Ela voltou vinte minutos depois, de cabelo molhado e preso no coque desleixado, cheirando a sabonete, de calça jeans apertada e camiseta por cima. Passou por ele na cozinha e abriu a gaveta de baixo da geladeira sem falar nada. Escolheu um pepino, o mais reto do cesto, lavou na pia ao lado dele, secou na barra da camiseta, e enfiou o pepino na bolsa do avental que estava pendurado na cadeira.
— Já passei a margarina — ela disse, e a voz estava mais firme, e o rosto mais corado do que o normal.
— Tô ardendo toda.
— Tô com o pepino na bolsa.
Ela foi pra sala, e depois pra área de serviço, e começou a tirar a roupa do varal. Nivaldo ficou na cozinha lavando a louça do café, e ouviu o barulho dela atrás dele, o cesto arrastando, o pregador caindo no chão.
Ele se virou. Lelê estava de costas, na ponta do balcão, com as duas mãos apoiadas na pedra, o quadril empinado um pouco, e a calça jeans esticada por trás. Ela tinha o pepino na mão.
— Como é que eu ponho sem cair? — ela perguntou, e a voz saiu baixa e envergonhada, e ela não olhou pra trás. — Tô com medo de empurrar errado.
Nivaldo secou as mãos no pano de prato, dobrou o pano com cuidado, e foi até lá.
Nivaldo pegou o pepino da mão dela e levou pra pia. Abriu a torneira, passou o dedo na casca com o polegar, esfregando, tirando o resto de terra da pontinha onde tinha o cabo. Secou na barra da camiseta dele mesmo, e ficou olhando o pepino na mão, comprido, verde-escuro, reto, os furinhos da casca. Pesou na mão pra ver. Era firme, e tinha uns vinte centímetros de ponta a ponta, e a ponta era arredondada e lisa, e o cabo era fino.
— Abaixa a calça — ele disse. — Só até o joelho.
Lelê desabotoou o jeans com os dedos meio duros, puxou o zíper, e empurrou o tecido pra baixo até os joelhos, e a calça ficou presa ali, e ela se curvou sobre o balcão outra vez, o rosto de perfil, a bochecha apoiada na pedra fria. As pernas ela abriu o quanto a calça deixou, e não deixou muito.
— Mais — ele pediu.
Ela forçou o pé pra fora da perna da calça, e depois o outro, e chutou o jeans de lado, e aí abriu de verdade, os pés afastados no piso frio, e a camiseta subiu sozinha pela costas, e a barra dela ficou na altura da cintura, e a bunda dela ficou de fora, e o cabelo molhado caiu por cima do ombro e encostou no balcão.
Nivaldo molhou a ponta do pepino na torneira de novo, e cuspiu nela também, e espalhou com a mão.
— Frio — ela avisou, contra a pedra.
Ele encostou a ponta na entrada dela, e empurrou de leve, e a ponta entrou um pouco e voltou, porque ela estava apertada e porque a calça tinha deixado ela tensa. Ele tirou, molhou mais, e voltou, e dessa vez segurou com a mão de baixo, os dedos espalmados no quadril dela, e foi firme.
— Respira — ele disse. — Solta.
Lelê soltou o ar, e o corpo dela cedeu junto, e a ponta passou. Ela deu um gemido comprido, grave, que saiu do peito e não da garganta, e a mão dela agarrou a beirada do balcão, e os dedos ficaram brancos.
— Ai — ela disse. — Ai, ai.
Ele parou.
— Ardeu?
— Não. — A voz saiu abafada pela bochecha na pedra. — É que é grande. Continua, mas devagar.
Ele continuou devagar. Cada centímetro que entrava era uma coisa nova no rosto dela — a boca abrindo, o olho apertando, a sobrancelha subindo, e o lábio dela preso entre os dentes. Ele olhava pro lugar onde o pepino sumia, e o lugar estava vermelho e esticado em volta da casca verde, e o líquido dela escorria pelo que ainda faltava entrar, e a cada empurrão um fio novo descia.
— Tá indo — ele disse, e a voz dele estava rouca de novo.
— ela respondeu, e engoliu. — Pai, tá muito fundo.
— Falta muito?
Ele olhou. Faltava um palmo, mais ou menos.
— Mentira.
— Falta um dedo e meio.
