topicos desse conto. strapon, lesbicas, incesto, pai e filha, reino, mae e filha
Nos confins de um reino esquecido, onde as montanhas se cobriam de névoa antes do amanhecer, erguia-se o castelo de Vharen, negro e silencioso, com torres que furavam as nuvens como dedos ossudos apontando para o céu. E no alto da mais alta delas, a Torre do Lamento, vivia trancada a Princesa Paula. Não por um dragão, não por um feiticeiro, não por inimigo algum. O pai a havia trancado, e o pai tinha os seus motivos.
Paula tinha vinte e um anos e era pequena, um metro e sessenta exatos, dessas mulheres que passam por baixo dos braços dos homens e ainda assim fazem os homens pararem de respirar. Loirinha, de cabelo comprido como palha ao sol, olhos azuis de céu antes da tempestade, cintura fina, seios pequenos e rosados, coxas cheias. Mas o que arrancava a fala da boca dos guerreiros do reino era outra coisa, algo que ela carregava com um orgulho discreto e uma leveza quase distraída: Paula tinha uma bunda enorme. Redonda, alta, firme, duas luas gêmeas que pareciam esculpidas por um deus que gostava de exagerar. A Torre do Lamento não tinha porta — tinha apenas uma janela a quarenta metros do chão e uma escada secreta que só o rei conhecia. Era o esconderijo perfeito para um pecado perfeito, e Paula, dentro dele, aprendia todo dia a ser cada vez mais safada.
O Rei Baldric tinha quarenta e cinco anos, ainda largo de ombros e forte de braços, a barba salpicada de grisalho e os olhos escuros e vorazes de quem nunca aprendeu a desejar pela metade. Subia a escada secreta todas as tardes, quando o trono ficava chato e o sol ficava laranja, e chegava sem bater, como quem volta para casa. Encontrava-a de bruços na pele de urso, lendo, a bunda levantada por puro hábito, o corpo todo à mostra porque dentro da torre ela não usava quase nada. E ele se ajoelhava atrás dela, sem pressa, e começava beijando aquelas duas luas, uma e outra, a boca molhada e paciente, demorando-se em cada curva como quem lê um livro que não quer terminar.
"Você de novo, pai", dizia ela sem levantar os olhos do pergaminho. "Não tem nada pra governar hoje?"
"Governar é chato", ele respondia, mordendo a carne dela de leve. "Aqui é que o reino funciona."
"Então trabalha, rei."
E Baldric trabalhava. Abria as pernas da filha com os joelhos, passava a língua por baixo, subia até o buraquinho apertado dela, descia de novo, e só quando Paula já estava molhada o bastante para pingar na pele de urso é que ele a tomava por trás, fundo e devagar, o polegar subindo e descendo pela espinha dela, contando as vértebras como quem conta moedas que não quer gastar.
"Assim, pai", ela gemia baixinho, aquele som de quem está com vergonha e prazer na mesma medida. "Assim, devagar... fundo..."
"Gosta da vara do papai?"
"Gosto. Gosto muito."
"Fala de novo."
"Gosto da vara do papai na minha buceta, pai... gosto de sentir você me abrindo."
E Baldric gemia por cima dela, o peito largo encostado nas costas pequenas da filha, a barba arranhando o ombro dela, e ia mais fundo, e Paula apertava o pau dele por dentro, de propósito, só para ouvi-lo perder o ar. Depois ficavam os dois deitados, suados, rindo de nada, e Baldric penteava o cabelo loiro dela com os dedos e dizia que nenhum homem do mundo saberia cuidar dela como ele. Paula não sabia se era verdade, mas gostava de acreditar — e enquanto ele falava, ela já calculava quanto tempo faltava para a noite chegar e a mãe subir.
Porque se o pai tinha as tardes, a rainha tinha as noites, e as noites eram o que Paula mais esperava. Isolde era o oposto de Baldric: alta, morena, de gestos largos e riso solto, uma mulher que entrava nos aposentos como quem entra numa festa. Trazia sempre o cinto de couro na cintura e um sorriso de quem já sabe tudo. Subia a escada, fechava a cortina, e olhava a filha de cima a baixo com aqueles olhos pretos de rainha.
"Deitadinha de barriga pra baixo", mandava Isolde. "Levanta essa bunda. Mais. Isso."
"Mãe, o pai já me comeu hoje", Paula reclamava, sorrindo.
