Isabela tinha vinte e cinco anos, cabelo loiro caro, unhas sempre feitas e um apartamento em Ipanema pago pelo pai. De dia era a patricinha clássica: academia, brunch, story no Instagram com legenda em inglês. De noite, quando a solidão apertava ou a tesão subia demais, ela abria o aplicativo de encontros e procurava homens que não conhecia de lugar nenhum. Naquela sexta, o cara se chamava Rodrigo. Trinta e poucos, corpo de academia, olhar de quem não tinha paciência para papo furado. Combinaram no motel barato perto da praia. Ela chegou de vestido curto, sem calcinha, já molhada só de imaginar. Assim que a porta fechou, ele não pediu licença. Segurou o pescoço dela com força, empurrou contra a parede e falou baixo, na orelha: — Você é uma puta rica, né? Adora se sujar com desconhecido. Isabela só balançou a cabeça, ofegante. Ele rasgou o vestido, jogaou no chão e deu o primeiro tapa no rosto. O estalo ecoou. Ela gemeu. O segundo veio mais forte, no seio. O terceiro, na bunda, já com a mão aberta e pesada. Ela sentiu o ardor subir e o líquido escorrer pela coxa. — Chama o que você é — mandou ele, empurrando-a de quatro na cama. — Sou uma puta… — ela soltou, a voz trêmula. — Uma puta barata que gosta de apanhar. Rodrigo riu sem graça nenhuma e começou a foder. Sem carinho, sem preparo. Entrou fundo de uma vez só, segurando o cabelo dela como se fosse uma rédea. Cada estocada vinha acompanhada de um tapa na bunda, depois nas costas, depois de novo no rosto quando ele a virou de bruços e a prensou contra o colchão. Isabela sentia o corpo inteiro queimar. O pau dele batia fundo, o barulho molhado enchendo o quarto, e ela já estava no limite. Quando ele apertou o pescoço e falou “goza, sua vadia”, algo quebrou nela. O orgasmo veio em ondas violentas. Ela gritou, alto, sem se importar se alguém no motel ouvia. As lágrimas escorreram sem controle enquanto o corpo convulsionava. Soluços misturados com gemidos, o rosto molhado de choro e saliva, a voz falhando: — Continua… me fode… me bate mais… Rodrigo não parou. Continuou metendo enquanto ela ainda tremia, dando tapas mais fortes, chamando-a de puta, de vagabunda, de rica que só serve pra ser usada. Isabela gozou de novo, chorando ainda mais, o corpo inteiro entregue, as unhas arranhando o lençol. Quando ele gozou dentro dela, sem perguntar, ela só ficou ali, deitada, ofegante, o rosto marcado, a bunda vermelha, as lágrimas ainda escorrendo. Não pediu nome verdadeiro. Não pediu abraço. Só ficou quieta, sentindo o líquido escorrer entre as pernas e o ardor gostoso da pele. Meia hora depois ele se vestiu e foi embora. Isabela ficou no banheiro, olhando o próprio reflexo no espelho: maquiagem borrada, cabelo bagunçado, marcas vermelhas no pescoço e nos seios. Sorriu, pequena, satisfeita. No caminho de casa, já no Uber, abriu o aplicativo de novo. Ainda doía. Ainda estava molhada. E já estava procurando o próximo desconhecido.
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