A Festa de fantasia na rua onde o pai da minha amiga me comeu e ela participou – parte 1



A Festa de fantasia na rua onde o pai da minha amiga me comeu e ela participou – parte 1

A rua fechou às quatro da tarde, e ninguém sabia direito de quem tinha sido a ideia. Foi a dona Neide, provavelmente. Foi sempre a dona Neide.
Luísa ouviu a gritaria das crianças antes de ver as luzes.
Abriu a janela do quarto e lá estava: fios de lâmpadas laranja amarrados entre os postes, abóboras de plástico presas nas grades, um esqueleto inflável do tamanho de um carro na calçada do número 42.
Festa de Halloween na Rua das Acácias. Terceiro ano seguido.
Ela ia ficar em casa. Era sempre o plano. Sofá, cobertor, série, o celular no silencioso.
Caseira até o osso. Ninguém precisava dela em lugar nenhum, e ela gostava disso.
Mas a Bia mandou mensagem às três da tarde.
"amiga, vc vai. e vc vai fantasiada."
"vou nada."
"vai. minha mãe vai fazer cachorro-quente. e eu já sei do que vc vai."
Luísa riu sozinha no quarto, deitada de barriga pra baixo.
"do que?"
"da Wednesday. óbvio."
E era óbvio. Ela era baixa, miúda, cabelo preto liso, cara de quem não sorri. A Bia sabia disso desde a sexta série.
Ela levantou da cama às quatro e meia e abriu o armário.
O vestido estava ali, pendurado, desde o ano passado. Preto, gola branca, punhos brancos. Ela tinha comprado pra usar uma vez e nunca mais.
Vestiu.
E o vestido, esse ano, sentava diferente.
Ela cresceu. Os seios tinham crescido de um jeito que ela ainda não sabia carregar sem se esconder.
O decote quadrado da gola branca abria num V que não perdoava. O tecido esticava por cima, apertado, com a costura fazendo um esforço visível.
A saia era curta. Bem curta. Na Bia, ficava na metade da coxa. Nela, que era mais baixa, ficava ainda mais curta.
Luísa girou na frente do espelho e viu o barra subir.
Ela pensou: "tá bom, né. tá bom."
Não sabia que era muito mais que bom.
Embaixo, escolheu a calcinha mais fina que tinha. Uma fio-dental americana, vermelha, daquelas que são só um fio na frente e somem atrás.
Era moda. Todas as meninas usavam. Ela comprou pra não ficar de fora e nunca tinha usado de verdade.
Vestiu. Olhou de lado no espelho.
A frente era um triângulo pequeno demais, que não cobria nada com folga. Os lábios ficavam de fora, um pouco, apertados nas laterais do tecido fino.
Atrás, era só o fio subindo entre as nádegas.
Ela prendeu o cabelo em duas tranças, passou batom vermelho escuro, e saiu antes de pensar demais.
Se pensasse, trocava.
A rua já estava cheia.
Crianças correndo com sacolas de doce, adultos com copos de plástico, música saindo de uma caixa de som no meio da calçada.
Cheiro de pipoca, de churrasco de isopor, de cerveja derramada no asfalto quente.
Ela atravessou devagar, com os braços meio cruzados na frente do corpo, do jeito dela.
A Bia apareceu do nada, brilhando.
Estava de sereia. Um vestido colado, verde-água, com escamas de lantejoula, cauda arrastando no chão, sutiã de conchas enfeitado.
"AMIGA!" — gritou, abrindo os braços. — "Você veio! E olha você! CARALHO, Lu, você tá..."
"Tô o quê?"
"Tá uma delícia, minha filha. Sério."
Luísa deu de ombros, o rosto quente.
Elas ficaram juntas, como sempre. Andaram, pararam, comeram cachorro-quente no balcão improvisado da dona Neide.
Sentaram na mureta em frente ao número 30 e ficaram falando mal de gente.
E foi aí que ela sentiu.
Aquele calor nas costas. Aquele peso de olhar.
Ela não virou de primeira. Virou depois, devagar, fingindo procurar alguém.
E lá estava ele.
Seu Sérgio, o pai da Bia. Cinquenta anos, cabelo grisalho nas têmporas, barba por fazer, camisa social com as mangas dobradas até o cotovelo.
Braços grossos, mãos grandes. Daquelas mãos que parecem saber das coisas.
