A garota se chamava Helena, mas todo mundo chamava de Lelê, quando ela mesma decidiu que "Helena" era nome de gente velha. Tinha 19 anos, cabelo castanho claro que ela vivia prendendo num coque desleixado, e um jeito de andar pela casa como se o mundo fosse dela — o que, na prática, era mesmo, porque o pai fazia questão de tratar assim.
Seu Nivaldo homem de mãos grossas e coração mole, daqueles que choram com comercial de margarina e fingem que é alergia. Desde que Lelê era pequena, ele a levava pra tudo: ao estádio, aos domingos, os dois com a camisa do time, gritando até ficar rouco, ela sentada no ombro dele na arquibancada pra ver melhor. Nos shoppings, então, era cúmplice de tudo
— segurava as sacolas, dava opinião sincera sobre qual vestido ficava melhor, pagava o milk-shake sem reclamar. Era um pai amoroso e carinhoso mas era também o melhor amigo, o confidente, a pessoa pra quem ela contava as notas ruins, o menino que deu errado, o medo de não passar no vestibular.
Dona Sônia, a mãe, era outra história. Enfermeira-chefe, plantões de doze horas, e uma régua moral que não admitia desvio. "Postura", "compostura", "não fica assim largada no sofá" — a casa dela tinha regras e a filha tinha obrigações. Lelê amava a mãe, mas com a mãe ela media cada palavra antes de soltar. Não era à vontade. Nunca foi. Havia coisas que ficavam atravessadas na garganta, e a mãe, sem paciência pra rodeios, acabava não ouvindo.
Naquele sábado, dona Sônia saiu cedo pro plantão. A casa ficou dos dois, com o silêncio bom das manhãs sem cobrança.
Nivaldo notou na hora. Lelê não era assim. Normalmente ela descia cantando, brigava pelo controle da TV, reclamava do café. Naquele dia, desceu de pijama e descalça, sentou na ponta do sofá e ficou olhando o nada. Mexia no celular sem ver a tela. Levantava, dava dois passos, voltava a sentar. Ajeitava o short do pijama embaixo do corpo de um jeito estranho, com um cuidado que ele nunca tinha reparado.
— Tá tudo bem, filha? — ele perguntou, baixando o som da TV.
— Tô.
— Tá nada. Tá quieta que só. Aconteceu alguma coisa?
Ela encolheu os ombros. Depois, de novo aquele ajuste, o quadril se remexendo no estofado, a mão descendo disfarçadamente e voltando.
— Pai... — a voz saiu baixa, quase sumida. — Deixa eu te perguntar uma coisa.
— Pergunta.
Lelê respirou fundo, como quem toma impulso pra pular de um lugar alto. O rosto dela ficou cor-de-rosa até a orelha.
— É que tem uma coisa errada comigo. E eu não sei se é normal. E é...
— ela travou. — É meio difícil de explicar.
— machucada filha.
— Nivaldo já foi se ajeitando na poltrona. — Tá sentindo o quê?
— Não é doença. É...
— ela riu, nervosa, um risinho curto e sem graça. — Pai, eu tô morrendo de vergonha. Sério. Mas não tem pra quem perguntar. A mãe ia achar que é frescura, ou ia dizer que eu não me lavo direito, alguma coisa assim. E eu preciso que alguém veja se tá normal. Eu preciso que seja o senhor.
Nivaldo sentiu a garganta secar de repente. Um seco de verdade, aquele que faz barulho quando engole.
— É na minha xoxota, pai.
A palavra ficou no ar um instante. Nivaldo fez que sim devagar, como se estivesse processando um cálculo complicado. Era a filha dele, ele pensou. Ele trocou fralda dela. Não tinha por que ficar sem graça. Mas alguma coisa ali, naquele sábado de manhã, parecia diferente.
— E o que tá acontecendo? — ele perguntou, e a voz saiu mais baixa do que ele queria.
helena juntou as mãos no colo, os dedos entrelaçados, apertando.
— Desde ontem. Começou com um calor nela, assim, uma coisa quente.
