O sol da tarde ainda queimava o asfalto quando o pneu dianteiro esquerdo começou a bater seco. Eu senti o carro puxar pra esquerda, o volante vibrando nas mãos. Reduzi, entrei no primeiro posto que apareceu e, mais adiante, a placa velha de “Borracharia do Carlão” pendurada num arame. Parei na calçada rachada, desci e ouvi o som metálico de chave de roda batendo em ferro. Dentro da oficina a sombra era densa. Cheiro de borracha queimada, óleo velho e graxa quente. No fundo, um homem de costas, camiseta cinza colada no corpo pelo suor, ombros largos se movendo enquanto desmontava um pneu. Ele virou o rosto quando ouviu meus passos. Bigode ralo, olhos escuros, uma mancha preta no queixo. — Problema no pneu? — a voz veio grossa, sem pressa. — Furou. Acho que é o dianteiro esquerdo. Ele limpou as mãos num pano já sujo e veio até o carro. Agachou. Eu fiquei em pé, observando a curva das costas sob a camiseta, a forma como os músculos do braço se marcavam quando ele girava a chave. O cheiro dele subiu até mim: graxa, suor de homem que trabalha, um fundo amargo de cigarro. Não era perfume. Era pele. Enquanto ele trabalhava, meus olhos vagaram pela oficina. Num canto, sobre uma caixa de ferramentas aberta, um tabuleiro de xadrez montado. Peças de plástico barato, algumas manchadas de óleo. O rei branco estava deitado. Eu me aproximei sem pensar. — Você joga? Carlão ergueu a cabeça, ainda agachado. Olhou o tabuleiro, depois pra mim. — Às vezes. Quando não tem serviço. Você joga? — Jogo. Desde moleque. Ele soltou um riso curto, limpou a testa com o dorso da mão suja e voltou pro pneu. Eu fiquei ali, tocando uma torre preta com a ponta do dedo. A peça estava pegajosa. O metal da caixa de ferramentas brilhava sob a lâmpada suja. Eu ouvia o som da chave de roda, o ar saindo do pneu furado, a respiração pesada dele. Quando o pneu novo estava no lugar, Carlão se levantou, bateu as mãos uma na outra e veio até mim. O cheiro ficou mais perto. Eu senti o peito apertar. — Pronto. Pode ir. Eu não me mexi. Olhei o tabuleiro de novo. — Se quiser, eu volto depois do expediente. A gente joga uma partida. Eu te ensino umas aberturas melhores. Ele me estudou por um segundo. Os olhos desceram do meu rosto até a cintura, depois subiram de novo. Um sorriso lento apareceu no canto da boca. — Sete horas. Aqui ainda tá aberto. Se você aparecer, a gente joga. Eu acenei, paguei, entrei no carro. O volante ainda cheirava a graxa quando eu dirigi embora. O restante da tarde passou devagar. Eu sentia o cheiro dele nas mãos, mesmo depois de lavar. Cada vez que fechava os olhos, via os ombros largos se movendo sob a camiseta suada, a mancha preta no queixo, o jeito que ele olhou pra mim quando eu falei de voltar. Às sete em ponto eu estacionei de novo na frente da borracharia. A lâmpada do fundo ainda acesa. A porta de metal estava entreaberta. Eu empurrei e entrei. O cheiro me atingiu de uma vez: graxa quente, óleo, suor masculino que tinha se acumulado o dia inteiro. Carlão estava sentado na cadeira de ferro, o tabuleiro já arrumado na caixa de ferramentas. Ele ergueu os olhos e sorriu sem mostrar os dentes. — Chegou, Diguinho. Eu fechei a porta atrás de mim. O som do trinco ecoou. Ele se levantou, puxou outra cadeira. Eu sentei. As peças estavam alinhadas. O ar entre nós era espesso. Eu via o suor ainda brilhando no pescoço dele, a camiseta colada no peito, as mãos grandes e sujas descansando sobre os joelhos. Começamos a jogar. Eu movi o peão do rei. Ele respondeu com o peão da dama. Os movimentos dele eram desajeitados, mas firmes. Cada vez que ele se inclinava pra frente, o cheiro vinha mais forte. Eu sentia o calor do corpo dele a menos de um metro. Meu pau já estava duro dentro da calça, latejando a cada respiração. Eu não falava nada. Só jogava. E observava. Na primeira partida eu ganhei fácil. Ele deixou a dama desprotegida no décimo segundo movimento. Eu capturei. Ele resmungou baixo, passou a mão no cabelo sujo de graxa e recomeçamos. Na segunda, ele melhorou. Defendeu melhor. Mas ainda errou. Eu tomei o bispo e fechei o xeque-mate em vinte e três jogadas. Carlão bateu a mão na mesa, fazendo as peças tremerem. — Porra. Você joga sério. — Eu te avisei. Ele olhou pra mim por um tempo