ônibus 474 vinha lotado naquela noite fria. Solange estava em pé no fundo, a saia fina colada nas coxas, sem calcinha. O ar cheirava a suor e chuva molhada. Foi então que sentiu o corpo se colar atrás dela. Não era o aperto comum. Era proposital. Um volume duro, já semi-erecto, se encaixou exatamente na curva da bunda. Ela olhou por cima do ombro. O homem era idoso. Uns setenta anos, cabelo branco ralo, óculos de aros grossos, terno gasto. O rosto enrugado, a boca entreaberta. Mas o pau, pressionado contra ela, estava vivo. Solange não se afastou. Pelo contrário: empurrou de leve para trás, acomodando melhor o volume entre as nádegas. O velho respirou fundo no pescoço dela. A mão trêmula desceu e pousou na cintura dela, por cima da saia. Os dedos apertaram. Depois o quadril começou a se mover, devagar, encoxando com movimentos curtos e ritmados. Solange sentiu a cabeça do pau roçar a entrada da buceta por cima do tecido fino a cada embalo. Já estava molhada. O ônibus andou mais dois pontos. O velho continuava esfregando, agora com mais coragem, uma das mãos descendo para apertar a bunda dela. Solange abriu um pouco as pernas. Ele aproveitou e pressionou mais forte, o pau duro deslizando para cima e para baixo no meio das nádegas. Um gemido baixo, rouco, escapou da boca dele. No ponto seguinte Solange se virou o suficiente para falar, quase sem voz: — Desce comigo. O velho engoliu em seco e acenou. Os dois desceram. A praça perto do ponto estava escura, só um poste fraco iluminando o banco de concreto no canto. Solange o puxou para lá. Empurrou-o para sentar. Depois se ajoelhou na frente dele, no chão úmido. Abriu a calça do terno com as duas mãos. O pau saiu: não muito grosso, mas completamente duro, a cabeça vermelha, as veias saltadas, cheiro de homem velho e sabonete barato. Solange envolveu o pau com a mão e começou a masturbar. Devagar no começo, depois mais rápido. O velho jogou a cabeça para trás, a boca aberta, os olhos semicerrados atrás dos óculos. As mãos trêmulas seguraram o banco. Solange cuspiu na cabeça do pau e espalhou a saliva, a mão subindo e descendo com mais facilidade. De vez em quando abaixava a boca e chupava só a glande, só para ouvir o gemido rouco dele. — Assim… assim, minha filha… — murmurou o velho, a voz falhando. Solange acelerou. A mão ia e vinha rápida, molhada, o polegar esfregando a fenda da cabeça. O corpo do homem inteiro tremia. As pernas se abriram mais. Em poucos minutos ele gozou, o sêmen jorrando em fios brancos e espessos, cobrindo a mão de Solange e escorrendo pelos dedos. O gemido foi longo, quase um soluço. Ela continuou masturbando até o último espasmo. Depois limpou a mão na barra da própria saia, levantou-se e olhou para o velho ainda sentado, ofegante, o pau mole e brilhante de porra. — Amanhã no mesmo ônibus — disse só. E saiu andando pela praça escura, o cheiro do sêmen dele ainda nos dedos, a buceta latejando, já pensando no próximo. O velho ficou no banco, a calça aberta, tentando recuperar o fôlego, enquanto Solange desaparecia na direção do ponto. Alberto continuava debaixo da terra. E ela, mais uma vez, tinha transformado um desconhecido em memória suja.
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