Tópicos. Sybian, masturbação
A Bia tinha vinte e dois anos, morava com os pais e o irmão num apartamento de três quartos no segundo andar, e ela não importa em estar sozinha, e no quarto, ela ama masturbar.
Foi numa madrugada de insônia, rolando o feed, que ela viu. Um vídeo de uma mulher sentada numa máquina preta, em forma de selim, com um cabo e um botão de volume. A mulher gemia como quem estava sendo levada por alguém, e não tinha ninguém ali. Era só a máquina.
Pesquisou o preço. Levou um susto. Pesquisou de novo, parcelou em dez vezes no cartão que ela usava só pra comprar presente de aniversário, e clicou em comprar. E aí veio a parte mais importante: esconder da família.
Ela morava com gente que entrava no quarto dela sem bater. A mãe, pra deixar roupa lavada na cama. O pai, pra pegar o carregador. O irmão, pra pegar o videogame e sumir. Se chegasse uma caixa de cinquenta centímetros com um aparelho preto dentro, a mãe ia querer saber o que era, e a Bia ia ter que explicar, e ela não sabia explicar.
Ela escolheu entregar num sábado. Chutou os pais pra fora. O entregador chegou às duas e quarenta, e a Bia recebeu a caixa com o coração batendo como se estivesse fazendo coisa errada, subiu a escada de dois em dois degraus, e enfiou o pacote embaixo da cama, empurrado com o pé, antes que o portão de baixo batesse.
Passou a semana inteira olhando pra debaixo daquela cama. À noite, deitada, sabendo que a caixa estava ali, a trinta centímetros do corpo dela. Esperando o sábado seguinte.
Sábado, quatro da tarde
Os pais saíram pra um casamento no interior. O irmão foi pra casa do amigo. A Bia trancou a porta do apartamento, depois trancou a porta do quarto, e ficou parada no meio do tapete, olhando pra própria cama, com as mãos suando.
Puxou a caixa. Rasgou a fita com a chave. Abriu.
E aí ela entendeu que tinha comprado uma coisa séria.
A máquina era preta, coberta de um courinho fosco que dava pra passar a mão, em forma de selim — redonda na base, subindo no meio num corcova larga, do jeito de um banquinho de montaria. Do lado direito, um botão giratório com números de 1 a 10. Atrás, um cabo de força grosso, com a tomada de três pinos. Perto de dois quilos, pesada, de material que não era brinquedo de plástico.
E junto, dentro de uma maleta separada, os bicos.
Eram cinco. A Bia tirou um por um e foi enfileirando em cima da colcha rosa do jeito que a gente arruma coisa quando quer se convencer de que sabe o que está fazendo.
O primeiro era fininho, o segundo era médio no comprimento mas mais grosso, com umas bolinhas em relevo na lateral. O terceiro — esse ela pegou com as duas mãos
— era o médio de verdade: uns quinze centímetros, grosso do jeito certo, com a cabeça arredondada e umas estrias ao longo do corpo. O quarto era grande, curvo, com a ponta virada pra cima, tipo quem sabe onde tem que bater. E o quinto era um monstro, grosso feito um pulso, cheio de relevo por todo lado, e a Bia riu alto quando pesou ele na mão.
— Não é possível que caiba — falou pra ninguém.
Ela deixou o monstro de lado, abriu a gaveta da mesinha e tirou o gel. Um tubo azul, transparente, com cheiro de chiclete quando ela abriu a tampa e apertou um pouquinho na ponta do dedo, só pra testar a textura entre o polegar e o indicador.
Depois ela olhou pra máquina de novo.
Ela ligou na tomada. Girou o botão até o dois.
A máquina fez um hummm grave, um ronco de motor elétrico, e a corcova começou a vibrar de leve. A Bia levou um susto e tirou a mão. Depois riu de si mesma, com a mão na boca, e ficou um tempo só olhando aquilo pulsando na cama, sozinho, esperando.
— É só sentar — disse ela, baixinho. — É literalmente só sentar, Bia.
Mas sentar vestida não valia nada. Ela tirou o short.
