Só construindo essas bike dildo e alguns vibradores,
O pai de Adriana trabalhava lá havia dois anos, no setor de montagem, parafusando suportes e colando bases de silicone em assentos de bicicleta. Não era um trabalho bonito. Mas pagava o aluguel — até parar de pagar.
Porque naquele mês a fábrica cortou metade da equipe, atrasou dois salários, e o pai ficou com a geladeira vazia e um boleto vencendo na sexta.
Foi então que ele viu o cartaz pregado no mural da portaria.
TESTADORAS DE PRODUTO — VAGA ABERTA. PROCURAR A GERÊNCIA.
Ele arrancou o papel e levou pra casa.
Adriana sua filha estava na cozinha, de short, comendo pão, uma lindinha.
— oi pai.
— Tem uma vaga na fábrica. Testadora.
Ela mastigou devagar, desconfiada.
— Testadora de quê?
— De produto erotico.
— Pai, serio.
— É sério filha, desculpe mais nois estamos assim, sem tempo e dinheiro.
Ele sentou na cadeira na frente dela e desdobrou o papel na mesa. Adriana leu. Depois leu de novo. Depois olhou pro pai.
— Testadora de dildo e de bike.
— Nova linha. Lançamento.
— Ele passou o dedo no texto.
— Chama Intruder Pussy Public and Anal.
Adriana parou de mastigar.
— Anal também, vai entrar na bunda das garotas pai?
— sim filha?
— Nos dois, é uma bike todas as garotas filha.
Ela olhou pro prato, depois pro pai, depois pro papel de novo. Sentiu o rosto esquentar. Ainda tinha vergonha — mesmo depois de tudo o que já tinha feito no quarto, mesmo depois do treino na sala, aquela palavra ali, escrita em papel de fábrica, era diferente.
— Testar na frente de gente?
— Na frente do gerente, funcionarios.
O pai riu.
— Olha, filha. A gente tá precisando do dinheiro. É uma grana boa. Três dias de teste e você recebe.
Adriana respirou.
— Três dias?
Ela ficou quieta um tempo. Depois empurrou o prato, cruzou os braços na mesa e falou baixinho:
— Você vai tentar filha?
— pode ser então tá.
Na segunda-feira, às nove da manhã, ela entrou na fábrica pela primeira vez.
O cheiro batia logo. Borracha, silicone, óleo de máquina, um cheiro quente de coisa industrial. E barulho — prensas, esteiras, gente gritando ordem de um lado pro outro.
Ela andou atrás do pai, de mãos no bolso do short, olhando tudo.
Fileira de dildos pendurados em varais, secando. Caixas de dildos. Paletes de dildos. Um sujeito empurrando um carrinho cheio de dildos como se fossem laranjas.
Adriana começou a rir sozinha.
— Pai, é só isso aqui.
— É.
— Só isso.
— Você vai ver a parte da bike.
Ela viu.
No fundo do galpão, numa área isolada por uma fita amarela, estava a linha nova. Seis bicicletas alinhadas, todas pretas, todas com o selim modificado — e no lugar onde deveria estar só o banco, subiam duas peças.
Uma na frente, no vão do selim.
Outra atrás, no buraco entre o selim e o quadro.
Adriana parou de andar e falou é grande.
— É filha.
— Não. Pai. É enorme
Ele olhou pra ela e riu, sem responder.
O gerente se chamava Nilton. Cinquenta anos, barriga, camisa social com o botão de cima aberto, e um jeito de quem já explicou aquilo umas quinhentas vezes.
— Então é você a nova testadora — ele disse, esticando a mão.
— É. Adriana.
— Prazer. Vem cá, senta na primeira.
Ela sentou na primeira bike.
Nada demais. Selim normal, altura normal, pé no chão.
— Essa aqui é a versão base — disse Nilton. — Só o encosto com vibração. Ninguém reclama dessa.
— Agora levanta e vem na terceira.
Ela foi.
A terceira era diferente. O selim tinha um recorte, e no recorte subia uma peça de silicone pêssego, alta, com uma base que ia até o quadro.
Adriana mediu com a mão.
— Isso é...upa
— ela começou.
