Sofia se vestiu com as mãos ainda trêmulas. O vestido longo e modesto que usara para a consulta agora parecia pesado demais sobre a pele sensibilizada. Do lado de fora do consultório, o corredor do prédio médico era silencioso; a recepcionista já tinha ido embora. Só restava o Dr. Henrique, que a acompanhou até a porta com uma calma quase profissional. — Cuide-se — disse ele, a voz baixa. — E se a sensibilidade continuar… me liga. O número dele já estava no papel que ela apertava na mão. Três dias depois, à noite, Sofia estava ajoelhada ao lado da cama no quarto de solteira da casa dos pais. O noivo, Tiago, havia ligado mais cedo para orar juntos sobre o casamento. Ela murmurou as palavras certas, mas a mente não acompanhava. Cada vez que fechava os olhos, via as mãos enluvadas, sentia o metal frio do espéculo, o polegar pressionando exatamente onde ainda doía de forma doce. O telefone vibrou sobre a cômoda. Número desconhecido. — Alô? — Sofia. — A voz dele era inconfundível. — Você disse que precisaria de acompanhamento mais cedo. Ainda sente alguma coisa? Ela engoliu em seco. A porta do quarto estava trancada. Os pais dormiam no andar de baixo. — Sinto… — a voz saiu rouca. — Fica latejando. Como se ainda estivesse… aberto. — Venha amanhã às vinte e uma. O consultório estará fechado. Só nós dois. Não era um pedido. No dia seguinte ela mentiu que ia a um culto de jovens. O vestido florido, a calcinha de algodão branca, o cabelo preso num rabo de cavalo inocente. Quando chegou ao prédio, a recepção estava apagada. A luz do consultório, porém, brilhava por baixo da porta. Ele abriu antes que ela batessem. Sem jaleco. Camisa social com as mangas dobradas, colarinho aberto. O olhar percorreu o corpo dela com uma lentidão que a fez apertar as coxas. — Entre. A porta se fechou atrás dela com um clique seco. Sofia ficou parada no meio da sala, o coração batendo tão forte que parecia ecoar nas paredes brancas. — Tira o vestido — ordenou ele, sem pressa. As mãos dela tremeram no zíper. O tecido escorregou pelos ombros, pelo peito pequeno, pelas curvas suaves do quadril, até formar um monte no chão. Ficou só de sutiã branco e calcinha. Henrique deu um passo à frente, passou o polegar pelo elástico da calcinha, puxando-a devagar para baixo. Quando o tecido úmido se separou da pele, um fio transparente se formou entre a calcinha e a fenda já inchada. — Tão molhada de novo… — murmurou. — Sua igreja não te ensinou a se controlar? Ele a fez deitar na mesma maca. Desta vez não houve lençol. As pernas foram abertas e presas nos estribos com tiras de velcro macias. Sofia gemeu só com o frio do metal nos tornozelos. Henrique não usou luvas. Os dedos nus deslizaram pela parte interna das coxas, abriram os lábios inchados, espalharam a umidade. Depois a boca desceu. A língua quente e larga passou de baixo para cima, devagar, lambendo tudo — a entrada que ainda se contraía, o clitóris inchado, o caminho inteiro até o topo. Sofia arqueou as costas, um grito abafado escapando quando ele sugou o botão sensível entre os lábios. — Doutor… ah… Deus… — Não chama Ele agora — disse Henrique contra a pele molhada. — Chama meu nome. Dois dedos entraram sem resistência. A língua continuou trabalhando o clitóris em círculos apertados enquanto os dedos curvavam para cima, encontrando de novo aquele ponto que a fazia ver estrelas. Sofia puxou o cabelo dele, sem conseguir decidir se queria afastá-lo ou puxá-lo mais fundo. Os quadris se moviam sozinhos, esfregando-se na boca faminta. Quando o primeiro orgasmo veio, foi violento. As pernas tremeram nos estribos, o corpo inteiro se contraiu, e um jato quente molhou o queixo e a camisa dele. Henrique não parou. Continuou lambendo e chupando até ela chorar de excesso de sensação. Só então ele se ergueu, desabotoou a calça e tirou o membro duro e grosso. Sofia olhou, os olhos arregalados. Nunca tinha visto um homem assim de perto. — Vai doer um pouco — avisou ele, alinhando a cabeça na entrada já escorrendo. — Mas você vai gostar. Empurrou devagar. A cabeça grossa abriu-a, centímetro por centímetro. Sofia gemeu alto, as unhas arranhando o colchão da maca. A sensação de ser preenchida pela primeira vez era intensa demais — dor e prazer misturados até não dar para separar. Quando ele estava completamente dentro, parou, deixando-a se acostumar. — Respira — ordenou. — Olha pra mim. Ela obedeceu. Os olhos escuros dele estavam fixos nos dela enquanto começava a se mover. Estocadas longas e profundas no começo, depois mais rápidas, mais fortes. O som molhado de pele contra pele encheu o consultório. A cada investida a maca rangia. Sofia sentia o órgão dele bater fundo, alongando-a, reclamando um espaço que ela nunca soubera que existia. — Mais forte… — pediu ela, a voz quebrada. — Por favor… Henrique segurou as coxas dela com força, abriu-as ainda mais e começou a foder de verdade. Rápido, fundo, sem piedade. O polegar voltou ao clitóris, esfregando em ritmo com as estocadas. Sofia sentiu o segundo orgasmo se formando como uma onda quente que vinha do útero. — Vou gozar dentro — avisou ele, a voz rouca. — Você quer? Ela balançou a cabeça desesperada. — Quero… quero sentir… Ele enterrou até o fundo e gozou com um gemido grave, jatos quentes enchendo-a. Sofia veio no mesmo instante, apertando-o em contrações ritmadas, puxando cada gota para dentro. Por um longo momento só se ouviu a respiração ofegante dos dois. Henrique ainda estava duro dentro dela quando se inclinou e beijou a boca pela primeira vez — um beijo profundo, sujo, que sabia a ela mesma. Quando finalmente saiu, um fio branco escorreu da entrada avermelhada e inchada. Ele passou dois dedos, recolheu o líquido e levou à boca dela. — Engole — ordenou baixinho. Sofia obedeceu, o olhar perdido, as pernas ainda abertas nos estribos. Henrique acariciou o cabelo molhado de suor dela. — Próxima consulta amanhã. Mesmo horário. Dessa vez traga a bíblia. Vamos ler um versículo juntos… enquanto eu te fodo de novo.
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