Ele estava encostado no portão de casa, com um copo na mão, olhando pra ela por cima da espuma da cerveja.
Quando os olhos dela encontraram os dele, ele não desviou.
Nada. Nem um pouco. Só levantou o copo, meio sorriso, como quem diz "oi".
Luísa virou de volta pra frente, o coração batendo rápido demais pra uma coisa tão pequena.
"Seu pai tá aí", ela falou.
"Ah, tá", a Bia respondeu, mastigando. "Ele adora essa festa."
"Ele tá me olhando."
A Bia riu. Um risinho curto, de quem sabe de alguma coisa.
"Ele olha todo mundo, Lu."
Luísa não disse nada. Mas ele não olhava todo mundo daquele jeito.
A festa foi escurecendo junto com a rua.
As lâmpadas laranja ficaram mais bonitas no escuro, mais quentes, mais íntimas.
E o pessoal foi ficando mais solto. Mais perto. Mais bebido.
E o Seu Sérgio foi chegando mais perto também.
Não de uma vez. Aos poucos. Como quem não quer nada.
Primeiro ele veio conversar com a filha, do lado dela, natural.
"Aí, minhas meninas. Bonitas, hein."
"Valeu, pai."
"Você tá uma sereia de verdade, Bia." — e depois, olhando pra Luísa, mais devagar: — "E você... a Wednesday perfeita."
Luísa riu, sem graça. "Foi a Bia que escolheu."
"Escolheu bem."
Ele ficou ali. Do lado. Encostado na mesma mureta.
E foi o primeiro toque.
Ele passou a mão nas costas dela, entre as omoplatas, tipo quem cumprimenta. Só que não tirou.
Ficou ali, quente, aberta, no meio das costas.
Luísa travou inteira.
Ela era caseira. Ela não sabia o que fazer com aquilo. Não sabia se falava, se ria, se tirava, se deixava.
Então ela deixou.
A mão dele subiu um pouco e desceu. Um carinho lento, disfarçado, como se fosse conversa.
E a Bia, do outro lado, não viu nada. A Bia estava no celular.
Eles ficaram assim um tempo. A música, o barulho, as crianças gritando longe.
E ele começou a falar baixo, só pra ela.
"Você tá cheirosa."
"Ah... obrigada."
"Que perfume é esse?"
"Não é perfume. É hidratante."
"Então é o teu cheiro." — a voz grossa, perto da orelha dela. — "Melhor ainda."
Luísa sentiu o pescoço arrepiar.
Ela olhou de lado. A Bia continuava no celular. Ele continuava com a mão nas costas dela.
Ele então chegou mais.
Ficou atrás dela. Não do lado. Atrás.
E encostou.
A barriga dele nas costas dela. O peito na altura dos ombros dela, porque ela era baixinha e ele era alto.
Luísa sentiu o calor de um corpo inteiro nela.
E ele começou a se esfregar. Devagar. Quase imperceptível.
Um movimento pequeno, de quem está só "ajustando a posição", mas que ia e voltava, ia e voltava, na curva das costas dela.
"Tá com frio?", ele perguntou, como se fosse a coisa mais inocente do mundo.
"Tô não."
"Então é por isso que você tá tremendo."
Luísa mordeu o lábio pra não rir.
Ela tremia. Ele sabia. Ele sabia que era ele.
A filha estava a um metro dali. A rua cheia. Todo mundo vendo, ninguém vendo.
E ele falou baixinho, no ouvido dela:
"Você tá uma gracinha com essa saia."
O vestido. A saia preta, curta, que subia sozinha.
"Tá curta, né", ela disse, sem jeito.
"Tá perfeita." — a mão dele desceu até a barra, e mexeu nela com dois dedos, sem pressa. — "E essas pernas..."
Luísa ficou paralisada.
A Bia foi chamada por uma amiga e sumiu por dois minutos. Dois minutos que pareceram uma eternidade.
E naqueles dois minutos ele encostou mais forte.
O quadril dele nas costas dela, o volume dele pressionando o fio das costas até o começo das nádegas.
Ele soltou um som baixinho, de aprovação, quase um suspiro.
"Desculpa", ele falou. "É que você é muito gostosa de ficar perto."
"Você fala isso pra todas."
"Falo não. Falo pra você."
A Bia voltou. E ele, na maior cara de pau, se afastou vinte centímetros, pegou o copo, bebeu.
