BONITINHA, MAS ORDINÁRIA: A PRIMEIRA FUGA E A MANHÃ SEGUINTE...



A primeira fuga aconteceu na madrugada do terceiro dia.
Maria Cecília esperou até a casa inteira dormir. Dona Celeste roncava baixo no quarto da frente. O relógio da sala marcava quase três da manhã quando ela se levantou. Vestiu apenas a camisola fina e um casaco leve por cima. Sem calcinha. Sem sutiã. Os pés descalços.
A janela do quarto dava para o quintal. Ela abriu com cuidado, o batente rangendo só um pouco. Desceu pelo muro baixo dos fundos, o corpo leve, o coração batendo forte. O chão de terra molhada grudou nos pés. Contornou a casa pelo lado do jardim e saiu pela porta lateral do muro, que a tia raramente trancava por dentro.
A rua estava deserta.
Petrópolis dormia sob um céu sem lua. Maria Cecília caminhou sem destino por alguns quarteirões, o casaco aberto, a camisola subindo com o vento frio da serra. O ar gelado batia entre as coxas e fazia a pele arrepiar. Ela sentia a buceta latejar só com a liberdade de estar fora.
Parou numa praça pequena, escura, com bancos de pedra e árvores altas. Sentou-se. Abriu as pernas. A mão desceu por baixo da camisola e encontrou a carne já úmida. Masturbou-se ali mesmo, olhando a rua vazia, gozando em silêncio com o frio no rosto e o prazer subindo rápido demais.
Foi então que viu a luz do cigarro.
Um homem estava encostado numa árvore, alguns metros adiante. Tinha visto tudo. Maria Cecília não fechou as pernas. Apenas o encarou. O homem se aproximou devagar. Era um trabalhador noturno — uniforme de empresa de segurança, ou talvez de limpeza —, cheiro de cigarro e suor. Parou na frente dela.
— Tá sozinha, menina?
Maria Cecília tirou a mão de entre as pernas e respondeu, a voz baixa:
— Estou. E estou molhada.
O homem olhou em volta. A praça continuava vazia. Depois se aproximou mais. Maria Cecília abriu o casaco. A camisola subiu. Ele ajoelhou-se entre as pernas dela no banco de pedra e chupou com fome, a língua larga, os dedos entrando. Ela segurou a cabeça dele e gozou rápido, as coxas tremendo, um gemido baixo escapando.
Depois ele se levantou, abriu a calça e tirou o pau. Maria Cecília se virou de quatro no banco. Ele meteu de uma vez, fundo, as mãos apertando a cintura dela. Fodeu com pressa, o barulho da pele batendo abafado pelo vento. Gozeu dentro poucos minutos depois, com um gemido rouco, e se afastou quase imediatamente, ajeitando a roupa.
— Vai embora daqui — murmurou ele, já se afastando. — É perigoso.
Maria Cecília ficou no banco mais alguns segundos, o sêmen escorrendo, o corpo ainda tremendo. Depois puxou a camisola, fechou o casaco e voltou pelo mesmo caminho.
Entrou pelo muro, subiu pela janela e deitou na cama. O cheiro do homem desconhecido ainda estava nela. O sêmen continuava saindo. Ela se masturbou de novo, devagar, até gozar uma última vez, pensando na cara da tia se soubesse, na cara do pai se soubesse, e no quanto a gaiola de Petrópolis já estava pequena.
Do quarto da frente, Dona Celeste continuava roncando.
Maria Cecília sorriu no escuro.
A primeira fuga tinha sido só o começo.
A manhã seguinte amanheceu fria e úmida.
Maria Cecília acordou com o corpo ainda marcado pela noite. O sêmen do homem da praça tinha secado nas coxas, deixando a pele puxada e o cheiro sutil, mas presente. Ela se levantou, vestiu a camisola e desceu para a cozinha como se nada tivesse acontecido.
Dona Celeste já estava de pé. O café passado, o pão na mesa, o rosto severo de sempre. Quando a sobrinha entrou, a tia a examinou de cima a baixo com um olhar demorado demais.
— Dormiu bem?
— Dormi — respondeu Maria Cecília, sentando-se.
— Parece cansada.
— É o clima da serra. Ainda estou me acostumando.
Dona Celeste não comentou. Serviu o café em silêncio. Mas os olhos continuavam voltando para a sobrinha — para o cabelo um pouco bagunçado, para a forma como ela se mexia na cadeira, para a leve marca roxa que tinha ficado no lado interno da coxa e que a camisola, ao se mover, deixava entrever por um segundo.
Maria Cecília percebeu o olhar. Cruzou as pernas com calma e sorriu por dentro.
Durante o café, a tia falou pouco. Só quando se levantou para lavar a xícara é que disse, de costas:
— Ontem à noite eu achei que ouvi a janela do seu quarto.
Maria Cecília manteve a voz estável.
— Foi o vento. A tranca está frouxa.
Dona Celeste se virou. O olhar era desconfiado, mas ainda sem certeza.
— Não quero que você ande sozinha pela casa de madrugada. Nem que abra janela. Petrópolis não é lugar seguro para menina nova.
— Sim, tia.
O restante da manhã passou em silêncio tenso. Maria Cecília ajudou a arrumar a sala, dobrou toalhas, fingiu interesse nas conversas banais sobre a missa e a feira. Por dentro, ainda sentia o corpo latejar. Cada vez que a tia saía do cômodo, ela abria um pouco mais as pernas sob o vestido e pressionava as coxas, relembrando o banco de pedra, a boca do desconhecido, o pau entrando com pressa.
No meio da manhã o telefone tocou.
Era o pai.
Dona Celeste atendeu, trocou algumas palavras curtas e passou o aparelho para a sobrinha. Maria Cecília seguiu para o corredor, longe o suficiente para a tia não ouvir tudo.
— Pai.
A voz de José estava rouca.
— Está tudo bem aí?
— Está.
— A tia está cuidando de você?
Maria Cecília olhou para a cozinha, onde Dona Celeste fingia não prestar atenção.
— Está. Mas a casa é pequena. E a noite é longa.
Houve um silêncio do outro lado. Depois a voz dele saiu mais baixa:
— Não faça nada… imprudente.
Ela sorriu.
— Eu só dormi, pai. Como uma menina bem-comportada.
Desligou antes que ele respondesse.
Quando voltou para a cozinha, Dona Celeste a encarou de novo. Desta vez o olhar demorou mais tempo na barra da camisola, como se tentasse ler alguma coisa ali.
Maria Cecília sustentou o olhar sem piscar.
A tia desviou primeiro.
E a manhã seguiu, carregada de uma suspeita que ainda não tinha nome — mas que já começava a crescer.

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Nome do conto:
BONITINHA, MAS ORDINÁRIA: A PRIMEIRA FUGA E A MANHÃ SEGUINTE...

Codigo do conto:
275532

Categoria:
Fetiches

Data da Publicação:
25/10/2026

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