A india moli e seu pai pauzudo

Na margem barrenta do rio Japurá, onde o sol racha a cabeça do cidadão às onze da manhã e o ar é tão grosso que se pode mastigar, existia a cidadezinha de Santa Rita do Japurá — três ruas de terra, um bar do Nê, um posto de gasolina que vendia mais pinga que gasolina. E mata adentro, a duas horas de canoa e mais uma hora de trilha, a Aldeia Yaraçu.

Yaraçu era conhecida na região inteira por dois motivos: as mulheres bonitas e a tradição. E a tradição, ali, era uma só, antiga, passada de mãe pra filha, de pai pra filha, há mais gerações do que qualquer ancião sabia contar.

Na Yaraçu, o pai tinha que provar a filha. era traição, não era confusão de parentesco — era doutrina. As garotas cresciam sabendo: quando o sangue descesse e o corpo pedisse, seria o pai a fazer o treino. E depois, quando estivessem prontas, os irmãos ajudavam, os primos ajudavam, e a aldeia inteira virava um grande colchão quente onde ninguém dormia sozinha por muito tempo.

Moli tinha acabado de fazer dezoito.

E naquela manhã, a mãe dela, Iaci, chegou no quarto com a cara de quem ia entregar um diploma.

— Senta aí, filha.

Moli sentou na esteira, pernas cruzadas, coração batendo feito tambor de festa. Ela já sabia. Tinha visto a irmã mais velha, Pora, passar por aquilo dois anos antes. Tinha visto Pora desfilar pela aldeia com a tanga nova, fininha, quase nada, e tinha visto os homens — os caçadores, os canoeiros, os velhos de barba rala, os rapazes de peito liso — olharem Pora com aquela cara. Aquela cara de bicho faminto que disfarça. Aquele olhar que descia pelas costas, parava na bunda, subia de novo. Moli morria de inveja. Agora era a vez dela.

— Você menstruou faz tempo — disse Iaci, sem rodeio. — O corpo tá pronto. O treino começa hoje.

— Hoje? — Moli abriu um sorriso que quase rachou a cara.

— Hoje. — Iaci esticou o braço e pegou um embrulho de folha de bananeira. Abriu devagar, como quem revela um segredo. Dentro, dobrada em quatro, uma tanga.

E não era tanga qualquer. Era a tanga. Feita de fibra de tucum tirada no fio mais fino que existia, tecida com paciência de quem faz rede de pescar mosquitinho. Fina. Absurdamente fina. Tão fina que contra a luz se enxergava o vão entre as pernas de quem vestisse. Era o tecido oficial da aldeia — a marca de que a menina virou mulher e o pai já provou.

— Isso aqui — disse Iaci, passando o dedo na fibra

— é pra você usar todo dia. Todo dia. Não é pra esconder, filha, é pra mostrar.

Quem olhar, olha. Quem quiser ver, vê.

Moli pegou a tanga com as duas mãos, devagar, como se pegasse uma cobra mansa.

— Mãe... ela é fininha

— Ela é quase nada — corrigiu Iaci, rindo. — E é isso mesmo. Sua irmã usou a dela. Sua avó usou a dela. Eu usei a minha. Agora é sua vez.

Moli levantou, virou de costas, tirou o pano velho que usava . Iaci ficou olhando a filha — o corpo de Moli já tinha tomado forma, os peitos redondos e firmes, a cintura estreita, o quadril largo de quem já nasceu pra parir e pra treinar. As coxas grossas, morenas, a pele brilhando de umidade.

Moli amarrou a tanga nos quadris. Puxou o nó. Olhou pra baixo e sentiu o rosto queimar.

— Mãe, dá pra ver tudo! a minha xoxota repartida

— Dá. E é pra dar.

Iaci então pegou uma cuia pequena. Dentro, um gel amarelado, feito de uma raiz que só nascia na beira do igapó — as mulheres da aldeia chamavam de "sêmen-da-terra", porque era gosmento, quente e escorregadio, e a lenda dizia que a raiz tinha sido batizada por um deus tarado.

