"Filha, dá uma geral no meu quarto, por favor. Tô voltando ao meio-dia. Te amo."
Adriana bufou, mas não se importava. Gostava da casa da mãe. Gostava do cheiro do quarto dela, daquele perfume de lavanda misturado com alguma coisa antiga e doce.
Pegou o pano de poeira e o aspirador e subiu.
O quarto da mãe era grande, claro, com a janela dando para o quintal, e uma cama de casal enorme que Adriana sempre achou exagerada para uma pessoa só.
Começou pelas prateleiras. Depois o criado-mudo. Depois o chão.
E foi então que ela abriu o armário embaixo da penteadeira, aquele que a mãe sempre chamava de "armário das tranqueiras".
Estava cheio de coisa. Revistas velhas, sapatos que a mãe não usava há anos, cabos de carregador, uma caixa de sapato cheia de bijuterias quebradas.
E no fundo, atrás de tudo, uma coisa grande coberta por uma toalha dobrada.
Adriana puxou.
Era um aparelho esquisito. Pesado, com um corpo arredondado de plástico preto, meio brilhante, meio fosco, e em cima uma base meio abaixada, como uma sela.
"Que diabo é isso?", ela pensou.
Virou de um lado, virou do outro. Tinha um cabo saindo, um controle com uma rodinha, e um furo no centro daquela parte de cima.
Parecia mesmo uma cela. Uma cela pequena, de colocar num cavalo.
Adriana abriu mais o armário, curiosa, e foi então que encontrou a caixa.
Uma caixa de papelão branca, sem graça, com uma foto na tampa e um nome escrito em letras finas.
E dentro dela... os dildos.
Não era um. Eram vários.
Adriana sentou no chão, com a caixa no colo, e começou a tirar um por um.
Um pequeno, rosa claro, liso, fininho.
Um médio, cor de pele, com veias marcadas.
Um comprido, fino, curvo.
Um grosso, daqueles que ela teve que pegar com as duas mãos.
Um enorme, preto, texturizado, cheio de bolinhas e anéis.
E mais dois, três, quatro... de tamanhos e grossuras que pareciam seguir uma escala, uma progressão, do bebê até o absurdo.
Adriana ficou olhando aquilo com a boca meio aberta.
A mãe dela. A mãe dela, que fazia bolo de cenoura no domingo e reclamava do preço do tomate.
A mãe dela tinha aquilo tudo guardado no armário.
E não era só os dildos. Tinha potes de gel, lenços umedecidos, um espelhinho redondo, um saquinho com pilhas.
Adriana entendeu de uma vez só: a mãe se masturbava. E se masturbava muito. E com uma coleção inteira.
E ali, no meio daquilo, estava o aparelho da sela.
Agora ela entendeu o que era. Tinha visto uma vez na internet, num vídeo que apareceu no feed. Um Sybian.
Um aparelho que você senta em cima e ele faz... tudo. Vibra, gira, sobe e desce, te fode sem parar até você não aguentar mais.
Adriana nunca tinha usado dildo. Nenhum. Era virgem de brinquedo.
E ali estava ela, sentada no chão do quarto da mãe, com a mãe na feira, olhando um Sybian.
Ela olhou o relógio. Nove e meia. A mãe voltava ao meio-dia.
Duas horas e meia.
Adriana se levantou e foi trancar a porta do quarto. Sem motivo nenhum, por via das dúvidas.
Depois voltou, arrastou o aparelho para fora do armário com esforço, e colocou em cima da cama da mãe.
Pesava. O plástico era frio na mão.
Ela limpou a superfície com um lenço umedecido que achou na caixa, com cuidado, como se estivesse mexendo em coisa sagrada.
Ligou na tomada.
Achou o botão. Girou a rodinha devagar.
E o aparelho... zumbiu.
Um som baixinho, grave, de motor. A parte de cima começou a vibrar de leve.
Adriana riu sozinha. De nervoso. De gosto.
"Aí dentro vai a xoxota", ela pensou, e sentiu o rosto esquentar só de pensar.
