No dia seguinte o consultório estava à meia-luz. As persianas fechadas, a lâmpada da escrivaninha acesa apenas o suficiente para iluminar o tampo de madeira escura. Sofia entrou já sem o vestido. Dessa vez veio só de casaco longo e, por baixo, nada. A Bíblia na mão. O corpo ainda marcava as marcas do dia anterior: coxas sensíveis, entrada levemente inchada, um residual de dor doce que a fazia apertar as pernas a cada passo. Henrique a esperava sentado na cadeira de couro, já nu da cintura para baixo, o membro semi-erecto descansando contra a coxa. Sem dizer nada, apontou para a escrivaninha. — Sobe. De quatro. Bíblia aberta na minha frente. Sofia obedeceu. Ajoelhou-se sobre o tampo frio, as mãos apoiadas, as nádegas erguidas. Henrique abriu a Bíblia no Cântico dos Cânticos, capítulo 4, e colocou o livro aberto bem na frente do rosto dela. — Começa do versículo 1. Em voz alta. Sem parar. Ela engoliu em seco e leu: — “Eis que és formosa, amada minha, eis que és formosa; os teus olhos são como os das pombas…” Enquanto as palavras saíam, as mãos dele abriram as nádegas dela. Os polegares separaram os lábios já úmidos. Um fio transparente escorreu. Henrique passou a língua devagar, de baixo para cima, lambendo a entrada ainda sensível, depois subindo até o ânus, onde deu uma volta lenta e provocante. Sofia tremeu, a voz falhando no meio do versículo. — Continua — ordenou, a voz rouca contra a pele. — “…os teus cabelos são como o rebanho de cabras que pastam no monte Gileade…” Dois dedos entraram nela de uma vez. Profundos, curvados, encontrando o ponto que a fazia ver branco. Henrique masturbava o próprio pau com a outra mão enquanto a penetração digital se tornava mais rápida, o polegar pressionando o clitóris inchado em círculos apertados. Sofia gemia os versículos, a voz cada vez mais quebrada. — “Os teus dentes são como o rebanho das ovelhas tosquiadas…” — conseguiu dizer, antes de um gemido alto escapar quando ele retirou os dedos e substituiu pelo pau. Entrou devagar, centímetro por centímetro, até estar completamente enterrado. A sensação de ser aberta de novo, ainda sensível do dia anterior, fez Sofia arquejar. Henrique segurou os quadris dela com força e começou a foder com estocadas longas e profundas, o som molhado ecoando na sala. — Versículo 5 — exigiu. Sofia, a testa apoiada no livro aberto, leu ofegante: — “As tuas duas tetas são como dois filhotes gêmeos da gazela, que pastam entre os lírios…” Henrique se inclinou sobre ela, uma mão passando por baixo para apertar um seio pequeno e firme, o polegar esfregando o mamilo endurecido. As estocadas ficaram mais rápidas. A cada investida a cabeça do pau batia fundo, alongando-a, enchendo-a completamente. Sofia sentia o orgasmo se formando rápido demais. — Não goza ainda — rosnou ele. — Continua lendo. Ela forçou a voz: — “Até que refresque o dia, e fujam as sombras, irei ao monte da mirra e ao outeiro do incenso…” Henrique retirou o pau de repente. O vazio fez Sofia gemer de frustração. Ele a virou de costas sobre a escrivaninha, as pernas abertas, os pés apoiados na beira. A Bíblia foi colocada sobre o peito dela. Ele voltou a entrar, agora de frente, olhando nos olhos dela enquanto empurrava até o fundo. — Versículo 12. Agora. Sofia, a voz embargada de prazer, leu: — “Jardim fechado és tu, minha irmã, minha esposa, manancial fechado, fonte selada…” Henrique sorriu, um sorriso escuro e satisfeito. Acelerou as estocadas, o polegar voltando ao clitóris, esfregando com precisão cruel. Sofia sentiu as paredes internas se contrair com força. — Já não está fechado — murmurou ele. — Está aberto. Molhado. Meu. O orgasmo veio como uma onda quente e violenta. Sofia arqueou as costas, a Bíblia escorregando para o lado, um grito longo e rouco escapando da garganta enquanto se apertava em volta do pau dele. Henrique continuou fodendo através das contrações, prolongando cada espasmo, até que ela quase chorasse de excesso. Só então ele se retirou, virou-a de novo de quatro e voltou a entrar. Dessa vez mais bruto, as mãos agarrando os quadris com força suficiente para deixar marcas. As estocadas eram curtas e profundas, o som de pele batendo contra pele enchendo o consultório. — Capítulo 4, versículo 16 — ordenou, a respiração ofegante. — Lê. Agora. Sofia, a face pressionada contra a madeira, a voz embaraçada de saliva e prazer, conseguiu dizer: — “Levanta-te, vento norte, e vem, tu, vento sul; assopra no meu jardim, para que destilem as suas especiarias. Entre o meu amado no seu jardim, e coma os seus frutos excelentes…” Henrique enterrou até o fundo e gozou com um gemido grave. Jatos quentes e espessos encheram Sofia, escorrendo pelas laterais do pau, pingando sobre a escrivaninha. Ele ficou pulsando dentro dela longos segundos, a respiração pesada contra as costas dela. Quando finalmente saiu, um fio grosso de sêmen escorreu da entrada dilatada e avermelhada, descendo pela coxa interna. Henrique passou dois dedos, recolheu o líquido misturado e levou à boca de Sofia. — Engole. Tudo. Ela obedeceu, os olhos ainda vidrados. Ele fechou a Bíblia com cuidado e a deixou ao lado do corpo nu dela. — Amanhã você volta. E dessa vez vamos ler o capítulo 5. Você de joelhos. Com a boca cheia.
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