A CÂMERA QUE NÃO DEVERIA ESTAR LIGADA - INICIO

Eu e minha amada esposa estávamos contentes com nossa rotina até que conheci um lado que nunca imaginei dela.
A chave na mão, o carro recém-lavado na garagem, a casa nova cheirando a tinta fresca e promessas. Completamos dois anos de casados e decidimos que era hora de parar de pagar aluguel. Compramos um sobrado no bairro novo, com uma pequena área nos fundos onde ela já planejava plantar temperos. A vida parecia uma reta plana e sem curvas, exatamente como eu gostava.
Minha esposa, letícia, era a perfeição em forma de mulher. Loira, cabelos longos que caíam pelas costas, pele branquinha que parecia brilhar sob o sol. Corpo de atleta, fruto dos treinos de CrossFit que fazíamos juntos e de musculação que ela não abdicava. Vaidosa, sempre de maquiagem impecável, unhas feitas, mas sem ser fresca. Falava o que pensava, tinha opinião sobre tudo, e eu amava isso nela. Amava a independência dela, a forma como movia o mundo ao redor com um sorriso fácil e uma conversa inteligente. Acho que por isso eu me sentia tão seguro. Acreditava que a conhecia por inteiro.
Nessa semana da mudança, enquanto eu arrumava as caixas da nossa nova vida, me dei conta de que a segurança era uma questão. O bairro era tranquilo, mas nunca é demais. Passei no caminho do trabalho e comprei um kit de câmeras de segurança. Quatro delas. Uma na porta da rua, uma na garagem, uma na sala e cozinha e outra no quarto, apontada para a cama. Por precaução, pensei. Por paranoia de consultor de vendas que lida com o valor das coisas o tempo todo.
Leticia tinha visitado a mãe, ia passar o dia fora e só voltar à noite. Perfeito. Podia instalar tudo sem o questionamento dela, que certamente acharia exagero meu. Levei a tarde inteira fazendo a instalação, furando paredes, passando cabos escondidos. Fiquei orgulhoso do serviço, parecia profissional. Depois, conectei tudo ao aplicativo no celular. Passei uma hora vendo os ângulos, testando a nitidez noturna, a qualidade do áudio. Dei um sorriso de satisfação. A casa estava sob meu olhar.
Quando ela chegou, comentou sobre a nova luminária que coloquei na sala, sobre a forma como organizei nossos livros na estante. Não fez o menor comentário sobre as câmeras. E eu não falei nada. Achei melhor deixar para depois, quando tivesse 100% certeza de que tudo funcionava perfeitamente. Não queria ouvir um "te avisei que era exagero" antes da hora.
No dia seguinte, já era quarta-feira. Minha semana de trabalho mandatória fora de cidade começava na quinta. Fui até academia de manhã com a Leticia, suamos juntos como de costume, e depois de um almoço rápido e de muito papo, fui arrumar a mala. Na hora da despedida, na porta de casa, ela me abraçou forte.
— Tá me devendo uma semana inteira agora, hein? — disse ela, com o queixo apoiado no meu peito.
— Eu sei. Mas quando eu voltar, a gente fecha o mês direito. Sem viagens, sem nada. Só nós dois e a casa nova.
— Pode ser. Vou preparar uma surpresa.
Riu, me deu um beijo longo, de língua, aquele que sempre me deixava com a cabeça vazia e com vontade de cancelar a viagem. Mas não podia.
— Te amo — disse ela, já se soltando.
— Eu também te amo.
Entrei no carro, liguei o motor e acessei o aplicativo das câmeras mais por curiosidade. A vi de costas, entrando em casa e fechando a porta. Pensei comigo: "perfeito. A mulher mais linda do mundo e a casa mais segura do bairro". Dirigi até o aeroporto com uma sensação de dever cumprido, de homem que tinha a vida controlada.