Ela procurou o gel. Achou um potinho na caixa, transparente, com cheiro de morango.
Abriu, apertou um pouco na mão, olhou aquilo escorregando entre os dedos, e passou na base do aparelho, na parte onde o dildo saía.
Depois pegou um dos dildos do meio — nem o bebê, nem o monstro, um médio, cor de pele, com veias marcadas — e encaixou no furo do centro.
Encaixou bem, girando até prender.
Agora sim. O Sybian estava montado, com o dildo em pé, apontando pro teto, em cima da cama da mãe.
Adriana ficou olhando aquilo e sentiu uma onda de calor subir pelo corpo todo.
Ela estava de short e uma camiseta larga. Tirou o short.
Ficou só de calcinha, e depois pensou, e tirou a calcinha também.
Colocou de lado, no criado-mudo, dobradinha, arrumadinha.
Ela subiu na cama de joelhos, de frente pro aparelho, e ficou parada ali um segundo.
"Como é que senta nisso?", ela pensou.
Parecia simples e ao mesmo tempo assustador. Era só colocar a xoxota em cima e... cavalgar. Sentar. Deixar entrar.
Ela passou a mão no dildo. Sentiu a textura, o gel escorregadio, o formato.
Passou o dedo em si mesma pra ver se estava molhada. Estava. Muito.
Adriana respirou fundo, abriu um pouco as pernas, e começou a descer.
A ponta do dildo tocou nela.
Ela parou, ajustou o ângulo, encaixou a ponta na entrada.
Desceu mais um pouco.
Sentiu a pressão, aquele alargar devagar, e a ponta entrando, escorregando fácil por causa do gel.
Ela era apertada. Não tinha experiência nenhuma.
Desceu mais, com cuidado, milímetro por milímetro, e o dildo foi entrando, preenchendo, empurrando as paredes pra dentro.
Adriana soltou um som baixinho, um "ah" que nem ela esperava.
Desceu até o fim. Até a base. Até o corpo dela sentar na sela de plástico e o dildo ficar inteiro dentro dela.
Ela ficou parada, respirando, sentindo.
Sentindo o quanto aquilo preenchia. O quanto era diferente dos dedos. O quanto era... mais.
E então ela girou a rodinha do controle.
O aparelho acordou de verdade.
A vibração subiu pelo dildo, pelas paredes dela, pelo corpo todo.
Adriana arregalou os olhos e deixou escapar um gemido que ela nem tentou segurar.
Ela começou a se mover.
Devagar no começo, subindo e descendo pouco, só o suficiente pra sentir o deslizar.
Depois mais. O quadril dela achando o ritmo sozinho, aquele ritmo antigo, instintivo, que ela nunca tinha usado com nada além do próprio corpo.
O aparelho vibrava, pulsava, e o dildo ia e voltava, e Adriana ia e voltava junto, de mãos apoiadas nos joelhos, corpo curvado pra frente.
O cheiro de morango do gel subia no ar.
A cama da mãe rangia de leve.
E Adriana cavalgava.
Ela era baixinha, então o aparelho parecia enorme embaixo dela, e ela tinha que abrir bem as pernas pra sentar, o que deixava tudo mais intenso, mais profundo.
Cada descida chegava no fundo. Cada subida arrancava um gemido.
Ela aumentou a vibração.
Agora era forte demais, era bom demais, e ela parou de pensar em qualquer coisa.
Os quinze minutos seguintes foram só aquilo.
Ela experimentou sentar de frente. Experimentou inclinar o corpo pra trás. Experimentou apoiar as mãos atrás, na cama, e deixar o quadril fazer o trabalho sozinho, e essa foi a melhor, essa fez ela gemer alto, sem vergonha nenhuma, com a casa vazia.
Ela sentiu o corpo começar a tremer.
As pernas ficando fracas. A barriga apertando. Aquele aperto bom, conhecido, subindo.
Adriana fechou os olhos.
"Vou gozar", ela pensou. "Vou gozar em cima da porra do aparelho da minha mãe."
E ela foi.
