A MULHER DO VINICULTOR'




Nossa história se passa na França em meio a uma colheita de uvas vinícolas.

O sino ficava pendurado sob o beiral, à direita da porta da cozinha. O pai de Bernard o havia resgatado de uma escola que fechara. Uma rachadura percorria a borda, e quando se puxava a corrente, o som era mais parecido como o de uma panela do que com o de um sino de igreja. Odile o tocou ao meio-dia durante vinte e uma colheitas.

Naquela segunda-feira, ela deu três puxões fortes e observou a equipe subir de volta da fileira de baixo, com baldes vazios pendurados nas mãos. Oito deles este ano. As duas irmãs Pernot, que vinham da aldeia há tanto tempo que ninguém se lembrava e cortavam uva mais rápido que todos os outros; um casal belga viajando em uma van; uma estudante de direito que passou a manhã inteira reclamando de vespas; e três estudantes que apareceram na noite anterior em um Clio cinza com o para-choque preso por um arame.

Sob o galpão, ela serviu a terrina, presunto com salsa e batatas. Os três comeram rápido, curvados sobre os pratos. O alto e moreno de cabelo era Yanis, de vinte e três anos, o estudante de fisioterapia em Dijon, que fez questão de contar isso para todo mundo. Bastien, o gordinho, de vinte e um anos, quebrou um copo antes mesmo de se sentar e pediu desculpas quatro vezes. O terceiro, Hugo, um loiro magricela cujos antebraços já estavam arranhado pelas trepadeiras mal disse uma palavra.

“Você é o chefe?” perguntou Bastien, estendendo o prato para que ele repetisse a refeição.

“Eu sou quem serve. O chefe é a vinha”

Eles riram, mais alto do que a conversa justificava. No final da mesa, Bernard não desviou o olhar do pão.

Naquela tarde, ela tentou colocar um engradado de vinte quilos na carroceria do trator, mas uma lesão nas costas a impediu bruscamente. com uma lâmina penetrando logo acima dos rins. Ela ficou curvada com uma das mãos no pneu.

Yanis se aproximou por trás dela. “Não se mexa”

Ele colocou os polegares em cada lado da coluna dela, por cima da camiseta, e pressionou com força. Ela grunhiu

“Aqui?”

“Mais abaixo”.

Ele desceu um centímetro. O calor de suas mãos atravessou o algodão encharcado de suor. Depois de um tempo, a dor passou. Suas mãos permaneceram ali por mais um tempo, e ela não disse nada.

“Dobre os joelhos”, disse ele. “E mantenha a carga perto de você”.

“Obrigado, doutor.”

Ele voltou para sua fileira com as cestas nas costas. Duas videiras adiante, Bastien assobiou entre os dentes e Hugo lhe deu uma cotovelada. Mais adiante, na trilha, Bernard estava ligando o trator. Ela não sabia quanto tempo ele estava ali.

Naquela noite, por volta das onze horas, ele desceu ao porão para verificar a temperatura das cubas, como fazia todas as noites durante a colheita da uva. O dormitório dos trabalhadores ficava logo acima. Seu avô havia erguido aquelas paredes com pedras e pouco dinheiro, e o assoalho deixava passa todo o som.

Quando ele voltou para cama. Odile estava lendo. Ele sentou-se na beirada da cama para tirar as meias.

Eles estavam falando de você lá em cima.

“Quem?

“Os três. Principalmente o gordo.”

Ele dobrou as meias uma dentro da outra, algo que nunca fazia.

“O que eles estavam dizendo?

“Que você tinha uma bunda linda naquelas calças jeans. Que você deve estar louca para transar com ele, presa a um velho que nunca diz uma palavra.”

Odile largou o livro. Ela esperou que ele ficasse zangado.

“E você não subiu lá e mandou eles calarem a boca?”

“Não”

Ele se deitou. Apagou a lâmpada. No escuro, depois de um tempo, perguntou:

“O fisioterapeuta esta tarde. Onde ele te tocou?”

