A Rosa do Claustro No convento de Santa Úrsula, onde as paredes de pedra absorviam os gemidos das penitências e os salmos ecoavam como acusações, vivia a irmã Claire, de vinte e um anos. Seu hábito branco ainda cheirava a noviça, e os olhos castanhos guardavam um brilho que a Madre Superiora classificava de “tentação residual”. Claire rezava com fervor aparente, ajoelhava-se até sangrar os joelhos e recitava o ofício com voz doce. Mas à noite, quando a cela ficava escura, suas mãos traíam o corpo: desciam sob a camisa de linho, exploravam a umidade proibida e se retiravam envergonhadas, como se o próprio Cristo as tivesse visto. O jardineiro chamava-se Antoine. Homem de trinta e poucos anos, ombros largos, mãos calejadas pelo trabalho com a terra e um sorriso que nunca pedia perdão. Entrava no convento todas as manhãs pela porta dos fundos, carregando enxadas, regadores e o cheiro de solo molhado. As freiras o evitavam com o olhar baixo; Claire, ao contrário, o observava pelas frestas das janelas. Via o suor escorrer pelo pescoço dele, a camisa aberta no peito, os músculos que se contraíam ao cavar canteiros de rosas. E pensava, contra a própria vontade: a natureza não conhece votos. Um dia de verão, quando o sol queimava as pedras e a maioria das irmãs se recolhia para a sesta, Claire foi enviada ao jardim para colher ervas medicinais. Antoine estava ali, ajoelhado entre os arbustos, cortando ramos secos. Ao vê-la, ergueu-se devagar, limpou as mãos na calça e a cumprimentou com a naturalidade de quem não teme o pecado. — Irmã Claire. As rosas estão no auge. Quase pedem para serem colhidas… ou violadas. Ela corou. Quis recuar, mas os pés permaneceram firmes. — Senhor Antoine, fale com mais respeito. Este é solo sagrado. Ele riu baixo, um som rouco que fez o hábito de Claire tremer. — Sagrado? A terra não sabe o que é sagrado. Ela só sabe crescer, abrir-se, receber a semente e expulsar o fruto. Tudo o mais é invenção de homens medrosos que preferem ajoelhar-se a gozar. Claire sentiu o coração disparar. As palavras dele ecoavam algo que ela já suspeitava nas noites solitárias. Antoine deu um passo à frente. O cheiro de suor e terra a envolveu. Sem pedir licença, tomou-lhe o pulso e a puxou para trás de um muro alto de roseiras, onde nenhuma janela do convento alcançava. — Tire o hábito — ordenou, voz baixa e firme. — Ou eu o tiro por você. Ela hesitou apenas um segundo. Depois, com dedos trêmulos, desamarrou o cordão, tirou o véu, a túnica, a camisa de baixo. Ficou nua sob o sol, pele clara marcada apenas pelas cicatrizes leves das ajoelhaduras. Antoine a observou como se contemplasse uma estátua viva que finalmente respirava. — Olhe para si mesma — disse ele, desabotoando a própria calça. — Isso que a Igreja chama de tentação é apenas o corpo pedindo o que a natureza lhe deve. Deus, se existir, criou o prazer. Os padres inventaram a culpa. Ele a empurrou de costas contra o muro. As mãos calejadas subiram pelas coxas, abriram-nas com autoridade. Os dedos encontraram a umidade que Claire tentava esconder há anos. Ela gemeu, um som abafado que se misturou ao canto distante das freiras no coro. Antoine a penétrou de uma vez, fundo, sem cerimônia. Claire arquejou, as unhas cravadas nos ombros dele. A dor inicial se dissolveu em uma onda quente que subiu pela espinha. Ele a fodia com ritmo brutal, cada estocada acompanhada de palavras que corroíam a fé dela como ácido: — Isso é mais verdadeiro do que qualquer missa. Seu corpo não mente. Ele se abre, se molha, se contrai… enquanto a alma que eles inventaram só sabe sofrer. Esqueça o céu, Claire. O único paraíso está entre as suas pernas. Ela se agarrou a ele, pernas enroladas na cintura firme do jardineiro. O hábito branco jazia no chão, manchado de terra e de seu próprio desejo. Antoine a virou, a forçou a se apoiar nas mãos contra o muro, e a tomou por trás, mais fundo ainda. Uma das mãos dele desceu e massageou o clitóris com precisão cruel; a outra apertou um seio, beliscando o mamilo até ela soltar um grito abafado. Claire gozou primeiro, o corpo inteiro tremeu, os músculos internos apertando o pau do jardineiro como se quisessem arrancar dele a última gota de verdade. Antoine não parou. Continuou fudendo-a através do orgasmo, prolongando o prazer até o limite da dor. Quando finalmente gozou, enterrou-se até o fundo e despejou o sêmen quente dentro dela, gemendo contra o ouvido dela: — Agora você carrega a natureza. Não o pecado. Eles se separaram sem pressa. Claire se vestiu em silêncio, o hábito ainda cheirando a sexo e terra. Antoine recolheu as ferramentas como se nada tivesse acontecido. — Volte amanhã — disse ele. — As rosas precisam de mais atenção. E você também. Claire voltou ao convento com passos firmes. À noite, ajoelhou-se no confessionário e murmurou pecados inventados. Mas por baixo do hábito, o sêmen ainda escorria pela coxa, quente e viscoso, e ela sorriu no escuro. A virtude, compreendeu enfim, era apenas o nome que os covardes davam ao medo de viver.
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