Aí hoje de manhã acordei e tava vermelha e molhada. Tudo vermelho, pai. E coça. Coça muito. Uma vontade de coçar que eu tenho que segurar a mão pra não ficar ali o dia inteiro. Eu já lavei duas vezes, já passei um creme da mãe, não melhorou. Fico sentindo quando encosta na calcinha. Tá incomodando até pra sentar.
- o pai sabe que é tesao demais e nao quiz falar no ato.
— E por que não falou com a mãe?
— Porque eu ia ter que explicar tudo isso pra ela e ela ia fazer aquele olhar de "ai, que garota
— Lelê imitou a expressão, os lábios apertados, e depois voltou ao tom baixo. — Com o senhor é diferente. O senhor não faz eu me sentir boba.
Nivaldo limpou a palma da mão na calça. Estavam suando, ele percebeu, o que era ridículo.
— Você vai ter que me mostrar.
— Eu sei. — Ela engoliu. — Pai, é sério que é o senhor? Eu vou morrer de vergonha?
— Vai um pouco — ele admitiu, e ela riu de novo, e o riso desmanchou um tanto da tensão. — Mas eu vou ficar bem quieto aqui e você me diz o que tá sentindo. Só isso. Depois a gente vê se leva no posto.
helena assentiu. Ficou parada um segundo, tomando coragem, e então se levantou. Ficou de pé na frente do pai, o short do pijama fino, a barra entre os dedos.
Ela puxou o short e a calcinha juntos, num gesto só, até os joelhos, e depois desceu tudo até os tornozelos, e ficou ali, de pé, com as pernas um pouco afastadas, e Nivaldo teve que levantar o queixo porque ela estava perto demais para o ângulo do sofá.
O que ele viu primeiro foi o contraste. As coxas claras, a pele lisinha, e no meio daquilo, a vulva da filha — os lábios maiores desenhados com uma simetria que parecia desenho, cheios, bem torneados, dobras rosadas e macias que ele nunca tinha parado pra imaginar que existiriam ali daquele jeito, na menina que ele carregou no colo. E o vermelho. Não era o rosa de sempre. Era um vermelho vivo, irritado, espalhado pelos dois lados, subindo até a dobra da virilha. O capuz do clitóris, no alto, estava inchado e brilhante, e ela mesma, sem pensar, levou dois dedos lá e coçou com força, e suspirou.
— Viu? — ela disse, e a voz saiu meio chorosa. — Tá assim. Tá diferente filha.
— Tá vermelho mesmo — Nivaldo concordou, e ouviu a própria voz mais grave do que devia.
— Não é nada, filha. Só tá irritado.
— Tá ardendo agora que o ar bate.
— Deve ser o pijama. Ou o sabonete. — Ele se inclinou um pouco, mãos nos joelhos. — Tá inchado aqui em cima também?
— Tá. E é onde mais coça. — Ela coçou de novo, três, quatro vezes, com uma cara de alívio que era quase de dor.
— Pai, quando eu coço, arde depois. Mas não consigo ficar sem.
Nivaldo olhou mais um instante do que precisava. As dobras, a pele fina, a vermelhidão que descia em direção ao períneo. Anotou mentalmente o que ia dizer pro médico do posto: coceira, ardor, vermelhidão, início há um dia. Coisa de candidíase, ele já tinha ouvido falar. Mas a cabeça dele demorava a voltar pro lugar prático.
ele passou a mao na testa da sua xoxota depilada e disse esta normal.
— Pode se vestir — ele disse, e ela puxou a calcinha e o short de volta, e sentou no sofá, e ficou olhando pra ele com os olhos grandes, esperando.
— E aí? — ela perguntou. — É normal?
— Não é normal não, mas também não é nada de outro mundo. É so pela sua idade, Coisa comum.
— Ele se levantou. — Vou ligar pra tua mãe no hospital e a gente vai no posto.
— Pai, não liga
— Ela vai dizer o que fazer, que é a função dela. — Nivaldo já estava com o celular na mão. — E olha: nada de coçar com a unha. Só com a ponta do dedo. E tira esse pijama e põe uma saia, que é mais fresco.