“Minhas costas. Você viu, não viu?

“Ele manteve as mãos lá por muito tempo?

Ela se virou para ele. Tudo que conseguia ver era o contorno do obro dele. Ele se aproximou, e contra a coxa dela ela sentiu que ele estava duro, mais duro do que já estivera nos últimos meses. Ele não a tocou nem chegou mais perto que isso. Permaneceu pressionando contra ela, imóvel e ela levou um bom tempo para adormecer.

Na terça e na quarta-feira, ele não fez mais perguntas. Mas durante as refeições, ela o flagrou observando os rapazes enquanto ele observavam, e enchendo o copo de Yani antes que ele estivesse vazio.

Na quinta-feira, choveu desde as cinco da manhã, uma chuva grossa e fria que grudava terra nas bostas. Às sete, Bernard saiu para olha o céu, voltou encharcado e disse: “Não vamos colher hoje”. As uvas molhadas apodreceriam nas caixas.

As irmãs Pernot foram para casa. Os belgas foram visitar as adegas de Beaune. O estudante de direito estava dormindo. Os três rapazes perambulavam pelo galpão. Bastien estava com um baralho de cartas. Hugo lia um livro de bolso encharcado de umidade.

Depois do café, enquanto ela lavava as louças, Bernard ficou à mesa da cozinha, girando a colher.

“Eles ficam olhando para você, sabe?”

Ela fechou a torneira. “Quem?”

“Os rapazes mais jovens. Os três.”

Ele pousou a colher. Dizendo “Não me importo.”

Ele já tinha saído pela porta antes que ela pudesse responder. Ela ficou parada na pia, com as mãos molhadas, observando a porta ainda balançar.

Naquela tarde, ela desceu até a sala das cubas para compactar a camada de uvas. Duas vezes por dia era preciso era preciso empurra a crosta de cascas de uvas de volta para baixo nas cubas abertas, com uma vara comprida que terminava em um disco, e acima de tudo, nunca se podia debruçar sobre ela: o gás da fermentação matava um homem em algum lugar da Borgonha todos os anos. Bernard contou isso para toda a equipe na primeira noite. Ninguém deu ouvidos.

Ela estava se inclinando se inclinando em direção ao poste, com os braços esticados, quando Yanis entrou.

“Posso ajudar?”

“Você deixar a porta aberta. Deixar entrar ar um pouco de ar, vais ser bom

Ele calçou a porta com um bloco de concreto e ficou ali, na corrente de ar, de braços cruzados. O tonel cheirava a mostro de uva quente, açúcar e álcool em ascensão. Os olhos de Odile ardiam.

“Como está a coluna?”

“Ainda incomodando de vez em quando”

Ela encostou a vara na cuba. Enxugou as mãos na calça. Ele a olhava sem desviar o olhar, e ela pensou no que Bernard tinha dito: “Não me importo”, e no seu corpo, sua ereção contra sua coxa no escuro.

Foi ela que se aproximou. Ele colocou a mão no mesmo lugar de segunda-feira, na parte inferior das costas dela. Dessa vez por baixo da camiseta, e a beijou. Ela deixou. A mão dele deslizou pela costelas dela, encontrou o seio por cima do sutiã e o apertou, desajeitadamente, com muita força. Ela gemeu na boca dele. Então, um carro passou na estrada atrás do muro, e ela se afastou tão rápido que o cotovelo bateu na cuba.

“Pare. Não aqui”

“Desculpe, eu...”

“Você não fez nada de errado.”

Ela saiu na chuva sem o casaco e correu pelo quintal. Bernard estava sob o beiral, perto do sino, consertando uma tesoura de poda elétrica em uma bancada improvisada. Ele olhou para ela encharcada, e depois para a porta da sala de tanques, de onde Yanis também saia, com as mãos nos bolsos. Voltou para a tesoura.

Naquela noite, ela não disse nada. Ele não perguntou. Na cama, ela ficou deitada com os olhos abertos por um longo tempo, e sabia que ele também não estava dormindo.