— Isso aqui você passa aí — Iaci apontou com o queixo pros lábios da filha. — Todo dia. Toda noite. Não é remédio, é pra não arder.

Você vai receber coisa grossa, filha. Grossa de verdade. Se não lubrificar, você vai chorar. E não é choro bom.

— Já é grande assim, mãe? — Moli perguntou, apontando pra própria xoxota com cara de medo e tesão misturados.

— Grande é o que o teu pai vai te dar. E tem mais.

Iaci foi até o canto da oca e voltou com um cesto. Dentro do cesto, quatro peças de madeira. Todas polidas, todas lisas, todas em formatos e tamanhos diferentes.

— Esses aqui — disse Iaci — são pra você usar de noite e de dia. Sozinha. Quando ninguém tá vendo. Quando tá com vontade e não tem homem por perto.

Moli pegou o primeiro. Era do tamanho de um dedo, mais grosso no meio, arredondado na ponta.

— Esse é pra começar. — Iaci pegou o segundo. — Esse é o do meio. — O terceiro era quase do tamanho do antebraço dela, grosso como o punho fechado. — E esse aqui, filha...

Iaci segurou o quarto. Moli arregalou os olhos.

— Mãe, isso é uma cobra?

— É o de treino final. Esse você só vai aguentar depois de umas duas semanas. Antes disso, é só olhar e rezar.

Moli pegou o de treino final nas duas mãos. Pesado. Quente de madeira. Ela passou a mão por cima e sentiu um arrepio subir pelas costas. De noite ia usar aquilo. Ia enfiar aquilo dentro dela. Sozinha, na rede, no escuro, mordendo o lábio pra não acordar a família.

— E o do pai? — ela perguntou, baixinho.

— Teu pai tá na rede do lado de fora esperando você terminar essa conversa — disse Iaci, e riu. — Tá sentado desde cedo. E ó, filha, tá sentado do jeito que ele senta quando tem coisa marcada. Perna aberta, mão no saco, olhando e esperando a sua xotinha ficar molhada. Você sabe o jeito.

Moli sabia o jeito. Tinha visto o pai assim mil vezes. E tinha visto, de longe, de esguelha, o volume que o pai fazia na tanga dele. Todo homem da Yaraçu usava tanga. Todo homem da Yaraçu tinha o que mostrar. E o pai dela, Raoni, era conhecido. Falado. Comentado pelas mulheres na beira do rio com aquele risinho que só elas entendem.

— Mãe — Moli perguntou, a voz sumindo — quanto que é? Do pai. Você já me falou, mas...

— Quarenta e dois centímetros duro, filha.

— Quarenta e dois. Na régua. Teu avô tinha quarenta e um, e o povo já achava muito. Teu pai puxou a linhagem forte. — Iaci falou isso com um orgulho que beirava o deboche. — E é por isso que a tanga dele tem que ser amarrada de canto, senão não fica no lugar.

Moli sentou de novo. As pernas tremiam.

— E a Pora aguentou?

— A Pora sua irmã ela aguentou porque tem quadril de jumenta.

— Iaci riu. — E você tem também. Você é minha filha.

— E o Tupã?

Iaci parou. Olhou pra filha com aquele olhar de mãe que sabe tudo.

— Teu irmão — disse ela, devagar — não fica atrás do teu pai. Tupã tem trinta e oito e a grossura é maior. Você vai ver. Depois do pai, ele ajuda. Depois dele, os primos. É assim. Ninguém aqui é bicho do mato, filha. Aqui todo mundo se conhece por dentro.

Moli engoliu seco.

— E eu vou... tudo isso no primeiro dia?

— Não, minha linda. Hoje é só o pai. Hoje você só senta na pica só aprende a deixar entrar. O resto é sua xota que ve se aquenta.

Iaci terminou de arrumar o cesto, colocou o gel na mão da filha, fechou os dedos dela por cima.

— Passa agora. Antes de sair.

Moli passou. O gel era fresco, escorregadio, e quando o dedo tocou nos lábios dela, ela sentiu um calor que subiu pelo ventre e travou na garganta. Ficou brilhando, molhada, escorrendo um fio.

— Mãe... tá escorrendo.