Luísa olhou pra ele. Ele piscou.
Depois veio a mesa.
Uma mesa de plástico branca, na calçada, com toalha de papel e pratinhos. As pessoas foram sentando.
A Bia sentou. Luísa sentou do lado dela.
E o Seu Sérgio sentou do outro lado da mesa, na frente da Luísa, um pouco de lado.
A mesa era estreita. Fina. Daquelas de festa de rua.
Os joelhos dele ficaram embaixo, na mesma faixa que os dela.
Primeiro, o joelho encostou. Foi por acidente. Ela achou que era acidente.
Depois não era mais acidente.
O pé dele subiu por dentro da panturrilha dela, devagar, e parou no tornozelo. Um carinho com a ponta do sapato.
Luísa tomou um gole de refrigerante pra disfarçar.
E aí veio a mão.
Ele apoiou a mão esquerda embaixo da mesa, como quem descansa.
Só que a mão não ficou na mesa. Foi pro joelho dela.
Por baixo do plástico, ninguém via. A toalha e o tampo escondiam tudo.
A mão grande, quente, ficou no joelho dela. Parada. Firme.
Luísa continuou conversando com a Bia sobre uma série. Continuou sorrindo. Continuou como se nada.
E a mão começou a subir.
Devagar. Um centímetro por vez. Pela parte de dentro da coxa, que estava nua.
A Bia falava da segunda temporada. Luísa não ouvia nada.
A mão chegou na metade da coxa.
"Lu, você tá me ouvindo?"
"Tô. Tô sim. Segunda temporada."
E a mão continuou.
Chegou na barra da saia, no ponto onde o vestido terminava e a pele começava. Ele parou ali, com o dedo polegar desenhando um círculo lento.
Ela abriu as pernas um pouquinho. Um pouquinho só.
E ele entendeu.
A mão entrou por baixo da saia.
Subiu mais. Chegou na dobra da virilha, naquela parte de pele fina e quente.
Ele fez um barulhinho com a boca, baixinho, que só ela ouviu.
"Que calor", ele comentou pra mesa, pra todo mundo, sobre o tempo.
Só que a mão dele estava entre as pernas dela.
Luísa apertou os lábios.
Ele passou o dedo por cima do tecido da calcinha. Bem por cima. Só sentindo o formato.
E o tecido era mínimo. Não tinha muito o que cobrir.
Ele parou ali, encostado no tecido fino e molhado, com a ponta do dedo médio, como quem mede.
E falou baixo, quase pra si mesmo:
"Danadinha."
Luísa olhou pra ele. Ele olhou pra ela. A Bia, do lado, mordia um pedaço de bolo.
E ninguém sabia de nada.
A festa continuou. Ela não sabe dizer por quanto tempo.
Só sabe que a mão ficou lá embaixo, quieta, quente, encaixada no meio das pernas dela, e que ela ficou molhada de um jeito que ela não estava acostumada.
Em algum momento, o Seu Sérgio levantou, terminou o copo e olhou pra Bia.
"Filha, vou pra casa. Aqui não tem minha bebida preferida."
"Ah, pai, tá cedo."
"Tô com sede." — e virou os olhos pra Luísa. — "Vocês não querem ir? Faço um drink pra vocês. Sem álcool pra vocês duas, tá bom."
A Bia olhou pra amiga, animada.
"Vamo, Lu? A casa é aqui do lado, a gente volta."
Luísa deu de ombros, como se fosse indiferente.
"Vamo."
O Seu Sérgio piscou pra filha.
Um piscar rápido, de canto de olho. Combinado antigo.
A Bia sabia. A Bia sabia sim que o pai era meio safado.
Só que a Bia nunca contou pra amiga.
E tinha motivo.
Uma vez, meses antes, numa noite de calor, quando a mãe estava viajando, tinha acontecido alguma coisa entre eles. Nada explicado, nada conversado.
Só aconteceu, na cozinha, na mesma cozinha, e nunca mais ninguém falou no assunto.
A Bia sabia exatamente o que ia acontecer naquela casa naquela noite.
E deixou.
Eles atravessaram a rua. As três. O pai na frente, as duas atrás, com a cauda de sereia arrastando no chão.
O portão rangeu. A casa estava escura, só com a luz da sala acesa na frente.
