Eu e as cartas do meu avô



O funeral do avô ainda cheirava a terra molhada e flores murchas quando a avó me puxou de lado, no corredor escuro da casa antiga. Tinha os olhos vermelhos, mas o olhar carregava uma cumplicidade profunda, de quem guardou um segredo a vida inteira por amor.
— Vem comigo — murmurou, apertando a minha mão com carinho. — Tem uma coisa… que eu guardei por todos esses anos. Seu avô me contou sobre elas quando nos casamos, e eu prometi proteger esse segredo com ele. Mas agora que ele se foi… pensei que talvez essa herança devesse ser sua.
Me levou pro quarto dela. Abriu a gaveta de baixo da cômoda e tirou uma caixa de madeira escura, gasta nas bordas, com um fecho de latão que rangia. O cheiro de cedro e papel velho saiu assim que ela destampou.
— Eu sempre fui a melhor amiga dele, meu filho — disse ela, com a voz suave e cheia de ternura. — Eu sabia do amor que ele viveu e respeitei cada pedaço da história dele. Nunca deixei ninguém encostar nessas cartas. E vendo você hoje… me veio uma intuição de que você precisa ler isso. Não quero que você guarde as coisas só pra você como ele teve que guardar.
Me entregou a caixa e me deu um beijo na testa antes de sair devagar.
Fiquei sozinho no quarto, com a luz amarela do abajur. Dentro tinha quatro cartas, dobradas com cuidado, a tinta já um pouco desbotada. A data da primeira: 12 de março de 1947. Lisboa.
Comecei a ler.
Carta 1
Lisboa, 12 de março de 1947
Meu querido Manuel,
Já fazem três semanas que partiste e eu ainda acordo a achar que vais bater à porta do quarto com aquele sorriso torto e o cabelo a cair sobre a testa. A casa ficou estranhamente silenciosa. A tua mãe continua a trazer-me pão com manteiga todas as manhãs, como se eu fosse um dos filhos dela, e eu aceito porque o cheiro do pão ainda quente me lembra as noites em que ficávamos acordados até às três da manhã a falar de tudo e de nada.
Não sei como começar a dizer o que sinto. Sempre fomos honestos um com o outro, não é verdade? Desde que nos conhecemos no ginásio, com quinze anos, a tentar parecer mais fortes do que éramos. Lembro-me da primeira vez que te vi a despir a camisa depois do treino. O suor a escorrer pela coluna, a forma como os músculos das costas se moviam. Fingi que não reparava. Fingi durante anos.
Mas agora que estás longe, fingir já não resulta.
Na semana passada, depois de uma noite especialmente difícil, sentei-me na cama e toquei-me a pensar em ti. Não foi a primeira vez, Manuel. Longe disso. Mas foi a primeira vez que não me senti culpado depois. Fechei os olhos e imaginei a tua boca no meu pescoço, a tua mão a descer pelo meu peito, os teus dedos a apertarem o meu membro já duro. Veio-me depressa demais. Jazzi no lençol e fiquei a olhar para o teto, a respirar fundo, com o coração a bater como se tivesse corrido uma maratona.
Queria que fosses tu. Queria que fosses tu a sujar-me a mão. Queria ouvir a tua respiração pesada ao meu lado.
Escrevo isto com medo. Medo de que quando leres estas palavras me olhes de forma diferente. Medo de que o nosso “melhor amigo” se torne algo impossível. Mas também escrevo porque já não consigo guardar isto dentro de mim. Cada vez que fecho os olhos vejo-te ajoelhado entre as minhas pernas, a olhar para cima com aquele ar de desafio que só tu tens. Vejo a tua língua a sair, a lamber a cabeça do meu pénis, a saborear o pré-sémen como se fosse o gosto mais doce do mundo.
Tenho sonhado contigo todas as noites. Em uns és suave, em outros és bruto. Em uns me beijas como se tivesses medo de me partir, em outros me agarras pelo cabelo e me fodes a boca até eu quase engasgar. Acordo com o lençol molhado e o corpo a tremer.
Conta-me o que estás a sentir aí. Conta-me se também te tocas a pensar em mim. Ou se isto é só loucura minha.
Espero a tua resposta como se fosse ar.