— Melhor ainda. — Iaci levantou, limpou a mão na coxa, e apontou pra fora. — Vai. Teu pai tá esperando. E filha...

— Sem medo minha filha. A pica é hoje é sua.

Moli saiu da oca.

A aldeia estava vazia. Todos tinham saído de propósito — as mulheres pra beira do rio lavar, os homens pra longe pra não atrapalhar. Mas Moli sabia que não era verdade. Sabia que tinha gente escondida atrás das oca. Sabia que iam ficar olhando. A tradição da Yaraçu tinha plateia.

Ela atravessou o terreiro com a tanga fininha brilhando no sol. Sentiu o vento bater. Sentiu o olhar. Pora estava encostada numa árvore, os braços cruzados, e quando Moli passou, a irmã assobiou baixinho e disse:

— Tá esperando ne, hein, moleca. Tá espeando a vara grossa e grande.

- tá bonita sua tange e sua xota morena hem. Vai com calma na vara.

Moli riu, sem parar de andar.

Raoni estava sentado na rede do lado de fora da oca grande, no jeito que Iaci tinha descrito. Perna aberta. Mão no saco. Olhando pro céu. Quando ele ouviu o passo da filha, virou a cabeça devagar.

E ficou olhando.

Olhou a tanga. Olhou o que a tanga não escondia. Olhou as pernas morenas, o quadril que já rebolava mesmo sem querer. E sorriu — um sorriso calmo, de dono, de pai, de homem que sabia exatamente o que ia fazer.

— minha filha.

— Cheguei, pai.

Raoni se levantou.

E Moli entendeu, na hora, o comentário das mulheres na beira do rio. Não tinha como não entender. A tanga dele subia, forçada, esticada, com a cabeça empurrando o pano pra frente e pra cima, e o resto descendo grosso por baixo, pesado, balançando quando ele andou. Aquilo era um antebraço. Aquilo era um cacete de verdade.

Moli ficou parada. Não conseguia tirar o olho.

— Tá com medo? — perguntou Raoni.

— Tô um pouco, pai.

Ele sentou na esteira esticada no chão, perto da rede. Abriu as pernas, se apoiou pra trás nos cotovelos, e ficou ali, exposto, esperando. A tanga dele estava amarrada de canto, exatamente como a mãe tinha dito.

— Vem cá. Senta aqui em cima de mim. De frente.

Moli caminhou. Passou uma perna. Depois a outra. Ficou de joelhos por cima do pai, o quadril suspenso, a tanga fina dela roçando no ventre dele.

Raoni tirou a tanga com uma mão só, sem pressa, e jogou de lado.

E Moli viu.

Viu tudo. O pau mais grosso que ela tinha visto na vida — e ela já tinha visto muitos, na aldeia, escondida, espiando. Mas aquilo era outra categoria. A cabeça grande, rosada, brilhando, com uma gota já na ponta. O corpo grosso, cheio de veia, subindo reto, latejando sozinho. E embaixo, o saco pesado, cheio, moreno.

— Pai... — Moli falou, e não saiu mais nada.

— Eu sei. Todo mundo fala isso. — Raoni riu, sem maldade.

— Agora escuta. Você vai descer devagar. Só a cabeça. Quando a cabeça entrar, você para, respira, e fica. Não desce mais. Não força. Entendeu?

— Entendi.

— Segura na minha perna. E quando a cabeça tocar, você rebola. Bem devagar. Só rebola.

Moli segurou. Sentiu a madeira quente do pai debaixo da mão. Levantou o quadril, com a mão livre afastou a tanga pro lado, e encostou.

Sentiu a cabeça na entrada. Grande. Muito maior do que ela imaginava. Macia, quente, e ainda assim firme como pedra coberta de veludo.

Moli desceu seu corpo.

E sentiu a cabeça abrir caminho. Devagar. Um centímetro, dois. A xoxota dela esticando, cedendo, abrindo em volta daquilo. Ardeu — o gel fez o trabalho, mas o tamanho fazia o resto. Ela mordeu o lábio, fechou os olhos, e sentiu a cabeça toda entrar de uma vez.