— Vinte e um centímetros — completou Nilton. — Diâmetro quatro e meio.
Nilton nem esperou. Apontou pra quarta bike.
— A quarta é a versão dupla. Frente e trás. Intruder Pussy Public and Anal.
— As duas ao mesmo tempo?
— As duas. Pro mercado. Homem, mulher, quem quiser.
Adriana ficou olhando aquelas duas peças subindo do banco, uma na frente e outra atrás, e sentiu um frio na barriga.
— É muito grande.
— É muito — concordou Nilton.
Ele chamou os dois pra sala dele. Ofereceu café. Adriana tomou um gole e quase queimou a língua de nervoso.
Nilton sentou na cadeira, cruzou as mãos e falou olhando pra ela:
— Vou ser sincero com você porque a testadora tem que saber onde tá entrando.
— Tá bom.
— O primeiro dia é estranho claro.
— Arde, é diferente, fica nua as vezes?
— Arde, sim. Não vou mentir. Você vai sair daqui com a xota quente e o cuzinho ardido. É normal. É a peça nova, é o atrito, é a distância que você ainda não tá acostumada.
Adriana olhou pro pai, procurando socorro.
O pai olhou de volta, sem socorro nenhum.
— Pensa bem — disse Nilton. — Tem gente que aguenta e tem gente que desiste no primeiro dia. Não tem vergonha nenhuma nisso.
— E se eu desistir?
— Você recebe o dia.
— E se eu aguentar os três?
— Você recebe os três e mais um bônus. — Ele encostou na mesa. — E, filha, é franquia. Você vai virar referência. No dia que essa bike sair pra venda, seu nome tá no relatório.
Adriana ficou pensando.
O pai, ao lado dela, falou baixinho:
— Não precisa ser heroína, filha. Se doer, a gente para.
Ela olhou o pai. Olhou o Nilton. Olhou pela janela da sala, onde as seis bikes estavam enfileiradas sob a luz da lâmpada.
— Vai arder que tanto, sera que aquento? — ela perguntou de novo, só pra confirmar.
— Muito — disse Nilton.
— ta bom gente
— Melhora no segundo dia. No terceiro você tá acostumando.
Ela respirou fundo, mordeu o lábio, e falou:
— Eu topo.
O primeiro dia
O teste começava no dia seguinte.
Eles ajustaram a terceira bike na altura dela. Nilton conferiu o diâmetro com um paquímetro na frente dela, e Adriana ficou morrendo de vergonha enquanto ele media a peça e anotava num papel.
— Primeiro teste é só a frente — ele disse. — A gente não te joga no anal de cara.
— Obrigada.
— Mas amanhã você faz os dois.
— Tá.
Ela subiu na bike.
O selim tinha a peça subindo no meio, e ela ficou parada em cima, sem saber se descia ou não.
— Desce devagar — disse Nilton. — Sem pressa. E não trava o quadril.
Ela desceu.
A peça encostou, empurrou, abriu, e entrou.
Adriana travou os dois braços no guidão e soltou um suspiro comprido.
— Ai.
— Assim — disse Nilton. — Respira.
Ela respirou. Doía um pouco. Ardia onde ele tinha dito que ia arder. Mas era bom. Era um cheio diferente, um peso, uma coisa que mexia conforme o corpo se ajustava no banco.
— Pode pedalar? — perguntou.
— Pode.
Ela empurrou o pedal.
A bike andou três metros e ela entendeu, na hora, por que aquilo era um produto.
Cada pedalada movia o quadril. Cada movimento do quadril movia ela em cima da peça. A bike ia, o corpo ia, e a peça ia junto, entrando e saindo no ritmo das pernas, com a vibração do selim ligada por baixo.
Ela parou de propósito, depois pedalou de novo, só pra sentir.
— Pai — ela chamou, sem tirar os olhos da frente. — Pai, isso é demais…
— Tá sentindo bem filha?
— To.
Nilton anotou algo no papel e falou sem levantar a cabeça:
— Vai arder querida, passa gel
— Amanhã eu volto — respondeu ela.
O pai olhou os dois, encostado na pilastra, e sorriu.
O pai acordou antes dela. Ficou na cozinha, sentado, mexendo o café que não bebia, olhando a porta do quarto da filha.