"Entra, Bia, acende a luz."
"Pai, eu vou ficar um pouco na rua, o pessoal tá lá ainda. A Lu fica com você, já volto."
A Bia olhou pra Luísa com um sorrisinho que dizia tudo.
E saiu.
O portão bateu atrás dela.
E os dois ficaram sozinhos.
A cozinha era pequena. Ladrilho xadrez no chão, ímãs na geladeira, uma luz amarela fraca em cima da pia.
Ele abriu a geladeira, tirou uma cerveja, e ficou de costas por um segundo.
Luísa ficou parada no meio do ladrilho, com as mãos juntas na frente do corpo, do jeitinho dela.
Ele virou.
Olhou pra ela de cima a baixo. Sem pressa nenhuma. Sem esconder nada.
E falou, com a voz mais baixa do mundo:
"Você é linda."
Luísa riu, com o rosto pegando fogo. "Ah, para."
"Não paro." — ele apoiou a cerveja no balcão e deu um passo. — "Você é linda, e você sabe."
Outro passo. Perto.
"Essa saia preta..." — a mão dele desceu e pegou a barra entre dois dedos, como tinha feito na rua. — "Você fez isso de propósito?"
"Eu não fiz nada."
"Fez sim."
Ele puxou a barra um milímetro pra cima.
E olhou pra baixo.
Luísa sentiu o próprio corpo inteiro virar calor.
Porque ela sabia o que estava aparecendo. Sabia que a calcinha era um fio vermelho, mínimo, e que ela estava molhada, e que o tecido tinha escorregado de lado em algum momento da caminhada.
Ele respirou fundo.
"Olha isso", ele falou baixo, quase pra si. — "A xoxota vermelha aparecendo."
Luísa quis morrer. Do jeito bom.
"É a calcinha", ela corrigiu, sem graça.
"É a calcinha e é você." — ele riu, e o riso dele era rouco. — "E essa danadinha aí..."
Ele encostou o dedo. Por cima do tecido. Só uma vez, leve.
Ela se arrepiou inteira.
"Você tava me deixando louco lá na rua, sabe disso?", ele falou, chegando mais perto, o corpo quase encostando. — "Com essa saia, andando na minha frente, sentando naquela mesa."
"Você que... você que ficou me esfregando."
"Fiquei."
"Na frente da Bia."
"Na frente da Bia." — ele confirmou, sem nenhuma vergonha. — "E você deixou."
"Deixei."
"Então você também quer."
Luísa abriu a boca pra responder e não respondeu nada.
Ele beijou.
Foi um beijo de homem de cinquenta anos. Sem pressa de menino. A mão grande na nuca dela, o polegar no queixo, a boca descendo grossa e quente, tomando o espaço todo.
Ela era baixa. Ele teve que abaixar a cabeça. Ela teve que subir na ponta do pé.
Ela gostou disso.
Ela gostou de tudo.
O beijo durou muito. A mão dele desceu pelas costas, passou pela cintura, apertou a curva da bunda dela por cima do vestido.
Apertou com força. Com vontade.
E ele gemeu dentro da boca dela.
Ela nem sabia que ele sabia o nome dela.
Ele a levantou pelo quadril e sentou ela no balcão da cozinha.
A saia subiu toda. Ficou na cintura. A calcinha vermelha ficou ali, à vista, um fio na frente de um homem de cinquenta anos que a olhava como se ela fosse comida.
"Bonita", ele falou. "Bonita demais."
Ele abriu as pernas dela com os joelhos.
Ficou entre elas.
E foi com a boca no pescoço dela, descendo, mordendo de leve, e a mão indo embaixo, direto, sem cerimônia, dois dedos por baixo do fio.
Luísa segurou no ombro dele e jogou a cabeça pra trás, batendo na porta do armário.
"Ui."
"Machucou?"
"Não."
Ele riu contra a pele dela.
E os dedos começaram a trabalhar. Devagar no começo. Depois do jeito que ela precisava e nem sabia explicar.
Ela estava molhada desde a mesa. Desde antes. Desde a primeira mão nas costas, na calçada, com a rua cheia e a filha dele do lado.
Ela gemeu. Baixinho, porque tinha gente na rua, porque o portão estava a dois metros, porque qualquer um podia entrar.
"Pode gemer", ele falou. "Aqui é minha casa."
Ela gemeu.