O teu,
João
Parei. O peito apertou. Não era só o conteúdo. Era a honestidade crua, o medo de perder a amizade, a coragem de escrever mesmo assim. “Fingi que não reparava. Fingi durante anos.” As palavras ficaram ecoando. Como se alguém tivesse aberto uma porta que eu mesmo mantinha fechada.
E foi impossível não pensar no Hélio.
O Hélio é o meu melhor amigo desde a época da faculdade. A gente divide o apartamento nos fins de semana, assiste a filmes espremidos no mesmo sofá e viaja junto nas férias. Na semana passada, ele dormiu lá em casa e ficou deitado na minha cama, sem camisa, com o torso marcado pelo calor, rindo de uma piada boba enquanto mexia no cabelo bagunçado. Eu desviei o olhar rápido, fingindo mexer no celular, mas por dentro meu estômago despencou exatamente como o do meu avô descrevia.
Eu vivo esse mesmo suplício silencioso. Finjo que não vejo, finjo que somos só "os melhores amigos que fecham em tudo", enquanto guardo um desejo desesperado e sufocado por ele.
Continuei lendo, com as mãos já suando.
Carta 2
Lisboa, 3 de abril de 1947
Manuel,
A tua carta chegou ontem. Li-a três vezes. A terceira vez com a mão dentro das calças.
Não tens ideia do que me fizeste. Quando escreveste “também penso em ti quando me toco” eu quase gritei. A casa estava vazia, graças a Deus. Tirei as calças no meio da sala, sentei-me no sofá e masturbei-me lendo as tuas palavras. Imagina: a tua letra, a tua confissão, e a minha mão a subir e descer no pénis duro, a cabeça a brilhar de pré-sémen. Gozai tão forte que manchou o papel. Tive de deixar secar antes de conseguir continuar a ler.
Dizes que também sonhas comigo. Conta-me os sonhos, Manuel. Quero todos os detalhes. Quero saber se me vês de joelhos, se me vês de quatro, se me vês a cavalgar-te até não aguentares mais.
Ontem à noite fui mais longe do que nunca. Comprei óleo na farmácia (disse que era para dores musculares — o farmacêutico olhou-me de lado, mas não perguntou nada). Deitei-me nu na cama, abri as pernas e meti um dedo. Depois dois. Fechei os olhos e imaginei que eram os teus. Imaginei a tua voz a dizer “abre-te para mim” enquanto me preparavas. O terceiro dedo doeu um pouco, mas a dor misturou-se com o prazer de uma forma que me deixou a gemer alto.
Acabei de quatro, com os dedos ainda dentro, a mão livre a bater no pénis. Gozai no lençol a imaginar que era a tua porra a escorrer pelo meu rabo.
Quero que me fodes, Manuel. Quero sentir o teu pau a entrar em mim pela primeira vez. Quero gritar o teu nome quando me encheres. Quero que me marks, que me mordes o ombro, que me puxes o cabelo. Quero que sejas bruto e ao mesmo tempo terno. Quero que me beijes enquanto me fodes.
E quero retribuir. Quero provar-te. Quero ajoelhar-me à tua frente e engolir-te até à raiz. Quero sentir-te a tremer quando te chupo os colhões. Quero que me fodes a boca até gozares na minha língua.
Escreve-me de novo. Diz-me o que queres fazer-me quando voltarmos a estar no mesmo quarto. Não tenhas vergonha. Eu já não tenho.
O teu (cada vez mais teu),
João
As mãos começaram a tremer de verdade. Senti o corpo esquentar sem pedir licença. Aquela franqueza… o jeito como o João se entregava sem reservas ao homem que amava, rasgando o próprio peito no papel.
Pensei no Hélio de novo. Pensei no dia em que ele machucou o ombro na academia e pediu para eu passar pomada nas costas dele. As minhas mãos treparam por aquela pele quente, os meus dedos contornando os músculos rígidos, e eu fiquei com tanta vontade de descer a mão, de puxá-lo contra mim, de enterrar o rosto no pescoço dele e confessar tudo. Mas calei a boca. Sorri sem graça, limpei as mãos na calça e fui jogar videogame, covarde o suficiente para escolher o conforto da amizade em vez do risco de perdê-lo.