— Aaaaaai, pai.

— Calma. Calma, filha. Sem medo. — A voz dele era baixa, paciente, de quem já fez isso umas cem vezes e sabe onde dói. — A pica é sua. Tá vendo? Ela te obedece. Você manda, ela vai. Não é ela que te come, é você que come ela.

Moli respirou. Abriu os olhos. Olhou pro pai, que estava calmo, com consciência, sem apressar nada.

— Tá ardendo?

— Tá um pouco.

— Então fica parada. Deixa acostumar.

Ela ficou. Sentiu o pau pulsar dentro dela, cheio, grosso, empurrando as paredes. Sentiu cada veia. Sentiu a cabeça encostando num ponto lá dentro que ela nunca tinha alcançado nem com os dedos.

— Pai... tá tocando lá no fundo.

— É aí que tem que tocar. — Raoni sorriu. — Agora rebola. Devagar. Do jeito que você viu a tua irmã fazer.

Moli lembrou. Tinha visto Pora sentar naquilo — naquele mesmo pau, naquela mesma esteira — e tinha visto Pora rebolar, mole, tranquila, com a cabeça jogada pra trás. Moli tentou igual. Levantou o quadril um dedo, desceu. Levantou, desceu. Girou devagar, o quadril desenhando um oito no ar.

O ardor foi virando calor. O calor foi virando outra coisa.

— Isso — disse o pai. — Isso, filha. Devagar, mas sem parar. Você tá indo bem. Melhor que tua irmã no primeiro dia.

Moli riu, sem parar de rebolar. O suor já escorria pelo peito, pelas costas, escorria entre os dois. A tanga fininha, empurrada pro lado, brilhava molhada contra a coxa dela.

— Pai, tá gostoso.

— Tá começando a ficar, né? — Raoni falou, tranquilo. — Ainda não é o que vai ser. Quando você tiver o costume, você vai sentar até a base e vai ficar. Hoje você tá só no primeiro terço.

— Só?!

— Só. Tem mais uns vinte centímetros aí que você ainda não conhece.

Moli arregalou os olhos e continuou rebolando, agora mais rápido, mais confiante. A xoxota dela já fazia barulho, aquele barulho molhado, escandaloso, que atravessava o terreiro. Ela ouviu um risinho atrás de uma oca. A mãe. Sabia que era a mãe.

— Pai — disse Moli, entre um rebolado e outro — e se eu quiser descer mais?

— Você quer?

— Quero.

— Então desce. Mas desce com calma, sem cair de uma vez. Sente cada parte entrando.

Moli desceu. Um centímetro. Outro. A cabeça passou daquele ponto, entrou num lugar mais apertado, mais estreito, e ela sentiu o corpo inteiro reclamar e gostar ao mesmo tempo. Desceu mais. Foi até a metade.

— Para — disse o pai. — Aí. Fica aí.

Moli ficou. Cheia até a metade, tremendo, com as coxas queimando de esforço e prazer. O pai por baixo dela, imóvel, sem empurrar nada, deixando ela mandar.

— Você tá indo muito bem, filha. — Raoni passou a mão na cintura dela, depois no quadril, depois na bunda, segurando firme. — Amanhã a gente vai mais longe. Depois de amanhã, mais. Até você descer até o saco e ficar.

— Até o saco, pai?

— Até o saco. E aí você vai entender por que toda mulher da Yaraçu fica na aldeia e não quer ir embora.

Moli riu, jogou a cabeça pra trás, e continuou rebolando — na metade, devagar, com a tanga fininha brilhando, o suor escorrendo, o pau do pai pulsando dentro dela como um segundo coração.

E de longe, atrás das oca, a aldeia inteira espiou. Pora mordeu o lábio. Iaci sorriu e foi preparar a janta.

E Tupã, o irmão, encostado numa árvore, com a mão dentro da tanga, ficou olhando a irmã rebolar e pensou, só pra ele:

— Daqui uns dias é a minha vez.