Foi forte, longo, daqueles que fazem a pessoa esquecer o nome, e ela caiu pra frente, de bruços quase, com o dildo ainda dentro, tremendo, com a respiração quebrada, com o corpo todo pulsando.
Ficou assim um tempo.
E foi exatamente nesse momento que a porta da rua abriu.
Adriana ouviu o barulho. Ouviu o portão. Ouviu passos na escada.
"Merda", ela pensou. "É ela."
O pai. Não era a mãe. Era o pai.
O pai dela tinha ido buscar a mãe e chegado mais cedo, ou tinha saído e voltado, e agora estava subindo a escada, e agora estava no corredor, e agora estava na porta do quarto.
E a porta estava destrancada. E ele abriu.
E ele viu.
Viu a filha de dezoito anos, baixinha, de camiseta e nada mais, de bruços em cima da cama da mãe, com um Sybian ligado embaixo do corpo, com um dildo cor de pele enfiado nela, brilhando de gel, com a bunda no ar e a cara vermelha.
E ele ficou parado. Sem falar nada. Só olhando.
Adriana levantou a cabeça devagar e olhou pro pai.
Ela abriu a boca pra dizer alguma coisa, e não saiu nada, e ela só conseguiu dizer:
"Pai... deixa eu explicar."
E o pai, encostado na porta, com o braço dobrado, olhando a filha sentada no brinquedo da esposa, só respondeu:
"Filha, o que é isso?"
Adriana sentiu o rosto queimar.
E o aparelho ainda estava ligado e o dildo ainda estava dentro dela.
E o pai ainda estava na porta, esperando a resposta.
Ela respirou fundo, e disse, meio rindo, meio morrendo de vergonha:
"É... é da mamãe."
E o pai olhou pro aparelho, olhou pra filha, olhou pro dildo, e soltou:
"Da sua mãe?"
Adriana assentiu.
O pai ficou em silêncio mais um segundo, e depois disse, com uma calma que ela não esperava:
"Então é por isso que ela demora tanto no quarto."
Adriana riu. De verdade. E na risada o corpo mexeu, e o aparelho lembrou que estava ligado, e ela mordeu o lábio pra não gemer na frente do pai.
E o pai, na porta, com as mãos nos bolsos, olhando aquela cena da filha doce toda vermelha em cima de um Sybian, só disse:
"Termina aí. Eu, eu, eu, sei la filha."
E saiu, fechando a porta devagar.
E Adriana ficou lá.
Sentada. Cheia. Tremendo ainda.
Com o coração batendo na garganta.
E pensando, com uma alegria meio culpada, meio deliciosa:
Ela ficou parada em cima da cama por uns segundos, ouvindo os passos do pai descendo a escada.
O aparelho ainda zumbia embaixo dela.
Adriana girou a rodinha até o mínimo, e depois desligou.
O silêncio voltou pro quarto, e com o silêncio voltou a vergonha.
Ela levantou o quadril devagar, e o dildo saiu dela com um barulhinho molhado, escorregadio de gel, e ela sentiu o vazio na hora.
Ficou de joelhos na cama, respirando.
Estava molhada. Muito. Escorrendo.
Adriana passou a mão por baixo e sentiu aquilo tudo, e sentiu o cheiro, e sentiu a boca seca.
"Ai credo", ela pensou. "Ele viu."
Ela pegou a calcinha no criado-mudo, aquela mesmo que ela tinha dobrado com cuidado antes.
Olhou pra ela e Olhou pra si mesma.
Ela estava melada. Escorrendo. Aquela calcinha branca ia ficar marcada na hora.
E ela colocou assim mesmo.
Passou pelos pés, subiu pelas pernas, e quando chegou na xoxota ela sentiu o tecido encostar na carne ainda inchada, ainda sensível, ainda tremendo, e mordeu o lábio.
Ficou molhadinha na hora. Uma manchinha escura no meio da calcinha branca.
Adriana se olhou no espelho da mãe.
Cabelo solto do coque, bochechas vermelhas, camiseta larga até o meio da coxa.
E embaixo, aquela manchinha.
"Tá ótimo", ela pensou. "Ninguém vai notar."