Na porta do quarto, parou e se virou.
— Pai.
— Fala.
— Obrigada por não rir de mim.
Nivaldo sorriu torto, e naquele instante ele entendeu uma coisa simples e meio dolorosa: a filha tinha escolhido ele pra uma conversa que a mãe, com toda a competência dela, nunca ia conseguir ter sem transformar em aula. Ele era o lugar onde ela podia ser boba e assustada. E ia continuar sendo, enquanto ela deixasse.
Nivaldo chegou na porta do quarto e parou. Ficou lá, de costas, com a mão no batente, o celular ainda na outra, e Lelê sentada no sofá, de pernas cruzadas, olhando o chão. Ele voltou.
— Filha. Espera aí.
Ela levantou o rosto. Ele voltou até o meio da sala e ficou de pé, e aí desistiu de ficar de pé e sentou na ponta da poltrona, os cotovelos nos joelhos, as mãos penduradas entre as pernas.
— Ó. Se eu olhar mais de perto — ele disse, e a voz saiu de um jeito que ele mesmo não reconheceu, mais baixa, mais devagar, como se estivesse explicando uma coisa difícil pra ele mesmo —, se eu olhar os lábios por dentro, dá pra ver se tem fissura, se tem corrimento, essas coisas. É o que o médico vai olhar de qualquer jeito. Só que lá vai ser um estranho, e vai ser de luva, e você vai ficar nervosa e não vai conseguir dizer direito o que tá sentindo. Aqui é você e eu. E fica entre nós, tá? Nem tua mãe precisa saber que foi assim. A gente conta pra ela que eu só olhei por fora.
Lelê ficou um instante parada. Os dedos dela se apertaram no joelho, depois soltaram. Ela olhou pro pai, olhou pro corredor, como se conferisse se a mãe não ia aparecer de repente, e aí assentiu devagar.
— Então tá.
Levantou-se e ficou de pé na frente dele outra vez. Dessa vez não teve o suspense de antes. Ela meteu os dedos na barra do short e puxou, e a calcinha veio junto, e o tecido desceu pelas coxas, pelos joelhos, e ela deixou cair no chão e chutou de lado, meio sem jeito. O pijama tinha ficado amarrotado na cintura; ela puxou a camiseta pra baixo por cima do quadril, mas era curta e não cobria nada, e ela desistiu.
— Como é que eu faço? — perguntou, a voz fina.
— Abre as pernas um pouco. Isso. Um pé aqui, ó — ele apontou com o queixo pro lado de fora do tapete, e ela afastou, meio desengonçada, os pés num compasso que não combinava com nada, o calcanhar apoiado, os dedos crispados. A luz da manhã entrava pela cortina mal fechada e batia de lado, e Nivaldo percebeu que aquilo era bom, porque via tudo sem sombra.
Ela estava mais vermelha do que na primeira vez. O ar da sala, o tempo passando, o esforço de ficar de pé com as pernas abertas — tudo aquilo tinha deixado a irritação pior, o capuz do clitóris empinado e brilhante, os lábios maiores inchados de um jeito que dava pra ver de longe.
Nivaldo limpou as mãos na calça de novo, uma na outra, e aproximou.
— Vou encostar. Se arder, você fala.
Ela fez que sim com a cabeça, os olhos grudados no teto.
Ele pôs os dois polegares na dobra da virilha dela, um de cada lado, bem na junção com a coxa, e empurrou a pele pra fora com cuidado, devagar, e os lábios se abriram. Não foi um gesto brusco. Foi como abrir um livro que não se quer amassar. E o que apareceu por dentro era de outro tom — rosa forte, quase vinho nas bordas, a mucosa lisa e úmida, as pregas internas ainda mais irritadas que o lado de fora, e o brilho fino do líquido escorrendo pro sulco de baixo.
— Ai — ela fez, um sopro, e o quadril dela fugiu um dedo pra trás, e voltou.
