Dando mais q um cigarro




Eram quase onze da noite quando eu saí de casa.
Não tinha absolutamente nada pra fazer. A televisão estava ligada num programa que eu nem conseguia prestar atenção, o celular com a bateria morrendo e a casa quieta demais. Às vezes a solidão aperta de um jeito estranho: não é tristeza, é só um vazio que pede movimento, pede rua, pede qualquer coisa que não seja as mesmas quatro paredes. Resolvi dar uma volta. Peguei a carteira de cigarro, o isqueiro, as chaves e saí sem destino.
A noite estava morna, daquelas que o vento sopra quente e carrega cheiro de asfalto molhado de chuva antiga. Andei devagar. Passei pela praça quase vazia, cruzei a avenida principal com poucos carros, desci pela rua lateral que leva até o ponto de ônibus perto do posto de gasolina. O comércio já tinha fechado há horas. Só restavam as luzes dos postes amareladas e o barulho distante de um motor ou outro. Eu fumava sem pressa, aproveitando cada tragada, quando vi ele.
Estava encostado no muro baixo do prédio abandonado, mãos nos bolsos da calça preta justa, camiseta cinza que marcava o peito e os braços. Alto, ombros largos, peito largo, braços definidos sem exagero. Pele escura, cabelo curto raspado nas laterais, barba por fazer de dois ou três dias. O rosto era forte: mandíbula marcada, nariz reto, lábios grossos. Olhos escuros que me olharam quando eu passei. Não foi um olhar rápido. Foi um olhar que demorou um segundo a mais do que o normal, o suficiente pra eu sentir no estômago.
— Tem um cigarro aí? — a voz saiu grave, baixa, sem pressa.
Eu parei. Tirei a carteira do bolso e estendi um Marlboro.
— Toma.
Ele pegou, aproximou o cigarro da boca e esperou. Eu acendi o isqueiro. A chama iluminou o rosto por um instante. Ele puxou a fumaça fundo e soltou devagar, olhando pra mim por cima da fumaça.
— Valeu.
Fiquei ali. Não saí. Não sei se foi o corpo dele, a forma como a camiseta cinza apertava o peito, ou o fato de ele estar sozinho naquela hora e ainda assim parecer tão… presente. Achei ele uma delícia. Completamente. O tipo de homem que a gente olha e já imagina o peso, o cheiro, a força.
— Quer mais uns dois pra levar? — perguntei, sem pressa, oferecendo a carteira aberta.
Ele soltou uma risadinha baixa, quase um sopro pelo nariz.
— Mais uns dois? Você tá generoso, hein.
— Tô com a carteira quase cheia. E não tenho com quem dividir essa hora.
Ele me olhou de novo, dessa vez de cima a baixo, sem disfarçar. Eu estava de calça jeans escura, camiseta branca, boné preto virado pra frente. Nada demais. Mas o olhar dele foi demorado, como quem avalia e já decide alguma coisa.
— Você mora por aqui?
— Mais ou menos. Saí só pra caminhar. Tava sem nada pra fazer em casa. Às vezes a cabeça pesa e a casa fica pequena.
— Eu também. Trabalho de noite. Quando paro, fico andando pra limpar a cabeça. Hoje tava mais quieto que o normal.
Ficamos ali, fumando lado a lado. Eu ofereci outro cigarro. Ele aceitou. A conversa foi devagar, sem pressa, como se os dois estivessem testando o terreno. Ele falou que trabalhava em segurança de um prédio comercial, que o turno era longo e que às vezes saía pra fumar e ver gente. Eu falei que gostava de andar sozinho quando a solidão apertava, que preferia a rua do que ficar encarando o teto. Nada demais. Mas o ar entre a gente já estava diferente. Ele já tinha sacado. Eu também.
— Você sempre oferece cigarro pra desconhecido? — ele perguntou, sorrindo de canto, os lábios grossos se abrindo um pouco.
— Só quando o desconhecido parece interessante.
Ele riu de verdade dessa vez. O som foi baixo, grave, agradável.
— Interessante como?