Ela achou um short na cadeira, um short curto, cinza, e vestiu.
Puxou pra baixo, ajeitou, e ficou.
Depois desceu a escada.
Ela ouviu o barulho da cozinha antes de chegar e ouvir a agua fervendo. Xícara. Colher batendo.
O pai estava de costas, encostado na bancada, esperando o café passar.
E ele estava... normal.
Como se nada tivesse acontecido.
Adriana ficou na porta da cozinha, com os braços cruzados na frente do corpo, sem saber o que fazer.
"Oi", ela disse.
O pai virou e olhou pra ela. Sorriu de um jeito que ela não soube ler.
"Oi, filha."
Silêncio.
O café passando.
Adriana sentou no banco da bancada, do lado, com as pernas meio abertas, e depois fechou, e depois abriu de novo, sem saber como sentar.
Ela ainda estava sensível. Sentar era esquisito.
O pai pegou duas xícaras.
"Quer?"
"Quero."
Ele serviu. Colocou na frente dela.
E ficou parado, do outro lado da bancada, olhando pra filha.
Adriana pegou a xícara, deu um gole, queimou a boca, e falou:
"Pai."
"Fala."
"Você... você sabia daquilo?"
O pai franziu a testa.
"Daquilo o quê?"
Adriana olhou pra ele.
"O aparelho. Você sabia que ela tinha?"
O pai riu, sem graça.
"Filha, eu achava que era uma caixa. Uma caixa de sapato. Ou uma daquelas máquinas de costura velhas. Ela guardava embaixo do armário, eu nunca olhei."
Adriana ficou surpresa.
"Você nunca... você nunca viu ela usar?"
O pai deu de ombros.
"Já vi o cabo saindo. Já vi ligada no chão. Mas ligada no chão não me diz nada. Achei que fosse uma coisa de massagem. De... de dor nas costas."
Adriana soltou uma risada, e a risada doeu um pouco na barriga.
"De dor nas costas."
Adriana deu outro gole e depois, sem olhar pro pai, falou baixinho:
"Você vai contar pra ela?"
O pai pensou.
"Sei não."
Adriana levantou os olhos.
"Você não sabe?"
"É uma pergunta difícil, Adriana."
O pai pegou a xícara, deu um gole, e ficou olhando pro café.
"Porque se eu contar, eu tenho que explicar como eu vi. E eu vi... muita coisa."
Adriana sentiu o rosto esquentar de novo.
"Então não conta."
O pai riu.
"Você quem manda agora?"
"Tá, tá. Não conto."
Adriana respirou.
Mas o pai continuou falando, e ela percebeu que ele não tinha terminado.
"O quê?"
"Se eu não conto pra ela, a gente tem que ter um acordo."
Adriana olhou pra ele.
"Que acordo?"
O pai deu de ombros de novo, como se fosse a coisa mais simples do mundo.
"Você não conta que eu vi. Eu não conto que você usou. Ninguém fica sabendo de nada. E você... usa quando puder."
Adriana abriu a boca.
"Usa quando puder?"
"É. Quando ela não tiver em casa. Quando ela sair. Você sabe que ela sai todo sábado de manhã."
Adriana ficou olhando o pai.
O coração dela batendo um pouco mais rápido do que devia.
"Você... você deixa?"
"Filha, o aparelho é dela. Mas o que ela não sabe não machuca ninguém."
E aí o pai fez uma pausa.
Deu um gole.
E falou, sem pressa, olhando pro nada:
"E sua xoxota é linda, aliás, greludinha ne"
Adriana travou.
"É vermelha igual de sua mae."
"Você...olhou?"
O pai riu, baixinho.
"Filha, eu cheguei na porta e você tava de bunda pro ar com a boca vermelha e o negócio dentro de você. Eu vi tudo. Não tinha como não ver."
Adriana se encolheu no banco.
"Ai, pai."
"Foi mal."
"Não, não é isso. É que... eu tava aberta."
"Tava."
"Tipo, aberta mesmo."
"Bem aberta."
"Com aquilo tudo dentro e gemendo muito
"Com tudo, filha."