— Ardeu?
— Um pouco. Mas é bom. Continua.
Nivaldo segurou os lábios abertos com os polegares e foi olhando. Ele não tinha pressa nenhuma. O polegar esquerdo dele subiu um pouco, quase sem querer, e roçou a lateral interna, e Lelê esticou o pescoço pra trás e fechou os olhos. Ele viu que a pele ali tinha umas rachaduras mínimas, dessas que ardem no papel higiênico, e viu que a secreção era clara, leitosa só no canto, sem cheiro forte. Anotou tudo. Coisa de candidíase, ele pensou de novo, e a palavra passou rápido, porque a cabeça dele já tinha ido embora dali.
Porque ele estava admirando o corpo e a xota dela. Não tinha como não.
— e ali estava aquilo, formado, simétrico, os lábios cheios e bem torneados como se alguém tivesse desenhado com capricho, e a pele em volta lisinha, sem um pelo, e ele teve a sensação esquisita de estar vendo a filha pela primeira vez.
— Aqui em cima é onde coça mais? — ele perguntou, e o dedo médio dele subiu até a testa da xota e encostou de leve.
— Aí — ela disse, e a voz saiu quase um gemido. — Aí, pai. Não tira a mão.
Ele deixou o dedo ali, parado, só apoiado. Sentia a pulsação dela debaixo da ponta, um tique-tique quente e rápido demais pra ser calmo.
— Tá inchado mesmo — ele murmurou. — E tá quente.
— Tá ardendo de novo.
— É a pele, ou o seu suco vaginal gostoso.
— suco vaginal, ela riu, e gostoso, credo pai
— ela disse, e riu, e o riso saiu tremido. — Pai, faz alguma coisa. Molha mais.
Nivaldo tirou a mão e cuspiu na própria ponta dos dedos, sem cerimônia, e voltou com eles molhados, e passou de cima pra baixo, devagar, do capuz até o sulco de baixo, espalhando. Lelê soltou o ar todo de uma vez, um "ahh" comprido, e os ombros caíram, e a cabeça caiu junto.
— Isso — ela disse. — Ai, que alívio. Pode molhar mais, pai. Mais. Parece que melhorou.
Ele molhou os dedos outra vez, generoso, e repetiu, e ela empurrou o quadril pra frente, de encontro à mão dele, sem vergonha nenhuma agora. O líquido dele se misturou com o dela e escorreu pelo períneo, e uma gota caiu no tapete, e ninguém se importou.
Nivaldo ficou olhando o próprio dedo deslizando ali, e a boca dele secou de um jeito que não tinha nada a ver com a garganta.
— Filha.
— oi pai.
— Cê quer que eu... — ele começou, e parou, e recomeçou. — Se eu passar a língua, molha melhor que o dedo. Só que aí é mais perto. Você decide.
helena abriu os olhos e olhou pra ele de cima, e tinha uma coisa de espanto no rosto dela, como se ele tivesse proposto uma loucura.
— O senhor tá falando sério?
— Tô filha, posso.
— e se alguem ficar sabendo pai.
- acho que nao filha, fica entre nois
Ele se ajoelhou. Foi um movimento desengonçado, os joelhos dele estalaram, e ela riu do estalo, e o riso morreu na garganta dela quando ele se aproximou.
Ele começou devagar, como tinha dito. A primeira lambida foi comprida e rasa, de baixo pra cima, a língua deitada, só pra molhar e ver a reação. Lelê deu um pulinho e agarrou o ombro dele com as duas mãos, e as unhas dela entraram de leve na camisa.
— Ai que doido, nem acredito nisso, meu pai me chupando, credo.
Nivaldo repetiu. Mais devagar ainda, com a ponta da língua agora, limpando o líquido que tinha escorrido pro lado, voltando, juntando tudo. O gosto era salgado e meio ácido, e quente, e ele não tinha ideia de que era assim, e ficou surpreso de não achar estranho. A língua dele subiu até o capuz e circulou ali, e Lelê dobrou os joelhos, e a perna dela tremeu.