Eu demorei um segundo pra responder. Olhei pro corpo dele de novo, pro jeito que a camiseta cinza marcava o peito, pro volume discreto na calça.
— Do jeito que você tá. Alto. Corpo fechado. Olho pesado. E essa cara… parece que não tem pressa nenhuma. Gosto disso.
Ele deu um passo mais perto. O cheiro dele chegou primeiro: suor limpo, um pouco de perfume barato de homem e fumaça de cigarro. Não era cheiro de banho fresco, era cheiro de quem trabalhou e ainda estava quente.
— E se eu te disser que tô com vontade de mais do que cigarro?
Meu coração bateu mais forte. Eu engoli seco, mas não desviei o olhar.
— Eu diria que você não é o único.
Ele olhou pra esquerda, pra direita. A rua estava vazia. Só o farol de um carro distante passando na avenida.
— Tem um banheiro público ali no posto. O de trás. Ninguém usa de noite. Se quiser…
Eu acenei com a cabeça. Não precisei de mais palavras. Guardamos os cigarros e andamos juntos. Não lado a lado, um pouco defasado, como se ainda estivéssemos só conversando. Mas os dois sabiam exatamente pra onde estavam indo. O silêncio entre a gente era pesado, carregado.
O posto estava quase vazio. Só um frentista longe, no caixa, mexendo no celular. Entramos pelo lado de trás, onde o banheiro masculino ficava. A porta de metal rangeu. Dentro, o cheiro de desinfetante barato e azulejo frio. Uma pia de inox, um espelho grande, dois mictórios e uma cabine. Luz branca forte, o tipo de luz que não deixa nada escondido. Ninguém.
Ele trancou a porta principal com o ferrolho interno. O clique ecoou no azulejo. Depois se virou pra mim. O rosto estava completamente à vista agora: olhos escuros, lábios grossos, a barba por fazer. Bonito de um jeito bruto.
— Meu nome é Rafael. Pode me chamar do que quiser, mas esse é o nome.
— Thiago — respondi, a voz um pouco rouca.
Ele deu um passo e me empurrou de leve contra a pia. A mão grande no meu peito, o polegar apertando de leve o mamilo por cima da camiseta. O corpo dele colado no meu. Eu sentia o volume duro na calça dele pressionando minha coxa.
— Thiago… você chupa bem?
Eu não respondi com palavras. Ajoelhei no chão frio do banheiro.
Puxei a calça dele pra baixo junto com a cueca preta. O pau saiu grosso, já meio duro, veias marcadas, a cabeça escura e brilhante de pré-gozo. Eu engoli o ar. Era grande. Não o maior que eu já tinha visto, mas grosso o suficiente pra fazer a boca abrir de verdade e o maxilar doer depois. Cheirei primeiro. Suor quente, masculino, limpo. Depois passei a língua na cabeça, devagar, sentindo o gosto salgado e o cheiro forte.
Ele soltou um gemido baixo, quase um rosnado, a mão indo pro meu cabelo sem forçar.
— Isso… continua.
Eu chupei. Devagar no começo, só a cabeça, lambendo em volta, sentindo ele engrossar na minha boca. Depois fui descendo, engolindo mais, até sentir o fundo da garganta. Os olhos dele estavam semicerrados, a boca entreaberta, a respiração pesada. As mãos seguravam meu cabelo com firmeza, mas sem me forçar ainda. Eu molhava, succionava, usava a mão na base enquanto a boca trabalhava a cabeça. Quando ele meteu mais fundo, eu engasguei e saliva escorreu pelo queixo e pelo pescoço. Ele puxou um pouco e eu voltei com mais força, olhando pra cima, mostrando que queria.
— Porra, Thiago… você mama que nem putinha.
Eu tirei a boca só o suficiente pra falar, a voz já rouca:
— E gosto de levar também. Gosto de levar fundo.
Ele puxou a camiseta pra cima, mostrando o peito e a barriga definida, a pele escura brilhando um pouco de suor. Depois me puxou de pé e me virou de costas pra pia. Eu já estava com a calça no meio das coxas. Ele puxou tudo pra baixo de uma vez, junto com a cueca preta. Minha bunda ficou exposta, o ar frio do banheiro batendo na pele. Eu me apoiei na pia de inox, o espelho na minha frente mostrando o rosto corado e o corpo dele atrás de mim: peito largo, braços fortes, o pau duro apontando pra mim.
