Havia uma simetria antiga entre eles que ninguém de fora conseguia decifrar. Não se tratava apenas do rosto idêntico, dos ombros que alargaram no mesmo ritmo ou da mesma linha escura de pelos que descia pelo peito e desaparecia na elástica da cueca. Era algo mais profundo: a capacidade de ler o outro sem palavras. Eles tinham 19 anos, Caio sabia quando a respiração de Caíque mudava de significado. Caíque reconhecia a tensão na mandíbula do irmão antes mesmo que ele próprio a percebesse. Cresceram como duas metades de um mesmo organismo. Quando a mãe se mudou para o interior, seis meses antes, a ideia de morar separados sequer chegou a ser discutida. O apartamento pequeno, a cama de casal, o cheiro compartilhado no ar — tudo isso já fazia parte da única linguagem que conheciam. O desejo não invadiu. Instalou-se. Surgiu aos poucos, como uma evidência que se recusava a ser ignorada: o olhar que demorava no espelho enquanto o outro se despia; o odor de suor depois do treino que de repente apertava o estômago de forma distinta; a curva marcada da bunda sob o tecido fino da cueca. Não era descoberta. Era confirmação. A pessoa que cada um conhecia melhor do que a si mesmo revelava-se também a única capaz de provocar aquele aperto baixo, insistente, quase doloroso. O medo veio maduro, desproporcional à idade. Não era receio de rejeição. Conheciam-se demais para isso. O verdadeiro pavor residia na possibilidade de se amarem com a intensidade absoluta que já existia entre eles — agora amplificada pelo corpo, pela saliva, pela certeza de que não haveria retorno. Medo de olhar para qualquer outra pessoa e sentir apenas falsidade. Medo de não conseguir disfarçar. Porque gêmeos que se desejam não passam despercebidos. O mundo nota. A mãe notaria. E, sobretudo, eles próprios jamais conseguiriam fingir que o restante da existência ainda importava da mesma forma. Naquela sexta-feira a mãe confirmou que permaneceria fora por mais uma semana. O apartamento ficou excessivamente silencioso. Voltaram do treino com o suor ainda impregnado nas camisetas. Caio banhou-se primeiro. Saiu envolto apenas na toalha, o cabelo molhado escorrendo pela nuca, os pelos do peito brilhando de umidade residual. Caíque estava deitado de bruços, vestindo somente a cueca preta. O short abandonado no chão ainda exalava o odor misturado dos dois. Caio deteve-se à entrada do quarto. Observou a curva das nádegas marcada pelo tecido, a linha de pelos escuros que subia pela face interna da coxa, o brilho discreto de suor antigo sobre a lombar. O peito contraiu-se. — Você está me consumindo com os olhos outra vez — disse Caíque, sem voltar o rosto. A voz saiu baixa, quase exausta. — Porque já não sei olhar de outra maneira. Caíque virou-se e sentou-se. Os olhos claros encontraram os do irmão e permaneceram ali, sem escapatória. — Tenho medo, Caio. Medo verdadeiro. Medo de atravessarmos essa fronteira e não encontrarmos caminho de volta. Medo de não conseguir mais tocar outra pessoa sem sentir que é mentira. Medo de você sentir o mesmo. Medo de nos amarmos com tanta força que será impossível esconder de quem quer que seja. Nós já nos conhecemos por dentro. Se eu te tiver de verdade, não saberei mais onde termino e onde você começa. Caio sentou-se à beira da cama. A toalha abriu-se ligeiramente. A coxa quente tocou a do irmão. — Carrego o mesmo medo todos os dias. Medo de não desejar mais ninguém. Medo de nos fundirmos de um modo irreparável. Mas tentei olhar para você apenas como irmão e o corpo se recusa a obedecer. Caíque estendeu a mão. Os dedos deslizaram sob a toalha e encontraram a pele da coxa. O pau de Caio endureceu de imediato contra o tecido. Nenhum desviou o olhar. — Se fizermos isso — murmurou Caíque —, não conseguirei fingir amanhã. Vou te querer outra vez. E outra. Somente você. — Eu também. O beijo começou seco e transformou-se em fome. Bocas se abriram, línguas se encontraram com urgência, dentes roçaram. O gosto de pasta de dente misturava-se ao hálito quente e ao odor de pele recém-lavada ainda impregnada de suor residual. Caíque puxou a toalha com força. O pau de Caio saltou livre, grosso, a glande já úmida e brilhante. O cheiro de virilha subiu intenso, quente, inconfundível. Caíque fechou a mão em torno dele e apertou, o polegar deslizando sobre a fenda úmida. Caio emitiu um som baixo, gutural. Despiram-se com pressa quase agressiva. Camisetas foram arrancadas, cuecas chutadas para longe. Os corpos nus se chocaram. Os pelos do peito se embaraçaram, o suor reapareceu imediatamente sobre a pele aquecida. Caíque desceu sem hesitação e engoliu o pau do irmão até a garganta. O gosto amargo e viscoso do fluido pré-seminal preencheu a boca. Caio arquejou e enterrou os dedos nos cabelos escuros. — Mais fundo. Engole por completo. Caíque engasgou; a saliva escorreu pelo eixo e pingou sobre o saco pesado. O odor era quase animal. Ele chupou com voracidade, a língua pressionando a veia inferior, a garganta abrindo-se a cada descida. Caio embatia a boca dele em movimentos curtos e precisos, o quadril agindo por instinto. Quando Caíque afastou o rosto, um fio espesso de saliva ainda ligava os lábios à glande. Subiu e beijou Caio com a boca suja. O gosto transitou de uma língua para a outra, amargo e quente. — Agora você — ordenou, a