Quando Adriana apareceu, de cabelo amassado e camiseta larga, ele abriu a boca e não conseguiu falar de primeira.
— Bom dia.
— Bom dia, pai.
— Dormiu?
— Dormi.
Ele empurrou a xícara de lado, como quem tira um obstáculo da frente.
— Filha. — Respirou. — Eu preciso te falar uma coisa.
— Fala.
— Ontem, lá na fábrica. — Ele coçou a nuca, sem graça, como um menino. — Eu vi sua xoxota. Duas vezes. Tem problema isso?
Adriana parou com o pão na mão e olhou pro pai.
— Problema?
— É que… não sei. Não sei se é normal. O pai ver a filha assim. Dois dias seguidos. Dois dias, filha.
Ela riu. Riu de verdade, gostoso, jogando a cabeça pra trás.
— Pai, tudo bem. É normal. A gente tá testando uma bike, né. Você tem que olhar, senão como é que ajusta.
— Mas é que ontem, na hora que você sentou, eu vi de perto.
— E?
— E tá diferente. — Ele falou baixinho. — Tá diferente de quando você era pequena.
— Eu cresci, pai.
— Cresceu.
Ela encostou a mão no braço dele.
— Tá tudo bem. Sério. Não fica ansioso.
Ele soltou o ar, aliviado, e voltou pro café.
A bike bonita
Depois do café, no caminho pra fábrica, ele foi falando, empolgado de um jeito que ela nunca tinha visto.
— Aquela bike é linda, viu.
— É.
— E é da linha de montagem. É montada, não é remontada, é da linha mesmo. — Ele fez o gesto com as mãos. — Sai da esteira pronta, lacrada, vai direto pra caixa.
— Pra onde vai?
— Pra Ásia.
— Ásia?
— É. As japonesas usam demais. Demais, filha. — Ele olhou pra ela no semáforo. — É o transporte delas. Vai pro trabalho de bike. Aquilo lá é normal, ninguém acha graça. Você pega a sua, senta, pedala dez quilômetros e chega no escritório já pronta.
— Pronta?
— Pronta.
Adriana olhou pra frente, pensando. Sentiu a barriga esquentar com a ideia.
— Então deixa eu estar testando direito — ela falou. — Se vai pra Ásia, tem que sair bom.
O pai riu.
— É isso mesmo, filha.
O teste da média
Na fábrica, Nilton já estava esperando com a prancheta.
— Hoje é a média — ele disse.
Adriana olhou pra peça que ele tinha na mão.
Vinte e cinco centímetros. Pêssego, vibrante, com a base encaixada no selim da terceira bike.
— É maior que a de ontem?
— Um pouco.
— Um pouco?
— Dois centímetros e meio.
Ela respirou fundo e subiu.
Nilton ajustou o banco na altura dela. O pai ficou na pilastra, como sempre.
— Desce devagar — disse o gerente. — Não trava.
Ela desceu.
Dessa vez não travou. O corpo já conhecia o caminho. A peça encostou, empurrou, e entrou de uma vez, funda, e Adriana soltou um gemido que ecoou no galpão inteiro.
Um sujeito da esteira levantou a cabeça pra ver.
— Assim — disse Nilton, anotando. — Tá sentindo a base?
— Tô.
— Liga a vibração. Botão do lado.
Ela ligou.
O selim começou a tremer por baixo dela, e o tremor subiu pela peça, entrou no corpo, espalhou pelas pernas. Adriana agarrou o guidão e fechou os olhos.
— Pode pedalar — disse o gerente.
Ela pedalou.
E aí a coisa ficou diferente. Cada pedalada empurrava o quadril pra frente e pra trás em cima do banco. Cada vez que o corpo descia, a peça entrava até o fundo. Cada vez que o corpo subia, ela escorregava quase até a saída. Era um ritmo. Era um vaivém. Era uma bicicleta e era outra coisa ao mesmo tempo.
Adriana pedalou em círculos pela área isolada, devagar, depois mais rápido, depois devagar de novo, só pra sentir o ritmo mudar.
Gemido atrás de gemido.
O pai assistia da pilastra, de braços cruzados, quieto.
