No dia seguinte o consultório estava em silêncio absoluto. Apenas a luz da lâmpada cirúrgica iluminava a maca no centro da sala. Sofia entrou, tirou o casaco e ficou nua. A Bíblia na mão. O corpo já não era o mesmo de uma semana atrás: a entrada permanentemente sensível, as coxas marcadas, o olhar diferente — menos de ovelha, mais de alguém que descobriu o gosto do pecado e não queria mais largar. Henrique a esperava sentado no banco rolante, completamente nu. Sem pressa, apontou para a maca. — Deita. De costas. Pernas abertas. Nos estribos. Sofia obedeceu. As tiras de velcro fecharam nos tornozelos. As coxas se abriram completamente. O ar frio tocou a fenda já úmida. Henrique puxou o banco para mais perto, abriu a Bíblia no Cântico dos Cânticos, capítulo 8, e a colocou aberta sobre o peito nu dela, as páginas apoiadas entre os seios. — Versículo 1. Em voz alta. Devagar. Sem pressa. Ele alinhou a cabeça grossa do pau na entrada e empurrou com lentidão quase cruel. Centímetro por centímetro. Sofia sentiu cada veia, cada pulsar, cada milímetro entrando. Quando estava completamente enterrado, parou. Só o calor e a pressão. Sofia, a voz já embargada, começou a ler: — “Ah! Quem me dera fosses como meu irmão, que mamou os seios de minha mãe! Quando eu te encontrasse lá fora, beijar-te-ia, e não me desprezariam!” Henrique começou a se mover. Estocadas longas, profundas, extremamente lentas. Saía quase por completo e voltava a enterar até o fundo, o polegar descansando sobre o clitóris inchado, sem esfregar ainda — apenas pressionando. — Continua — murmurou, a voz baixa e controlada. — “Eu te levaria e te introduziria na casa de minha mãe, e tu me ensinarias; eu te daria a beber vinho aromático, o mosto das minhas romãs.” Ele manteve o ritmo lento. Cada investida fazia a maca ranger baixinho. Sofia sentia o prazer se acumulando de forma quase dolorosa, camada sobre camada, sem permissão para explodir. As paredes internas se contraíam em volta dele, tentando puxá-lo mais fundo. — Versículo 3 — ordenou. Ela leu, ofegante: — “A sua mão esquerda esteja debaixo da minha cabeça, e a sua mão direita me abrace.” Henrique obedeceu ao versículo. A mão esquerda deslizou sob a nuca dela, erguendo um pouco a cabeça. A direita desceu entre os corpos e finalmente começou a esfregar o clitóris em círculos lentos e precisos, no mesmo ritmo das estocadas. Sofia arqueou as costas. O prazer subia como uma maré quente e inevitável. — Não goza ainda — disse ele, a voz rouca. — Versículo 6. Ela forçou as palavras, a voz quebrada: — “Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, labaredas do Senhor.” Henrique acelerou apenas um pouco. As estocadas continuavam profundas, mas agora o polegar no clitóris trabalhava com mais intenção. Sofia sentia o orgasmo se formando no útero, pesado, quente, quase assustador. — Versículo 7 — exigiu. — “As muitas águas não poderiam apagar o amor, nem os rios afogá-lo; ainda que o homem desse toda a fazenda de sua casa pelo amor, certamente a desprezariam.” Ele se inclinou sobre ela, o peito colado ao peito, o pau enterrado até o limite. Os olhos escuros fixos nos dela. — Agora o último. Versículo 14. Lê enquanto goza. Sofia, as lágrimas escorrendo pelos cantos dos olhos, a voz quase inaudível de prazer, leu: — “Ó amado meu, foge, e faze-te semelhante ao veado ou ao filho das gazelas sobre os montes dos aromas.” No momento em que a última palavra saiu, Henrique esfregou o clitóris com firmeza e enterrou o pau até o fundo. Sofia veio com um grito longo, rouco, quase um soluço. O corpo inteiro se contraiu em espasmos violentos, as paredes internas apertando o membro dele com força desesperada. O líquido escorreu quente entre os corpos, molhando a maca. Henrique não parou. Continuou se movendo devagar através do orgasmo dela, prolongando cada contração, cada tremor, até ela quase perder a consciência. Só então acelerou as últimas estocadas e gozou fundo, jatos quentes e espessos enchendo-a completamente. Ficou pulsando dentro dela longos segundos, a respiração pesada contra o pescoço dela. Quando finalmente saiu, um fio grosso e branco escorreu da entrada dilatada, descendo pela coxa e pingando no chão. Henrique retirou a Bíblia do peito dela, fechou-a com cuidado e a deixou ao lado da cabeça de Sofia. Ficou olhando para ela — pernas ainda abertas nos estribos, corpo suado, peito ofegante, olhos vidrados, a boca entreaberta. — Acabou o livro — disse, a voz baixa. — Mas o acompanhamento não. Passou dois dedos pela entrada molhada, recolheu o sêmen misturado e empurrou de volta para dentro dela. — Semana que vem você volta. Mesmo horário. E dessa vez… não vamos precisar da Bíblia.
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