BONITINHA, MAS ORDINÁRIA: A LIGAÇÃO DO PAI E O MOMENTO DEPOIS...
A ligação do pai veio no meio da manhã seguinte. Dona Celeste atendeu primeiro. Ficou alguns minutos ao telefone, a voz seca, respondendo com monossílabos. Depois chamou a sobrinha: — É o seu pai. Maria Cecília pegou o aparelho no corredor. Estava de camisola ainda, o cabelo solto, o corpo fresco do banho. A tia não se afastou por completo — ficou a uma distância discreta, fingindo ajeitar um vaso. — Pai. A voz de José do outro lado estava rouca, cansada. — Chegou bem? — Cheguei. — A viagem… foi tranquila? Maria Cecília olhou para a tia de canto de olho e sorriu pequeno. — Foi. O Dr. Renato dirigiu com muito cuidado. Paramos só o necessário. Houve um silêncio curto na linha. Ela quase pôde ouvir o pai engolindo em seco. — Ele… se comportou? — Se comportou, pai. Como grande amigo da família. Outro silêncio. Mais longo. Maria Cecília imaginou o rosto dele do outro lado: as olheiras, a mão apertando o telefone, o pau talvez já reagindo só de imaginar o que ela não estava dizendo. — Sua mãe está preocupada — continuou ele, a voz forçada. — Eu também. Quero que você fique quieta aí. Sem sair. Sem conversar com estranhos. Sem… nada. — Sim, pai. — A tia vai cuidar de você. E eu vou ligar todo dia. Maria Cecília passou a mão distraída pela própria coxa, por baixo da camisola. Estava começando a ficar molhada só com a conversa. — Pode ligar. Eu atendo. Mais um silêncio. Depois a voz dele saiu mais baixa, quase um murmúrio: — Maria Cecília… você não fez nada no caminho, não é? Ela demorou um segundo a responder. Quando falou, a voz saiu doce, inocente, cruel: — Fiz, pai. Três vezes. No carro. No mato. No capô quente. Ele gozou dentro de mim. As duas vezes. Inclusive no cu. Do outro lado da linha o silêncio foi absoluto. Só se ouvia a respiração pesada do pai. Maria Cecília continuou, ainda mais baixo, para a tia não escutar: — E ontem à noite, na cama da tia, eu me masturbei pensando nele… e no senhor. Naquela madrugada em que o senhor entrou no meu quarto e meteu os dedos em mim enquanto cheirava minha calcinha. — Cale a boca — a voz dele saiu rouca, quase um gemido. — Não vou calar. O senhor me colocou no carro dele. O senhor sabia. Do corredor, Dona Celeste tossiu de propósito. Maria Cecília endireitou a postura. — Preciso desligar, pai. A tia está chamando. — Maria Cecília— Ela desligou. Ficou alguns segundos com o telefone na mão, o corpo já excitado, a buceta latejando. Depois devolveu o aparelho ao lugar e passou pela tia sem olhar. No quarto, fechou a porta, ergueu a camisola e se masturbou em pé, contra a parede, gozando rápido e em silêncio enquanto imaginava o pai do outro lado da linha, sozinho, com o pau duro e a certeza horrível do que a filha tinha acabado de confessar. A ligação tinha durado menos de cinco minutos. Foi o suficiente para destruí-lo um pouco mais. José ficou com o telefone ainda colado no ouvido vários segundos depois que a linha morreu. A respiração saía pesada, irregular. A mão que segurava o aparelho tremia. A outra estava fechada em punho sobre a mesa do escritório. Dentro da calça, o pau estava completamente duro — dolorido, latejando, traído pelo próprio corpo. Ele baixou o telefone com cuidado, como se o objeto pudesse quebrar. Depois se sentou. O silêncio da casa bateu nele. A esposa estava no andar de cima, provavelmente rezando. A empregada tinha folga. Ele estava sozinho com as palavras da filha ainda ecoando: “Três vezes. No carro. No mato. No capô quente.” “Ele gozou dentro de mim. As duas vezes. Inclusive no cu.” “E ontem à noite eu me masturbei pensando nele… e no senhor.” José apoiou os cotovelos na mesa e enterrou o rosto nas mãos. Queria sentir nojo. Queria raiva limpa. Em vez disso, o que subia era um desejo sujo, denso, que fazia o estômago revirar e o pau latejar ao mesmo tempo. A imagem de Maria Cecília no carro de Renato, de quatro, sendo aberta, o sêmen escorrendo… e a outra imagem, pior: ele mesmo, de madrugada, ajoelhado ao lado da cama dela, os dedos dentro da filha, a calcinha suja no rosto. Levantou-se de súbito. Foi até a porta, trancou, e voltou para a cadeira. Abriu a calça com mãos trêmulas. O pau saltou duro, a cabeça já molhada. Ele cuspiu na mão e começou a se masturbar com força, quase com raiva. Os olhos fechados. A respiração saindo em gemidos baixos e engasgados. Imaginava a filha no telefone, a voz doce confessando tudo. Imaginava Renato metendo nela sobre o capô. Imaginava o cu dela sendo aberto. Imaginava o cheiro da calcinha dela naquela madrugada. Gozeu rápido, o corpo inteiro se contraindo, o sêmen sujando a mão, a calça e a borda da mesa. O orgasmo veio misturado com um soluço seco. Ficou alguns segundos curvado, ofegante, a testa suada, o gosto de vergonha na boca. Depois limpou tudo com um lenço de papel, guardou o pau e ficou olhando a parede. Não chorou. Apenas sentou ali, o corpo ainda trêmulo, e compreendeu com uma clareza horrível: Ele tinha entregado a filha ao homem que a estava comendo. E, pior do que isso, parte dele tinha gozado com a ideia. No andar de cima, a esposa chamou por ele. José ergueu a voz o máximo que conseguiu: — Estou ocupado. Depois abriu a gaveta, pegou a garrafa de uísque e bebeu direto do gargalo. A casa estava em silêncio. E ele, pela primeira vez, não sabia se odiava mais a filha, o amigo… ou a si mesmo.
Faca o seu login para poder votar neste conto.
Faca o seu login para poder recomendar esse conto para seus amigos.
Faca o seu login para adicionar esse conto como seu favorito.
Denunciar esse conto
Utilize o formulario abaixo para DENUNCIAR ao administrador do contoseroticos.com se esse conto contem conteúdo ilegal.
Importante:Seus dados não serão fornecidos para o autor do conto denunciado.