longo. Os olhos escuros desceram até minha boca, depois voltaram. Eu senti o sangue subir. Meu pau apertava contra o zíper. Eu mexi na cadeira, tentando achar uma posição que não fosse óbvia. Na terceira partida eu errei de propósito. Deixei um peão isolado no centro. Depois sacrifiquei o cavalo sem necessidade. Ele me olhou desconfiado, mas pegou as peças. Quando o rei dele chegou no meu canto e eu perdi, Carlão soltou um riso baixo, satisfeito. — Agora sim. Aprendi com você, Diguinho. Eu me levantei. Caminhei atrás da cadeira dele. As mãos pousaram nos ombros largos. A camiseta estava úmida. Eu apertei, sentindo o músculo duro sob a pele. O cheiro subiu direto pro meu nariz. Graxa. Suor. Homem. Meu pau latejou forte. — Posso te ensinar umas jogadas mais avançadas — falei baixo, perto da orelha dele. Ele não se mexeu. Só respirou fundo, o peito subindo. Eu desci as mãos pelo peito, sentindo o peito peludo sob o tecido fino. Os mamilos duros. Eu apertei de leve. Ele soltou um som na garganta. Sentei ao lado dele, na cadeira de ferro. Minha mão pousou na coxa grossa. A calça de brim estava quente. Eu apertei. Carlão abriu as pernas um pouco. A mão dele desceu e coçou o saco por cima do tecido. Eu vi o volume. Grosso. Já marcado. Já duro. Eu subi a mão e segurei. O pau dele latejou na minha palma através da calça. Eu apertei mais, sentindo a cabeça larga, a forma grossa. Carlão soltou o ar pelos dentes. — Porra, Diguinho… Eu ajoelhei no cimento frio. O cheiro dele ficou mais forte, misturado com o cheiro de pau que já vazava pré-gozo. Abri o botão, puxei o zíper. A cueca cinza estava úmida na frente. Eu puxei o elástico e o pau saltou. Grosso, escuro, a cabeça já brilhando. Veias grossas. O saco pesado, peludo, sujo de graxa e suor. Eu enfiei o nariz na base e cheirei fundo. O cheiro bateu forte. Eu abri a boca e lambei a cabeça. O gosto era salgado, amargo, com um fundo metálico da graxa que ainda estava nas mãos dele. Eu chupei a cabeça inteira, sentindo o pré-gozo escorrer na língua. Carlão botou a mão na minha cabeça, os dedos gordos e sujos enfiando nos meus cabelos. — Isso… chupa direito. Eu desci a boca. O pau era grosso. A cabeça bateu no fundo da minha garganta e eu engasguei. O som molhado ecoou. Saliva escorreu pelo queixo, pingando no peito dele. Eu puxei o ar pelo nariz, os olhos marejados, e desci de novo. Engasguei outra vez. A garganta se fechou em volta do pau. Carlão segurou minha cabeça e começou a empurrar. Devagar no começo, depois mais fundo. Cada estocada na minha garganta fazia saliva escorrer abundante, misturando com o gosto dele. Eu chupava com vontade. Língua girando na cabeça, sugando forte, depois descendo até a base, o nariz afundando no saco peludo. O cheiro era pesado. Eu lambi as bolas, chupei uma, depois a outra, sentindo o gosto de suor e graxa. Voltei pro pau e engoli de novo. Saliva escorria pelo queixo, pingava no meu próprio pau, que já estava duro e molhado dentro da calça. Carlão puxou minha cabeça pra cima. Um fio grosso de saliva ligava minha boca à cabeça do pau dele. Ele passou o polegar no meu lábio inferior, sujo de graxa e saliva. — Levanta. Eu levantei. Ele me virou de costas, me empurrou contra a mesa de ferramentas. Ferramentas bateram no chão com barulho metálico. Ele puxou minha calça e a cueca de uma vez só. Meu pau saltou, já pingando. Carlão riu baixo, a mão grande envolvendo. Ele apertou, esfregou o polegar na cabeça sensível. Eu gemi. Ele cuspiu na mão. Cuspiu grosso e esfregou no meu cu. O dedo grosso e calejado empurrou. Eu senti a pressão, a queimação. Ele enfiou até o nó, depois tirou, enfiou de novo. Dois dedos. Três. Abrindo, torcendo. — Relaxa. Vai caber. Eu ouvi o som dele cuspir de novo, no próprio pau. Depois a cabeça grossa pressionou minha entrada. Eu segurei a beirada da mesa. Ele empurrou. Devagar. A cabeça abriu, doeu, queimou. Eu soltei um gemido agudo. Ele parou, só a cabeça dentro, e começou a me masturbar com a mão suja de graxa. — Respira. Vai entrar tudo. Ele empurrou mais. Centímetro por centímetro. Eu sentia o pau grosso abrindo minhas paredes, esticando, invadindo. Quando a base bateu na minha bunda, eu estava cheio até o fundo. O pau dele latejava dentro de mim. Carlão respirou