Adriana enterrou o rosto na mão.
O pai riu.
"Ó, e vou te falar uma coisa."
Adriana tirou a mão do rosto.
"O quê?"
"Você tem os pentelhos loiros e ralos, né."
Adriana olhou pra baixo, como se pudesse se ver.
"Tenho."
"Ralos e sua xota molhadinha, gostosinha de ver. É bonito."
Adriana sentiu o pescoço queimar.
"Você tá falando da minha... da minha...buceta"
"Tô falando do que eu vi, filha. E o que eu vi era bonito."
Adriana pegou a xícara e bebeu, só pra ter o que fazer com a boca.
O pai ficou em silêncio um tempo.
Depois falou, mais devagar:
"Ó, deixa eu te falar uma coisa."
"Fala."
"Se você for usar aquilo, usa escondida mesmo. Tranca a porta. E não fica com vergonha de gemer, porque o aparelho é forte, e você vai gemer."
"Você ouviu eu gemendo?"
"Filha, eu ouvi da rua."
Adriana ficou vermelha um pouco.
"É normal. É normal."
"E você vai... você vai olhar?"
O pai pensou.
"Vou."
"Tipo, sempre?"
"Quando eu puder, filha."
Adriana ficou quieta.
E depois falou baixinho, quase pra si mesma:
"Mais pai..Isso é errado."
"Errado por quê filha?"
"Sei lá. Você viu. E agora você vai ficar olhando. E a mamãe não sabe."
"Errado por causa disso?"
"É. É estranho, né."
O pai deu de ombros.
"Estranho é pouco. Mas tá bom."
Adriana olhou pra ele.
"Tá bom, filha. E aí os dois riram.
Riram os dois, juntos, na cozinha, com o café esfriando nas xícaras.
Adriana se levantou pra lavar a xícara.
Passou perto do pai.
"Da próxima vez, me chama."
Adriana parou.
"Chamar?"
"É. Se você for usar, me chama. Aí eu vejo direito. Sem ter que ficar adivinhando pela porta."
Adriana sentiu uma coisa na barriga.
Uma coisa boa, nova, esquisita.
"Tá bom."
O pai riu.
"Então tá bom."
Adriana lavou a xícara.
E naquela hora, com o pai do lado, com o short curto, com a calcinha ainda molhadinha encostada na xoxota, com a cabeça cheia de coisa, ela só pensou:
"Semana que vem ela sai de novo."
E o pai, do outro lado da bancada, tomando o café que já tinha esfriado, também estava pensando a mesma coisa.
A semana passou devagar.
Devagar de um jeito que Adriana nunca tinha sentido.
Segunda, terça, quarta — ela acordava pensando no aparelho. Quinta, sexta — ela deitava pensando no pai na porta.
E sábado chegou.
A mãe tinha dito na sexta, na mesa do jantar, como se fosse a coisa mais banal do mundo:
"Amanhã eu vou na feira, depois no salão, depois no almoço da tia. Só volto de noite."
Adriana engasgou com o arroz.
"De noite?"
"É, filha. Você fica com o seu pai. Tem comida na geladeira."
Adriana olhou pro pai.
O pai não olhou pra ela.
O pai estava olhando pro prato, com um sorrisinho de canto que ela quase não pegou.
Adriana passou a semana inteira se preparando por dentro.
Na sexta à noite ela já tinha decidido: amanhã ela ia fazer do jeito certo.
Não do jeito de garota que tropeça no armário da mãe.
Do jeito de mulher.
Ela acordou cedo no sábado, antes de todo mundo, e foi pro banheiro.
Trancou a porta.
Abriu o chuveiro bem quente, deixou o vapor encher tudo, e entrou.
Lavou o cabelo. Lavou o corpo. E depois pegou o sabonete e lavou ali, com cuidado, com a mão, devagar.
Ela ia estar cheirosa. Ela ia estar limpa. Ela ia estar pronta.
Ela ainda estava sensível de pensar.
Depois de secar, Adriana fez uma coisa que ela nunca tinha feito na vida.