Naquela noite, no hotel em Curitiba, depois de um jantar de trabalho entediante com clientes, deitei na cama e liguei a TV. Passava um filme antigo, mas minha mente não estava lá. Pensei na Leticia, em como ela estaria dormindo agora, talvez de calcinha e sutiã, como gostava, ou nua, porque o calor começava a apertar. Pensei em ligar, mas eram quase onze da noite. Melhor não.
Abri o aplicativo das câmeras. A tela da sala ficou preta por um segundo e depois carregou. Vi tudo em silêncio, a luz da lua entrando pela janela, o sofá novo, a mesinha de centro. Nada. Lugar vazio. Fui para a câmera do quarto. A mesma coisa. Nossa cama perfeitamente arrumada, do jeito que deixamos. De um jeito que ela raramente a deixava, eu pensava. Ela era mais desleixada, gostava de jogar os travesseiros. Mas ali estava tudo impecável. "Ela deve ter arrumado", pensei. "Tá feliz com a casa nova, quer tudo perfeito". Deixei o app aberto no modo de baixo consumo e adormeci com a imagem do nosso quarto vazio na tela do celular, quase como uma canção de ninar digital. Estava tranquilo. Nada a temer.
***
Na quinta-feira, o dia foi uma maratona. Reunião atrás de reunião, almoço de negócios, apresentação de propostas. Fui para o hotel exausto, com a cabeça doendo. Cai na cama e dormi na hora, nem lembrei de checar as câmeras. Nem recebi nenhuma notificação de movimento. Deve ter sido um dia quieto para ela também.
Sexta. O dia da loucura. Quatro clientes em locais diferentes da cidade, correndo de um lado para o outro. Por volta das três da tarde, sentei no carro para pegar fôlego antes da última visita. Foi quando meu celular vibrou. Uma notificação do app de segurança. "Movimento detectado: Cozinha". Estranho. Era cedo. Ela mal saía de casa à tarde, preferia a academia ou o shopping. Abri a gravação ao vivo, sem som, primeiro. A imagem deu zoom automático no centro da cozinha. Era a Leticia. Ela estava de costas, usando um vestido de verão curto, amarelo, que eu adorava nela. Estava perto da bancada, parecia estar fazendo café. Mas ela não estava sozinha.
A câmera mostrava o canto da mesa da cozinha. Sentados, dois homens. Um deles, branco, cabelos brancos nas têmporas, aparentando uns sessenta anos, de camisa social. O outro, moreno escuro, mais baixo, talvez cinqüenta e poucos, usando uma polo azul. A câmera não pegava o rosto deles de frente, apenas o perfil. Fiquei olhando, sem entender. Quem eram? Parentes dela que eu nunca conheci? Amigos de seus pais? A mente começou a trabalhar, a tentar encaixar as peças. Leticia nunca mencionou visitas. Ela me mandou uma mensagem no meio do dia, um coração rosa, sem mais nada. Nada sobre "tava recebendo os amigos".
Ativei o áudio. A qualidade não era perfeita, mas dava pra ouvir.
— ...então o Advogado disse que o processo pode arrastar mais uns dois meses — disse a voz do homem branco, calma, segura.
— Poxa, Mário, isso é uma eternidade — respondeu Leticia. A voz dela era solta, risonha, como se estivesse falando com um velho amigo.
— É, mas o que a gente pode fazer? A justiça é assim. Já o seu caso, Jorge, esse sim tá bom de fechar. Na semana que vem eu ligo o contador e a gente acerta os papéis.
A voz do homem moreno, o Jorge, veio logo em seguida. "Tenho certeza que vai dar tudo certo, Mário. Você sempre cuidou de tudo direitinho."
Mário. Jorge. Os nomes não me diziam nada. Mas a intimidade da conversa me gelou por dentro. "Cuidou de tudo". "Seu caso". Que casos? Eles estavam falando de negócios? Parecia. Mas que tipo de negócio minha esposa, que não trabalhava, estaria discutindo com dois homens mais velhos na minha cozinha?