E foi rápido. Ela era nova, ele sabia o que fazia, e ela estava guardada há tempo demais.
Ela gozou sentada no balcão da cozinha dos vizinhos, com o vestido da Wednesday na cintura, a calcinha vermelha de lado, os dedos de um senhor de cinquenta anos dentro dela.
Ela gozou apertando a boca pra não gritar o nome dele.
E ele viu tudo. Olhando na cara dela. Sem desviar.
"Pronto", ele falou, quando ela abriu os olhos. "Agora você é minha também."
Ela riu, sem ar. "Sua também?"
"Também." — e ele se ajeitou entre as pernas dela, encostando o volume na coxa dela, pra ela sentir. — "A Bia já foi minha uma vez. Ela não te contou, né?"
"Ela não me contou NADA."
"Pois é." — ele sorriu, safado, com a mão ainda lá embaixo. — "Agora você sabe."
E naquele exato momento, do lado de fora, o portão rangeu.
"Pai! Lu! Tô voltando!"
A voz da Bia, alegre, na calçada.
Os dois se olharam.
Ela ia abrir a boca. Ele tapou com a mão, de leve, e sussurrou no ouvido dela:
"Não fala nada. Deixa ela descobrir sozinha."
Luísa assentiu.
Ela escorregou do balcão, arrumou o vestido, puxou a saia pra baixo, e ficou de pé ao lado dele, com as pernas ainda bambas e o rosto ainda vermelho.
A Bia entrou na cozinha sorrindo, de sereia, com o cabelo molhado de suor.
Olhou pro pai. Olhou pra amiga.
Olhou pra cerveja fechada no balcão, que ninguém tinha aberto.
E riu.
"Uhum", ela falou, sentando na cadeira, sem perguntar nada. "Que sede, né, pai."
Ele não respondeu. Só abriu a cerveja.
E Luísa, encostada no balcão, com a calcinha ainda torta e o corpo ainda quente, entendeu que aquela festa de Halloween tinha acabado de virar outra coisa.
E que a Bia sabia. A Bia sempre soube.
Capítulo 2 — A cozinha, o ladrilho xadrez e a verdade dita na cara
Ele não respondeu.
Só girou a tampa da cerveja com a mão, abriu, e o chiado do gás cortou o silêncio da cozinha.
Bebeu um gole longo. De olho nela.
A Bia sentou na cadeira de plástico, puxou a cauda da fantasia pro lado, e ficou olhando os dois como quem assiste a um jogo que já sabe o placar.
Luísa continuou encostada no balcão, do jeito dela. Braços meio cruzados, ombros pra dentro, uma perna cruzada na frente da outra.
Só que a perna cruzada não escondia nada.
A saia estava torta de um lado, subida, e o vestido não voltou pro lugar certo. A barra ficou na dobra da coxa.
E a calcinha vermelha tinha escorregado.
O fio fino estava de lado. O triângulo pequeno de tecido estava virado, meio que pra dentro, meio que pra fora.
E o que devia estar coberto, não estava.
Do jeito que ela estava, com as pernas cruzadas e o quadril inclinado, os lábios dela apareciam. Abertos um pouco, inchados, brilhando.
Brilhando muito.
Ela tinha gozado dez minutos antes, em cima daquele balcão, e não tinha tido tempo de se limpar, de se arrumar, de nada.
Estava escorrendo.
Não muito. Mas o suficiente. Um fio fino, molhado, descendo pela parte de dentro da coxa, já chegando perto do joelho.
Luísa sentiu o friozinho do líquido descendo e travou.
Não queria mexer. Se mexesse, escorria mais.
O Seu Sérgio bebeu outro gole e os olhos dele foram direto pra ali.
Pra coxa dela.
Pra aquele fio brilhando na luz amarela.
"Caralho", ele falou baixinho, quase pra ele mesmo.
A Bia soltou uma risada de canto.
Luísa olhou pra ela, desesperada.
"Que foi?"
"Nada", a Bia falou, com o queixo apoiado na mão.
Só que não era nada. Era tudo.
E a Bia cansou de esperar o pai.
"Pai", ela falou, de repente, sem tirar os olhos da amiga. "Fala pra ela logo."
O Seu Sérgio levantou a sobrancelha.
"Falar o quê?"
"Que você tá a fim dela, pai. Fala logo. Ela tá aqui do lado, você fica de frescura, de copo na mão, de olhar comprido. Fala."