Pegou a máquina de depilar da mãe, e depois a pinça, e depois o espelhinho redondo, e sentou na borda da banheira com as pernas abertas.
Ela tinha pentelhos loiros e ralos.
O pai tinha dito que era bonito.
Ela ia deixar mais bonito.
Tirou tudo com cuidado, depilando ela e os lábios, com os olhos marejados sentimento de tesao e de vergonha.
Quando terminou, passou a mão.
Estava lisa. Estava macia. Estava depiladinha.
"Pronto", ela pensou.
E ela passou um perfume ali também.
Depois foi pro quarto.
Abriu a gaveta e procurou. E achou o que ela tinha separado na sexta, escondido atrás dos casacos.
Uma calcinha de renda francesa. Bem pequena. Cor de vinho.
Uma coisa que ela tinha comprado meses antes e nunca tinha tido coragem de usar.
Ela vestiu.
E a calcinha subiu pelas pernas, encaixou nos quadris, e no meio... ela sentiu o tecido entrar entre os lábios.
Aqueles lábios vermelhos, inchados, de adolescente inexperiente, e agora molhados de tesão antes mesmo de qualquer coisa acontecer.
A renda afundou. Entrou. Ficou abraçada ali, marcando tudo, mostrando tudo, escondendo nada.
Adriana se olhou no espelho.
Ela ficou vermelha sozinha.
ela pensou. "Eu não vou conseguir sair assim."
Mas ela saiu.
Desceu a escada com as pernas tremendo um pouco, com o coração na boca, e foi até a sala.
A mãe estava na porta, com a bolsa no ombro, e nem olhou direito.
"Tchau, filha. Se comporta."
"Tchau, mãe."
E a casa ficou em silêncio.
Adriana ficou parada no meio da sala por três segundos.
Depois se virou pro pai, que estava no sofá, com um livro que ele nem estava lendo.
E ela não falou nada.
Ela só fez um sinal.
Apontou com o queixo pra escada.
Apontou pra cima, pro quarto da mãe.
E olhou pra ele com uma cara que dizia tudo: eu vou lá. Se você quiser ver, é agora.
O pai fechou o livro.
Levantou.
E foi atrás dela.
O quarto estava com a luz da manhã entrando pela janela, mas Adriana achou que era claro demais, então fechou um pouco a cortina, e a luz ficou dourada, meio morna, meio de cinema.
Ela olhou em volta.
E o pai já estava lá.
Ele tinha pegado a cadeira da escrivaninha, aquela de madeira, e tinha colocado no canto do quarto, de frente pra cama, e tinha sentado nela.
De pernas cruzadas.
Como quem vai assistir um filme.
Adriana sentiu o estômago revirar.
Ele não ia ficar na porta. Ele não ia passar e sair. Ele ia ficar ali. Sentado. Olhando.
Adriana foi até o armário.
Ela já sabia onde tudo estava agora.
Puxou o aparelho, colocou em cima da cama, limpou, ligou na tomada.
Passou gel na base.
E depois abriu a caixa dos dildos.
Ela ficou agachada, com a caixa no chão, escolhendo.
O dedo dela passou por cima de todos — o pequeno, o médio, o grosso, o preto texturizado, o enorme.
E foi aí que o pai falou.
"Fala."
"Usa o maior."
Adriana olhou pra ele.
"O maior?"
"É. Aquele do canto. O comprido."
Adriana pegou.
Era pesado. Era grosso. Era longo de um jeito absurdo.
Tinha um nome escrito na base, em relevo, em letra fina.
Ela virou pra ler.
"Mega Extreme Intruder Pussy Creamy", ela leu em voz alta.
O pai riu.
"É esse."
"Pai, você leu isso?"
"Li enquanto você não tava."
Adriana olhou o dildo. Depois olhou o pai.
"Você sabe o tamanho disso?"
"Sei."
"É enorme, pai."
"Eu sei."
"É grosso. É comprido. Olha isso."
"Tô olhando."
"Minha xoxota não sei se entra."
O pai se ajeitou na cadeira.
E falou com uma calma que fez Adriana querer bater nele.
"Vai com calma."