Continuei assistindo, hipnotizado. Eles beberam o café, conversaram sobre o tempo, sobre futebol. Leticia ria das piadas do Jorge, encostava o braço no ombro do Mário às vezes. Toques naturais, de quem tem muita familiaridade. Uma familiaridade que me era completamente estranha. Meu coração batia forte no peito, um aperto estranho. Era ciúme? Era medo? Não sei. Era a sensação de estar vendo um filme que minha esposa protagonizava, mas do qual eu não fazia parte.
Fiquei ali, no meu carro estacionado debaixo de uma árvore, olhando para a tela do celular. A cena mudou. Leticia se levantou, pegou as xícaras e as levou para a pia. Os dois homens ficaram na mesa, conversando baixo. Não conseguia ouvir o que diziam. Ela lavou as louças, secou as mãos e, neste dia eles foram embora, marcando parece que retornar amanha, sabado. Eles se levantaram. Leticia os acompanhou até a porta da cozinha que dava para a garagem. Não consegui ver os rostos deles de frente, mas vi Mário dar um tapinha leve no bumbum dela. E ela não se escondeu. Nem deu um tapa de volta. Apenas sorriu. E Jorge, ao passar por ela, passou a mão por cima do cabelo dela, num carinho demorado. E ela se inclinou na mão dele, como uma gata buscando afago.
A porta se fechou. Ela ficou parada na cozinha por um minuto, de costas para a câmera. Depois, se virou e olhou diretamente para a lente. Por um segundo, meu sangue gelou. Ela sabia? Ela me viu? Mas o olhar dela estava vago. Ela estava olhando para a parede, para o ponto exato onde eu havia instalado a câmera, disfarçada no teto. Mas ela não viu. Não podia ver. Mas o olhar... foi um olhar de quem estava pensando, processando. Um olhar que eu nunca tinha visto nela.
***
Sábado. Passei o dia inteiro com o celular na mão, esperando. A notificação veio às onze da manhã. "Movimento detectado: Porta da rua". Abri o app. Eles estavam entrando. Mário e Jorge. Dessa vez, vieram de carro. O de Mário era um Sedan preto, bem conservado. O de Jorge, uma picape caprichada. Eles entraram na casa como se fossem donos. Leticia os recebeu na porta com um sorriso genuíno, usando um shortinho jeans e um top justo. Ela deu um abraço em Mário, um abraço em Jorge. Beijos no rosto. Não eram beijos de parente. Eram beijos demorados, próximos dos lábios.
Acompanhei tudo pelo meu celular, no quarto de hotel, com a porta trancada e as cortinas fechadas. Eles foram para a sala. A câmera pegava o sofá de perfil. Eles se sentaram. Leticia sentou no chão, entre os dois, encostada nas pernas de Mário. A conversa fluiu, animada. Pude ouvir melhor agora. Eles falavam sobre viagens, sobre restaurantes, sobre um concurso de música que tinham visto na TV. Coisas comuns. Mas a dinâmica entre eles não era comum. Havia uma cumplicidade, uma história partilhada que me deixava de fora.
De repente, a conversa mudou de tom.
— E então, meu bem? — perguntou Jorge, passando a mão pelo cabelo dela. — Teu marido ainda não desconfiou de nada?
Leticia deu uma risada baixa, um som que eu não reconheci. Um som de segredo, de cumplicidade.
— Desconfiar de quê? Ele não desconfia de nada, Jorge. Acha que sou a santinha dele. A esposa perfeita. A que vai plantar temperinhos na área.
O peito apertou. Santinha? Esposa perfeita? As palavras eram ditas com ironia, com um deboche que doía.
— Mas cuidado, Leticia — disse Mário, com a voz grave e autoritária, mas ao mesmo tempo carinhosa. — Segredos têm pernas curtas. Um dia ele pode descobrir.
— E quando descobrir, ele descobre — respondeu ela, com um shrug dos ombros que era pura provocação. — A vida é curta demais pra viver mentindo pra si mesmo.
Aquilo me pegou. Não era sobre o segredo deles. Era sobre o segredo dela. Sobre a vida dela que eu não conhecia. Eu, que pensava que a conhecia por inteiro.