O meu avô teve essa coragem escondida na tinta. Ele e o Manuel viveram isso no papel, construindo um refúgio intransponível. A minha avó soube, compreendeu e protegeu esse amor como a melhor amiga que também foi para ele. Mas e eu? Eu continuo trancado no meu próprio armário invisível.
Continuei lendo, quase sem respirar.
Carta 3
Lisboa, 28 de abril de 1947
Meu amor (posso chamar-te assim agora?),
A tua última carta… Manuel, eu quase não aguentei. Tive de me trancar no quarto e ler em voz alta, só para ouvir as tuas palavras ditas pela minha boca.
“Quero meter-te o pau até ao fundo e sentir-te a tremer à minha volta.”
“Quero gozar dentro de ti e depois lamber-te até limpar tudo.”
“Quero que me chupes os dedos depois de eu te ter fendido.”
Estou a escrever isto com o pénis a latejar. Acabei de me tocar outra vez. Já é a terceira vez hoje.
Ontem experimentei algo novo. Comprei um objeto… digamos que é comprido e ligeiramente curvado. Lavei-o bem, usei bastante óleo e meti-o em mim devagar. Fechei os olhos e imaginei que era o teu pau. Imaginei o peso do teu corpo em cima do meu, a tua respiração quente no meu ouvido, a forma como me dirias “toma tudo, amor”. Movimentei o objeto para dentro e para fora, cada vez mais fundo, até conseguir meter quase tudo. A sensação de estar cheio… Manuel, é viciante. Gozai sem sequer tocar no pénis. Só com a pressão lá dentro e a imagem da tua cara de prazer.
Quero fazer isso contigo. Quero que sejas o primeiro (e o único) a entrar em mim de verdade. Quero sentir a diferença entre um objeto frio e a tua carne quente, viva, a pulsar. Quero que me fodes devagar no início, depois cada vez mais forte, até a cama bater na parede. Quero que me vire e me fodes de frente para me beijares enquanto me enches. Quero que me digas coisas sujas. Quero que me chames de teu.
E eu quero retribuir. Quero prepará-te também. Quero meter a língua no teu rabo até te fazeres tremer. Quero abrir-te com os dedos e depois com o meu pau. Quero ver a tua cara quando te foder pela primeira vez. Quero ouvir-te gemer o meu nome.
Tenho estado a pensar no que vamos fazer quando te vires. Não quero só uma noite. Quero acordar ao teu lado. Quero beijar-te de manhã com o hálito ainda pesado. Quero tomar banho contigo e lamber-te a água do corpo. Quero que me fodes no chão da cozinha, na secretária do teu quarto, contra a parede do corredor se for preciso. Quero que sejamos impossíveis de separar.
Escreve-me. Diz-me exatamente o que queres fazer na primeira noite. Não poupes detalhes. Eu quero-os todos.
Com a boca ainda a saber a ti (mesmo que só na imaginação),
João
Fechei os olhos por um segundo. O quarto da avó parecia menor. Mais quente. As palavras do meu avô entravam em mim como se fossem minhas, como se o DNA daquele desejo reprimido tivesse passado direto para o meu sangue.
A angústia de querer o corpo do melhor amigo. A fome de ser tocado de verdade, de parar de fantasiar com toques furtivos e olhares prolongados no retrovisor do carro. Quantas vezes o Hélio me olhou de um jeito que parecia dizer algo a mais? Quantas vezes ele ficou um segundo a mais abraçado a mim na despedida da porta? E se ele também estiver sentindo o mesmo, mas preso na mesma armadilha de medo que o meu avô enfrentou em 1947?
A diferença é que o meu avô não podia mandar uma mensagem de texto. Ele dependia do correio, do papel, da distância temporal. Eu não. O Hélio está literalmente a uma ligação de distância, morando na mesma cidade, vivendo no mesmo século livre — ou teoricamente livre. A avó percebeu as minhas dores e me entregou a chave para me libertar. O único obstáculo entre nós sou eu mesmo, mantendo a porta fechada por puro pavor.
A última carta estava quase rasgando nos lugares onde mais tinham segurado.
Carta 4
Lisboa, 19 de maio de 1947
Manuel, meu amor, meu tudo,
Esta vai ser a última carta antes de te veres. Faltam onze dias. Estou a contar.
