Na igreja da Assembleia de Deus no bairro, todos conheciam a irmã Camila como exemplo. Dezenove anos, cabelos longos presos em coque, saia abaixo do joelho, Bíblia de capa preta sempre debaixo do braço. Cantava no coral, liderava o grupo de jovens e orava em voz alta por pureza. O pastor elogiava-a do púlpito. As mães apontavam-na para as filhas: “Sejam como a Camila.” Só que, à noite, quando a casa dormia, Camila abria o WhatsApp e respondia às mensagens de Tiago. Tiago não era da igreja. Era o primo distante de uma amiga, 22 anos, voz baixa e mãos grandes. Eles se encontravam no quarto de serviço da casa dele, onde a mãe nunca entrava depois das dez. Na primeira vez, Camila chegou tremendo. — Eu não posso… perder. Você entende? Eu prometi a Deus. Eu quero chegar no altar intacta. Tiago sorriu, sem pressão. — Então a gente não usa o lugar proibido. Ele a beijou devagar, desceu a mão pelas costas e parou na curva firme do corpo dela. Camila mordeu o lábio, mas não afastou. Quando ele abriu a calça e guiou a cabeça dela para baixo, ela obedeceu. Engasgou no começo, lágrimas nos olhos, mas continuou. A boca dela era quente, dedicada, quase devota. Depois, de quatro na cama estreita, ela segura o travesseiro contra o rosto enquanto ele entrava devagar pelo outro caminho. Dolorido no início, depois estranho, depois bom demais para ela conseguir rezar em silêncio. — Ainda sou virgem — sussurrava depois, ofegante, com o sêmen escorrendo pela coxa. — Ainda sou. Eles criaram regras. Nunca vaginal. Nunca sem camisinha no cu. Sempre ela chupava primeiro, como se fosse uma oração invertida. Camila aprendia rápido. Aprendia a relaxar, a gemer baixo, a pedir mais fundo sem usar palavras que soassem pecaminosas demais. Às vezes pedia para ele gozar na boca, engolia tudo e depois limpava os lábios com o dorso da mão, como quem limpa uma migalha de pão. Nas manhãs de domingo, ela cantava “Quão grande és Tu” com a mesma voz doce de sempre. Ninguém notava o leve inchaço dos lábios ou a forma cuidadosa com que se sentava no banco. À noite, no quarto de serviço, ela tirava a saia, a calcinha e se ajoelhava de novo. — Faz de novo — pedia, virando o rosto para ele. — Só não tira o que é de Deus. Tiago ria baixinho, entrava nela e respondia: — Eu não tiro. Eu só uso o que sobrou. Com o tempo, Camila parou de sentir culpa o suficiente para atrapalhar o prazer. Ainda orava. Ainda pedia perdão. Mas o corpo já tinha feito o pacto sozinho: o cuzinho e a boca eram o preço para guardar a virgindade sagrada. E ela pagava com vontade. Uma noite, depois de gozar com ele fundo dentro dela, Camila ficou deitada de bruços, respirando fundo. — Você acha que Deus sabe? Tiago passou a mão pelos cabelos suados dela. — Se Ele souber, deve achar engraçado. Você ainda chega no altar “intacta”. Só que o resto do corpo já sabe exatamente o que fazer. Camila sorriu contra o travesseiro. Na próxima quarta-feira de culto, cantaria de novo. E no próximo encontro, abriria a boca e o cu com a mesma devoção. Porque, no fundo, ela já tinha decidido: a virgindade era só um pedaço. O resto do corpo era dela.
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