Ela riu, e o riso apertou ela por dentro em volta do pepino, e ela gemeu no meio do riso.
— Pai, eu tô sentindo lá no fundo. É estranho. É... — ela parou, procurou a palavra. — É cheio. É muito cheio. Mas é gostoso, credo. Tá esquisito de gostoso.
Ele empurrou o resto. Foi num movimento só, lento e contínuo, e a última parte entrou toda, e a mão dele ficou espalmada na bunda dela, empurrando, e o cabo do pepino ficou de fora, fino, verde-claro, para fora do corpo dela. Lelê gemeu alto e comprido e o quadril dela empurrou pra trás sozinho, sem ela mandar, e ficou assim, empalada no próprio balcão da cozinha, com o pepino inteiro dentro.
— Todinho — ele disse, baixinho.
Ela ficou parada, respirando, e depois virou o rosto pra trás, e o cabelo caiu do outro lado, e a cara dela estava vermelha e desmontada, o olho molhado.
— Tá todo dentro mesmo?
— Tá filha
Ela levou a mão pra trás, tateou, e o dedo dela encostou no cabo, e ela empurrou ele mais um pouquinho, e gemeu, e tirou a mão.
— Fica um pouco assim — ela pediu. — Só um pouco. Antes de vestir.
Nivaldo ficou atrás dela, a mão ainda no quadril, e olhou o desenho daquilo. A xoxota dela em volta da casca, os lábios abertos por cima do verde, o capuz do clitóris inchado e brilhante, e um fio de líquido descendo pelo cabo até o piso. Ela estava vermelha de novo, mas de outro jeito. Vermelha de tesão, ele pensou, e a palavra agora não tinha mais nada de estranha.
Ela começou a rebolar devagar contra o balcão, curtinho, só o quadril, e o cabo do pepino se mexia pra cima e pra baixo atrás dela, e ela soltou um gemido fino e mordeu o lábio.
— Pai, se eu ficar assim eu vou gozar de novo.
— Aí eu não vou conseguir fazer nada hoje.
— Você vai. Você vai andar com ele, e vai sentir ele o dia inteiro, e é isso que você quer.
Ela riu, o rosto apoiado na pedra.
— O senhor tá me mimando demais.
— Levanta a calça — ele disse, e deu um tapinha leve na bunda dela. — Antes que escorregue.
Lelê se endireitou, e o pepino se mexeu com o movimento e ela travou no meio, os joelhos dobrando.
— Ai, ai, ai — ela fez. — Calma, calma.
— Levanta devagar.
Ela puxou o jeans do chão, um pé, depois o outro, e subiu com cuidado, passando pela coxa, e quando o tecido chegou na altura do pepino ele empurrou o cabo, e o cabo entrou mais um tiquinho, e ela soltou um "ôôô" comprido. Ele ajudou, segurando a calça pelas laterais, subindo.
— Agora aperta — ele disse.
Ela fechou o botão. O jeans era justo mesmo, e o cós entrou apertado por cima da coisa toda, e a costura da frente marcou uma linha reta no meio da xoxota, e o volume ficou visível por baixo do tecido, um caroço comprido descendo pela perna de dentro.
— Ai. Tá me apertando.
— Mas não cai.
Ela andou um passo e parou, e o passo saiu curto e duro, e ela pôs a mão na frente da coxa.
— Não cai — ela confirmou. — Não cai nada. Credo, pai, eu tô sentindo ele inteiro.
— Vai passar. Daqui a pouco você acostuma.
Ela se virou, e a calça marcava a coisa toda, e o rosto dela estava numa mistura de espanto e prazer e puro absurdo.
— Vou lavar a louça assim — ela disse, e a voz saiu de quem tá se convencendo de uma ideia.
Ela foi até a pia, e o caminho todo foi de passos pequenos, o quadril duro, e a cada passo o tecido empurrava o cabo pra dentro e puxava de volta, e ela ia soltando uns "ai" baixinhos que não eram de dor nenhuma.
Pegou a esponja, abriu a torneira, e ficou parada ali um instante com a mão na água, olhando pra parede, e a respiração dela estava fora do compasso.
Nivaldo voltou pro pano de prato e ficou secando a mesma tigela duas vezes, sem perceber, olhando ela de lado.
E assim o dia vou passando
continua

