O ônibus estava lotado naquela tarde de chuva fina. Solange voltava do dentista, saia bege clara, calcinha de algodão ainda úmida do encoxamento de três dias antes. Ficou em pé no corredor, segurando a barra. Um homem se colou atrás dela por causa do aperto. Diferente do primeiro. Mais alto, cheiro de cigarro e desodorante barato. A ereção dele encontrou a curva da bunda dela quase imediatamente. Solange não se afastou. Quando sentiu o pau duro pressionar, puxou a própria saia alguns centímetros para cima e guiou a mão do homem para debaixo do tecido. Os dedos dele encontraram a calcinha já molhada. Ela se virou só o suficiente para falar baixo, quase sem mover a boca: — Pode. Ele enfiou a mão por baixo da calcinha. Dois dedos entraram com facilidade. O polegar encontrou o clitóris e começou a esfregar. Solange abriu um pouco mais as pernas, fingindo se equilibrar com o balanço do ônibus. O homem masturbava ela com movimentos curtos e precisos. Em poucos minutos ela gozou em pé, mordendo o lábio inferior com força para não gemer alto. O líquido escorreu pelos dedos dele e molhou a calcinha. Quando o ônibus parou no ponto seguinte, o homem tirou a mão. Solange pegou o pulso dele, levou os dedos à boca e chupou o próprio gosto. Os olhos dele escureceram. Os dois desceram juntos. A chuva fina continuava. Ele guiou Solange para um beco estreito atrás de uma padaria. O cheiro de pão quente misturava com o de lixo úmido. Mal tinham virado a esquina e ele já a empurrava contra a parede suja de umidade. A mão dele subiu pela saia, puxou a calcinha para o lado e enfiou os dedos de novo, desta vez com mais pressa. Solange estava encharcada. — Rápido — ela sussurrou. Ele abriu a calça com uma mão só. O pau saiu duro, grosso o suficiente, a cabeça já molhada. Não houve beijo. Não houve carinho. Ele ergueu uma das pernas dela, encaixou o pau na entrada e empurrou de uma vez. Solange soltou um gemido alto que ecoou no beco. O homem tapou a boca dela com a mão e começou a foder com estocadas curtas e profundas, o corpo batendo contra o dela, a parede raspando as costas de Solange por cima da blusa. A calcinha ficou torta na coxa. A saia amassada entre os dois corpos. O barulho molhado da buceta engolindo o pau misturava com o som da chuva. Solange gozou rápido, as pernas tremendo, a boca aberta contra a mão dele. O homem acelerou. Alguns segundos depois enterrou fundo e gozou dentro, com um gemido baixo e rouco, o sêmen quente enchendo-a. Ficou parado alguns instantes, ainda dentro, respirando pesado no pescoço dela. Depois tirou o pau de uma vez. O sêmen escorreu imediatamente, grosso, descendo pela coxa interna de Solange até quase o joelho. Ele ajeitou a calça, olhou uma última vez para ela encostada na parede — saia erguida, calcinha torta, porra escorrendo — e saiu do beco sem dizer uma palavra. Solange ficou sozinha. A chuva fina molhava o cabelo. A parede úmida gelava as costas. Ela puxou a calcinha de volta para o lugar, sentindo o sêmen ser empurrado para dentro e para fora ao mesmo tempo. Ajeitou a saia com as mãos trêmulas. As pernas ainda tremiam. O coração batia tão forte que doía no peito. Pela primeira vez na vida um homem que não era o marido tinha gozado dentro dela. Ela saiu do beco andando devagar, sentindo cada gota escorrer. No caminho de casa o líquido continuava descendo, manchando a calcinha e um pouco da saia. Quando chegou, Alberto estava na sala. Beijou a testa dela e perguntou se tinha se molhado na chuva. Solange disse que sim. Foi ao banheiro, tirou a calcinha encharcada de porra e de chuva, olhou para o tecido branco sujo e sentiu o cheiro. Depois se sentou no vaso e enfiou os dedos na buceta ainda diluída, sentindo o que o desconhecido tinha deixado. Gozou de novo, sozinha, com a saia erguida e a porta trancada. Naquela noite, quando Alberto a procurou, ela abriu as pernas e deixou. Gozeu com o marido dentro dela, mas os olhos estavam fechados e a mente ainda estava no beco escuro, na parede úmida, no pau que tinha entrado sem pedir licença e tinha gozado sem perguntar o nome. Foi a primeira vez. E depois dela, Solange nunca mais conseguiu voltar atrás.
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