foram um silêncio grosso, quase sólido.
A casa virou um cárcere sem grades. A mãe não saía do quarto. O pai andava de um lado para o outro como um animal enjaulado, falando ao telefone em voz baixa, cancelando compromissos, inventando desculpas. Maria Cecília foi proibida de descer. A empregada deixava a comida na porta do quarto e desaparecia. Ninguém a olhava nos olhos.
No primeiro dia ela ainda tentou abrir a porta. Estava trancada por fora. Bateu. Gritou. Ninguém respondeu. Depois ouviu a voz do pai, do outro lado:
— Você fica aí até eu decidir o que fazer.
Maria Cecília riu. Deitou de novo na cama, nua, e se masturbou até gozar com o cheiro ainda impregnado nos lençóis.
No segundo dia a mãe apareceu.
Entrou sem bater, o terço na mão, os olhos inchados. Parou na soleira e ficou olhando a filha deitada de lado, a camisola erguida até a cintura, as marcas dos tapas ainda roxas na bunda. Não falou nada por um longo tempo. Depois, a voz rouca:
— Você destruíu essa família.
Maria Cecília se sentou na beira da cama, as pernas abertas de propósito. A mãe desviou o olhar.
— Eu só gozei, mãe. Eles que me comeram.
A mulher deu um passo à frente e deu um tapa seco no rosto da filha. O som ecoou no quarto. Maria Cecília nem piscou. Apenas passou a língua no canto da boca e sorriu.
— Quer bater mais? Pode. Eu gosto.
A mãe saiu tremendo e bateu a porta com força. Do lado de fora, Maria Cecília ouviu o soluço abafado descendo a escada.
No terceiro dia o pai entrou.
Trouxe uma mala. Jogou na cama.
— Você vai para a casa da sua tia, em Petrópolis. Fica lá até isso esfriar. Até a gente inventar uma história.
Maria Cecília olhou a mala e depois olhou para ele.
— E se eu não quiser?
— Você não tem escolha.
Ele se virou para sair. Maria Cecília falou, a voz calma:
— Sabe o que eu mais lembro, pai? Do pau grosso do mais velho entrando no meu cu. Do gosto do sêmen deles na minha boca. Do jeito como eu pedi mais.
O homem parou. As mãos fecharam em punho. Por um segundo a violência pairando no ar foi quase palpável. Depois ele saiu sem se virar e trancou a porta outra vez.
Maria Cecília ficou olhando a mala fechada. Não a abriu. Em vez disso, tirou a camisola, deitou nua sobre ela e se masturbou devagar, lembrando dos três homens, do mato, da terra na boca, dos tapas. Gozeu com a cara enterrada na mala vazia, gemendo baixo para que o pai ouvisse do corredor.
Nos dias que se seguiram, a rotina se estabeleceu.
Comida na porta. Porta trancada. Silêncio. Às vezes a mãe vinha rezar do lado de fora, a voz embargada. Às vezes o pai passava e parava alguns segundos, como se quisesse entrar e não conseguisse. Maria Cecília passava as horas nua, andando pelo quarto, se tocando, se olhando no espelho, relembrando cada detalhe da noite no mato. As marcas foram sumindo. O desejo, não.
Na sexta-feira, quase uma semana depois, ela ouviu o pai falando ao telefone no corredor:
— …sim, a menina está doente. Nervos. Precisa de repouso. Não, não pode receber visitas.
Maria Cecília sorriu sozinha no quarto.
Doente.
Nervos.
Repouso.
Ela se deitou na cama, abriu as pernas e passou os dedos na buceta ainda sensível. Enquanto o pai inventava desculpas do lado de fora, ela se masturbava pensando nos três homens negros, no carro quebrado, no cheiro de terra e porra, e gozava em silêncio com a certeza fria de que, assim que a porta se abrisse, ela iria atrás de mais.
A casa estava em ruínas.
E ela, trancada no quarto, nunca se sentira tão viva.

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Nome do conto:
BONITINHA, MAS ORDINÁRIA: OUVINDO A CONVERSA E OS DIAS SEGUINTES...

Codigo do conto:
273722

Categoria:
Fetiches

Data da Publicação:
02/10/2026

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