Ela se levantou.
— Vou fazer uns chás pra gente.
Foi para a cozinha. Os dois homens ficaram em silêncio na sala, trocando olhares. Jorge coçou o queixo. Mário se reajustou no sofá. Pareciam esperar alguma coisa.
Na cozinha, a câmera mostrava Leticia pegando uma chaleira, enchendo de água. Movimentos graciosos. De repente, ela parou. Olhou em volta, como se procurasse algo. Depois, o que eu vi me fez cair da cama.
Ela tirou o short. Depois o top. Ficou nua, ali no meio da minha cozinha. Dobrou as roupas com calma e as colocou em cima da bancada. Ficou por uns segundos parada, de costas para a câmera, olhando para a chaleira que começava a chiar. O corpo dela era perfeito. As curvas, a pele branquinha, o bumbum empinado. Era o corpo que eu conhecia, que eu amava, mas ali, naquela situação, ele parecia de outra pessoa. Uma desconhecida.
Ela pegou três xícaras, colocou saquinhos de chá e voltou para a sala.
Nua.
Com a bandeja de chá nas mãos, como uma serviçal dos meus sonhos e dos meus pesadelos.
A reação deles foi o que mais me chocou. Nenhum espanto. Nenhuma surpresa. Mário apenas sorriu, um sorriso satisfeito, de quem estava esperando por aquilo. Jorge se sentou mais para a frente no sofá, os olhos brilhando, um sorriso malandro no rosto. Não era a primeira vez. Aquilo era um ritual.
Ela colocou a bandeja na mesa de centro, serviu o chá, sentou-se no chão de novo, entre os dois, como se estar nua na frente deles fosse a coisa mais natural do mundo.
— Melhor agora? — perguntou Mário, passando a mão pelas costas dela.
— Muito melhor — respondeu ela, e encostou a cabeça no colo dele.
E aí começou. Devagar. Jorge pegou a mão dela, levou aos lábios e beijou cada dedo, um por um. Mário continuava a passar a mão pelas costas dela, descendo lentamente até o bumbum, apertando, modelando. Leticia fechou os olhos, um suspiro longo escapou dos seus lábios. Era um suspiro de prazer. De entrega.
Jorge se inclinou e começou a beijar seu pescoço. Mário se inclinou do outro lado e fez o mesmo. Ela estava no meio deles, sendo devorada por beijos, por carícias. As mãos deles começaram a vagar pelo corpo dela. Uma mão de Mário subiu e pegou um seio dela, apertando o bumbum dela com mais força. Leticia gemia baixinho, um som contido, de quem estava aproveitando cada segundo.
Jorge se ajoelhou no chão, na frente dela, e afastou suas pernas. Ele olhou para a xoxota dela, que já estava visivelmente molhada, brilhando sob a luz da sala. Ele passou o dedo no meio dos lábios dela, devagar. Leticia gemeu mais alto, arqueou as costas.
— Ela está pronta, Mário — disse Jorge, com a voz rouca.
E Mário, respondendo, levantou-se rapidamente. Desabotoou a calça, que caiu no chão junto com a cueca. Sua rola saltou para fora. Dura, grande, mais grossa que a minha, com as veias saltadas. Ele se ajoelhou atrás dela, pegou seu pênis com uma mão e encostou na entrada da xoxota dela. Leticia gemeu alto, um gemido de pura vontade.
Mário não foi delicado. Com um movimento forte da cintura, enterrou toda a rola dentro dela. Ela gritou, um grito de dor e prazer misturados. Ele começou a bombear para dentro e para fora, com força, com uma cadência que eu reconhecia. Era a cadência de quem manda. De quem toma conta. Ele segurava os quadris dela, puxando-a contra si a cada vez que entrava.
Jorge, na frente, tirou a própria roupa. Sua rola também estava dura, talvez um pouco menor que a de Mário, mas muito grossa, com a glande rosada. Ele se aproximou do rosto de Leticia e encostou o pênis nos lábios dela. Ela abriu a boca sem hesitar e o engoliu. Completamente.
