BONITINHA, MAS ORDINÁRIA: CONTINUANDO APÓS A LIGAÇÃO...



José bebeu mais dois goles de uísque antes de conseguir se levantar.
A mão ainda tremia quando pegou o telefone de novo. Discou o número de Renato de memória. O coração batia na garganta. Do outro lado a linha tocou três vezes.
— Renato.
A voz do amigo saiu calma, educada, como sempre.
— José. Tudo bem? A menina chegou bem, imagino.
José fechou os olhos. A imagem de Maria Cecília no carro, o sêmen escorrendo, a confissão ao telefone… tudo voltou de uma vez.
— Chegou. Eu acabei de falar com ela.
— Ótimo. Eu deixei ela lá com a Celeste e voltei na hora. A estrada estava boa.
Houve um silêncio. José apertou o telefone com força.
— Renato… no caminho… aconteceu alguma coisa?
Do outro lado a pausa foi curta demais para ser inocente.
— Acontecer o quê, José? Eu levei sua filha com todo o respeito. Como combinamos.
José engoliu em seco. Queria gritar. Queria acusar. Em vez disso, a voz saiu baixa, quase derrotada:
— Ela me contou coisas.
Renato demorou um segundo a responder. Quando falou, a voz continuava controlada, mas havia um fio de algo mais escuro por baixo.
— Meninas dessa idade inventam muita coisa quando estão abaladas. Você mesmo disse que ela não está bem. Nervos. Trauma. Não leva a sério tudo o que ela fala.
José não respondeu. Só respirava.
— Olha — continuou Renato, mais suave —, se quiser eu liguei para ela amanhã. Ou passo lá em Petrópolis no fim de semana para ver como ela está. Posso ajudar a manter a situação sob controle. Na melhor das intenções.
José sentiu o estômago revirar. Ao mesmo tempo, o pau latejou traiçoeiramente dentro da calça.
— Eu… eu penso e te falo.
— Estou à disposição. Como sempre.
A linha morreu.
José ficou olhando o telefone. Depois abriu a gaveta, pegou a garrafa outra vez e bebeu.
Do outro lado da serra, em Petrópolis, Maria Cecília passava a manhã trancada no quarto.
Dona Celeste tinha saído para a missa e depois para o mercado. A casa estava vazia. Maria Cecília aproveitou. Andou nua pelo corredor, abriu as gavetas da tia, cheirou os lençóis da cama de casal, sentou-se na poltrona da sala com as pernas abertas. Depois voltou ao quarto, deitou-se e se masturbou devagar, lembrando da voz do pai ao telefone — o silêncio depois da confissão, a respiração pesada, o “cale a boca” que soou quase como um gemido.
Quando gozou, ficou olhando o teto e sorriu.
Sabia que o pai ia sofrer.
Sabia que Renato ia voltar.
E sabia que, mais cedo ou mais tarde, a gaiola de Petrópolis ia ficar pequena demais para ela.
No fim da tarde a tia voltou. Maria Cecília já estava vestida, o rosto de anjo no lugar, os olhos baixos. Jantaram em silêncio. Dona Celeste observava a sobrinha com desconfiança, mas não perguntou nada.
À noite, depois que a casa dormiu, Maria Cecília abriu a janela do quarto e ficou olhando o quintal escuro.
Já estava planejando a primeira fuga.

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Ficha do conto

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Nome do conto:
BONITINHA, MAS ORDINÁRIA: CONTINUANDO APÓS A LIGAÇÃO...

Codigo do conto:
275517

Categoria:
Fetiches

Data da Publicação:
25/10/2026

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