O pai não tinha pressa. Homem da Yaraçu não tem pressa com mulher nova — tem paciência, tem mão firme e tem aquele olhar de quem já ensinou meia aldeia a sentar. Raoni ficou ali, deitado pra trás nos cotovelos, deixando a filha mandar no ritmo. E Moli foi descendo, centímetro por centímetro, com a xoxota dela abrindo, cedendo, engolindo aquele pau como quem aprende a respirar debaixo d'água.

— Metade, filha. Tá na metade. — A voz dele era calma, quase sonolenta. — Agora para. Deixa o corpo acostumar. Deixa ela te conhecer.

— Pai, tá... tá tocando no fundo. Lá no fundo mesmo.
— É o colo da tua xota. É onde o pau vai morar daqui pra frente. — Raoni passou a mão pela barriga dela, subiu até o peito, apertou de leve. — Você tá com o corpo quente. Isso é bom. Corpo frio não aprende.

Moli rebolou. Devagar no começo, depois ganhando confiança, o quadril girando em oito por cima do pai. A xoxota dela fazia aquele barulho molhado que atravessava o terreiro, e ela ouvia, atrás das oca, o risinho abafado das mulheres que tinham ficado pra espiar. Sabia que a mãe estava lá. Sabia que Pora estava lá. Não ligava. A tradição da Yaraçu tem plateia, e plateia é pra aplaudir.

— Pai — disse ela, mordendo o lábio — deixa eu descer tudo?
Raoni abriu um sorriso de canto.

— Hoje não. Hoje você vai até onde aguentar e depois vai embora com as pernas tremendo. Mas amanhã você desce até o saco.

— E hoje?
— Hoje a gente termina aqui. — Ele segurou a bunda dela com as duas mãos, firme, sem apertar. — Você vai parar de rebolar e vai ficar. Só ficar. E vai sentir.

Moli parou. Ficou. Cheia até a metade, tremendo, com as coxas queimando de esforço e de tesão. E sentiu. Sentiu o pau pulsar dentro dela, grosso, quente, veia por veia. Sentiu a cabeça encostada naquele ponto que ela nunca tinha alcançado nem com os dedos. Sentiu o saco do pai pesado, batendo de leve na bunda dela, macio, cheio.

— Tá sentindo?
— Tô, pai. — A voz dela saiu fininha.

— É isso que você vai dar pro teu marido um dia. — Raoni falou olhando pra cima, pro teto de palha. — Se casar com um homem daqui, ele já vai te achar pronta. Se casar com branco de Santa Rita, o coitado vai chorar de alegria e não vai saber por quê.

Moli riu, e o riso sacudiu o corpo dela e sacudiu o pau dentro dela e os dois gemeram juntos.

Foi aí que o pai começou a empurrar. Devagar, de baixo pra cima, só o começo do movimento, um vaivém curto que fazia a cabeça dele entrar e sair daquele colo apertado. Moli jogou a cabeça pra trás. O suor escorria pelo peito dela, pelas costas, pingava no ventre do pai. A tanga fininha, empurrada pro lado, brilhava molhada contra a coxa.

— Pai... pai, tá diferente...
— Tá indo. — Ele aumentou o ritmo, só um pouco, só o suficiente. — Segura no meu ombro. Vai, segura.

Ela segurou. E quando o pai meteu fundo pela primeira vez — não tudo, mas fundo do que ela aguentava —, Moli gritou um "ai" que virou gemido no meio e a aldeia inteira ouviu. Raoni aguentou mais uns quinze movimentos, contados, precisos, e depois esticou o corpo, apertou a bunda dela com as duas mãos e se derramou lá dentro.

Moli sentiu. Sentiu quente, sentiu jorrar, sentiu o pau pulsando e pulsando e pulsando, e sentiu depois escorrer, lento, grosso, pelo lado, descendo pela coxa dela.

— Pai... — ela falou, sem ar.

— Pronto, filha. — Raoni soltou o ar devagar, como quem acabou de capinar um roçado. — Primeira vez tá feito. Agora você é mulher da Yaraçu.