Nilton andava do lado dela, com a prancheta, olhando o encaixe, olhando o ângulo, olhando o movimento do quadril.
— Tá bom. Tá bom. Tá ótimo.
Ela acelerou.
A vibração no máximo, o ritmo das pernas no máximo, o corpo inteiro sacudindo no selim, a xoxota engolindo e cuspindo a peça vinte e cinco, molhada, vermelha, brilhando.
Ela gozou pedalando.
Gozou com as mãos no guidão e os pés nos pedais, o corpo curvado pra frente, um gemido comprido que fez três pessoas da esteira pararem de trabalhar pra ver.
Quando parou, ficou ofegante, suada, com a testa no guidão.
Nilton baixou a prancheta.
— Você é boa — ele falou. — É boa mesmo. Você tem a coordenação. Tem gente que não consegue pedalar e sentir ao mesmo tempo. Você consegue.
— Valeu — ela respondeu, sem ar.
— Amanhã tem o anal junto.
— Amanhã eu volto.
A tarde
Na parte da tarde, uma secretária da fábrica entrou no galpão com uma caixa branca comprida na mão, sorrindo de um jeito que já dizia tudo.
— Chegou a remessa — ela disse, e parou na frente da Adriana.
— Que remessa?
A secretária abriu a caixa.
Dentro, numa espuma, estava um dildo cor de vinho, escuro, gordo, com veias em relevo e uma vibração acoplada na base. Ao lado, a etiqueta:
INTRUDER FAT VIBRATOR ANAL MONSTER.
Adriana olhou. Depois olhou pra secretária. Depois olhou pro pai. Depois pro Nilton.
— Esse aqui é pro anal — disse a secretária.
— Esse aqui é gordo.
— É gordo mesmo.
— Ele é… quanto?
— Quarenta centímetros.
Adriana ficou parada.
— Quarenta?
— Quarenta.
— Eu só usei de vinte e dois.
A secretária deu uma risadinha, sentou na quina de uma mesa e falou com toda a sinceridade do mundo:
— Toma cuidado, viu. Arde demais. E vai até o útero da gente.
— O útero?
— Vai. — Ela fez o gesto com a mão no próprio corpo. — Eu já sentei nele semana passada. Sentei e sofri pra descer. Doeu. E eu não sou pequena, não.
Adriana engoliu seco.
O pai chegou perto.
— Tá com medo?
— Tô.
— Quer parar?
— Não. — Ela olhou o dildo de novo. — Só tá me dando medo.
A descida
Nilton montou a peça no suporte do chão, na vertical, e chamou ela.
— Não vai na bike ainda. Primeiro você senta nele aqui no suporte. De frente pro chão, controlando a descida. Assim você sente o tamanho e não se machuca.
Adriana tirou o short. Ficou só com a camiseta, do jeito que estava.
Ficou em cima do suporte, com uma perna de cada lado, as mãos apoiadas nos joelhos.
A ponta do dildo vinho encostou na entrada.
Ela empurrou pra baixo um centímetro.
Nada. Só a cabeça entrou, e o corpo dela já esticou.
— Ai.
— Vai devagar — disse Nilton.
Ela desceu mais.
A cabeça entrou inteira e o corpo se abriu com um som molhado, um barulho de coisa grande passando por lugar pequeno.
Adriana travou o ar.
— Pai.
— Tô aqui filha.
— Não vai machucar
Ela desceu mais um pouco.
O diâmetro começou a passar. Era gordo de verdade. A xoxota dela, que já tinha levado vinte e cinco naquele mesmo dia, agora esticava em volta de uma coisa que não tinha nada a ver. Um centímetro por vez. O corpo abrindo. Os dedos dos pés dela curvando no chão frio.
— Respira — falou o pai, agora mais perto.
Ela respirou.
E desceu.
Desceu, desceu, e sentiu a peça subir por dentro, longa, muito longa, passando por lugares que ela achava que eram o fim e não eram. Vinte e dois ela conhecia. Trinta era outro mundo. E ali era quarenta.
Quando a base encostou na bunda dela, ela parou.
Estava inteira dentro. Até o fim. Até o lugar que a secretária tinha dito.
O útero.