"Vai com calma. Molha bem. Desce devagar. Não tem pressa."
Adriana respirou.
E olhou o dildo de novo.
Ele era grande mesmo. Devia ter uns quarenta centímetros, uma coisa assim, grosso como um punho, com a cabeça larga e arredondada, cor de pele, com umas veias marcadas que pareciam feitas de propósito.
A cabeça dele, sozinha, era maior que a cabeça de qualquer outro ali.
Adriana ficou com medo.
Medo de verdade.
Mas ela estava molhada.
Molhada de um jeito que ela sentia a calcinha de renda grudada, encharcada, escorrendo por dentro da coxa.
E foi isso que deu coragem.
Foi só isso.
Adriana encaixou o Mega no furo do aparelho.
Girou, prendeu bem, apertou.
Ele ficou em pé, apontando pro teto, enorme, meio ridículo, meio imponente.
Adriana subiu na cama.
Ela tirou a calcinha devagar.
E quando tirou, saiu um fio.
Um fiozinho fino de tesão entre a renda e ela.
O pai viu. Ela sabia que ele viu. Ela não olhou pra ele de propósito.
Adriana ficou de joelhos em cima do aparelho, com as pernas abertas, com a xoxota lisinha, agora sem nada, brilhando.
Ela olhou pra baixo.
A cabeça do dildo estava embaixo dela, parada, esperando.
Ela desceu um pouco.
A cabeça encostou.
Ela sentiu o volume. O tamanho. A largura daquela coisa contra ela.
Ela empurrou devagar.
Ela empurrou mais.
A ponta começou a abrir.
Adriana travou os dentes.
"Ah", ela soltou.
O pai ficou quieto.
Ela empurrou mais, com a mão no aparelho pra se firmar, e sentiu a cabeça entrar — só a cabeça — e sentiu aquilo abrir ela por dentro de um jeito que nenhum outro dildo tinha aberto.
E ela parou.
"Pai."
"Fala."
"Não vai entrar."
"Vai."
"Olha o tamanho da cabeça disso."
"Já entrou."
"Entrou só a ponta."
"Então já entrou, filha. O resto é só descer."
Adriana riu, de nervoso, com a voz fina.
"Você fala como se fosse fácil."
"É fácil."
"É fácil pra você, que tá sentado."
O pai riu.
"Desce, Adriana."
Ela desceu.
Centímetro por centímetro.
E cada centímetro era um pequeno rasgar bom, um alargar devagar, uma coisa que ela sentia por dentro, subindo, empurrando as paredes, abrindo caminho.
O gel ajudava. O gel escorria, deixava tudo escorregadio, e ainda assim o dildo era grande.
Ela desceu mais.
Agora estava na metade.
Ela olhou pra baixo e viu o corpo dela engolindo aquilo, viu o dildo sumindo dentro dela, e sentiu uma coisa que não sabia nomear.
Metade.
Ela parou ali, respirando pela boca.
"Tá doendo?", o pai perguntou.
"Não. Tá... tá esticando."
"É normal."
"Não é normal, pai. Isso aqui é grande."
"É grande mesmo."
"Você escolheu de propósito."
Adriana olhou pra ele.
"Por quê?"
O pai deu de ombros.
"Porque é o que faz gozar muito."
Adriana ficou vermelha.
"Você sabe disso como?"
"Li na caixa."
Ela riu de novo, e na risada ela desceu mais um pouco, sem querer, e o dildo entrou mais fundo, e ela gemeu.
"Ah, pai."
"Desce."
Ela desceu.
Agora estava quase no fim.
A ponta do dildo estava lá dentro, no fundo dela, tocando um lugar que ela nem sabia que existia.
E ainda faltava.
Ela sentou mais.
E sentiu.
Sentiu a coisa toda dentro, cada centímetro, cada veia, cada textura, preenchendo ela de um jeito que fazia ela querer chorar e gemer ao mesmo tempo.
O corpo dela finalmente tocou a sela do aparelho.
Ela estava sentada. Toda. Até a base.
O Mega Extreme estava inteiro dentro dela.