Ele a levantou com as mãos na cintura. Quando a cabeça do pau saiu, Moli sentiu um vazio esquisito, um buraco que queria ser cheio de novo. E quando ela tentou ficar de pé, as pernas simplesmente não obedeceram. Ela riu, caiu de joelhos na esteira, e riu mais.
— Bambas.
— Bambas é normal. Amanhã piora. — O pai amarrou a tanga de canto, sem pressa. — Vai tomar banho no rio. Fala com tua mãe.

A mãe já estava vindo pelo terreiro. Iaci chegou, olhou a filha no chão, olhou o fio escorrendo pela coxa dela, olhou o marido amarrando a tanga, e deu aquele sorriso de quem ganhou o dia.

— Desceu tudo?
— Até a metade — disse Raoni.

— A metade no primeiro dia é bom. — Iaci pegou Moli pelo braço e levantou. — Pora só desceu um terço. Você é minha filha, né.

Moli passou a noite na rede, mole, com a xoxota latejando e uma alegria boba no peito. Dormiu sorrindo. Sonhou com madeira quente.

No outro dia Moli acordou e quase caiu da rede.

As pernas não eram pernas, eram duas varas de bambu verde, moles, sem força. Ela desceu pro terreiro andando igual pato, com as coxas abertas, gingando, e cada passo lembrava o que tinha acontecido na esteira. Doía. Doía gostoso. Doía com gosto de quero mais.

Iaci estava na porta da oca, escovando os cabelos, e quando viu a filha passar gingando, nem falou nada. Só riu. Riu aquele riso curto de mãe que sabe tudo sem precisar perguntar.

— Bom dia, filha.
— Bom dia, mãe.
— Dormiu bem?

— Ahã. — Iaci puxou o cabelo pra trás e amarrou. — E tá andando assim por quê?
Por nada.
— Por nada. Tá bom.
Moli riu e foi pro rio. No caminho, Pora passou com uma bacia na cabeça, olhou as pernas da irmã, olhou a cara dela, e assobiou.

— Aaaaah, moleca. Ontem foi só o começo, né? Hoje teu pai te espera de novo. E daqui uns dias ele te larga pro Tupã.
— Larga?

— Não larga. — Pora parou, equilibrou a bacia na cabeça e falou séria, de repente. — Passa. Passa pra frente. É assim. Depois do pai, o irmão. Depois do irmão, os primos. E aí você escolhe. E aí você casa.

— E depois de casar?

— Depois de casar você faz o que todas fazem. — Pora deu de ombros e voltou a andar. — Cuida da casa, cria os filhos e, quando o marido tá na caça, você vai na oca do pai meter um pouco, se quiser. Se tiver vontade. Se tiver precisão.

Moli ficou parada no meio do caminho.
— Vai na oca do pai?

— Vai. Todas vão. — Pora riu. — Por que você acha que a mulherada da aldeia fica com essa cara de boba quando teu pai passa? Ele é o reprodutor, moleca. Sempre foi. Tua mãe sabe. Tua mãe deixa. Tua mãe até gosta, porque assim o marido não vai procurar fora.

Moli chegou no rio com a cabeça fervendo. E não era mentira, não. Naquela mesma semana ela viu. Viu a viúva Seri, aquela de quarenta e poucos, de peito grande e cara triste, entrar na oca do pai no meio da tarde com um cesto de beiju na mão e sair de lá uma hora depois com o cesto vazio, o cabelo desfeito e a cara menos triste. Viu a mulher do Nê, do bar de Santa Rita, subir a trilha de canoa só pra "trazer encomenda" e ficar três dias. Viu a prima mais velha, a Corá, deitar na esteira do pai num domingo de manhã, com a família toda na rede do lado, e ninguém nem levantou a cabeça. Era normal. Era o jeito.

Moli perguntou pra mãe.

— Mãe, a senhora não sente nada?

— Sinto o quê? — Iaci estava descascando mandioca. — Ciume? Filha, teu pai tem quarenta e dois centímetros e cinquenta anos. Se ele der pra uma por dia, ainda sobra pau pra mim de noite. — Ela riu. — A mulherada vem, goza, vai embora. Ele volta pra minha rede. Quem perde?
— E a senhora?

