Maria Cecília chegou em casa quase uma hora depois. O carro estacionou na garagem com um barulho surdo. Ela desligou o motor e ficou sentada no escuro por longos segundos, as mãos no volante, as pernas ainda abertas. O sêmen tinha escorrido durante o caminho inteiro. A parte interna das coxas estava pegajosa, a calcinha (o que restava dela) encharcada e deslocada, o vestido rasgado no ombro e na barra. O cheiro dentro do carro era forte: sexo, terra, suor de homem. Ela desceu cambaleando. A porta da cozinha estava destrancada. A casa dormia. O pai no quarto de cima, a mãe provavelmente com o comprimido para dormir. Maria Cecília entrou sem fazer barulho, fechou a porta com cuidado e subiu as escadas descalça. Cada degrau fazia o líquido escorrer mais. Pingava no carpete. Ela não se importou. No corredor, parou na frente do espelho comprido. Acendeu a luz do banheiro só para se ver. O rosto estava sujo de terra e de porra seca. O cabelo claro grudado na testa e no pescoço. A boca inchada. O vestido rasgado deixava um seio quase à mostra. Entre as pernas, a buceta vermelha, aberta, ainda perdendo sêmen. Marcas de dedos nas coxas. Marcas de tapa na bunda. O cheiro subia dela como uma confissão. Maria Cecília passou a mão entre as pernas, pegou um pouco do líquido que ainda descia e olhou para os dedos. Depois levou à boca e chupou. O gosto era salgado, amargo, sujo. Ela fechou os olhos e sentiu o corpo inteiro latejar de novo. Entrou no quarto, fechou a porta e se trancou. Tirou o que restava da roupa. Ficou nua em frente ao espelho do guarda-roupa. As marcas estavam claras sob a luz amarela do abajur. Ela se virou de lado, depois de costas, olhando a bunda vermelha. Depois abriu as pernas e observou a buceta dilacerada, o sêmen ainda escorrendo devagar pela coxa interna. Deitou na cama de solteira sem se limpar. As pernas abertas sobre o lençol claro. A mão desceu outra vez. Os dedos entraram com facilidade no caminho que os três homens tinham usado. Maria Cecília se masturbou devagar, lembrando das estocadas, dos tapas, do pau grosso no cu, do gosto na boca. Gozou em silêncio, o corpo arqueando, a boca aberta, um gemido baixo morrendo no travesseiro. Quando o tremor passou, ela ficou olhando o teto. O sêmen continuava saindo, manchando o lençol. Amanhã a empregada ia trocar a cama. Amanhã a mãe ia perguntar por que o vestido estava rasgado. Amanhã o pai ia notar o carro sujo por dentro. Mas naquela noite, nua, marcada e ainda escorrendo, Maria Cecília só pensava numa coisa: Queria que o carro quebrasse de novo.
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