"E daí? Ele come. Eu mando. Vira o rosto, princesa."
E a rainha apertava o cinto, cuspia na mão, passava a saliva no strapon preto e polido — do tamanho exato de fazer Paula abrir a boca antes de abrir as pernas — e entrava devagar, segurando os quadris da filha com as duas mãos.
"Ai, mãe..."
"Isso, respira. Deixa entrar."
"É grande..."
"É do tamanho certo. Você é linda, mas não é de vidro."
E Isolde começava a se mover, e Paula gemia com a bochecha na pele de urso, e a rainha falava sem parar, aquela voz de professora safada que atravessava a torre toda.
"Você vai gostar de vara e de xota", sussurrava Isolde contra a nuca dela. "Vai gostar dos dois, porque foi feita para os dois."
"Eu gosto dos dois, mãe."
"Fala mais alto."
"Eu gosto dos dois!" gritava Paula, rindo e gemendo ao mesmo tempo.
"Boa menina. Agora abre mais o cu pro strapon da mamãe. Isso. Assim."
E depois, quando a filha já estava tremendo, Isolde virava Paula de costas, levantava as pernas dela sobre os próprios ombros e recomeçava, devagar, beijando-lhe o pescoço, mordendo-lhe a orelha, apertando-lhe os seios pequenos, e Paula olhava para o teto e pensava que tinha nascido com muita sorte. Aprendeu cedo que o corpo dela era um instrumento afinado para as duas coisas, e que nenhum dos dois a deixava com fome.
E porque nenhum dos dois a deixava completamente satisfeita, Paula começou a colecionar. No quarto da torre, dentro de um baú de madeira, ela guardava o que a rainha lhe dera de presente e o que ela mesma mandara comprar: quatro dildos, de tamanhos e cores diferentes, um de couro envernizado, um de madeira polida, um grande demais para parecer discreto e um pequeno que ela usava só para brincar. À noite, quando a mãe já tinha descido e a torre ficava quieta, Paula deitava na cama com os quatro espalhados na pele ao lado do corpo, escolhia um, e começava devagar.
Levava o dedo primeiro, sempre. Depois o pequeno, girando, brincando, só para se acostumar. Depois o de madeira, que ela esquentava entre as coxas antes de enfiar. E ficava assim, sozinha, de pernas abertas, uma mão no dildo e a outra apertando a própria bunda enorme, gemendo para o teto e para as paredes vazias, dizendo baixinho "isso, isso, isso" para si mesma como se fosse outra pessoa falando com ela. Nos dias em que o corpo pedia mais, ela usava dois — um na buceta e a ponta do dedo no cu — e gozava duas vezes, uma atrás da outra, e ficava deitada depois, suada, com os dildos largados na cama, sorrindo sozinha no escuro. Era safada. Era safada demais, e ninguém sabia o quanto.
Na verdade, quase ninguém. Porque os servicais do rei também sabiam. Goran, Téo e Milo eram os três criados que subiam a torre para trocar a água, levar a comida, arrumar a cama e acender os candeeiros, e no começo faziam isso com a cabeça baixa, sem olhar para a princesa. Só que Paula começou a ficar de propósito na frente deles com pouca roupa, inclinando-se para pegar coisas no chão, e os três começaram a demorar mais do que deviam na torre. Até que um dia Téo, o mais atrevido, deixou cair a jarra de água só para ter motivo de se ajoelhar perto dela.
"Princesa, me desculpe."
"Levanta", disse Paula. "Você já viu minha bunda toda, Téo. Agora fala a verdade."
"Vi, sim."
"E?"
"E é a coisa mais bonita do castelo."
"Então toca."
E Téo tocou. E depois tocou de novo, e depois a mão dele já estava por baixo da saia curta dela e Paula já estava apoiada na mesa de pedra com a saia na cintura, e Téo, que era cozinheiro antes de ser criado e tinha mãos de cozinheiro, grossas e quentes, comeu ela ali mesmo, de pé, contra a mesa, com a jarra derramada no chão ao lado.
"Você é doida, princesa", gemeu Téo. "O rei mata a gente."
"O rei tem as tardes dele", disse Paula. "As minhas são minhas."