— Pai — ela disse, e a palavra saiu sem sentido nenhum, só um som. — Pai, tá ardendo menos. Tá... tá passando.
Ele não respondeu. A boca estava ocupada e ele percebeu que não queria tirar ela dali. Limpou tudo de novo, o sulco, as dobras, o líquido que não parava de vir, e depois voltou ao clitóris e ficou, sugando de leve, e o corpo todo dela deu um solavanco.
— Ah — ela fez, e a mão dela escorregou do ombro dele pro cabelo, e ficou lá, os dedos enroscados, apertando.
O celular tocou no bolso da calça dele. Os dois se olharam, ela de cima, com as pernas ainda abertas, ele ajoelhado com o queixo molhado.
— Deixa — ela disse. — Depois voce atende.
Ele não atendeu. Tirou o celular do bolso com a mão molhada, olhou o nome na tela, e desligou, e jogou o aparelho no sofá, longe.
— Depois — ele disse, e voltou pra onde estava.
Foram quinze minutos. Quinze minutos em que a sala foi ficando mais clara e mais quente, e o barulho de fora — um cachorro latindo, o caminhão de gás passando na rua de trás — foi virando um borrão distante que não tinha nada a ver com eles. Nivaldo não tinha técnica nenhuma e nem sabia que precisava ter. Ele fazia o que ela mandava sem ela mandar: ficava onde o corpo dela respondia, saía quando ela encolhia, voltava quando ela empurrava de novo. Aprendeu rápido, do jeito que se aprende a ler a chuva pela janela.
A língua dele descia e subia em faixas largas, e depois se estreitava, e depois voltava larga. Ele limpava o líquido que não parava de escorrer, e o que ele não conseguia alcançar com a língua ele enxugava com o queixo, e o queixo ficou todo molhado, e ele nem notou. A mão dele, que estava apoiada na coxa dela pra se equilibrar, escorregou pra trás, por baixo, e o dedo médio dele encostou no períneo e parou ali, sem pressa, esperando.
Lelê abriu mais as pernas, sozinha, e a sola do pé dela deslizou no tapete.
Ele molhou o dedo na própria língua — teve que tirar a boca por um segundo, e ela reclamou com um som — e voltou com ele pra trás, e encostou na entradinha do ânus dela, e ficou só encostado, sem empurrar.
— Ai, ai, ai — ela fez, e o corpo inteiro dela deu uma sacudida, e ela riu, nervosa, e depois parou de rir. — Tá... tá entrando?
— Só a ponta.
— Não tira.
Ele empurrou mais um pouquinho, e o dedo entrou até a primeira dobra, e o ânus dela fechou em volta dele, quente e apertado e surpreso, e Lelê gemeu alto demais e levou a mão livre à boca, e depois tirou, porque não tinha ninguém em casa pra ouvir.
— Continua — ela disse, rouca. — Pai, continua, pelo amor de Deus, não para.
Ele não parou. A boca voltou pro capuz do clitóris e ficou ali, chupando de leve, e o dedo lá atrás começou a entrar e sair num ritmo curto, e a perna dela começou a tremer de um jeito que não dava mais pra segurar. Ela tentou firmar o pé e não conseguiu. O calcanhar dela levantou do tapete.
— Tô... — ela avisou, e a voz falhou no meio. — Pai, eu vou gozar. Eu vou gozar.
— Vai — ele murmurou contra ela, e a vibração da voz foi a última coisa.
Ela gozou com o corpo todo. A barriga dela fechou, a mão fechou no cabelo dele e apertou, e o quadril subiu de encontro à boca dele num solavanco que quase o derrubou pra trás. Ele segurou firme, com a mão espalmada no quadril dela, e continuou chupando, e ela deu três, quatro, cinco pulsos, e depois começou a fugir.
— Ai, tá sensível, tá sensível — ela disse, e tentou empurrar a cabeça dele. — Pai, chega, chega, ai meu Deus.
Ele parou com a boca ainda colada. Levantou o rosto devagar.