Fiquei paralisado. Olhando para o meu celular. Eu estava de pau duro como se estivesse gostando daquilo. Vendo minha mulher, a mulher que eu amava, sendo usada por dois homens na minha sala, no sofá que eu comprei. E o pior? Ela estava gostando. Estava se entregando de uma forma que ela nunca se entregou para mim. Havia uma submissão nela, uma entrega total, que me despertou um ódio e um tesão que eu nunca soube que existia.
Eles continuaram assim por um tempo. Mário fodendo-a de quatro, com força, batendo o saco nela. Jorge enchendo sua boca de rola. Os gemidos dela estavam abafados pelo pênis de Jorge, mas eu podia ouvir a paixão, a volúpia. Foi então que Mário parou. Puxou a rola dele e disse:
— Agora é a sua vez, Jorge.
Eles trocaram de lugar. Com uma agilidade surpreendente para a idade, Jorge se ajoelhou atrás dela. Mário ficou na frente e limpou a rola dele na boca de Leticia. Ela o lambeu com avidez, como se estivesse provando o próprio gosto.
Jorge entrou nela de uma vez. Ele era mais rápido que Mário, com movimentos mais curtos e rápidos. Ele a segurava pelos seios, beliscando os mamilos dela. Leticia estava em transe. Seus olhos estavam fechados, a boca ligeiramente aberta. Ela gemia sem parar, um som contínuo, de animal no cio.
Eles usaram ela por mais uma hora. Trocando de lugar, fodendo ela na boca, na xoxota. De quatro, de lado, com ela montada em um deles enquanto chupava o outro. Eu vi tudo. Cada detalhe. Cada gota de suor. Cada expressão de prazer no rosto dela. Eu vi ela gozar várias vezes. Vi o corpo dela estremecer, as pernas dela tremerem. Eu ouvi os gritos dela.
Finalmente, Mário não aguentou mais. Ele estava deitado de costas no sofá, com Leticia montada nele, pulando na rola dele. Ele pegou o cabelo dela, puxou para trás e disse:
— Toma, sua putinha. Toma todo o leitinho do seu homem.
Ele gozou dentro dela. Eu vi o corpo dele se estremecer, vi ele apertar os quadris dela com força. Leticia gemeu alto, e eu vi ela gozar junto com ele. Um orgasmo intenso, que a fez tremer toda.
Jorge, que estava assistindo tudo, se aproximou. Com a rola na mão, ele penetrou na sua buceta. Em poucos segundos, ele gozou enchendo ela.
Eles ficaram ali por um tempo, sem se mexer. Leticia deitou entre eles, naquele sofá, com o corpo brilhando de suor e leitinho. Os três pareciam exaustos, mas satisfeitos.
Alguns minutos se passaram em silêncio, apenas o som da respiração ofegante preenchendo a sala. Leticia foi a primeira a se mexer. Ela se ergueu, um pouco trêmula, e esticou o corpo.
— Estou morrendo de fome — disse ela, com uma risadinha. — Vou fazer um macarrão para nós.
Os dois homens a acompanharam com o olhar. Mário se sentou no sofá.
— Boa ideia. Precisamos de energia — disse ele, com um sorriso malandro.
Jorge se levantou e esticou os braços.
— Vou te ajudar, meu bem. Uma mulher tão bonita não deve cozinhar sozinha.
Eles foram para a cozinha. Nus. Como se fosse a coisa mais normal do mundo. Leticia pegou o macarrão, uma panela, e começou a preparar o jantar. Jorge lavou algumas verduras. Mário se sentou num banquinho da ilha, observando os dois.
A cena era surreal. Minha mulher, nua, na minha cozinha, com dois homens mais velhos, também nus, preparando o jantar como se fossem um casal velho e um amigo da família.
Eles riam, conversavam. O Jorge passava a mão pelo bumbum dela sempre que passava por perto. Mário a observava com um olhar de posse, de dono. E Leticia estava completamente à vontade. Ria das piadas deles, respondia às investidas deles com um sorriso.