E virou moda. Goran, o mais velho, subia com o carvão e descia com as pernas bambas. Milo, o mais novo, o mais magro, o mais desesperado, subia com pão e descia com o pau doendo. Faziam fila sem combinar: um na escada, outro esperando, e Paula no meio, escolhendo quem entrava primeiro, mandando um segurar a cintura enquanto o outro comia, e rindo muito quando dois deles batiam cabeça na porta ao mesmo tempo tentando sair antes do rei chegar. Ela deixava um gozar dentro, o outro na bunda, e no fim do dia cheirava a três homens diferentes, e tomava banho só na sexta-feira, porque gostava de sentir o cheiro deles nela.
E teve também o pedreiro. A torre precisou de reparo naquele verão, uma pedra solta no terceiro beiral, e subiram um homem grande e calado chamado Arno, o mesmo que, diziam, tinha ajudado a construir a Torre do Lamento quando ainda era moço. Arno tinha cinquenta anos, ombros de touro, antebraços grossos e sujos de pó de pedra, e subiu com a corda na cintura, e quando Paula abriu a janela e o viu pendurado ali, suado e enorme, decidiu na hora que aquele homem ia entrar.
"Bom dia, princesa."
"Bom dia, pedreiro. Você é forte."
"É o ofício."
"O ofício de quê?"
Arno riu, entrou pela janela, e a torre ficou pequena para ele. Trabalhou a manhã inteira na pedra solta, e Paula ficou sentada na cama, nua, olhando, sem pressa nenhuma de se vestir. No fim, ele se virou, secou a testa com o braço sujo e olhou para ela sem cerimônia.
"A senhora vai ficar aí me olhando o dia todo?"
"Vou. E aí?"
"E aí que eu não aguento mais, princesa."
"Então vem."
E Arno veio, com as mãos de pedra, e pegou Paula pela cintura como se ela fosse uma tábua e a virou de bruços contra a parede, e a bunda enorme dela bateu na pedra fria, e ele entrou com aquela grossura de homem que passou a vida carregando coisa pesada. Paula gritou, e depois gemeu, e depois ficou só gemendo, com a bochecha raspando no reboco, as mãos agarradas numa saliência, e Arno batendo nela por trás com um barulho que ecoava até lá embaixo.
"Isso, pedreiro", ela gemia. "Me come como você come essa pedra."
"A senhora é safada demais."
"Sou. Sou safada demais. Fode mais forte."
E ele fodeu. Fodeu até a perna dela tremer, gozou dentro com um grunhido de animal grande, e depois ficou ali ofegante, o suor caindo no ombro branco dela, o pó de pedra grudando na pele dos dois. Quando desceu pela corda, no fim do dia, contaram em Vharen que o pedreiro tinha subido só uma vez e que a princesa tinha gemido o dia inteiro. Não era mentira.
Mas os lordes se cansaram. Uma princesa trancada é um problema político, e três anos já era demais. Pressionado, o rei propôs um desafio: quem escalasse a Torre do Lamento e alcançasse a janela de Paula teria o direito de desposá-la. Baldric ria por dentro, porque a torre era lisa e alta e sem escadas por fora, e ninguém subiria. Onze guerreiros tentaram. O primeiro, um brutamontes de Nordheim com braços como troncos, subiu doze metros e caiu de bunda no fosso. O segundo, um arqueiro ágil de dedos finos, chegou aos trinta metros, ficou pendurado numa corda e gritou por socorro até os guardas o recolherem. O terceiro tentou de dia, com o sol na cara, e escorregou no musgo. O quarto levou um arpão e uma escada de corda, e a corda arrebentou. O quinto desistiu no meio, olhou para baixo e teve vertigem. O sexto, o sétimo e o oitavo subiram juntos e atrapalharam uns aos outros. O nono quase conseguiu: chegou à janela, apoiou os dois cotovelos no parapeito, olhou para dentro — e o que viu o derrubou por conta própria, porque Paula estava nua, ajoelhada no parapeito, a bunda virada para o vazio, e virou o rosto por cima do ombro e sorriu. Ele soltou a pedra e caiu sorrindo. O décimo era um nobre gordo que trouxe criados para içá-lo e chegou de cima, o que Paula disse que não valia. E o décimo primeiro era bonito e estúpido, e a chamou de "senhora" antes de saber o nome dela. Ela fechou a janela na cara dele.