Adriana abriu a boca e não saiu som. Só um suspiro comprido, o corpo tremendo por dentro, os olhos cheios de água de puro excesso.
— Tá inteiro — falou Nilton, baixinho.
— Tá — ela respondeu.
— Como tá?
Ela ficou quieta dois segundos.
Depois falou, com a voz fina e a boca seca:
— Tá bom.
O pai olhou pro gerente.
O gerente olhou pro pai.
Os dois não disseram nada — mas naquele instante os dois já sabiam que aquela menina tímida de dezoito anos ia aguentar a fábrica inteira.
Os dias seguintes
No quarto dia, Adriana já andava pela fábrica como se fosse dona dela.
Passava pelo pessoal da esteira e cumprimentava. Sabia o nome do segurança. Sabia onde ficava o bebedouro. Sabia qual bike tinha a vibração mais forte e qual tinha o selim mais alto, e escolhia a dedo, sem precisar de instrução.
Nilton tinha desistido de ajustar a altura pra ela. Ela mesma ajustava.
E a perna dela abriu.
Não de repente — foi virando. A cada dia sentada naqueles bancos, a cada peça que entrava e saía, a cada hora de pedalada, o corpo dela ia cedendo e amolecendo, e as coxas começaram a ficar mais abertas por conta própria. Ela sentava no suporte e as pernas se abriam sozinhas, sem esforço, como se já soubessem o que vinha.
A xoxota dela ficou mais larga, mais receptiva, mais rápida pra aceitar. A de vinte e cinco entrava de primeira agora. A de vinte e duas, então, nem sentia.
E o anal doía. Doía de verdade.
Adriana não escondeu isso do pai. No terceiro dia de anal, saiu do suporte mancando de leve, com a cara suada, e falou olhando pra ele:
— Pai.
— Fala.
— Doeu.
— Muito?
— Muito. — Ela respirou. — Mas eu não vou parar.
Ele olhou pra filha.
— Não vai?
— Não vou. — Ela arrumou o cabelo, encostada na pilastra. — Se doer, dói. Amanhã eu volto.
Nilton, do outro lado, anotou alguma coisa e sorriu de canto. Já tinha visto muita testadora desistir no terceiro dia. Aquela ali não ia.
O teste de vídeo
Na sexta, Nilton chamou ela na sala e fechou a porta.
— Agora é o teste grande.
— Qual?
— Vídeo.
Adriana sentou na cadeira.
— Vai ser gravado. Frente, lado, e o encaixe. — Ele abriu o notebook e virou a tela. — Isso vai pra Ásia. Os diretores de lá assistem antes de aprovar a linha. Se eles aprovarem, a bike sai pro mundo.
— Eles vão me ver?
— Vão te ver.
— O meu nome vai?
— Vai.
Adriana ficou pensando. O peito batia rápido.
— Vai ser de xoxota e anal?
— Os dois. É a bike Intruder Pussy Public and Anal. O vídeo tem que mostrar as duas entradas funcionando.
— Na mesma pessoa?
— Na mesma pessoa. — Ele cruzou os braços. — Você aguenta os dois ao mesmo tempo em cima do banco?
Ela lembrou do treino na sala. Lembrou do pepino. Lembrou de tudo.
— Aguanto.
As estagiárias
No dia da gravação, apareceram quatro garotas.
Estagiárias da faculdade, do curso de design de produto, contratadas pra dar parecer técnico sobre a linha. Todas na faixa dos dezenove, vinte anos, todas com a mesma cara de curiosidade e um pouco de medo.
Uma delas era baixinha. Muito baixinha. Um metro e cinquenta e poucos, cabelo preso, bochechas redondas, e um jeito de quem tinha entrado ali sem entender direito onde estava se metendo.
O nome dela era Bruna.
Bruna tinha dezoito anos e nunca tinha usado um dildo na vida.
Nilton apresentou todo mundo. Adriana cumprimentou, sem graça, porque agora ela era a veterana — a menina de treze anos que sabia mais do assunto que aquelas quatro de vinte.
— Vem cá — ela falou pra Bruna. — Senta nessa aqui. A base. Essa ninguém reclama.
