A desconfiança, além de ser proveniente de minha falta de autoconfiança, tinha a ver com o fato de achar ela sempre muita areia pro meu caminhãozinho. Ela dizia que gostava de mim por ser gentil, de grande caráter e "ser pra casar". Um título que me incomodava, porque sempre relacionei com o que os homens dizem sobre as mulheres "pra casar": pessoas responsáveis, justas, sem putarias e que não pensam em taras. Mas eu sempre tive muitas atrás e sabia que ela também tinha, mas sempre agia certinho comigo.
Terminamos porque chegou a um ponto insustentável. Eu sabia que ela me traia, mas ela não dava o braço a torcer. E quando falei que se ela estivesse fazendo isso que a perdoaria e que não via problemas, aí que ela zangou achando que eu jamais deveria propor algo assim porque ela nunca tinha me traído e se um dia fizesse isso, que ouvir eu dizer em aceitar era como se tivesse perdendo meu respeito para com ela. Resumindo, só piorava. E eu só acreditava que era corno.
O tempo passou, a vida seguiu e então, num barzinho, estava eu e Douglas. Um amigo da época de escola que sempre foi da resenha. Cara gente boa, parceiro e que não perdia nenhuma oportunidade quando o assunto era mulher.
Na época eu estávamos solteiros e chegamos a azarar umas garotas. Ele, como sempre, em vantagem, desenrolando com uma gata, mas ela receosa porque a amiga não queria desenrolar - provavelmente porque não tinha me achado interessante mesmo sem nos falarmos. Acabou que os dois trocaram contato e ficou nisso.
Bebida rolando e tudo mais até que uma mulher muito parecida com Roberta aparece no lugar. Eu e Douglas ficamos de olho nela até que comentei como ela se parecia e era bem gostosa até e ele, sem notar, solta um "mas duvido que mete melhor que a Robertinha". Arregalei os olhos na hora e ele faz cara de quem vacilou, sem graça pede pra se explicar melhor, tenta dizer que é modo de dizer e começa a contar uma história sem pé nem cabeça que mais deixava claro que eles tinham tido um caso.
Eu, satisfeito por saber que sempre tive razão, apenas falo pra ele que tudo bem, já tinha terminado e nem voltaríamos mesmo, que se ele pegou ela antes, durante ou depois, que não tinha mais problema. Percebendo que eu realmente não tava nem aí, Douglas resolve então confessar pedindo desculpas.
"Mano, era difícil. Quando ela tava contigo era super de boa, companheira e tal. Mas era você sair de perto que putz. Olhava com desejo, mostrava um pouco dos seios. Suava frio". Falei que nunca imaginaria que era tão na minha cara e então ele prossegue.
"A vez do clube, que a gente foi num evento de som, ela apareceu lá com aquele fio dental branco por baixo da canga. Ela tava faltando pedir pau pra geral. Você ainda chegou nela umas duas vezes, falou com ela, mas ela nem ligou. Ali eu pensei que você sabia e então resolvi aproveitar". Perguntei se ele achava que eu era corno manso e ele.
"Mano, várias vezes ela ficou se oferecendo. Essa do clube é porque ficou muito na cara e você não brigou e nem nada. Tudo bem que ela não dançava com ninguém e nem ficava de conversinha, mas nem precisava, ela só encarava. Aposto que ela trocou contato com muitos caras. As minas viviam com raiva dela, indício de que ela dava em cima dos namorados delas. Eu pensava que tava de boa". Então perguntei se ele achava isso, porque não me perguntou.
"Primeiro que não é um assunto que você chega pro amigo e pergunta se ele é corno assim na lata. Depois que quando eu comi ela, ela falou que era pra deixar baixo, porque não queria fama, nem pra você. Pensei que rolava na discrição e você sabia".
A safada passava era o rodo mesmo. E na minha cara ainda por cima. Então perguntei quando rolou:
"Foi quando você viajava. Tava trabalhando sei lá. Eu já tava doido pra comer ela. Daí ela me chamou pra resolver uma parada na casa dela. Quando cheguei ela tava de baby doll, eu não aguentei e fui beijando assim que a vi com aquele olhar de diaba. Comi ela umas cinco ou seis vezes" perguntei se naquele mesmo dia.
"Não, foram cinco ou seis encontros. Acho que seis. Rolou na casa dela, num restaurante, no meu carro, numa festinha da empresa que ela trabalhava. Sempre tranquilo e ela quem me olhava, piscava e rolava".
A piranha da Roberta tinha dado até em lugares que tinha ido junto com ela. E o safado do Douglas foi na festa da empresa porque tinha chamado ele, ordinário. Tudo tão bem escondido que estava sabendo só naquele momento. Eu sabia que ela me traia, gostei de ter razão, mas a medida que ele ia contando eu achei que o melhor era nem ter mexido. Ele então completa.
"Mas você era? Corno manso? Como era?" Respondi que tínhamos relação aberta sim, mas que não podíamos falar com quem ou quando tínhamos ficado com outras pessoas. Preferi reforçar a história de Roberta. Depois disso ele disse que deveria ter sido massa e que foi uma pena termos terminado. Perguntei se ele tinha ficado com ela depois e ele me solta um "Às vezes ela me liga, impossível dispensar aquela boquinha".
Deu vontade de ligar pra ela e xingar de tudo quanto é nome. Também deu vontade de ir embora. Mas o tempo tinha passado e nada disso ia fazer mudar nada. Talvez a revolta era po não ter realmente virado corno manso sabendo de todas as puladas de cerca dela, uma das minhas maiores taras, que claramente não era a dela. Preferia ter outros no escondido, safada. Espero ao menos que esteja gozando bem gostoso com um macho de verdade hoje em dia.