Kael não era o mais forte nem o mais bonito. Tinha trinta anos, ombros largos, mãos calejadas de ex-soldado, o cabelo escuro preso atrás e uma cicatriz fina na sobrancelha. Tinha um jeito quieto de olhar as coisas antes de tocá-las. Estudou a torre por três dias sem tentar nada: andou ao redor dela, mediu com os olhos, apalpou a pedra, procurou onde ela cedia. E não subiu de dia. Subiu na terceira hora da noite, quando o vento cai, a pedra esfria e os dedos agarram melhor. Levou duas cordas curtas, um punhal entre os dentes, e nada mais. E escalou. Passou do primeiro beiral com o pé firme, do segundo com o coração batendo alto, do terceiro com as palmas sangrando. Não olhou para baixo nem uma vez. Contava a respiração, inspira, agarra, sobe, inspira, agarra, sobe, o corpo colado à pedra como se fosse parte dela, e chegou. A janela estava aberta.
Ele entrou de lado, caiu de joelhos no chão de pedra, ofegante, sujo, suado, e ali estava ela. Nua, sentada na beirada da cama, pernas cruzadas, a luz do candeeiro lambendo a curva absurda daquela bunda, o cabelo loiro solto caindo sobre os seios pequenos. Ela o olhou de cima a baixo, sem pressa, como se estivesse lendo um pergaminho.
"credo", disse Paula. "Você veio pela janela."
"Vim."
"Os outros também vinham. Alguns chegaram."
"Eu sei."
"Então sabe que chegar não basta."
"Sei."
E ela se levantou, baixinha a ponto de a cabeça bater no peito dele, e mesmo assim foi ela quem mandou. "Levanta." Ele levantou. "Tira a camisa." Ele tirou. Ela passou a mão no peito dele, no suor, nos pelos, e sorriu, porque o coração dele estava descontrolado e ela gostou disso. "Ajoelha." Kael se ajoelhou. E Paula subiu na cama, de costas para ele, e desceu aquela bunda enorme sobre o rosto dele, devagar, medindo o peso, sentindo a respiração dele quente contra ela. Ele gemeu contra ela, e ela riu baixinho e começou a mover os quadris.
"Vara e xota", disse Paula, meio para ele, meio para si mesma. "Foi assim que me ensinaram."
"E você gosta?"
"Gosto dos dois. Agora mostra que você também sabe das duas."
E ele mostrou. Com a língua primeiro, paciente, delicado, aprendendo o gosto e o ritmo dela como quem decora uma canção; depois com a boca inteira, sem pressa, enquanto as mãos dele subiam pelas coxas cheias e voltavam para trás para agarrar aquelas duas luas e apertá-las devagar. Paula apoiou as mãos na parede e deixou a cabeça cair para trás, e pela primeira vez em três anos sentiu que alguém a estava comendo com calma. Os outros tinham pressa. Kael tinha fome, mas tinha método. Ele bebia o prazer dela em pequenos goles, e quando ela já tremia, ele parou só para ouvi-la protestar.
"Você parou por quê?"
"Pra te ouvir pedir."
"Seu desgraçado... continua."
"Fala direito."
"Continua, Kael. Me chupa mais."
E ele continuou, e Paula quase caiu da cama. Quando ela não aguentou mais, desceu, o puxou pelo cabelo até a beirada, deitou-se de costas, abriu as pernas e o olhou. "Agora." Kael entrou devagar, e Paula arqueou as costas e soltou aquele gemido de vergonha e prazer que só ela tinha. Ele esperou ela se acostumar, sentiu as paredes dela cedendo, e só então começou a se mover. Devagar, fundo, no ritmo que ela ditava com a mão na lombar dele, delicado e safado ao mesmo tempo, como se estivesse com medo de quebrar e com vontade de devorar. Ele inclinava o corpo para beijar-lhe o pescoço, os ombros, a ponta dos seios rosados, e voltava a afundar, e voltava a beijar, e Paula abria as pernas mais, e apertava, e puxava, e os dois começaram a se encaixar como se a torre inteira tivesse sido construída só para aquilo.
"Do outro lado da parede, atrás de uma grade secreta, o rei Baldric assistia, e Isolde estava ao lado dele com o braço na cintura do marido. "Ele entrou pela janela", disse o rei, sem esconder o orgulho ferido. "E ela está deixando ele entrar por outra", respondeu a rainha. Baldric suspirou. "Então acabou." "Não", disse Isolde. "Só começou."