voz rouca de desejo. Caio empurrou o irmão para trás e engoliu o pau dele de uma só vez. Chupou fundo, ruidoso, a garganta vibrando. Caíque gritou — um som alto, quebrado — e segurou a cabeça do irmão com ambas as mãos, fodendo a boca sem contenção. — Sua garganta… não pare. Revezaram-se com urgência. Cuspe escorria pelos queixos, gemidos elevavam-se, o aposento impregnava-se cada vez mais do cheiro de sexo. Quando cessaram, ambos respiravam pela boca, os lábios inchados e brilhantes. Caio abriu a gaveta, retirou o frasco de óleo e despejou generosamente entre as nádegas de Caíque, os dedos já pressionando a entrada. — Abre para mim. Caíque deitou-se de bruços e afastou as pernas, as próprias mãos puxando as nádegas. Caio introduziu dois dedos de uma vez. Caíque berrou, o corpo inteiro arqueando-se. — Dói… dói de verdade! — Suporta. Eu sinto o quanto você deseja isso. Os dedos giraram, dilataram o anel contraído. O óleo escorria pela pele quente. Caíque gemia e praguejava entre os dentes, a testa pressionada contra o travesseiro. Quando o terceiro dedo penetrou, soltou um grito prolongado, o quadril movendo-se sozinho contra a mão do irmão. Caio retirou os dedos, posicionou-se e pressionou a cabeça grossa do pau contra o orifício. — Olhe para mim. Caíque virou o rosto. Os olhos estavam úmidos, a boca entreaberta. Caio avançou. O anel resistiu e cedeu sob um ardor agudo. Caíque gritou com força, as unhas rasgando o lençol. — Está me abrindo à força! — Eu sei. Respiração. Ainda estou apenas na cabeça. — Continue… eu aguento. Empurre. Caio avançou mais. Caíque berrou outra vez, a voz falhando, lágrimas escorrendo pelos cantos dos olhos. A dor era concreta, latejante, quente. Por baixo dela, contudo, o prazer crescia sujo e inevitável. Quando Caio enterrou até a raiz, ambos emitiram um gemido gutural simultâneo. O saco chocou-se contra a pele suada. Caio iniciou o movimento. Estocadas curtas no princípio, depois mais longas, mais profundas. O som úmido de óleo e suor preencheu o espaço. Caíque gritava a cada investida, a voz rouca e elevada. — Mais fundo… assim… mais fundo! — Seu cu está me engolindo por inteiro. Aperta de um jeito insuportável. — Me fode com força. Quero sentir você amanhã em cada movimento. Caio segurou os quadris com firmeza e acelerou. A cama batia ritmadamente contra a parede. O suor escorria em filetes pelas costas de ambos. O odor de sexo, pele aquecida e desejo tornara-se quase tangível. Caíque empurrava para trás, encontrando cada estocada com o corpo inteiro, gritando sem qualquer preocupação com o volume. — Mais forte! Me use! Caio puxou o irmão para a posição de quatro e enterrou de uma só vez até o limite. Caíque gritou de tal forma que a voz se partiu no meio. O pau desaparecia e reaparecia, brilhando de óleo e fluidos. Caio penetrava com intensidade, o peito ofegante, o suor pingando sobre as costas do irmão. — Diga o que quer. — Quero seu pau me dilatando. Quero você gozando dentro. Quero somente você. Mudaram de posição. Caíque deitado de costas, as pernas abertas e flexionadas contra o peito. Caio penetrou novamente e fodeu fundo, mantendo o olhar fixo nos olhos do irmão enquanto a boca dele se abria em gritos sucessivos. As unhas de Caíque sulcaram as costas de Caio, deixando rastros vermelhos. A mão de Caio desceu e envolveu o pau de Caíque, masturbando-o no mesmo compasso das estocadas. O fluido pré-seminal escorria entre os dedos. — Goze. Goze enquanto eu te fodo até o fundo. Caíque berrou no instante do orgasmo. O corpo inteiro arqueou-se; o sêmen jorrou em espasmos intensos, branco, manchando o abdômen e a mão do irmão. O orifício contraiu-se em torno do pau em pulsações quentes e descontroladas. Caio gemeu com força, enterrou até o limite e ejaculou. Os jatos quentes preencheram o interior, escorrendo pelas laterais do órgão ainda latejante. Permaneceu enterrado, tremendo, o suor escorrendo pelo queixo. Caíram um sobre o outro, ofegantes, a pele colada pelo suor e pelos fluidos. O cheiro de sêmen e suor dominava o ambiente. Caio retirou-se lentamente. O orifício permaneceu entreaberto, o líquido branco escorrendo pela face interna da coxa. Caíque puxou o irmão para um beijo sujo e demorado, a língua ainda impregnada do sabor de tudo o que haviam feito. — Não vamos conseguir esconder — sussurrou contra a boca dele, a voz rouca de tanto gritar. — Não vamos. — Não quero mais ninguém. — Nem eu. Somente você. Somente este corpo. Somente a forma como você me aperta por dentro. Caíque soltou uma risada baixa, exausta. — Entregamo-nos por completo. — Por completo. Permaneceram colados, o suor esfriando gradualmente sobre a pele, o pau de Caio ainda semi-ereto encostado à nádega úmida do irmão. O quarto exalava sexo de maneira que não se dissiparia com facilidade. O medo continuava presente — o medo de se amarem em excesso, de não conseguirem disfarçar, de não desejarem mais ninguém. Agora, porém, esse medo possuía cheiro, sabor, a marca das unhas nas costas e a memória nítida dos gritos. Caíque segurou a mão de Caio e pressionou-a contra o peito, exatamente sobre o coração ainda acelerado. — Amanhã tentaremos inventar alguma explicação. — Amanhã. Ambos já sabiam, no entanto. Nenhuma explicação seria suficiente.
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