Na sexta-feira o céu estava limpo e eles começaram o corte da uva do nascer ao pôr do sol.

No sábado, a última caixa chegou às cinco, e naquela noite fizeram a tradicional festa de fim da colheita. Bernard trouxe duas garrafas de Magnum 2015, o belga cantou uma cação flamenga em que todos tiveram que participar batendo na mesa, as irmãs Pernot dançaram juntas, e o estudante de direito beijou Bastien que depois caiu no choro por alguma coisa relacionada às suas provas.

Odile vestiu um vestido azul que não usava desde o casamento de uma sobrinha, três anos antes. Estava um pouco apertado na cintura. Ela hesitou em frente ao espelho e acabou ficando com ele. Quando desceu as escadas, Bernard a olhou de cima a baixo e foi buscar uma terceira garrafa.

Por volta da meia-noite, Bastien, bêbado, puxou a corrente do sino com toda força que tinha, e o som metálico ecoou por todo o quintal.

“Pare com isso, você vai acordar a aldeia inteira!”

O cachorro dos vizinho começou a latir do outro lado do muro e continuou latindo por um bom tempo.

À uma da tarde, as irmãs Pernot já tinham ido para casa, os belgas tinham entrado na sua van e a estudante de direito dormia em um banco com a cabeça no casaco. Estava frio embaixo do barracão. Os três rapazes estavam a levantar-se para irem para dormitório.

“Fiquem”, disse Bernard. “Ainda temos algumas garrafas. Vamos terminá-las onde está quentinho.”

Na sala de estar, ele acendeu um único abajur, o que estava sobre o aparador, e colocou mais uma acha de lenha na lareira. Abriu um Corton que vinha aguardando para um nascimento de nada, como gostava de dizer, uma garrafa que se recusava a abrir até mesmo no Natal. Odile o observava em silêncio. Os rapazes sentaram-se em fila no sofá, Bastien no meio, Hugo no braço. Ela sentou-se na poltrona perto da lareira.

Bernard serviu. Serviu a todos, e serviu à esposa com mais frequência do que os outros. Quando o Corton acabou, truxe o bagaço, a antiga aguardente da Borgonha que seu pai fazia na garrafa sem rótulo.

“Agora isso vai aquecer.”

Bastien começou a contar histórias de boates em Dijon, garotas com quem ele tinha ficado ou não, e Yanis o contradizia constantemente, rindo. Hugo não dizia nada. Olhou para as pernas de Odile, depois para o fogo, e depois para as pernas dele novamente. A fumaça queimava a garganta de OdiLE. Suas bochechas estavam quentes. Ela estava rindo demais, e sabia disso.

“E a senhora, madame?” perguntou Bastien. “Como era a senhora na nossa idade?”

“Ela era selvagem”, disse Bernard, antes que ela mesma pudesse responder. “Pior que você.”

Os rapazes assobiaram. Odile olhou para o marido. Os olhos dele brilhavam. Ele quase não bebia mais; segurava o copo tem tocar no que tinha dentro.

Ela se levantou para colocar mais lenha. Inclinou-se em frente à lareira e sentiu uma dor nas costas, logo acima dos rins. Ela fez uma careta de dor.

“Suas costas?” perguntou Bernard.

“Está tudo bem.”

“Yanis, por que você não dá uma olhada? Ela está com dores desde segunda-feira e não que nem ouvir falar em ir a um médico.”
Houve um silêncio. Bastien olhou para o copo. Yanis olhou para Bernard e depois Odile.

“Se ela quiser.”

“Ela quer”, disse Bernard. “Deite-se no sofá, Odile. Rapazes abram espaço.

Ela poderia ter dito não. Abriu a boca para dizer. Então deitou-se de bruços no sofá velho. Ainda quente por causa dos três, com a bochecha em uma almofada que cheirava a poeira e fumaça. Bastien e Hugo se levantaram e ficaram em pé, um de cada lado, sem saber o que fazer.