Li a tua última carta tantas vezes que o papel já está quase a rasgar-se nos sítios onde mais a segurei. As partes em que descreves como me vais foder… eu já as sei de cor.
“Vou deitar-te de barriga para baixo, abrir-te as nádegas e lamber-te até pedires porra.”
“Vou meter-te o pau devagar, centímetro a centímetro, até estares a tremer e a pedir mais.”
“Vou foder-te até gozares sem tocar em ti, só com o meu pau lá dentro.”
“E depois vou virar-te e meter-te a língua na boca para provaeres o teu próprio gosto misturado com o meu.”
Estou a escrever isto nu, com os dedos ainda molhados de óleo. Acabei de me preparar outra vez. Três dedos. Quase quatro. Estou a ficar mais fácil. Quero estar pronto para ti. Quero que na primeira vez não doa demais. Quero conseguir levar-te até ao fundo.
Passo noites inteiras a imaginar a cena. Tu a entrar no quarto. Eu já nu na cama. O teu olhar a percorrer o meu corpo. A forma como te vais despir devagar, só para me torturar. O teu pau já duro a saltar quando tirares a roupa interior. Eu a engatinhar até à beira da cama e a meter-te na boca sem dizer nada. A sentir o peso na língua, o gosto salgado, a forma como vais gemer o meu nome.
Depois tu a puxar-me pelo cabelo, a deitar-me de costas, a abrir-me as pernas. O óleo a escorrer. O teu dedo a entrar. Depois dois. Depois a cabeça do teu pau a pressionar. A resistência. A cedência. A sensação de ser aberto por ti. O ar a sair-me dos pulmões quando finalmente entrares tudo.
Quero que me fodes devagar no início. Quero olhar-te nos olhos. Quero que me beijes. Depois quero que me fodes como se o mundo fosse acabar. Quero que me marks. Quero acordar no dia seguinte com o rabo a doer e o teu sémen ainda a escorrer.
E eu quero fazer-te o mesmo. Quero deitar-te, abrir-te, preparar-te com a língua e com os dedos. Quero ver a tua cara quando o meu pau entrar em ti pela primeira vez. Quero sentir-te a apertar à minha volta. Quero gozar dentro de ti e depois lamber-te até estares limpo outra vez.
Manuel… eu amo-te. Não só o teu corpo. Amo a forma como escreves. Amo a forma como pensas. Amo a coragem que tiveste de me dizer a verdade. Amo o facto de sermos nós dois, escondidos do mundo, a construir isto no papel até podermos construir no corpo.
Quando chegares, não quero conversas longas. Quero a tua boca. Quero as tuas mãos. Quero o teu pau. Quero tudo.
Onze dias.
Estou a contar cada segundo.
O teu,
para sempre,
João
Quando cheguei na última frase — “Onze dias. Estou a contar cada segundo.” — minhas mãos tremiam intensamente. O papel estava quente do meu suor.
Fechei a caixa de madeira com um baque abafado.
E fiquei olhando pra parede cinzenta do quarto da avó.
A avó sabia de tudo. Ela amou o avô na totalidade da história dele, acolhendo as marcas desse amor passado e guardando aquelas cartas como um tesouro de verdade e coragem. E hoje, ao me entregar aquela caixa, ela não estava apenas me mostrando o passado da nossa família — estava me dando a permissão que eu nunca me dei.
A caixa agora estava comigo. E o meu reflexo no vidro escuro da janela parecia me cobrar uma resposta.
Meu melhor amigo está a uma ligação de distância. O celular vibrava na minha calça, com uma mensagem do Hélio de dez minutos atrás perguntando se eu queria jantar pizza mais tarde.
O meu avô escreveu cartas em uma época em que o amor dele precisava ser mantido em segredo, mas teve a sorte de encontrar uma mulher extraordinária que entendeu o seu coração. Eu não preciso mais me esconder no silêncio. Tenho a oportunidade de parar de ensaiar desculpas no espelho e de escrever uma história que não precise ficar trancada.
A pergunta veio sozinha, latejando na minha mente, perigosa e urgente:
E se eu continuar guardando o que sinto, ou se eu tiver a coragem de olhar o Hélio nos olhos hoje à noite e finalmente deixar de fingir?