— Eu tenho ele primeiro. E tenho a oca. E tenho vocês. — Iaci apontou a faca pra filha. — Mulher que tem isso não precisa de mais nada. Agora vai lavar essa tanga que tá suja de ontem.

Naquela noite, Tupã veio.

Moli estava na rede, de barriga pra cima, com a tanga fininha amarrada, pensando no pai, pensando na esteira, sentindo a xoxota ainda inchada e latejando. A lua entrava pela fenda da palha e riscava o chão. Ela ouviu o passo. Conhecia o passo. Andar pesado, de calcanhar, sem se importar com barulho. Irmão.

Ele não pediu licença. Levantou o mosquiteiro, sentou na beira da rede, e ficou olhando.

— Tá doendo?
— Tá um pouco.
— Mãe mandou eu passar o gel em você.
— Mentira. A mãe não mandou nada.
— Mandou. — Tupã já estava com a cuia na mão. — Vira.
Moli virou. De bruços, o rosto enterrado no travesseiro de pano, a bunda pra cima, a tanga fininha esticada entre as pernas. Tupã passou o dedo com gel por dentro da coxa dela, devagar, subindo, e quando chegou no meio, empurrou o pano pro lado com o polegar.

Moli prendeu a respiração.
— Tupã...
— Quieta.
Ele tirou a tanga dele. Moli ouviu o pano cair no chão. Ouviu o barulho da mão dele se masturbando duas, três vezes, aquela batida surda de pele. Sentiu ele se ajoelhar atrás dela, abrir as pernas dela com os dois joelhos, e sentiu a cabeça encostar.

Era do irmão. Mais grosso que o do pai — a mãe tinha falado, a mãe tinha avisado — e a cabeça era larga, chata, empurrando a entrada como quem força uma porta que já sabe que vai ceder.

— Tá apertada ainda.
— Tá.
— Vai doer.
— Vai.
— Quer?
— Quero.
Tupã empurrou de uma vez.

Não teve delicadeza de primeiro dia, não. Ele entrou forte, de um golpe só, e Moli gritou dentro do travesseiro e agarrou a corda da rede. A xoxota dela, machucada do treino da manhã, esticou toda em volta daquele pau grosso, e a dor subiu junto com o tesão, os dois juntos, os dois na mesma veia.

— Aaaaaai, Tupã, devagar!
— Devagar é amanhã.
E ele meteu forte.
Meteu com o corpo inteiro, o quadril batendo na bunda dela com estalo, a rede balançando, as cordas rangendo, o mosquiteiro caindo no chão. Moli mordia o travesseiro pra não acordar a oca toda — não que adiantasse, porque a mãe na rede do lado já estava de olho aberto no escuro, sorrindo pro teto.

Tupã segurou o quadril dela com as duas mãos, levantou a bunda dela no ar, e socou fundo, até o saco. Aí Moli entendeu o que a mãe tinha querido dizer com "até o saco". Entendeu com o corpo, entendeu com a barriga, entendeu com um gemido que escapou solto.

— Assim, moleca. — A voz dele saiu rouca, baixa, colada no ouvido dela. — Segura firme.

Ela segurou. Ele meteu mais uns dez minutos sem parar, ritmado, pesado, a pele batendo na pele com aquele som de palma molhada. Moli gozou antes dele — não sabia nem que estava gozando, descobriu na hora, um aperto na barriga que subiu e estourou e fez ela tremer dos pés à nuca. Tupã sentiu ela apertar e foi aí que ele acelerou, três, quatro estocadas fundas, e se derramou dentro, grunhindo, com a mão espalmada na bunda dela.

Ficou. Os dois ficaram. Ele por cima, respirando no ombro dela, o pau ainda dentro, pulsando. Moli de cara no travesseiro, com lágrima de prazer no canto do olho, sem saber se chorava ou ria.

Foi quando ele falou, no escuro:
— Levanta a bunda.
— De novo?
— De novo. Mas agora é atrás.
— Atrás?! — Moli virou a cabeça. — Atrás, Tupã? Isso não é pra fazer xixi?

— Xixi é um buraco. Esse é outro. — Ele riu, passou o dedo molhado de gel por trás e encostou. — Abre pra mim.