O quarto dela era pequeno, com o guarda-roupa de espelho na frente da cama — e era pra aquele espelho que ela ia olhar sem querer, o tempo todo. A janela tinha cortina de voal amarelo, o ventilador de teto girava no três, e a colcha rosa, de solteiro, estava meio torcida de tanto ela ter arrastado a máquina pra cima.
Pôs a máquina no meio da cama, sobre uma toalha dobrada, e ficou de joelhos na beira olhando pra própria imagem: um vestido velho de dormir do pai, uma camiseta branca enorme, com a barra até o meio da coxa, e uma calcinha cinza de algodão.
Tirou a calcinha primeiro, puxando pela lateral, e deixou ela cair no chão com o pé. Depois puxou a camiseta pela cabeça e ficou nua, de joelhos na cama, com a pele arrepiada por causa do ventilador.
Ela olhou pra si mesma no espelho.
Era magra, com a cintura fina e o quadril um pouco mais cheio do que ela gostava. Os seios eram pequenos e afastados, com os bicos cor-de-rosa que endureciam fácil com o vento. As coxas eram grossas de quem subia escada todo dia.
E entre elas, a xoxota dela: os lábios maiores um pouquinho abertos, num tom rosa-pardo, com o capuz do clit aparecendo no alto, e a pele em volta mais escura de tanto calor e de tanto short jeans. Ela era de poucos pelos — tinha feito a cera na semana anterior, justamente pensando naquilo — e por isso tudo aparecia muito nítido no espelho, e ela se achou bonita de um jeito que nunca tinha se achado.
Pegou o bico médio — o terceiro, o de quinze centímetros, o que ela sabia que ia dar certo. Encaixou na base da máquina com um estalo de pressão, apertou, girou um pouco pra firmar. Passou gel em cima dele, generoso, escorrendo pela lateral, e passou gel em si mesma também, com dois dedos, sentindo a própria umidade misturar com a do tubo.
Devagar, só encostou a ponta. Deixou a máquina vibrando no dois, o ronco baixinho preenchendo o quarto, e foi descendo o quadril, sentindo o bico abrir caminho devagar, centímetro por centímetro, sem pressa nenhuma.
Quando passou da cabeça, ela soltou o ar todo de uma vez.
Ficou parada, sentada até o meio, com as mãos apoiadas na cama atrás, os joelhos abertos, a máquina vibrando dentro dela em ondas curtas, e a sensação era de um dedo grande que não cansava nunca e nunca errava o lugar. Ela fechou os olhos. Levantou um pouco. Desceu de novo, até o fundo, encostando as coxas na base de courinho. Subiu. Desceu.
Era gostoso de um jeito que ela não sabia que existia. Não era a pressa do dedo, não era a mão cansando. Era ritmo — um ritmo que ela controlava só com o quadril, e que voltava sempre igual, sempre no mesmo ponto, sem falhar. Ela girou o botão pro quatro com o pé, quase caindo, e a vibração subiu, e ela jogou a cabeça pra trás e agarrou o lençol com as duas mãos.
a cama rangendo no estrado, a base da máquina batendo de leve no colchão, o hummm do motor, os gemidos dela que ela tentava abafar mordendo o próprio braço e não conseguia. No espelho do guarda-roupa, ela se via de lado — de costas, o cabelo caindo, a coluna curvada, o quadril subindo e descendo num vaivém que ficava mais rápido, e a bunda dela batendo na máquina e voltando.
Ela trocou de posição. Virou de frente pro espelho, de quatro em cima da máquina, sentando de costas, e aí o ângulo mudou e o bico passou a raspar num ponto que fez ela gemer alto de verdade, um gemido comprido, de barriga, que ela nunca tinha ouvido sair de si mesma.
— Ah, não... não, não, não...
Estava chegando. Depois de meses chegando pela metade, ela estava chegando inteira, e o corpo todo começou a se juntar pra isso — as pernas tremendo, o pé descalço enrolando o lençol, a barriga contraindo, o queixo travado.
E foi exatamente ali, no meio da subida, com a máquina no quatro e ela sem ar, que a chave girou na porta da frente.
— Bia! Chegamos!
