No dia seguinte Solange acordou cedo. Ainda sentia o cheiro do homem do ônibus nos dedos. Não tomou banho. Vestiu a mesma saia cinza do dia anterior, ainda com a mancha seca por dentro, e saiu de casa sem calcinha. O corpo pedia movimento. Pedia risco. Pedia mãos desconhecidas. Pegou o 474 no mesmo horário. O ônibus veio mais cheio. Ela foi direto ao fundo e sentou-se no mesmo banco. A saia subiu. A pele nua das coxas tocou o tecido áspero. Já estava molhada só de lembrar do dia anterior. Cruzou as pernas com força e sentiu o atrito no clitóris. Ficou assim, apertando as coxas, enquanto o ônibus ia enchendo. No ponto da Central subiu um homem diferente. Mais jovem. Uns trinta anos. Camisa social clara, mangas dobradas, relógio no pulso. Olhou o fundo, viu o lugar ao lado de Solange e veio. Sentou-se. A coxa dele era firme. O joelho tocou o dela de imediato. Solange não se afastou. Abriu um pouco as pernas, o suficiente para o tecido da saia subir mais. O homem olhou de relance. Depois olhou de novo, mais demorado. A respiração dele mudou. A mão direita desceu e pousou no próprio joelho. Os dedos tamborilaram. Depois subiram pela calça, devagar, como quem ajeita o tecido. Solange manteve o rosto voltado para a janela, mas abriu as pernas mais um pouco. O homem entendeu. A mão dele escorregou sob a saia e tocou a pele nua. Os dedos quentes subiram pela parte interna da coxa até encontrar a buceta já encharcada. Solange prendeu a respiração. Ele passou o dedo médio pela fenda, sentindo o quanto ela estava molhada, e depois enfiou dois dedos de uma vez. Solange mordeu a parte interna da bochecha. Os dedos entraram fundo, curvando-se. O polegar encontrou o clitóris e começou a esfregar em círculos firmes. O ônibus balançava. Cada freada fazia os dedos entrarem mais. Solange abriu as pernas o máximo que o banco permitia. O homem masturbava ela com calma e precisão, como se tivesse tempo. O barulho molhado ficava abafado pelo barulho do motor e das conversas. Ela gozou primeiro. O corpo tremeu, as coxas apertaram a mão dele, um gemido baixo escapou pela boca. O líquido escorreu pelos dedos do homem e molhou o banco. Ele não tirou a mão. Continuou, mais devagar agora, forçando um segundo orgasmo. Solange rebolou leve contra a mão dele, a testa colada no vidro sujo. Gozeu de novo, mais forte, as pernas tremendo, a respiração curta. Só então o homem tirou os dedos. Estavam brilhantes. Ele olhou para eles por um segundo, depois limpou na própria calça, sem pressa. Solange continuou olhando pela janela, o peito subindo e descendo rápido, a saia úmida entre as coxas. O ônibus andou mais dois pontos. O homem se inclinou um pouco e falou baixo, quase sem mover a boca: — Amanhã no mesmo horário. Solange não respondeu. Só abriu um pouco mais as pernas, como quem confirma. O homem se levantou no próximo ponto e desceu. Solange ficou sentada, as pernas abertas, o líquido escorrendo, o cheiro do próprio gozo misturado ao suor do banco. Quando o ônibus chegou perto do ponto final, ela não esperou. Desceu um ponto antes. As pernas ainda fraquejavam. O sêmen não tinha vindo de dentro dela dessa vez — só o próprio líquido —, mas a sensação era a mesma: suja, usada, viva. No caminho de casa, sentia o ar fresco entre as coxas a cada passo. As pessoas passavam. Ninguém olhava duas vezes. Solange sorriu de novo, pequeno, secreto. Chegou em casa. Subiu direto para o quarto. Tirou a saia molhada e se olhou no espelho. A buceta vermelha, brilhante, ainda latejando. Passou os dedos, sentiu o quanto estava sensível, e se masturbou ali mesmo, em pé, gozando pela terceira vez com o gosto do ônibus ainda na memória. Depois se deitou nua na cama de casal. Alberto estava debaixo da terra. E ela já tinha combinado o horário do dia seguinte.
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