Dentro do quarto, Paula virou Kael de costas e subiu nele. Montou, sentou devagar, a bunda enorme descansando nos quadris dele, e começou a cavalgar com uma paciência que fazia o homem perder a razão. Kael agarrou aquelas duas luas com as duas mãos e só então entendeu por que a torre existia: não era para prender Paula, era para que só alguém que subisse até lá merecesse aquilo. Ela inclinou o corpo sobre ele, os cabelos loiros caindo nos dois, o gemido subindo de tom, e os dois terminaram juntos, suados, e o som dela ecoou pela torre vazia como uma sineta. Depois ficaram deitados de lado, um na frente do outro, respirando. Paula passou o dedo na cicatriz da sobrancelha dele. "Qual é o seu nome?" "Kael." "Kael", ela repetiu, gostando do som. "Você subiu quarenta metros por mim." "Subi." "E se eu tivesse te mandado descer?" "Descia." Ela riu e encostou a testa na dele. "Bom menino."
Na manhã seguinte, o rei abriu a janela da torre para o reino e anunciou que a princesa havia escolhido. Houve festa, houve vinho, houve lorde irritado reclamando de regras. Mas a Torre do Lamento não foi desmontada. Continuou ali, no alto, com a escada secreta que só o rei conhecia, porque Baldric ainda subia algumas tardes e Isolde ainda subia algumas noites, e Kael, que era marido agora, aprendeu a esperar na escada. Os servicais continuaram subindo com a água e a comida, e continuaram descendo com as pernas bambas, porque Paula nunca mandou nenhum dos três embora. E o pedreiro Arno voltou no verão seguinte, com a desculpa de que havia outra pedra solta, e não havia pedra nenhuma.
Ela ficava com todos, em turnos, sem culpa nenhuma — uma tarde para os braços do pai, uma noite para o cinto da mãe, uma madrugada para o guerreiro que veio pela janela, e às vezes uma quarta-feira inteira para ela mesma, trancada, com os quatro dildos espalhados na cama e a boca dizendo baixinho os nomes de todos. E ninguém no reino entendeu nunca por que a princesa sorria daquele jeito. Mas ela sorria. E era isso que importava.
O Casamento de Paula — a noite em que Vharen perdeu a vergonha
O casamento foi marcado para o primeiro dia de outono, e Baldric, que havia passado três anos fingindo que o assunto não era com ele, foi obrigado a assinar os papéis, abrir os portões e encher os tonéis. Fingiu resignação. Mandou matar quarenta porcos, seis bois, trouxe vinho de três províncias, e contratou quarenta guerreiros de fora — nômades, mercenários, bárbaros de mãos grandes que não conheciam Vharen e não deviam nada a ninguém. Baldric tinha um plano, e o plano era simples: se a filha ia se casar, que a festa ao menos o distraísse. E, se possível, que a festa o vingasse.
Paula desceu ao salão de vestido branco e, como sempre, fez os homens pararem de respirar. Um metro e sessenta, cabelo loiro preso com fita, a bunda enorme marcada pelo tecido fino, os seios pequenos apontando contra o bordado. Kael ficou ao lado dela, quieto como sempre, a cicatriz na sobrancelha e as mãos calejadas segurando a taça com jeito de quem não gosta de multidão. E na cabeceira, Baldric e Isolde sorriam como dois gatos que já tinham comido o peixe. Isolde, aliás, sorria mais do que devia.
Porque a rainha havia mandado convites que o rei não sabia. Um deles foi para a irmã dela, a Tia Morgana.
Morgana chegou na terceira hora da festa, num palanquim carregado por quatro escravos nus com coleiras de prata, e atrás dela vinham outros três, dois homens e duas mulheres, todos bonitos, todos untados de óleo, todos com a marca da casa dela no ombro. Morgana era alta, morena, tinha a mesma boca de Isolde e o mesmo riso solto, e usava um cinto de couro por cima do vestido de veludo, como quem avisa. Era conhecida em metade do reino por um único hábito: colecionar gente. Comprava, treinava, emprestava. E seus escravos serviam a todos da corte — na mesa, no banho, na cama — porque Morgana achava que uma casa que não se empresta é uma casa morta.
"Minha irmã", disse Isolde, beijando-a na boca, demorada.
"Minha rainha", respondeu Morgana. "Trouxe presentes."
E os presentes eram os escravos, que se ajoelharam no meio do salão e ficaram ali, lindos e disponíveis, enquanto os convidados aprendiam a olhar para eles e para as próprias esposas ao mesmo tempo.
A festa começou comportada. Durou uma hora.