Ela congelou. Sentada até o fundo, com a máquina zumbindo embaixo dela, os pais entrando na sala do outro lado da parede.
E a mãe bateu na porta do quarto. Que barulho é esse aí?
A Bia olhou pro espelho. Olhou pra máquina preta embaixo dela. Olhou pra porta trancada.
E ainda estava com o dildo médio dentro, tremendo, a um empurrão de gozar.
Ela não pensou. O corpo pensou por ela.
A mão esquerda voou pro botão e girou de volta pro um — o nível mais baixo, o que mal fazia ronco, o que era praticamente silencioso debaixo de uma coberta. A mão direita pegou o edredom de solteiro que estava amassado no canto e jogou por cima das pernas de uma vez, cobrindo o colo, cobrindo os joelhos, cobrindo a base preta, cobrindo tudo.
E ela ficou sentada. Exatamente sentada. Como uma moça normal sentada na cama.
Só que com quinze centímetros de silicone dentro dela, e o motor ligado.
— Bia? — a mãe bateu de novo. — Posso entrar?
— Pode... — a voz saiu uma oitava acima do normal e ela pigarreou. — Pode, mãe.
A porta abriu.
A Bia puxou o edredom até a cintura e sentou mais reta, os dois pés plantados no colchão por baixo da coberta, os joelhos um pouco afastados. O bico médio continuava lá dentro, inteiro, encostado no fundo, e a vibração no um era uma coisa miudinha, contínua, uma pulsação que subia pelo meio das pernas dela em ondas de dois em dois segundos e batia direto no clit, porque o clit estava apoiado por cima na corcova de courinho.
— Ouvi um barulho — disse a mãe, entrando e já olhando o quarto. — Um trem assim... tremendo. Parecia motor.
— Nada não, mãe. — A Bia sorriu. Sorriu com a boca. — Era a TV. Tava ligada, eu tinha esquecido.
— É. Deixei ligada, fui ver e desliguei.
— Hum. — A mãe não acreditou muito, mas não tinha motivo pra desconfiar, então parou de desconfiar.
O pai entrou atrás, com a camisa de fora e o cheiro de churrasco de casamento na roupa. Foi até a cama e sentou — sentou do lado, no canto do colchão, pra tirar o sapato.
E a máquina, que estava firme embaixo da Bia, inclinou dois dedos pra trás com o peso do pai, e o bico girou dentro dela, raspando num lugar novo, e a Bia engoliu um gemido e disfarçou com um "oi, pai".
— Oi, filha — disse ele, sem levantar a cabeça, mexendo no cadarço.
A vibração no um era quase inaudível. Mas não era quase inaudível nela. Debaixo do edredom, sem ninguém vendo, sem ninguém escutando, aquele bico de silicone pulsava dentro dela, ritmado, educado, sem pressa — e ia levando a Bia pra cima degrau por degrau, do jeitinho que a máquina no quatro tinha começado a fazer antes de ser interrompida.
Ela estava a dois empurrões de gozar quando a porta abriu. E a máquina, ligada no um, decidiu não deixar por menos.
— Sabe quem apareceu lá no casamento? — disse a mãe, sentando na cadeira da escrivaninha. — A sua tia Marlene.
— Ah, é? — a Bia respondeu, e a voz saiu com um tremor no fim.
— É. E ela, como sempre, fez o maior escândalo. Chegou de vestido roxo, decotado, na idade dela, imagina. E o Márcio, o marido, quieto, do lado, com aquela cara de quem engoliu um sapo.
O pai riu, mexendo no outro sapato. — A Marlene é figura.
— Figura é o que ela tem. Sabe o que ela fez? Sentou na mesa do bolo e ficou contando pra todo mundo que ela fez plástica.
E a Bia ali, sentada na cama, com as mãos na barra do edredom, ouvindo uma história sobre a tia Marlene que ela já tinha ouvido três vezes — e ao mesmo tempo sentindo o corpo inteiro se juntar.