fundo, as mãos grandes apertando minha cintura. — Porra… apertado pra caralho… Ele começou a meter. Devagar no começo. Cada estocada fazia meu pau bater contra a mesa. Eu gemia, a boca aberta, saliva escorrendo de novo. Ele acelerou. As estocadas ficaram mais fortes, mais profundas. O som de pele batendo em pele ecoava na oficina. O cheiro de sexo misturado com graxa e suor. Carlão me puxou pelo cabelo, me fez arquear as costas. A outra mão desceu e apertou meu pau, masturbando no ritmo das estocadas. Eu tremia. Cada vez que ele enfiava fundo, a cabeça grossa batia no ponto certo e um choque percorria minha espinha. — Mais forte… — pedi, a voz embargada. Ele riu e obedeceu. As estocadas ficaram brutais. O pau entrava e saía com força, o saco batendo na minha bunda. Eu gemia alto, sem vergonha. A mesa rangia. Ferramentas caíam. Ele me fodia como se quisesse me arrebentar. De repente ele parou, tirou o pau de uma vez. Eu gemí de frustração. Ele me virou, me sentou na mesa, abriu minhas pernas e enfiou de novo de frente. Agora eu via o rosto dele. Suado, sujo de graxa, os olhos escuros fixos no meu. Ele meteu fundo e começou a me foder olhando nos meus olhos. Eu segurei o pescoço dele, puxei pra beijar. O beijo foi sujo, molhado, língua grossa invadindo minha boca. Eu chupava a língua dele enquanto ele me fodia. Meu pau esfregava no peito peludo e suado. Cada estocada fazia meu pau pingar mais. Carlão se afastou um pouco, cuspiu na minha boca. Eu engoli. Ele cuspiu de novo, no meu peito, e esfregou a mão suja. Depois enfiou os dedos na minha boca. Eu chupei, sentindo o gosto de graxa e de meu próprio cu. — Sujo pra caralho… — ele grunhiu. — Gosta disso, né? Eu só conseguia gemer com a boca cheia de dedos. Ele tirou os dedos e voltou a me foder com força. As estocadas agora eram curtas, rápidas, profundas. Eu sentia o pau latejar dentro de mim. Ele estava perto. — Vou gozar… Eu apertei as pernas em volta da cintura dele. Ele meteu fundo, até o fundo, e gozou. Porra quente, grossa, jorrando dentro de mim. Eu sentia cada pulsada, cada jato. Ele gemeu baixo, o corpo todo tremendo, as mãos apertando minha cintura com força. Quando terminou, ficou parado, o pau ainda dentro, latejando. Depois tirou devagar. O porra escorreu do meu cu, quente, escorrendo pela minha bunda e pingando no chão sujo da oficina. Carlão olhou pra baixo, viu a bagunça, e sorriu. — Ainda não acabei com você. Ele me puxou da mesa, me ajoelhou de novo. O pau ainda semi-duro, sujo de porra e de mim, foi enfiado na minha boca. Eu chupei. O gosto era forte: porra, cu, graxa, suor. Eu chupava limpo, a língua limpando cada centímetro, engolindo o que sobrava. Saliva e porra escorriam pelo queixo. Ele segurou minha cabeça e meteu fundo na garganta de novo, engasgando. Eu engasguei, os olhos lacrimejando, mas não afastei. Chupei até ele ficar duro de novo. Carlão me puxou de pé, me virou de costas outra vez, me dobrou sobre a mesa e enfiou de novo. Dessa vez sem aviso. O pau ainda molhado da minha boca entrou fácil. Ele me fodeu mais bruto. Estocadas longas, fortes, o saco batendo. Eu gemia, o pau balançando, pingando no chão. Ele me masturbava ao mesmo tempo, a mão grande e suja de graxa apertando meu pau. Eu gozei primeiro. Um gozo intenso, o porra saindo em jatos, escorrendo na mão dele. Carlão riu e continuou me fodendo, usando meu corpo mole de prazer. Ele gozou de novo dentro. Mais porra. Mais volume. Eu sentia escorrendo, misturando com a primeira carga. Quando ele tirou, eu estava aberto, sujo, o cu latejando, o pau ainda sensível. Carlão se sentou na cadeira, o pau mole e brilhando. Eu fiquei ajoelhado entre as pernas dele, limpando com a boca. Chupando devagar, saboreando o gosto dele, o gosto de nós dois. Saliva escorrendo, o cheiro de sexo e graxa impregnando tudo. Ele passou a mão no meu cabelo, sujo de graxa. — Amanhã você volta, Diguinho. Depois do expediente. A gente joga outra partida. Eu olhei pra cima, a boca ainda cheia do gosto dele, e sorri. — A gente joga. E o cheiro de homem sujo de graxa ainda estava no ar quando eu saí da borracharia, o cu latejando, o corpo inteiro marcado pelo cheiro dele, e a certeza de que amanhã eu voltaria.
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