Yanis ajoelhou-se ao lado do sofá. Colocou os polegares na parte inferior das costas dela, por cima do vestido, e pressionou. Ela grunhiu como fizera antes. Ele massageou a parte inferior das costas dela por um bom tempo, subindo pela coluna e depois descendo. Suas mãos se espalharam pelos quadris dela. Desceram um pouco mais, até o topo das nádegas, e pararam ali, esperando.

“Não há muita utilidade para essa roupas agora”, disse Bernard de sua poltrona.

Ninguém se mexeu. O fogo crepitava.

Odile virou a cabeça do marido. Ela havia bebido, muito, mais do que costumava beber me um mês, mas estava enxergando com clareza. Viu as garrafas sendo abertas uma após outra, O Corton, a aguardente especial do pai dele, as perguntas no escuro, o que ele havia dito na quinta-feira sobre a pia.

Ele a olhou para ela. Deu um pequeno aceno com a cabeça.

Ela estendeu a mão às cegas. Encontrou a mão de Yanis em seu quadril e a Guiou por baixo da barra do vestido, até atrás de sua coxa nua, e depois mais acima.

Yanis levou um segundo para entender. Então, seus dedos subiram por conta própria até o algodão de sua calcinha, e ela abriu um pouco as pernas.

“Ah, que merda”, murmurou Bastien.

Hugo ajoelhou-se na cabeceira do sofá. Encontrou o zíper do vestido dela e o puxou até a altura da cintura; seus dedos tremiam. Ela se ergueu sobre os joelhos para que ele pudesse tirá-lo. O vestido passou por sua cabeça e caiu no tapete. Ela vestia apenas uma calcinha de algodão branca e um sutiã bege, ás únicas peças que possuía, e por um segundo sentiu vergonha, Então viu o rosto de Bastien, a boca entreaberta, e caiu na gargalhada, e a vergonha desapareceu junto.

Yanis desabotoou o sutiã dela com um só mão. Virou-se de costas e beijou seus seios, abocanhou um mamilo e o mordiscou até que ela arqueasse as costas. Hugo deslizou as mãos por baixo do cós da calcinha dela e puxou para baixo, pelas pernas. Ela estava nua em seu próprio sofá, entre três homens que ainda estavam vestidos, e seu marido assistia da poltrona onde adormecia todas as noites em frente ao noticiários das oito.

Yanis ajoelhou-se no tapete, abriu as coxas dela e, sem aviso, colocou a boca em sua buceta. Ela deu um pulo e agarrou a nuca dele. Ela o lambeu com movimentos longos e amplos, sem delicadeza no início, mas com muita precisão quando ela pegou na mão dela para mostrar onde ela queria chegar. Ele aprendeu rápido. Ela ouviu um gemido e não tentou se conter: os três rapazes ali, o dormitório estava vazio.

Hugo se despiu ao lado do sofá. Ele era magro, quase sem pelos, e tão duro que seu pau roçava a barriga. Ela estendeu a mão e o agarrou. Puxou-o pelos quadris até os seu lábios.

Ela gozou assim pela primeira vez, com Hugo na boca, a língua de Yanis entre suas coxas, uma mão agarrada ao apoio de braço. A sensação a levou até o fundo da barriga e suas pernas se fecharam em torno dos ombros de Yanis. Hugo saiu bem na hora, praguejando entre os dentes para não gozar naquele instante.

Bastien não conseguia chegar a lugar nenhum. Ele fora o último a se despir, tropeçando nas calças jeans, e ficou ali se acariciando sem nada para mostrar, vermelho da cintura para baixo.

“É o vinho”, murmurou ele, “Isso nunca me acontece, eu juro”

Hugo riu nervosamente. Num canto, Bernard tossiu

“Venha cá”, disse Odile.