A primeira a quebrar o gelo foi Bianca, a irmã mais nova de Paula, dezenove anos, igualzinha a ela — baixinha, loira, e com uma bunda que fazia a da irmã parecer discreta. Bianca passou a noite inteira bebendo e olhando para Paula por cima da taça, e Paula retribuía, e as duas começaram a rir de nada, do jeito que irmãs riem quando já combinaram alguma coisa. Isolde viu. Morgana viu. Baldric viu e fingiu não ver, porque sabia o que vinha.
Quando os músicos cansaram, Bianca levantou, tirou o vestido pela cabeça e ficou nua no meio do salão, sem dizer uma palavra. Houve um silêncio. Depois um urro. Depois Paula levantou também, e tirou o vestido, e as duas ficaram frente a frente, loiras, pequenas, com aquelas duas bundas enormes iluminadas por duzentas velas, e os guerreiros contratados por Baldric esqueceram a comida na boca.
"Bianca", disse Paula.
"Maninha", disse Bianca.
E se beijaram. Devagar, de língua, com as mãos descendo, e o salão inteiro ouviu o som daquele beijo.
Foi aí que Morgana bateu as mãos e mandou dois escravos trazerem a bandeja. Na bandeja havia frutas, havia pão, havia vinho — e havia pepinos. Quatro pepinos, grandes, grossos, lavados, de casca verde e brilhante, escolhidos a dedo por uma tia que sabia exatamente o que estava fazendo.
"É o teatro", anunciou Morgana. "Minhas sobrinhas vão fazer o teatro. Todo mundo senta e cala a boca."
Empurraram uma mesa comprida para o centro do salão. Paula subiu nela. Bianca subiu atrás. Deitaram-se de costas, uma de frente para a outra, e Morgana lhes entregou um pepino. E o salão prendeu a respiração, porque o que veio depois foi lento e cruel.
Bianca pegou o pepino e encostou a ponta na própria buceta, molhada, e empurrou devagar, girando, até o pepino desaparecer quase inteiro dentro dela. Ficou ali, as pernas abertas, a barriga subindo e descendo, e o público aplaudiu. Então Bianca apertou os músculos, prendeu o pepino, levantou os quadris, e Paula se aproximou, deitada, e encostou a buceta dela na ponta do pepino que sobrava. As duas empurraram os quadris uma contra a outra, ao mesmo tempo, devagar, e o pepino começou a sair de Bianca e entrar em Paula, centímetro por centímetro, no meio do silêncio, com as duas gemendo em sincronia.
"Segura, maninha", sussurrou Bianca.
"Seguro", disse Paula.
E o pepino atravessou de uma para a outra, e ficou dentro de Paula, e as duas ficaram ali, deitadas, ligadas, com as bundas enormes viradas para o salão, e as bocas abertas, e as coxas tremendo. Depois Paula o devolveu, e depois Bianca o devolveu, e as duas começaram a fazer o pepino ir e vir entre as duas bucetas, ida e volta, cada vez mais rápido, até parecer que o pepino era um só corpo e elas duas fossem as mãos dele. E o salão explodiu.
"Mais um!", gritou um guerreiro.
Trouxeram o segundo. E o terceiro. Um foi para a bunda de Bianca, empurrado por Paula com a mão, e Bianca gritou e riu ao mesmo tempo. Outro foi para o cu de Paula, e Paula gemia baixinho, aquele gemido de vergonha e prazer que ela tinha desde menina. No fim, as duas irmãs ficaram de quatro, lado a lado, na mesa, com dois pepinos dentro de cada uma e as bundas enormes empinadas, e Morgana passou a mão na cabeça das duas como quem aprova um trabalho bem feito.
"Agora", disse Morgana, "a casa está aberta."
E a casa se abriu. Literalmente. Os escravos de Morgana foram soltos no salão como cachorros bem treinados, e começaram a servir — servir no sentido completo. Um se ajoelhou entre as pernas de uma condessa de meia-idade e a comeu com a língua até ela chorar. Outro pegou a filha do mestre de cavalos contra a parede, de pé, e o pai dela assistiu de longe com a taça na mão, sem reclamar. Os guerreiros contratados por Baldric não esperaram convite nenhum: tinham sido trazidos para isso, e sabiam. Torvald, um gigante de barba ruiva, pegou a mulher de um lorde do norte pela cintura, jogou-a numa pele de urso e a fodeu ali mesmo, e o lorde reclamou alto, e Torvald respondeu que tinha sido pago para foder e que se o marido quisesse foder também que entrasse na fila. O marido entrou na fila. Depois entrou na esposa, atrás do bárbaro, e ela ficou entre os dois, gemendo com dois paus em dois buracos diferentes, e chorou de alegria.