Bruna sentou na primeira bike, a de vibração simples, sem peça.
Ficou parada, séria, olhando pro guidão.
— Liga o botão — disse Adriana.
Bruna ligou.
O selim vibrou, e ela deu um pulinho, rindo, com as mãos na boca.
— Ai, meu Deus.
— É bom?
— É… é estranho.
— Espera quando entrar a peça.
Duas das outras estagiárias já estavam na quarta bike, rindo, competindo pra ver quem aguentava mais tempo. Uma sentou na terceira e ficou séria na hora, com os olhos arregalados. A outra tentou a segunda e saiu de cima rápido, com a cara vermelha.
Nilton andava entre elas com a prancheta, anotando reação de cada uma. Altura do banco, tempo de permanência, expressão facial, tudo.
Adriana ficou observando aquilo e sentiu uma coisa estranha no peito.
Gostava de ver.
Gostava de ver as outras sentando, gostava de ver a cara delas, gostava de ver as pernas abrindo, gostava de ver quem aguentava e quem pulava fora. Era como ver o próprio começo dela, repetido em quatro corpos.
O Intruder Double Anal
Aí Nilton trouxe a caixa.
DILDO DOUBLE ANAL TEEN INTRUDER PUSSY CREAMY.
Era a peça nova. Duas hastes, ligadas numa base única, feitas pra entrar ao mesmo tempo — uma na frente, uma atrás. Diâmetro médio na frente, diâmetro maior atrás. Cor de creme. Vibração dupla, com dois botões separados.
Adriana mediu com a mão.
— Eu vou ter que usar isso no vídeo?
— Você e mais uma.
— Quem?
Nilton olhou pro fundo do galpão.
Todo mundo olhou pro fundo do galpão.
Bruna estava lá, sentada na primeira bike, ainda com a mão na boca.
— Eu? — ela falou, fininho.
— Você é o público-alvo — disse Nilton. — Dezoito, baixinha, sem experiência. É o perfil que a gente quer testar.
— Mas eu nunca… nunca usei nada.
— Eu sei. É por isso.
A cena da Bruna
Montaram o suporte no meio da área isolada, com a câmera na frente.
Bruna ficou em pé do lado, com a camiseta de alcinha, shortinho, e a cara mais assustada que Adriana já tinha visto em alguém.
— Tá com medo? — perguntou Adriana.
— Muito.
— Eu também fiquei.
— Você?
— Eu. — Adriana encostou a mão no ombro dela. — Primeiro dia eu travei o quadril. Doeu. Mas passou.
Bruna olhou pra ela.
— Passou mesmo?
— Passou.
Nilton ajustou a peça. Depois virou pra Bruna.
— Vai começar pela frente, só a haste da frente. Sem pressa. Quando você mandar, a gente passa pra dupla.
— Tá.
Bruna subiu no suporte.
Ficou com uma perna de cada lado, igualzinha à Adriana do primeiro dia, as mãos nos joelhos, o corpo tenso.
A ponta da haste creme encostou na xoxota dela.
E aí aconteceu a coisa que todo mundo na fábrica já tinha visto e nunca cansava de ver.
Bruna parou.
Não desceu. Não subiu. Só ficou lá, encostada, com os olhos arregalados, olhando pra frente sem ver nada.
— Desce — disse Nilton.
— Tá grande.
— É médio.
— Pra mim é grande.
— Desce devagar.
Ela desceu um centímetro.
E travou.
A cara dela foi mudando em etapas. Primeiro susto. Depois surpresa. Depois uma coisa parecida com espanto. A boca abriu um pouco. As sobrancelhas subiram. As bochechas ficaram vermelhas de repente, do nada.
— Ai — ela falou.
— Respira — disse Adriana.
Bruna respirou. Desceu mais um pouco.
O corpo dela se abriu com aquele som molhado, e ela soltou um gemido curto, agudo, que fez as outras estagiárias pararem de rir.
— Ai, ai, ai.
— Calma.
— Tá entrando.
— Eu sei.
Bruna desceu até a base. Ficou ali, sentada, cheia, com a haste inteira dentro, o corpo tremendo fino, os olhos cheios de água.
— Tá inteiro? — perguntou.
— Tá.