Moli abriu. Sentiu o dedo do irmão empurrar, entrando devagar, gosmento de gel e de suor. Ardeu. Era apertado, era esquisito, era quente. E quando ele tirou o dedo e encostou a cabeça do pau ali, Moli entendeu que a noite ia ser longa.

— Respira fundo.
— Tupã, eu não vou aguentar.
— Vai. Todo mundo fala isso.

Ele empurrou. A cabeça passou, devagar agora, com paciência. Moli arregalou os olhos no escuro, sentiu o anel de músculo ceder, sentiu a cabeça entrar e o resto deslizar atrás. Cheio. Cheio de um jeito completamente novo, apertado, profundo, com a xoxota dela espremendo por baixo.

— Ai... ai, ai, ai...
— Tá dentro. — Tupã soltou o ar. — Agora fica.

Ficou. Os dois ficaram parados, ela tremendo, ele esperando. Depois ele começou a mexer. Devagar no começo, curto, só pra ela acostumar. E quando ela começou a empurrar a bunda pra trás, sozinha, querendo mais, ele entendeu e meteu forte de novo.

Forte. Mais forte que na frente, porque atrás não tem fundo pra bater e ele podia ir até a base. A bunda dela batia no ventre dele com estalo, a rede pulava, a oca inteira ouvia. Moli já tinha desistido de morder o travesseiro. Gemido solto, alto, e do outro lado da parede de palha alguém tossiu e riu.

Tupã meteu até terminar de novo. De novo dentro. De novo grunhindo, com a mão agarrada na cintura dela.

Quando ele saiu, Moli desabou de lado na rede, com as duas pernas abertas e moles, o gel escorrendo, o suor secando, o coração batendo em lugar errado. Tupã amarrou a tanga, pegou a cuia e ficou de pé.

— Amanhã tem de novo — ele falou.
— Amanhã eu não ando.
— Melhor. — Ele riu. — Aí você fica na rede e a gente não precisa ir pro mato.

Ele saiu. Passou pela rede da mãe. Iaci, de olho aberto no escuro, falou baixinho sem virar:

— Fechou a porta?

— Fechei, mãe.
— Trouxe a cuia do gel de volta?
— Trouxe.
— Então vai dormir.

Tupã foi. E na rede, Moli ficou olhando a fenda de lua no teto, com o corpo latejando em três lugares diferentes, e pensou, do jeito que só pensa mulher nova de aldeia, com a cara suja de suor e um sorriso de tonta:

— Amanhã de novo.

Nos dias seguintes, o pai voltou a chamar. Cada tarde um pouco mais fundo. Cada tarde um pouco mais tempo. Até que numa quinta-feira, com o sol de rachar e a aldeia inteira espiando atrás das oca, Raoni segurou a cintura da filha e deixou ela descer até o saco, devagar, do jeito que ele tinha prometido no primeiro dia.

Moli desceu. Sentiu a bunda encostar no peso dele. Sentiu o pau inteiro dentro dela, cada centímetro, cada veia, a cabeça socando num lugar que ela nem sabia que tinha nome. E ficou. Cheia, completa, sentada no colo do pai com as coxas abertas e o queixo erguido.

— Aí — disse Raoni. — Agora você tá pronta.

Do lado de fora, atrás da oca, Pora bateu palma. Iaci, na beira do rio, ouviu e sorriu pra água. E Moli, sentada na pica do pai, entendeu uma coisa que toda mulher da Yaraçu entende no dia em que vira mulher de verdade: a tanga fininha não era pra esconder nada. Era pra anunciar. Era o diploma. Era o aviso pra aldeia inteira de que ali tinha uma fêmea criada, treinada e pronta pra casar.
E ela ia usar aquela tanga todo dia. Todo dia. Não pra esconder, filha. Pra mostrar.


Foto 1 do Conto erotico: A india moli e seu pai pauzudo

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Ficha do conto

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doidapordildo

Nome do conto:
A india moli e seu pai pauzudo

Codigo do conto:
275360

Categoria:
Incesto

Data da Publicação:
23/10/2026

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