Comeram sentados na mesa da cozinha. O macarrão estava com um cheiro bom e eu, que não havia comido nada, senti meu estômago roncar. Eles beberam vinho. Leticia serviu a todos. A conversa fluiu, sobre nada e sobre tudo. Sobre o trabalho, sobre a família, sobre os planos para o futuro. Eles falavam sobre um casamento, sobre filhos, sobre uma casa na praia. E eu, do outro lado da tela, me sentia um fantasma. Alguém que não pertencia àquela história.
Depois do jantar, Leticia recolheu os pratos. Enquanto lavava a louça, Mário se aproximou por trás e passou os braços em volta da cintura dela.
— Hoje foi incrível — disse ele, sussurrando no ouvido dela.
— Foi — respondeu ela, recostando a cabeça no ombro dele. — Você foi incrível. Vocês foram incríveis.
Depois do jantar e do vinho, um ar de satisfação pairava no ambiente. Eu olhava o relógio do celular. 22h15. Pensei: "Agora sim, eles vão embora". A logística, o cansaço, o dia seguinte... era o que qualquer pessoa normal faria. Mas o que estava acontecendo na minha sala, e depois na minha cozinha, não tinha nada de normal.
Leticia terminou de lavar a última xícara e a guardou no armário. Ela secou as mãos na toalha e se virou para eles. Mário estava encostado na ilha, com os braços cruzados, observando-a com um olhar intenso. Jorge estava sentado à mesa, tomando o último gole de vinho.
— Então... — começou Leticia, com um sorriso provocador. — Acham que a energia voltou para mais uma rodada?
Jorge riu, um som baixo e rouco. Ele se levantou e caminhou até ela.
— Com essa visão na frente da gente, meu bem, a energia nunca vai embora. — Ele a puxou para si, e o beijo que se seguiu não foi nem um pouco delicado. Era um beijo de fome, de posse.
Mário se aproximou por trás, e eu assisti, novamente paralisado, enquanto ele se ajoelhava. Afastou as pernas dela, que se abriam de imediato, e começou a lamber a buceta dela. Leticia soltou um gemido abafado pela boca de Jorge. As mãos dela se entrelaçaram no cabelo dele enquanto a cabeça dela pendia para trás, entregue às atenções de Mário.
A cozinha, o lugar onde eu imaginava nossos futuros cafés da manhã, se transformou num palco de pura luxúria. Mário a chupou com uma voracidade que eu nunca tinha nela. A língua dele, os dedos dele, tudo parecia projetado para extrair o máximo de prazer dela. Jorge, enquanto isso, se concentrava nos seios dela. Mordiscava os mamilos, sugava com força, deixando marcas roxas na pele branquinha.
— Deixa ele te comer, Leticia — sussurrava Jorge no ouvido dela. — Deixa o Mário te preparar pra mim de novo.
Ela gemia, um som contínuo, de quem já estava no limite. Seu corpo tremia. Eu vi ela gozar de novo, um orgasmo forte que a fez estremecer inteira, apoiada nos ombros dos dois homens para não cair.
Ainda com as pernas bambas, Leticia se virou. Com um movimento rápido, ela subiu na ilha da cozinha, sentando-se na pedra fria. Abriu as pernas, um convite silencioso. Mário, que ainda estava de joelhos, levantou-se e, sem cerimônia, entrou nela de novo.
Eles transaram ali. Na ilha da cozinha. Ele em pé, segurando as pernas dela no ar. Ela reclinada, com os braços para trás, apoiada na bancada, os seios balançando a cada golpe. Jorge, do lado, passava as mãos pelo corpo dela, beijava sua boca, seu pescoço.
Depois de um tempo, eles se alternaram. Jorge a pegou com uma força surpreendente. Ele a virou e a debruçou sobre a ilha. Entrou nela por trás, com um gemido de satisfação. Mário foi para a frente e ofereceu a rola para ela, que lambeu e chupou com uma fome que me fez doer. A cena era caótica, brutal, e ao mesmo tempo incrivelmente bonita no seu hedonismo.