Foi uma hora de gente se misturando. Primos se encontraram com primas e não se soltaram mais. Um tio, o Tio Vasco, barrigudo e vermelho de vinho, ficou sentado numa poltrona e três moças da corte se revezaram nele sem que ele precisasse levantar um dedo — e ele ria, e dizia "isso, isso, isso", e as moças riam dele. Outro tio, o Tio Aldo, magro e quieto, foi surpreendido por Morgana por trás, e Morgana, que não tirava o cinto nem na própria cama, o curvou sobre uma mesa e o comeu com o strapon enquanto ele gemia e chamava por Deus. Os primos mais jovens fizeram fila atrás de Bianca, que se ajoelhou no chão e abriu a boca para todos, um por um, com a paciência de quem está no trabalho.
E Paula? Paula foi para o meio do salão, de quatro, na pele de urso, e o salão veio até ela.
Kael tentou se aproximar três vezes. Três vezes foi empurrado. Na quarta, Paula levantou a cabeça, com a boca cheia, e riu para o marido.
"Kael, meu amor."
"Sim."
"Vai demorar."
"Quanto?"
"A noite."
Kael olhou em volta — a mulher de um lorde montada num bárbaro, a tia dela com o cinto em cima de um tio, a cunhada engolindo três primos, a sogra nua sendo servida por dois escravos numa poltrona, o sogro sentado num tamborete com uma serva em cada joelho e uma taça na mão, sorrindo como um homem que acabou de ganhar uma guerra — e tomou a única decisão sensata: tirou a roupa e sentou no chão ao lado da esposa.
"Então eu espero", disse ele.
"Bom menino", disse Paula, e voltou à boca que tinha na frente.
E ele esperou. E quando foi a vez dele, foi a vez dele três vezes, no meio da bagunça, com a mão de outra mulher no ombro e o pé de um primo nas costas, e Paula se abriu para ele no meio de todo mundo, e ele a tomou por trás agarrando aquelas duas luas enormes enquanto um escravo de Morgana beijava o pescoço dela e Bianca, deitada ao lado, passava a mão na coxa da irmã e sussurrava "assim, maninha, assim".
Às quatro da manhã, o salão cheirava a suor, vinho, óleo e gente. Havia corpos dormindo em toda parte — em peles, em bancos, debaixo das mesas. Um pepino esquecido rolou pelo chão de pedra e parou nos pés de Baldric, que o olhou por um longo tempo antes de entender o que havia acontecido naquela noite.
"Você sabia", disse ele para Isolde.
"Sabia", disse a rainha.
"E não me contou."
"Você gosta mais assim."
Baldric não respondeu, porque era verdade.
Kael dormiu com a cabeça no colo de Paula, e Paula ficou acordada mais um pouco, olhando o teto do salão, com a perna da irmã cruzada na sua e o cabelo de Bianca sobre a barriga. Contou nos dedos: o pai, a mãe, o marido, os três servicais, o pedreiro, a irmã, a tia, os escravos, os tios, os primos, os quarenta guerreiros. Perdeu a conta no meio. Riu sozinha no escuro.
Na manhã seguinte, ninguém em Vharen lembrava direito de quem tinha fodido quem, e ninguém achou necessário lembrar. A corte inteira passou a semana andando mais devagar, e mais feliz. Morgana partiu no terceiro dia levando os escravos de volta e deixando dois deles de presente para a sobrinha, com coleira e tudo. Bianca ficou mais um mês, dividindo o quarto com Paula, e dividindo Kael também, sem que ninguém achasse estranho. E na Torre do Lamento, no alto, a escada secreta continuou sendo usada por muita gente — porque Baldric ainda subia algumas tardes, Isolde ainda subia algumas noites, e Kael, que era marido, aprendeu de vez a não perguntar quantos estavam na fila.
E se alguém no reino perguntava por que a princesa sorria daquele jeito, a resposta era simples: porque ela tinha tudo. Vara, xota, irmã, tia, marido, pai, mãe, pepino e escravo — e a torre toda só para ela.


