BONITINHA, MAS ORDINÁRIA: O PAI DESCOBRINDO QUE ELA VOLTOU AO TERRENO BALDIO...
O pai acordou com o pescoço travado e o gosto de uísque na boca. A luz da manhã entrava pela janela da sala. A garrafa vazia estava caída ao lado da poltrona. Ele se levantou cambaleando, a cabeça latejando, e foi até a cozinha beber água. Foi então que viu. A porta dos fundos estava destrancada. O coração apertou. Subiu as escadas dois degraus de cada vez. A porta do quarto de Maria Cecília estava aberta. A cama desfeita. A camisola que ela usava para dormir jogada no chão, suja de terra e de manchas esbranquiçadas. O cheiro no quarto era o mesmo daquela primeira manhã: sexo, suor masculino, terra. Ele entrou. Pegou a camisola. O tecido ainda estava úmido em alguns pontos. O cheiro subiu forte. Terra. Porra. Mulher. O pai fechou os olhos com força, como se pudesse apagar o que os sentidos confirmavam. Quando abriu, viu as marcas de pé descalço no chão de madeira, saindo do quarto e descendo o corredor. Desceu. A porta da garagem também estava aberta. O carro estava lá, mas o banco do motorista e o carpete do lado do carona estavam sujos. Havia terra. Havia manchas. Ele passou a mão no banco e sentiu o residuo pegajoso. O mesmo cheiro. O pai voltou para dentro de casa como um homem sonâmbulo. Subiu de novo. Maria Cecília não estava. O quarto vazio gritava a ausência. Ele se sentou na beira da cama desfeita, a camisola suja ainda na mão, e ficou ali, olhando o nada. Quase uma hora depois ela chegou. Entrou pela porta da cozinha sem pressa, a camisola nova que tinha vestido para voltar já suja de novo, o cabelo embolado, as pernas sujas de terra até o joelho. Quando viu o pai sentado na cama do quarto dela, parou na soleira. Não baixou a cabeça. Não tentou explicar. O pai levantou o olhar. A voz saiu rouca, quase sem força: — Você voltou lá. Maria Cecília apenas acenou. — Voltei. — Com os mesmos? — Com os mesmos. E eles me comeram de novo. Os três. Ao mesmo tempo. O silêncio que se seguiu foi pior do que qualquer grito. O pai apertou a camisola suja nas mãos até os nós dos dedos ficarem brancos. Por um segundo a violência pareceu iminente. Depois ele falou, a voz baixa e quebrada: — Você é um monstro. Maria Cecília deu um passo para dentro do quarto. O cheiro de sexo e terra entrou com ela. Parou na frente do pai e, sem desviar o olhar, ergueu a barra da camisola. A buceta ainda estava vermelha, inchada, com restos de sêmen seco nas coxas. — Isso — disse ela, calma — é o que sobrou deles em mim. Quer cheirar, pai? Quer ver de perto o que a sua filha virou? O homem desviou o rosto como se tivesse levado um tapa. Levantou-se de súbito, empurrou Maria Cecília para o lado e saiu do quarto. Ela ouviu os passos pesados descendo a escada, depois o barulho da porta da rua batendo com violência. Maria Cecília ficou parada no meio do quarto, a camisola ainda erguida, o cheiro dos três homens subindo dela. Depois baixou o tecido, deitou na cama desfeita e se masturbou devagar, os dedos entrando com facilidade no caminho que eles tinham usado de madrugada, enquanto o pai, em algum lugar da casa ou da rua, tentava não enlouquecer. A porta do quarto permaneceu aberta. E ela não fez nenhum movimento para fechá-la.
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