— Agora eu quero vocês juntos — disse ela, com a voz rouca de tanto gemer. — Quero sentir os dois ao mesmo tempo.
Foi Mário quem a arrumou. Ele se deitou de costas no chao e puxou Leticia para cima dele, de frente. Ela se sentou na rola dele, com um suspiro de prazer. Então, ele puxou ela para si, deitando-a em seu peito. Ficou ali dentro dela, sem se mover.
Jorge entendeu o recado. Ele se ajoelhou atrás dela, entre as pernas deles dois. Eu vi ele pegar um pote de azeite que estava na bancada e passar o líquido no próprio pênis e no cu dela. Leticia estremeceu, um gemido de antecipação.
Devagar, com uma cuidado que surpreendeu, Jorge começou a enfiar a rola no cu dela. Leticia gritou. Um grito de prazer intenso. Eu vi o corpo dela se tensionar inteiro, as mãos dela se agarrarem nos braços de Mário.
— Relaxe, meu bem — sussurrou Mário no ouvido dela, beijando seu rosto. — Deixa acontecer. Deixa a gente te encher toda.
Jorge continuou a empurrar, centímetro por centímetro, até que a rola dele desapareceu por completo dentro dela. Ficaram parados por um momento, os três conectados, um corpo só.
E então eles começaram a se mover. Um para dentro enquanto o outro para fora. Uma cadência que eu nunca tinha visto. Um ritmo antigo, poderoso. Leticia perdeu completamente o controle. Gritava, xingava, pedia mais.
— Fode a minha buceta, Mário! — gritava ela. — Destrói meu cuzinho, Jorge! Enche me de porra!
E eles fizeram exatamente isso. Com uma fúria que me assustou e me excitou. Eu os vi gozar juntos. Os dois grunhindo, enchendo ela por frente e por tras. E Leticia junto com eles, com um orgasmo que pareceu quebrar ela em pedaços.
Eles ficaram ali por um tempo, um emaranhado de corpos suados e ofegantes. Depois, se separaram devagar. Leticia ficou deitada no chão da cozinha, com os olhos fechados, respirando fundo. O corpo dela brilhava, coberto de suor, de leitinho, de azeite. Ela parecia uma oferenda.
— Isso... foi... incrível — conseguiu dizer ela, com a voz fraca.
Mário e Jorge se levantaram. Eles a olharam de cima, com um sorriso de satisfação.
— A gente te avisou que ia ser bom — disse Jorge.
Eles a ajudaram a se levantar. Ela estava trêmula. Apoiou-se nos dois.
— Vamos para o quarto — disse Mário. — A cama é mais confortável.
Eles subiram as escadas, nus, se segurando. Eu troquei rapidamente para a câmera do quarto. Eles entraram e se jogaram na minha cama, na nossa cama. A cama onde eu e a Leticia iriamos fazer amor, onde sonhávamos com nosso futuro.
Aos poucos, o movimento foi diminuindo. A respiração foi ficando mais calma. Leticia estava no meio deles, com a cabeça no peito de Mário e a mão na perna de Jorge. Um sorriso de contentamento no rosto.

Eu desliguei a tela do celular e joguei-o na cama do hotel como se queimasse. Meu coração era um tambor, meu corpo uma tensão só. Meu pênis estava duro, dolorosamente duro, um testemunho traidor do que meus olhos tinham visto. Ciúme, raiva, nojo... e uma excitação profunda e vergonhosa que me confundia. Eles adormeceram, um amontoado de membros na minha cama, e a câmera, por falta de movimento, ficou parada. Eu não consegui dormir. Fiquei horas olhando para o teto, revivendo cada cena, cada grito, cada gota de suor. Pela primeira vez na minha vida, eu não sabia quem era minha esposa.
Adormeci perto das duas da manhã, de exaustão. O sono foi pesado, escuro, cheio de pesadelos confusos onde eu era o Mário, depois o Jorge, depois apenas um espectro invisível na sala.