Luísa abriu a boca. Fechou.
Ele riu, sem pressa, e apoiou a garrafa no balcão.
Olhou pra Luísa. Direto.
"Tô a fim de você, Luísa. Tô a fim desde a hora que você atravessou aquela rua de Wednesday."
Luísa sentiu o rosto queimar até a raiz do cabelo.
"E ela tá a fim de você também", a Bia emendou, tranquila, como se estivesse narrando um jogo. "Só não sabe falar."
"Bia!"
"Fala a verdade, amiga. Você tá com a calcinha de lado e a perna melada. Você tá a fim."
Luísa olhou pra baixo, pra si mesma, e quase morreu de vergonha.
Estava mesmo. Estava tudo ali, à vista, do jeito que a Bia falou.
"E olha", a Bia continuou, e agora ela virou o corpo na cadeira, se ajeitando pra dar o recado direito. "Vou te avisar agora, porque eu sou tua amiga e a gente não esconde nada."
"Fala."
"Meu pai tem trinta e oito centímetros de pau."
Luísa piscou.
"Trinta e oito?"
"Trinta e oito. Centímetros. Eu medi, quando eu era curiosa. Ainda está aqui, pode perguntar pra ele."
Luísa olhou pra ela. Depois olhou pra ele.
Depois olhou pra baixo, pra aquele short de brim escuro, pra aquele volume que ela tinha sentido encostado nas costas dela na rua e não tinha dado nome.
"Sério, gente?", ela falou. A voz saiu fina.
"Sério", a Bia confirmou.
O Seu Sérgio não disse nada. Só ficou ali, com a mão no balcão, olhando as duas, com uma cara de homem que já ganhou a discussão antes dela começar.
Luísa cruzou e descruzou a perna. Escorreu mais.
E aí ele falou. Devagar. Com aquela voz grossa, de peito.
"E eu vou te contar uma coisa, Luísa."
"Fala."
"Eu tô olhando pra essa sua xoxota desde que você entrou aqui."
Luísa olhou pra baixo, de novo, como se pudesse conferir.
"Tá escorrendo", ele falou, sem nenhuma vergonha. "Tá aparecendo pela calcinha, tá descendo pela tua perna, e você tá aí parada, com vergonha, sem saber o que fazer."
Ela riu, nervosa. "Eu tô sem jeito, gente."
"Pois é." — ele deu um passo. — "E eu vou te falar o que eu quero fazer."
O silêncio na cozinha ficou denso. A Bia se ajeitou na cadeira, sorrindo de lado.
"Eu quero te deitar nesse balcão e chupar essa buceta."
Luísa respirou fundo.
"Quero chupar devagar. Do jeito que se chupa coisa doce." — ele passou a língua no lábio de baixo. — "Doce de garota sapeca."
"Sapeca", ela repetiu, meio tonta.
"Sapeca. Você. Que ficou dois minutos me deixando passar a mão na sua perna na frente da minha filha e não falou nada."
"Ele tem razão, amiga", a Bia falou, rindo. "Você não falou nada."
"Bia, pelo amor de Deus."
"Fala a verdade."
Luísa olhou pras duas caras. O pai com aquele olhar comprido. A filha com aquele risinho de quem já leu o livro e sabe o final.
Ela era caseira. Ela não sabia fazer isso. Não sabia negociar, não sabia conduzir, não sabia jogar.
Então ela fez a única coisa que sabia fazer: entregou.
Ela endireitou as costas, apoiou as duas mãos no balcão atrás dela, e falou:
"Ok."
Os dois esperaram.
"Ok", ela repetiu, mais firme. "E... o que vai acontecer agora?"
Foi a vez dele rir.
"Você vai me obedecer", ele falou. Simples. Sem perguntar.
A Bia soltou um assobio baixinho.
"Vai ser assim, então", Luísa falou, e ela mesma se surpreendeu com o próprio tom.
"Vai ser assim."
Ele pegou a cerveja, deu o último gole, deixou a garrafa na pia e apontou com o queixo pra porta da cozinha.
"Sobe. Vocês duas."
A Bia levantou na hora, arrastando a cauda da fantasia pelo ladrilho.
Luísa ficou parada por dois segundos.
"Vai, amiga", a Bia falou, passando por ela e batendo de leve no quadril dela. — "Sobe."