Adriana ficou parada, com as mãos nos joelhos, com o rosto virado pro lado, com os olhos meio fechados, com a boca aberta.
Ela tinha um rostinho de medo e de prazer ao mesmo tempo.
Aquele rostinho de garota que acabou de fazer uma coisa que não sabia se conseguia fazer.
E o pai, na cadeira, de pernas cruzadas, olhou aquilo.
Olhou a filha dele.
Baixinha, de cabelo solto, empalada num brinquedo de quase meio metro, sentada em cima da cama da esposa.
E ele sentiu uma coisa no peito.
Uma coisa de pai.
Ele viu a frutinha dele sendo penetrada.
Ele viu a frutinha dele sendo empalada, devagar, por escolha dela, com ele olhando.
E ele ficou quieto, porque se falasse ia sair uma voz esquisita.
Adriana respirou fundo.
"Tá doendo?"
"Tá... tá muito."
O pai assentiu.
"Então agora liga."
Adriana pegou o controle.
A mão dela tremia.
Ela girou a rodinha.
O aparelho mecheu.
E o Mega Extreme vibrou dentro dela.
E Adriana arregalou os olhos, e a boca abriu sozinha, e saiu um som dela que ela nunca tinha ouvido na vida.
"Ahhh— pai!"
O pai sorriu.
"Pai, é... é muito grande."
"Não sei se aguento."
"Vai aguentar."
E ela foi.
Ela começou a cavalgar.
Devagar no começo, porque era grande, porque cada subida arrancava ela, e cada descida empalava ela de novo, e o corpo dela sentia cada centímetro daquilo indo e voltando.
Ela gemia sem parar.
As pernas dela, curtas, abertas por cima do aparelho, tremiam.
O quadril dela achava o ritmo, e perdia, e achava de novo.
O cheiro de gel se misturava com o perfume dela, e o quarto ficou cheio daquilo.
Ela aumentou a vibração.
E foi aí que ela pensou que ia rasgar.
Uma coisa subiu por dentro dela, um aperto, um esticamento, uma pressão que vinha do fundo e empurrava tudo pra fora.
"Tá apertando."
"É bom e tá apertando."
"Pai, eu acho que vai rasgar."
O pai olhou pra ela, sério.
Adriana olhou pro pai com aquela cara de quem acredita e não acredita.
Você vai conseguir
E ela foi até o fim.
Aumentou mais. Cavalgou mais rápido. Sentou mais fundo. Deixou o aparelho trabalhar dentro dela.
E o pensamento ficou na cabeça dela o tempo todo — vai rasgar, vai rasgar, vai rasgar — e mesmo assim ela não parou.
Porque era grande e grosso e ela tinha escolhido.
- estava com tesão demais pra ter medo.
E o pai, na cadeira, assistindo, viu a filha dele tremer.
Viu a barriguinha dela contrair.
Viu a boca dela abrir num gemido longo, sem vergonha nenhuma, alto, de casa vazia.
Viu a cabeça dela cair pra trás.
E viu ela gozar.
Gozar em cima daquele dildo enorme, empalada até a base, com as pernas abertas, com o corpo todo pulsando, com as mãos agarradas nos joelhos do pai do aparelho.
Ela gritou.
E o grito se quebrou no meio, virou um gemido, virou um chiado, virou silêncio.
Adriana caiu pra frente, com a testa quase encostando no dildo, respirando fundo.
O aparelho ainda vibrava dentro dela.
Ela ainda estava empalada.
E ela pensou, com a cara suada e o coração explodindo:
E o pai, atrás dela, na cadeira, sem se mexer, só disse:
lindo filha
Adriana levantou a cabeça, com um sorriso bobo no rosto.
"Falei que ia fazer gostoso."
Ela riu, ofegante.
"Você é folgado, pai."
Adriana riu mais, e na risada o corpo mexeu, e ela gemeu baixinho, e o pai sorriu.
E ficaram os dois ali.
Ela empalada, suada, satisfeita.
Ele sentado, quieto, olhando a filha como quem olha uma coisa que ele não sabia que era dele.