Fui despertado pelo vibrar agudo do celular. "Movimento detectado: Quarto as quatro da manha". O coração disparou de novo. Com as mãos trêmulas, abri o aplicativo.
A imagem carregou lentamente, iluminada pela fraca luz da lua que entrava pela janela. Jorge estava dormindo profundamente de barriga para cima, a boca ligeiramente aberta, a respiração pesada. Sua rola estava mole, repousada sobre a coxa.
E Leticia... Leticia estava acordada.
Ela estava de quatro, ao lado de Jorge, o corpo curvado numa pose de felina estirada. Sua bunda, perfeita e arredondada, estava apontada para Jorge, como uma oferta silenciosa a quem não podia ver. Mas a cabeça dela estava no outro lado.
Mário estava deitado de lado, dormindo também, mas de frente para ela. E Leticia tinha a boca no pênis dele.
Não era a fome desesperada da transa. Era algo diferente. Mais lento. Mais íntimo. Um ritual secreto no meio da madrugada.
Sua cabeça se movia para cima e para baixo com uma lentidão hipnótica. Os lábios dela envolviam a glande de Mário com uma delicadeza que parecia uma prece. Ela usava a língua, rolando-a em volta da cabeça do pênis dele, lambendo a pontinha. Às vezes, ela parava, apenas segurando a rola dele na boca, sentindo-o pulsar lá dentro, um batimento cardíaco vivo.
Mário começou a se mexer, um gemido baixo escapou de seus lábios dorminhocos. Ele não acordou. Seu subconsciente respondia ao prazer.
Ela percebeu. Aumentou um pouco o ritmo, sugando com mais força. A mão dela subiu e começou a massagear o saco dele, a apertar delicadamente. O pênis dele foi endurecendo na boca dela, crescendo, ganhando vida.
Ela o chupou assim por mais dez minutos. Um ato de devoção silenciosa. Finalmente, o corpo de Mário se tensionou. Um gemido mais alto, e ele começou a gozar. Leticia não tirou a boca. Ela engoliu tudo. Bebeu o leitinho dele como se fosse água numa terra seca.
Quando terminou, ela soltou a rola dele com cuidado, como se não quisesse acordá-lo. Deu um beijo leve na ponta molhada. Ficou ali por um instante, olhando para ele adormecido.
Depois, se virou lentamente. Olhou para Jorge, que continuava a dormir. Com um movimento de gata, ela se deitou de costas entre os dois, abriu as pernas e começou a se tocar.
Seus olhos estavam fechados. Um sorriso satisfeito nos lábios. Ela se masturbava ali, na minha cama, ao lado dos dois homens que acabaram de usar seu corpo. Era para eles? Era para ela? Era para mim, que olhava através de uma lente fria e impessoal? Eu nunca soube.
Se dedos se moviam com uma precisão que só donos do próprio corpo têm. Eu a vi estremecer, a respiração ofegante. Um orgasmo silencioso, particular. Um segredo só seu.
Depois, ela se mexeu. Ajeitou o travesseiro e voltou a dormir. A câmera ficou parada.
Eu fechei o app. Meu peito doía. Não era mais só raiva ou ciúme. Era algo mais complexo. Uma admiração doentia pela liberdade dela? Um medo profundo da mulher que eu casara? Eu olhei para o teto do quarto de hotel, pela primeira vez me sentindo completamente sozinho e perdido. Minha vida não era o que eu pensava. Minha esposa não era quem eu pensava. E o pior, uma parte de mim, uma parte escura e que eu não queria admitir, queria ver mais. Continua no próximo conto

Foto 1 do Conto erotico: A CÂMERA QUE NÃO DEVERIA ESTAR LIGADA - INICIO


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Ficha do conto

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Nome do conto:
A CÂMERA QUE NÃO DEVERIA ESTAR LIGADA - INICIO

Codigo do conto:
276267

Categoria:
Traição/Corno

Data da Publicação:
03/11/2026

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3

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1