Ela respirou fundo, três vezes, e foi relaxando. As pernas abriram. O quadril assentou. A cara foi perdendo o medo e ganhando outra coisa — uma coisa boba, morna, quase feliz.
— Ah — ela falou, baixinho, mais pra si mesma. — É isso.
— É isso — respondeu Adriana, sorrindo.
Nilton anotou. Depois falou:
— Agora a dupla.
As duas juntas
Ligaram a câmera.
Adriana foi pra frente da lente, montou na quarta bike — a Intruder Pussy Public and Anal, com as duas hastes — e desceu com uma naturalidade que fez Nilton levantar a sobrancelha.
As duas entraram de uma vez.
Ela soltou o ar comprido, ajustou o quadril, e ficou.
Bruna foi montada na bike ao lado, com a peça dupla do Double Anal Teen, tremendo de medo de novo.
— Vai na frente — disse Adriana pra ela.
As duas começaram a pedalar.
No começo, desencontradas. Bruna errava o ritmo, acelerava, travava, gemia e ria. Adriana ia do lado dela, falando baixinho, corrigindo.
— Devagar. Não trava o quadril.
— Tá.
— Sente o banco, não o pedal.
— Isso. Agora igual.
E aí as duas sincronizaram.
Pedalando lado a lado, no mesmo ritmo, as duas bikes andando na área isolada, as duas peças entrando e saindo ao mesmo tempo, os dois corpos sacudindo no mesmo compasso. A vibração no máximo. A xoxota das duas aberta, vermelha, brilhando. A de Adriana, larga e treinada, engolindo tudo sem piscar. A de Bruna, apertada, quente, ainda em brasas do primeiro dia, mas aguentando.
As outras duas estagiárias ficaram sentadas no chão assistindo, com a boca aberta.
O pai estava na pilastra, como sempre.
Nilton, atrás da câmera, não tirava os olhos da tela.
Elas pedalaram dez minutos.
Quando pararam, Bruna estava rindo e chorando ao mesmo tempo, com o cabelo colado na testa.
— Eu consegui — ela falou.
— Conseguiu — disse Adriana.
A ligação pra Ásia
Na terça, os diretores da Ásia entraram na chamada.
Era madrugada lá. Três homens e uma mulher numa sala de vidro, com café e prancheta, e a tela dividida com o vídeo pausado no primeiro quadro.
Nilton ligou a projeção no galpão.
Todo mundo parou de trabalhar pra assistir.
O vídeo rodou.
As duas meninas pedalando lado a lado. O encaixe em close. A xoxota de Adriana engolindo a haste dupla sem hesitar. A cara de Bruna mudando em etapas, do medo ao espanto à entrega. As duas rindo no fim, ofegantes, uma segurando a outra pra não cair da bike.
Um dos diretores inclinou a cabeça. A mulher levantou a mão e pediu pra repetir o trecho.
Repetiram.
Ela olhou de novo, mexeu a cabeça devagar, e falou algo em japonês que ninguém entendeu.
O tradutor, do lado de cá, soltou um risinho.
— Ela falou que a pequena não tinha jeito de quem nunca sentou.
Nilton olhou pra Bruna. Bruna ficou vermelha até a orelha.
Depois veio o segundo comentário, de um dos homens, mais velho, de óculos.
O tradutor ouviu, hesitou, e riu de novo.
— Ele falou: "Como assim a pequena nunca usou? Ela desceu até o fim na primeira tentativa."
Silêncio.
E aí o terceiro, o mais novo, o de camisa aberta, falou uma frase comprida e bateu na mesa.
O tradutor virou pro Nilton.
— Ele falou: "A América é só putaria. Vende isso pra cá que vende."
Todo o galpão riu.
Adriana olhou pro pai. O pai olhou pra ela.
Ela estava sentada numa caixa de produto, de perna aberta como já era costume agora, suada, com o cabelo preso de qualquer jeito, os olhos brilhando.
— Pai.
— Eles aprovaram?
— Aprovaram.
Ela sorriu.
A garota tímida estagiaria tinha virado testadora oficial da Intruder Pussy Public and Anal, com o nome no relatório e tudo. E ela nem tinha experiencia ainda.