Ele se aproximou com os ombros curvados. Ela o pegou sem pressa e o acariciou sem pressa, dizendo baixinho para não se preocupar. Que tinham a noite toda e ninguém o esperava em lugar nenhum. Ele finalmente conseguiu ficar excitado entre os dedos dela, e parecia tão aliviado que ela teve vontade de beijá-lo na testa.

Yanis se levantou e se despiu. Ele se posicionou entre as coxas dela no sofá e a penetrou com uma estocada só. Ela gritou. Ele a fodeu com força, imediatamente, com as mãos sob as nádegas dela para levantá-la e fazê-la se aproximar, e o velho sofá deslizou dez centímetros pelo chão de linóleo.

Ela virou a cabeça. Hugo e Bastien estavam de pé, um de cada lado. Ela pegou um em cada mão. As estocadas de Yanis subiram até a nuca dela. Ela levou Bastien à boca, depois Hugo, depois Bastien novamente, já sem saber qual dos dois estava segurando, e ambos gemeram sobre ela.


Yanis gozou primeiro, acelerando de repente, os dedos cravando-se em seus quadris, com um grito curto que fez o cachorro dos vizinhos latir. Ele permaneceu dentro dela por alguns segundos, a testa contra o ombro dela, depois se retirou e caiu no tapete em frente à lareira.


Ela procurou por Bernard. Ele estava inclinado para a frente, com os cotovelos apoiados nos joelhos. Seu copo estava no chão, cheio. Ele havia desabotoado a camisa até a altura do umbigo, e sua mão repousava na frente da calça, plana e imóvel.


Bastien não queria mais esperar. Ela se ajoelhou no tapete em frente à lareira, com os joelhos na lã áspera, e ele se aproximou por trás. Levou um tempo para ele se aproximar; murmurou um pedido de desculpas, e ela o guiou com a mão. Então ele a segurou pelos quadris e começou a penetrá-la, desajeitado no início, depois com movimentos amplos, as coxas batendo contra a bunda dela. O calor do fogo queimava um lado do seu rosto. Ela conseguia ver os pés de Bernard em seus chinelos velhos, a dois metros de distância.


Hugo ajoelhou-se à sua frente. Ela o beijou novamente. Ele colocou as mãos na cabeça dela, delicadamente, sem pressioná-la. Ela olhou para ele, e ele desviou o olhar.


Bastien durou mais do que ela esperava. Quando chegou ao clímax, anunciou: "Estou gozando, estou gozando!", com tanta seriedade que ela teve vontade de rir no meio do ato. Ele se entregou completamente a ela, abraçando-a com tanta força que ela ficaria com hematomas no dia seguinte. Desabou no tapete ao lado de Yanis, e os dois começaram a rir, olhando para o teto.


Isso deixou Hugo.


De joelhos no tapete, ele olhou para ela e olhou para Bernard.


"Não sei se..." ele começou.


"Você quer ou não?"


"Eu quero. Só não como eles."

Ela se deitou no tapete e o puxou para cima dela. Ele deslizou para dentro dela, olhando-a nos olhos, e permaneceu imóvel por um longo momento, completamente dentro dela. Então, ele se moveu, com movimentos curtos e profundos que a levaram ao êxtase antes que ela percebesse. Ela entrelaçou as pernas em volta de seus quadris magros. Podia sentir suas costelas sob as palmas das mãos. Ele a beijou na boca, sem pressa, e murmurou seu nome. Ninguém o pronunciava assim há anos.


No canto, a poltrona rangeu.


Bernard se levantou de repente. Ficou ali parado, com os braços pendentes e a camisa aberta. Hugo ficou paralisado dentro dela. Bastien e Yanis se apoiaram em um cotovelo.

"Bernard?" disse Odile.

Ele não respondeu. Estava olhando para Hugo, para a mão de Hugo na bochecha da esposa. Ficou assim por três segundos, talvez cinco. Depois, sentou-se novamente. Colocou as mãos de volta nos braços da poltrona.


"Continue", disse Odile a Hugo, sem desviar o olhar do marido. "Continue."


