Foi num domingo de almoço. Alberto tinha convidado o compadre Hélio — amigo de anos, padrinho do sobrinho, homem de risada alta e mão grande — e a mulher dele. A mesa estava posta na sala de jantar. Solange servia a comida de vestido leve, sem meia-calça, o tecido subindo um pouco demais quando ela se inclinava. Alberto notou, mas não comentou. Já estava acostumado a notar e calar. Hélio chegou de camisa aberta no peito, cheiro de cologne barato e suor. Cumprimentou Alberto com um abraço forte demais. Quando chegou a vez de Solange, o beijo no rosto demorou um segundo a mais. A mão dele ficou na cintura dela um instante além do necessário. Alberto viu. Sentiu o estômago apertar. Sentaram-se. Hélio ficou à direita de Solange. A mulher dele, distraída, falava da igreja. Alberto tentava acompanhar a conversa, mas os olhos voltavam sempre para a borda da mesa. Em determinado momento Solange se mexeu na cadeira. Um movimento pequeno. Depois outro. O rosto dela permanecia calmo, educado, mas a respiração tinha mudado. Mais curta. Alberto baixou o olhar. Por baixo da toalha branca, a mão de Hélio não estava sobre a própria coxa. Estava sobre a de Solange. Os dedos grossos apertavam a carne nua, subindo devagar. Solange abriu um pouco as pernas. O movimento foi mínimo, mas Alberto viu o tecido do vestido esticar. A mão de Hélio desapareceu por completo sob a toalha. Solange prendeu a respiração por um segundo. Depois pegou a taça de vinho com naturalidade e bebeu. Alberto sentiu o sangue subir ao rosto. Embaixo da mesa, os dedos de Hélio já tinham encontrado o caminho. A calcinha de Solange fora puxada para o lado. Dois dedos entraram nela com facilidade — ela já estava molhada. O polegar buscou o clitóris e começou a esfregar em círculos lentos, discretos. Solange continuava comendo, respondendo à mulher de Hélio sobre uma receita de bolo, a voz só um pouco mais baixa que o normal. Alberto não conseguia engolir. Viu o momento em que Solange apertou os talheres com força. Viu o pequeno tremor na coxa dela. Viu Hélio sorrir de lado, como quem conta uma piada interna, enquanto a mão trabalhava embaixo da mesa com calma de quem já conhecia aquele corpo. Solange gozou em silêncio. Foi rápido, contido. Só um arrepio que percorreu os ombros, a boca se abrindo um pouco, os olhos se fechando por meio segundo. Hélio tirou os dedos devagar, passou-os na toalha por baixo da mesa e depois trouxe a mão à luz. Os dedos brilhavam. Ele pegou o guardanapo, limpou com naturalidade e voltou a comer como se nada tivesse acontecido. Alberto estava branco. No fim do almoço, quando os dois homens foram até a varanda fumar, Alberto não conseguiu segurar. — Você meteu a mão nela embaixo da mesa. Hélio soltou a fumaça devagar. Não negou. Só olhou para o compadre com uma expressão quase pena. — Ela deixou, Alberto. Já deixa faz tempo. Alberto sentiu o chão ceder. — Há quanto tempo? Hélio deu de ombros. — Uns meses. Desde aquela vez no aniversário do seu sobrinho. Ela mesma puxou minha mão. Depois foi no corredor. Depois no banheiro da sua casa, enquanto você dormia a sesta. Hoje foi só um lembrete. Alberto não conseguiu falar. O cigarro tremeu entre os dedos. Hélio continuou, a voz baixa: — Ela goza fácil, seu otário. E gosta quando a gente fala putaria no ouvido. Você nunca percebeu? Dentro de casa, Solange ria de alguma coisa com a mulher de Hélio. O som da risada dela chegou até a varanda, leve, despreocupado. Alberto apagou o cigarro no cinzeiro sem ter fumado direito. Entrou em casa. Olhou para a mulher. Solange segurou o olhar dele por um segundo e depois sorriu, pequeno, como quem sabe que o segredo acabou de mudar de dono. Naquela noite, depois que os convidados foram embora, Alberto a empurrou contra a parede da sala e a fodeu com raiva, sem carinho, sem palavra. Solange gozou gritando, as unhas nas costas dele, e no meio do orgasmo sussurrou no ouvido do marido: — Os dedos dele ainda estavam mais gostosos. Alberto gozou com ódio. E Solange, com um sorriso no rosto.
Faca o seu login para poder votar neste conto.
Faca o seu login para poder recomendar esse conto para seus amigos.
Faca o seu login para adicionar esse conto como seu favorito.
Denunciar esse conto
Utilize o formulario abaixo para DENUNCIAR ao administrador do contoseroticos.com se esse conto contem conteúdo ilegal.
Importante:Seus dados não serão fornecidos para o autor do conto denunciado.