Lelê olhou pra baixo, e aí viu. O queixo dele brilhando, a boca, o nariz molhado, e uma coisa clara e mais grossa escorrendo no lábio dele, e a camisa com uma mancha no ombro.
— Pai — ela disse, e a voz saiu horrorizada. — Desculpa. Credo. Desculpa, eu... — ela levou a mão à boca de novo, agora por vergonha. — Tá tudo aí na sua cara. Ai que vergonha.
Nivaldo passou o dedo no queixo, olhou, e em vez de limpar, levou a boca de volta e lambeu ela inteira, de baixo pra cima, lento, e engoliu.
— Não tem nada de desculpa — ele disse, e a voz saiu grave e meio rouca. — É teu. É a coisa mais tua que tem.
— Credo, pai.
— Credo o quê. É bom.
— É porrinha minha — ela insistiu, e riu de canto, os lábios apertados, e a orelha vermelha outra vez, e ela se abaixou e olhou a cara dele de pertinho, e riu mais. — O senhor tá com a cara toda lambuzada. Que nojo.
— Nojo nada.
— Tá molhado até o nariz.
— E daí.
Ele lambeu os cantos da boca, os lábios, o dedo que tinha estado atrás, e ela ficou olhando aquilo com uma expressão de quem não sabe se ri ou se chora.
Ele se sentou no chão, de costas pro sofá, com um gemido de joelho velho, e ela se sentou também, no tapete, as pernas ainda abertas, o pijama amarrotado na cintura. Ficaram um instante assim, os dois sem ar, encostados no mesmo móvel.
— A gente tem que ficar quieto — ele disse, por fim, e a voz ainda estava baixa. — Da tua mãe. Por enquanto. Ela vai querer saber de tudo, e é melhor a gente decidir o que conta antes dela chegar.
Lelê assentiu devagar. Ficou olhando o próprio joelho, e depois olhou pra ele, e a cara dela era de espanto puro, sem nenhuma mágoa.
— Pai. Acho que a gente fez sexo oral.
— A gente fez — ele confirmou.
— A gente fez sexo oral — ela repetiu, como quem confere um resultado de conta difícil. — Eu e o senhor. Aqui, no sofá da sala. — Ela soltou um risinho curto, incrédulo. — Não tô reclamando, tá? Só... como é que isso aconteceu? A gente começou com "deixa eu ver se tá vermelho".
Nivaldo esfregou a boca com as costas da mão e olhou pro teto.
— O vermelho era tesão, filha. Era isso desde ontem. Você tava com calor, molhada, coçando, sensível até pra sentar — é tesão, e é normal pra tua idade. Mas se te acalma, bota um pouco de margarina na xoxota. Margarina natural, daquela sem sal, não é manteiga. Passa depois do banho e antes de dormir, na parte de fora. Se arder muito, aí sim é posto.
— Margarina. Na xoxota. — ela repetiu, e riu. — A mãe vai perguntar por que é que tem margarina no banheiro.
— Ela que pergunte. É bom pra pele, e é o que tem.
Ele se levantou, esticou a mão e puxou ela do chão. Lelê ficou de pé, e não se abaixou pra pegar a calcinha. Ficou ali, meio sem rumo, com a camiseta curta e as pernas ainda meio bambas.
— E outra coisa — ele disse. — Você tá assim, inchada e sensível, e vai ficar o dia todo. Então se ajuda. Vai pro teu quarto, passa a margarina, e se alivia. Masturba mais, com calma, sem unha. E se quiser uma coisa dentro, pega um pepino da gaveta de baixo da geladeira, dos médios. Lava bem, e enfia devagar. Uns vinte centímetros daquele não vão te machucar, e o grosso segura.
— Vinte centímetros, pai?
— E eu fico com o pepino lá dentro até quando?
— Até a tarde, se você aguentar. Anda com ele, faz tuas coisas, vai sentindo. Ele vai segurando. Mas põe uma calça apertada, senão cai na hora que você agachar.
Ela riu de novo, agora de verdade, uma risada solta e besta que destoou de tudo.



