BONITINHA, MAS ORDINÁRIA: A TENSÃO NOS DIAS QUE ANTECEDERAM A VIAGEM...
Os três dias que antecederam a viagem foram um silêncio carregado de eletricidade suja. A casa inteira respirava tensa. A mãe mal saía do quarto. Quando descia, era só para rezar em voz baixa na sala, o terço apertado com tanta força que os nós dos dedos ficavam brancos. Evitava olhar para a filha. Quando os olhares se cruzavam, a mulher desviava o rosto como se tivesse visto algo obsceno demais para suportar. O pai, por sua vez, andava pela casa como um condenado. Mal dormia. Bebea mais do que o normal. Toda vez que passava pelo corredor e a porta do quarto de Maria Cecília estava entreaberta, ele desacelerava. Às vezes parava. Às vezes entrava sem bater, só para olhar. Maria Cecília percebia. E provocava. No segundo dia, ela deixou a calcinha usada bem visível no chão do banheiro, ainda úmida. O pai encontrou. Ficou parado olhando. Depois se trancou no escritório e só saiu quase uma hora depois, o rosto vermelho, a respiração alterada. No mesmo dia, durante o almoço forçado, Maria Cecília falou, a voz mansa, olhando o prato: — O Dr. Renato tem as mãos grandes, pai. E o pau grosso. Goza muito. O pai engasgou com a comida. A mãe largou o garfo. O silêncio que se seguiu foi tão denso que o barulho do relógio da sala parecia marteladas. O homem se levantou, bateu a porta da sala e só voltou à noite. Na madrugada do segundo para o terceiro dia, ele entrou de novo no quarto dela. Maria Cecília fingia dormir, de lado, a camisola erguida, a bunda à mostra. O pai ajoelhou-se outra vez. Desta vez não se limitou a cheirar a calcinha. Puxou o tecido até o rosto e, com a outra mão, abriu as nádegas da filha e passou o polegar no cu dela, devagar, enquanto se masturbava. Maria Cecília continuou imóvel, mas molhada. Quando ele gozou, o sêmen caiu quente na parte de trás da coxa dela. O pai limpou com a própria camisa, saiu e nunca comentou. No dia seguinte — o último antes da viagem — a tensão estava quase insuportável. Maria Cecília desceu para o café da manhã de camisola fina, sem calcinha, os seios marcando o tecido. Sentou-se de frente para o pai. Cruzou as pernas de um jeito que a sombra entre elas ficasse visível. O homem não conseguiu comer. A mãe, do outro lado da mesa, chorava baixo sem fazer barulho. — Amanhã o Dr. Renato vem me buscar — disse Maria Cecília, a voz calma. — Vamos sozinhos no carro dele. Até Petrópolis. Quantas horas de estrada será, pai? Quatro? Cinco? O pai ergueu o olhar. Os olhos estavam cansados, vermelhos, cheios de uma raiva impotente misturada com desejo. — Você vai se comportar — falou, a voz rouca. — Vai chegar lá e ficar quieta. Sem escândalo. Sem nada. Maria Cecília sorriu, pequeno e cruel. — Eu sempre me comporto, pai. O senhor é que não consegue parar de entrar no meu quarto de madrugada. A mãe soltou um gemido abafado e saiu da cozinha. O pai ficou parado, as mãos tremendo em cima da mesa. Por um segundo pareceu que ia virar a cadeira e agarrá-la ali mesmo. Não fez. Apenas se levantou e saiu. Naquela última noite, ele não entrou no quarto. Ficou no corredor, a porta entreaberta, ouvindo a filha se masturbar do outro lado. O barulho molhado dos dedos, os gemidos baixos e deliberados. Maria Cecília fazia questão de ser ouvida. O pai se masturbou ali mesmo, de pé no corredor escuro, a testa apoiada na parede, gozando em silêncio com o som da filha chegando ao orgasmo. Quando terminou, limpou a mão na calça e desceu. No dia seguinte, de manhã, a mala estava pronta. Maria Cecília desceu vestida de forma simples, o rosto de anjo no lugar, os olhos baixos. O pai a olhou e sentiu o estômago virar. Sabia que, dentro de poucas horas, ela estaria no carro com Renato. Sabia o que ia acontecer na estrada. E mesmo assim não impediu. Porque já não tinha mais forças. A casa inteira estava podre. E a viagem, enfim, ia começar.
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