A Presidenta do Brasil voltou três dias depois. Desta vez sem sorriso, sem terno impecável. Entrou na casa com o rosto ainda marcado das sessões anteriores, a caminhada um pouco rígida, e foi direto até o meio da sala onde Ruan estava esperando, sentado no sofá como se a casa fosse dele. Minha mãe já estava ajoelhada nua no chão, esperando. Eu continuei no meu lugar de sempre. A Presidenta parou na frente de Ruan, abaixou a cabeça e falou com a voz baixa e derrotada: — Vim cumprir o que o senhor ordenou. Ruan nem se levantou. Só girou o cinto na mão e olhou para ela. — Fala logo. Ela engoliu em seco. — Por decreto presidencial… o senhor Ruan é nomeado o primeiro e único Presidente do Ministério das Mulheres Obedientes. Com poder total sobre todas as esposas casadas do país. Sem direito a recurso. Sem direito a recusa. Ruan soltou uma risada baixa. — Repete. Mais alto. E de joelhos. A Presidenta ajoelhou ao lado de minha mãe, nua como ela, e repetiu o decreto inteiro, a voz embargada, enquanto Ruan descia o cinto devagar nas costas dela entre uma frase e outra. Quando terminou, ele puxou o cabelo e a orelha dela e enfiou o pau na boca sem aviso. — Agora assina. Minha mãe, ainda de joelhos, segurou a caneta e o papel que um dos amigos trouxe. A Presidenta assinou com a mão tremendo, a boca ainda cheia, enquanto Ruan metia. Depois ele tirou o pau, gozou no rosto dela e na folha assinada, e deu mais três cintadas pesadas. — Ministério das Mulheres Obedientes. Eu mando. Vocês obedecem. Qualquer esposa casada que eu quiser, a qualquer hora, a qualquer lugar. Entendido? A Presidenta, o rosto sujo de porra, apenas balançou a cabeça. — Sim, senhor. Ruan olhou para minha mãe. — E você vai ser a primeira secretária. Vai trazer as próximas. Uma por uma. Ou todas juntas. Como eu mandar. Minha mãe baixou ainda mais a cabeça. — Sim, senhor. Ele se levantou, o cinto ainda na mão, e olhou para mim. — Seu filho viu a Presidenta do Brasil ajoelhada, nomeando o moleque de rua como dono de todas as mulheres casadas do país. Os três amigos riram baixo. Ruan guardou o papel assinado e sujo de porra no bolso. — A partir de agora, o Ministério funciona. E a primeira reunião oficial… é agora. Ele apontou o cinto para as duas mulheres ajoelhadas. — As duas. De quatro. Na frente do menino. A Presidenta e minha mãe obedeceram sem hesitar. E a reunião do Ministério das Mulheres Obedientes começou exatamente como todas as outras sessões: com cinta, gritos, xingamentos e o som molhado de pele batendo contra pele no meio da sala.
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