Levei a caixa comigo para casa. O caminho de volta pareceu mais longo do que o normal. Quando fechei a porta do apartamento atrás de mim, a última frase da carta ainda estava grudada na minha garganta. Digitei a mensagem pro Hélio:
“Vem pra cá. Preciso te mostrar uma coisa.”
Menos de vinte minutos depois, a campainha tocou. Eu estava sozinho em casa — meus pais estavam trabalhando — no terceiro andar de um prédio antigo. A porta abriu e ele entrou com a jaqueta de couro surrada, o cabelo bagunçado pelo vento, aquele jeito de sempre de quem já conhecia cada canto da minha casa.
— Aconteceu alguma coisa? Você tava estranho na mensagem — falou, tirando a jaqueta e jogando no sofá.
Não respondi. Só virei de costas e fui pro quarto. Ele me seguiu, como sempre fazia. Sentei na beira da cama e coloquei a caixa de madeira escura no colchão. Hélio sentou ao meu lado. O ombro dele colou no meu. Eu conseguia sentir o cheiro dele — suor leve, cigarro e aquele perfume barato que ele usava desde a adolescência.
Fiquei um tempo em silêncio, olhando a caixa. As mãos estavam suando.
— Meu avô morreu hoje de manhã — comecei, a voz baixa. — A avó me chamou no hospital. Depois me deu isso. São cartas dele. De 1947.
Hélio não falou nada. Só esperou.
— Eu li tudo. São cartas pra um homem. Ele escrevia coisas… coisas que eu nunca imaginei que ele fosse capaz de sentir. Ele amava esse homem. Amava de verdade. E casou com a minha avó mesmo assim. Passou a vida inteira fingindo.
Parei. Engoli em seco. O peito estava apertado demais.
— E eu fiquei pensando… que eu tô fazendo a mesma merda. Há três anos. Toda vez que você senta do meu lado, meu coração dispara. Toda vez que você me abraça, eu fico duro e preciso me afastar pra você não perceber. Eu fico imaginando como seria te beijar, te tocar, te chupar… e depois finjo que não sinto nada. Igual ele fez.
Minha voz falhou no final. Eu estava tremendo. Hélio ficou parado, olhando pra mim com os olhos arregalados.
— Você tá falando sério? — perguntou, quase num sussurro.
— Eu nunca falei nada tão sério na minha vida, Hélio. Eu quero você. Quero você há porra de três anos. E eu tô cansado de fingir que não.
Ele engoliu em seco. O pomo de Adão subiu e desceu. Ficou olhando pra mim por alguns segundos longos demais. Depois levantou a mão e tocou meu rosto. A palma quente, áspera. O polegar passou pelo meu lábio inferior.
— Meu Deus… — murmurou. — Você não tem ideia de quantas vezes eu quase te beijei e me segurei. De quantas noites eu bati punheta pensando em você e depois me odiava por isso.
Não esperou resposta. Segurou minha nuca com força e puxou minha boca pra dele.
O beijo foi bruto, desesperado. Línguas se chocando, dentes batendo, saliva escorrendo. Eu gemi alto dentro da boca dele e puxei o corpo dele pra cima do meu. Caímos na cama. A caixa de madeira voou pro chão. O peso dele em cima de mim era pesado, real, quente. Ele beijava minha boca, minha mandíbula, descia pro pescoço e chupava forte, deixando marcas. Eu arranquei a camiseta dele, depois a minha. Peito com peito, pele quente, suor começando a brotar.
Hélio desceu a boca pro meu peito, chupou um mamilo com força, mordeu de leve, enquanto a mão abria minha calça e enfiava dentro da cueca. A mão quente apertou meu pau duro, já molhado de pré-gozo.
— Porra… — gememos ao mesmo tempo.
Ele puxou minha calça e a cueca de uma vez, me deixando nu. Depois se levantou, tirou a própria calça e a cueca. O pau dele saiu grosso, veias saltadas, a cabeça brilhando de pré-sémen, apontando pra cima. Eu fiquei olhando, a boca seca.
Ele voltou pra cama, se ajoelhou entre minhas pernas. Eu me sentei e engoli o pau dele de uma vez, engasgando. O gosto salgado invadiu minha língua. Chupei fundo, babando, a mão apertando a base enquanto ele gemia e segurava meu cabelo com força, empurrando o quadril.