Era um gozo diferente. Não era o gozo do quatro, aquele gozo rápido, arrancado, que fazia ela gritar. Era um gozo lento, longo, redondo, que vinha de baixo e ia subindo devagar, em ondas que não acabavam nunca, uma atrás da outra, sem pressa, porque a máquina não tinha mão cansada e não tinha pressa de nada. Cada pulsada era um degrau. E ela ia subindo, e chegando, e subindo, e chegando, e o gozo ia se esticando, se esticando, e parecia que não ia terminar mais.
Ela apertou o edredom com as duas mãos até os nós dos dedos ficarem brancos.
— Bia? — a mãe olhou pra ela. — Você tá bem? Tá vermelha que nem tomate.
— Tô — disse a Bia, e a palavra saiu saindo pelo nariz. — É o calor. O ventilador tá no três.
— Devia tá no quatro, esse quarto é um forno.
— É. — Ela mordeu a parte de dentro da bochecha. — É, vou aumentar.
E aumentou o ventilador com a mão, mentindo, porque não ia levantar de jeito nenhum.
O pai esticou a perna, encostou o pé no chão, e se levantou — e o colchão subiu de volta, e a máquina voltou pra posição, e o bico empurrou pra dentro com o movimento do colchão, e a Bia teve que prender o ar e olhar pro teto.
Aquela foi a última onda. A onda longa. O corpo dela contraiu da nuca até o dedão do pé, o quadril deu um tranco pra frente que o edredom disfarçou, e o gozo veio em série, quatro, cinco, seis pulsos, molhados, profundos, subindo pela barriga, e ela sentiu uma coisa quente escorrer de dentro dela por fora do bico de silicone, escorrendo pelo gel, escorrendo pelo saco de courinho da máquina, indo embora por baixo da coberta.
Os olhos dela encheram de água. Ela piscou duas vezes e não caiu nenhuma lágrima.
— Então a Marlene falou — continuava a mãe — que a barriga dela ficou lisa. Que o médico fez um negócio que ela não precisa mais fazer abdominal.
— Que bom pra ela — disse a Bia.
— Que bom pra ela é o escambau. Ela tem sessenta anos, Bia.
— E o Márcio pagou tudo, claro. Pagou e ficou lá, quieto, sentado no canto, olhando pro chão.
E a Bia, sentada no meio da própria cama, com o cabelo grudado na testa e o gozo escorrendo por dentro da coberta, achou aquilo tudo muito engraçado e quase riu — e o riso quase entregou o tremor.
A mãe olhou o relógio.
— Bom, deixa eu ir tirar essa roupa. Amanhã é segunda. — Levantou, deu um beijo na testa da filha e franziu o nariz. — Você tá quente, hein, minha filha.
— É o calor, mãe.
— Toma um banho antes de dormir.
— Vou tomar.
O pai saiu primeiro, sem olhar pra trás. A mãe saiu depois e puxou a porta, e a porta estalou fechando.
A Bia girou o botão do um pro três, do três pro seis, e caiu de costas na cama com as duas mãos no rosto, rindo de nervoso, com a máquina zumbindo embaixo dela e o edredom todo torcido.
Depois ela levantou a coberta e olhou.
O bico médio saiu com um som molhado, devagar, escorregando, e ficou em pé na máquina, brilhando de gel e de tudo que ela tinha feito, com a cabeça de silicone toda lustrosa. A base de courinho estava molhada numa poça larga, e um fio de coisa clara tinha escorrido até o lençol rosa e feito um círculo escuro ali.
E ela, quando se levantou e se olhou no espelho do guarda-roupa, viu a própria xoxota.
Estava vermelha. Vermelha e inchada, os lábios abertos e brilhantes, o capuz do clit ainda duro pra fora, tudo latejando de um jeito que dava pra sentir o pulsar sem tocar. As coxas tinham duas marcas compridas do gel escorrido. Ela passou um dedo, só pra conferir, e o dedo voltou escorregadio.
Ela riu baixinho, de lado, olhando pro próprio reflexo.
— Isso aqui não tem como devolver — disse pra si mesma.
E saiu andando meio torto até o banheiro, com a camiseta velha do pai por cima e nada por baixo, deixando o rastro molhado dos pés no piso frio do corredor.
A máquina ficou ligada no quarto, girando sozinha na cama, esquecida, com o dildo ainda la e molhado.