Hugo começou a se mexer novamente. Odile manteve a cabeça virada para a poltrona. Bernard não desviou mais o olhar. Ela olhou para ele pela segunda vez, para Bernard, enquanto um loiro de vinte e dois anos a segurava contra o tapete, e o viu fechar os olhos naquele exato momento, por um segundo, com o maxilar cerrado.


Hugo gozou quase ao mesmo tempo, com um pequeno som estrangulado, o rosto em seu pescoço. Ele permaneceu sobre ela. Depois de um tempo, ela percebeu que ele estava chorando um pouco, silenciosamente, e não perguntou nada.
O fogo ardia baixo. Bastien adormecera no tapete, com um braço sobre os olhos. Yanis vestiu-se, pegou o sutiã bege e colocou-o dobrado no braço do sofá.


Às três, subiram para o dormitório. Bernard apagou o abajur do aparador. Despejou o conteúdo do copo na pia sem sequer tocá-lo. Deitaram-se lado a lado, sem se tocarem. Ela o ouviu respirar na escuridão. Ele não a abraçou. Ela não pediu.


Os rapazes saíram no domingo às onze. Bastien teve dificuldade em olhar para ela e a chamou de "madame" três vezes. Yanis a beijou nas duas bochechas, como se beija uma tia. O Clio cinza pegou na segunda tentativa.


Hugo voltou correndo pelo pátio quando o carro já estava dando a volta. Ele entregou a ela a chave do dormitório, que havia esquecido no bolso.


"Obrigado", disse ele. Não se atreveu a olhar para a adega, onde Bernard lavava baldes. Depois, saiu correndo novamente.


Bernard não disse nada no domingo. Nem na segunda. Ele trasfegou o vinho, limpou as cubas, comeu rápido e desceu. Levantou-se às cinco e ela o ouviu andando de um lado para o outro no quintal, no escuro. Ela tinha hematomas em forma de dedos nos quadris. Olhava-os no espelho do banheiro todas as manhãs e não os escondia.


Na terça-feira à noite, ela quebrou um prato enquanto lavava a louça e começou a gritar. Que ele não tinha o direito de ficar de mau humor, que ele era o culpado por tudo aquilo, o Corton, o Marc, as costas dela, o fisioterapeuta, tudo.

"Você me deixou bêbada."

Bernard recolheu os pedaços. Jogou-os no lixo um a um. Depois, sentou-se.

"Você querias."

Ela abriu a boca. Ela fechou a boca. Ela sentou-se em frente a ele.

"Sim. Eu queria."

Ele esfregou a toalha de mesa de plástico com o polegar, numa mancha de vinho que não saía há anos.

"Não estou te culpando", disse ele. "Eu queria te ver com eles."

Ele olhou para ela.

A água da pia estava esfriando. Ela poderia ter lhe dito que Hugo tinha ido embora, que ele tinha vinte e dois anos, que provavelmente nunca mais voltaria. Mas não disse. Estendeu a mão por cima da mesa e a colocou sobre a dele. Ele não a afastou.

Na quarta-feira, não havia mais ninguém. O galpão estava vazio, a longa mesa encostada na parede, as caixas empilhadas.

Ao meio-dia, Odile saiu para a porta da cozinha. Puxou a corrente três vezes. O som metálico do velho sino ecoou pelas paredes do porão, e o cachorro dos vizinhos latiu.


Bernard subiu do porão enxugando as mãos no avental. Parou sob o beiral, ao lado dela.
"Para quem você tocou o sino?"


Ela não respondeu. Entrou para colocar dois pratos na mesa.


Ele entrou atrás dela.

Foto 1 do Conto erotico: A MULHER DO VINICULTOR'

Foto 2 do Conto erotico: A MULHER DO VINICULTOR'

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Ficha do conto

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Nome do conto:
A MULHER DO VINICULTOR'

Codigo do conto:
274964

Categoria:
Cuckold

Data da Publicação:
18/10/2026

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