— Isso, porra… chupa esse pau… — ele rosnou.
Depois de um tempo ele me puxou pra cima, me beijou com a boca cheia do gosto dele mesmo e falou, a voz rouca:
— Quero te foder. Agora. Sem camisinha. Sem porra nenhuma no meio.
Eu só acenei com a cabeça, já sem ar. Ele abriu a gaveta, pegou o lubrificante, espremeu uma quantidade generosa nos dedos e enfiou o primeiro dedo no meu cu sem muita cerimônia. Eu soltei um gemido agudo, o corpo se contraindo.
— Relaxa — ele murmurou, beijando minha boca enquanto o dedo entrava e saía. Logo colocou o segundo. Doía. Doía pra caralho. Eu gemia entre os dentes, as unhas cravadas nas costas dele.
— Hélio… caralho… dói…
— Eu sei. Aguenta. Vai passar.
Quando ele tirou os dedos e apoiou a cabeça grossa do pau na minha entrada, eu já estava tremendo. Ele olhou nos meus olhos e empurrou.
A dor foi imediata, aguda, queimando. Eu gritei. Um grito alto, rouco, que ecoou no quarto.
— Aaaaah, porra! Dói! Dói pra caralho!
Ele parou, a cabeça só parcialmente dentro, a testa suada.
— Quer que eu pare?
— Não… não para… só… vai devagar, caralho…
Ele empurrou mais. Centímetro por centímetro. Eu gemia e gritava a cada avanço, as pernas tremendo, o cu se abrindo à força ao redor do pau grosso. Quando ele enterrou até o fundo, eu soltei um gemido longo, quase um choro, o corpo inteiro tenso.
— Tá… tá fundo… porra… — eu gemia, a voz falhando.
Hélio ficou parado alguns segundos, me beijando o rosto, esperando eu me acostumar. Depois começou a se mexer. Lento no começo. Cada estocada ainda doía, mas a dor ia misturando com outra coisa. Ele acelerou. A cama batia na parede. O barulho molhado do pau entrando e saindo do meu cu, a pele batendo, os gemidos altos.
— Porra, que cu apertado… — ele arfava. — Você tá me engolindo inteiro…
Eu gritava a cada estocada forte. Gemia o nome dele. As unhas arranhavam as costas dele. Ele me virou de quatro, puxou meu quadril pra cima e enfiou de uma vez só. Eu gritei de novo, o rosto afundado no travesseiro.
— Aaaaah! Caralho, Hélio!
Ele fodia forte, sem piedade, a mão no meu cabelo puxando minha cabeça pra trás, a outra apertando meu pau e batendo rápido. O som das estocadas era obsceno, molhado, bruto. Eu já estava babando no travesseiro, gemendo alto, a dor ainda presente mas agora misturada com um prazer sujo que subia pela barriga.
— Eu vou gozar… — eu avisei, a voz quebrada.
— Goza. Goza com meu pau no teu cu — ele rosnou no meu ouvido, metendo fundo e rápido.
Eu gozei gritando, o corpo se contraindo em volta do pau dele, jatos quentes sujando o lençol e a mão dele. O aperto do meu cu foi demais. Hélio deu mais três estocadas violentas, enterrou até o fundo e gozou dentro de mim, gemendo alto, o corpo travando, a porra quente enchendo meu cu.
Ele caiu por cima das minhas costas, ofegante, o pau ainda pulsando dentro de mim. Ficamos assim, suados, fedendo a sexo, o sêmen escorrendo devagar pela minha coxa quando ele finalmente saiu.
Depois ele se deitou ao meu lado, puxou o cobertor e me puxou pra cima do peito dele. Eu ainda tremia. O cu latejava, dolorido, cheio.
Olhei pro chão, onde a caixa de madeira estava aberta, as cartas espalhadas.
Pela primeira vez, não tinha mais medo.
Só o gosto dele na boca, a dor gostosa no corpo, e a certeza de que eu não ia repetir a história do meu avô.

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Ficha do conto

Foto Perfil thiagop
thiagop

Nome do conto:
Eu e as cartas do meu avô

Codigo do conto:
275413

Categoria:
Gays

Data da Publicação:
23/10/2026

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