Luísa subiu.
E na escada, atrás dela, a Bia falou no ouvido dela, baixinho, quase com pena:
"Amiga, você vai sofrer com aquele pau."
"Bia!"
"Tô avisando. É sério. Trinta e oito centímetros."
O quarto dele era grande, de janela aberta, com um abajur de luz amarela num canto e o ventilador de teto girando devagar.
Uma cama de casal, com o lençol meio puxado. Um tapete fino. Uma televisão desligada.
Ele entrou depois delas e fechou a porta.
Não trancou. Só fechou.
E ficou de pé, encostado na cômoda, com os braços cruzados, olhando as duas no meio do quarto.
Nenhuma das duas sabia o que fazer.
Então ele decidiu.
"Dança", ele falou.
"O quê?", a Bia perguntou.
"Vocês duas. Dança." — ele apontou pro celular em cima da cômoda. — "Bota uma música. E dança pra mim."
A Bia pegou o celular, mexeu, e a caixa de som deu um estalo.
Começou um som lento. Grave. Coisa de dança de quadril.
"E vai tirando a roupa", ele completou. — "Devagar. Essas fantasias baratas de cosplay. Vai tirando."
Luísa travou.
"Tudo?"
"Tudo não. Devagar." — ele sorriu. — "Quem manda é a música. Quando a música pedir, você tira."
A Bia já estava dançando. Ela era solta, era debochada, sabia fazer aquilo. Girava o quadril, ria, jogava o cabelo molhado de suor.
Luísa tentou seguir.
Era desengonçada. Ela sabia. Mas a luz era baixa, ele não estava rindo, e a Bia dançava do lado dela, então ela foi.
Primeiro a Bia soltou a saia de escamas da sereia. Caiu no chão com um barulho de plástico e lantejoula.
Ficou de maiô de conchas e um shortinho brilhante por baixo.
Ele bateu palma uma vez. Aprovando.
Luísa girou e a barra do vestido levantou.
Ele olhou. Só olhou.
E ela entendeu o recado. Sem palavras.
Ela puxou o zíper lateral do vestido da Wednesday, devagar, e deixou escorregar.
O vestido caiu no chão. Preto, com a gola branca toda amassada.
Ela ficou de sutiã preto, fininho, e a calcinha vermelha de lado.
Só isso.
A xoxota dela estava ali, quase toda descoberta, com o fio vermelho atravessado no meio, brilhando na luz amarela.
Ele respirou fundo e não falou nada.
A Bia soltou a parte de cima do maiô de conchas.
E o quarto ficou com as duas meninas de roupa íntima, dançando devagar, o ventilador girando em cima, o cheiro de suor e de hidratante subindo no ar parado.
Luísa olhou pro Seu Sérgio.
Ele tirou a camisa.
Ela não esperava. Não estava preparada.
O peito dele era largo, com pelo grisalho no meio, a barriga ainda firme de homem que carrega peso, os braços grossos.
Ele desabotoou o short.
E a Bia, do lado, sem parar de dançar, falou baixinho pra amiga:
"Olha lá, Lu. Olha o que te espera."
Luísa olhou.
E o que estava ali, meio duro, meio pesado, dentro da cueca, era maior do que qualquer coisa que ela tinha visto de perto na vida.
Ela engoliu seco.
E as duas continuaram dançando, com a calcinha ensopada, com a xoxota escorrendo, com os olhos presos naquele homem de cinquenta anos que estava tirando a cueca devagar, como quem sabe que tem todo o tempo do mundo.
"Vem cá", ele falou, e apontou pro chão, na frente dele.
As duas pararam de dançar ao mesmo tempo.
"Vocês duas. De joelho."

Foto 1 do Conto erotico: A Festa de fantasia na rua onde o pai da minha amiga me comeu e ela participou – parte 1

Foto 2 do Conto erotico: A Festa de fantasia na rua onde o pai da minha amiga me comeu e ela participou – parte 1

Foto 3 do Conto erotico: A Festa de fantasia na rua onde o pai da minha amiga me comeu e ela participou – parte 1


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Ficha do conto

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Nome do conto:
A Festa de fantasia na rua onde o pai da minha amiga me comeu e ela participou – parte 1

Codigo do conto:
275411

Categoria:
Incesto

Data da Publicação:
23/10/2026

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