Ele passou a mão na minha bunda, apertou com força, separou as nádegas. O dedo indicador escorregou entre elas, encontrou o cu e pressionou de leve. Eu estava seco ainda. Ele cuspiu na mão, espalhou o cuspe e enfiou o dedo devagar. Eu soltei o ar pela boca.
— Apertado pra caralho…
— Faz tempo que não levo — admiti, a voz falhando um pouco.
Ele colocou dois dedos. Abriu, girou, apertou aquele ponto fundo que faz o corpo inteiro tremer. Quando acertou em cheio, meu joelho fraquejou. Eu gemí alto demais pro lugar. Ele riu baixo, o som ecoando no azulejo.
— Calma. Ainda vai ter muito mais. Você vai levar tudo.
Tirou os dedos, cuspiu de novo na mão e posicionou a cabeça do pau na minha entrada. Eu olhei no espelho. Vi o corpo dele, o rosto sério, os olhos fixos na minha bunda, o braço forte segurando meu quadril. Ele empurrou. A cabeça entrou devagar. Eu respirei fundo, tentando relaxar. Doía um pouco, a dor boa de ser aberto, de ser preenchido. Ele parou, esperou, depois meteu mais.
— Porra…
— Aguenta — ele murmurou, a voz grossa perto da minha orelha. — Relaxa. Vai entrar tudo.
Foi entrando centímetro por centímetro até que eu senti as bolas encostarem. Estava fundo. Eu tremia. Ele começou a se mexer. Devagar no começo, só saindo até a metade e voltando. Depois mais fundo. O barulho molhado de pele batendo em pele encheu o banheiro. Eu segurava a pia com as duas mãos, a testa quase no espelho, gemendo a cada estocada. Ele metia com força. O pau grosso abrindo, esticando, acertando aquele ponto fundo toda vez. Eu gozei sem tocar no meu próprio pau. O gozo escorreu pela pia e pelo meu estômago, quente e viscoso. Ele não parou. Continuou metendo, mais rápido, segurando meus quadris com as duas mãos, me puxando pra trás a cada investida.
— Você é bem putinha, hein, Thiago…
— Sou… porra, mete mais fundo… quero sentir tudo…
Ele tirou o pau de uma vez. Eu soltei um gemido de protesto. Ele me virou de frente, me sentou na beirada da pia e abriu minhas pernas. Voltou a meter, agora de frente. Eu via o rosto dele completamente: os olhos escuros fixos nos meus, a boca entreaberta, a barba por fazer, o suor escorrendo na testa. Ele beijou meu pescoço, mordeu de leve, enquanto fodia com força. Eu abraçava o pescoço dele, as unhas nas costas por cima da camiseta cinza.
Ficamos assim por um tempo que pareceu eterno. O pau dele entrava e saía molhado, o barulho úmido ecoando. Depois ele me colocou de quatro no chão frio do banheiro. Eu apoiei os cotovelos no azulejo, a bunda pra cima. Ele ajoelhou atrás e meteu de uma vez. Agora o ritmo era animal. Estocadas profundas, rápidas, o som úmido de pele batendo em pele. Eu gemia sem me importar se alguém ouvia. Ele segurava meu cabelo, puxava a cabeça pra trás, e metia fundo.
— Chupa de novo — ordenou de repente, tirando o pau.
Eu virei, ainda de joelhos, e engoli o pau sujo de saliva e do meu próprio cu. O gosto era forte, masculino, sujo. Eu chupei com vontade, limpando, engolindo até o fundo, a garganta abrindo. Ele segurou minha cabeça e fodeu minha boca por um tempo, até eu quase não conseguir respirar, saliva escorrendo pelo queixo. Depois me puxou de novo de quatro e voltou a meter.
Perdi a conta de quantas vezes ele mudou de posição. Me fodeu de pé, me segurando pela cintura, o peito colado nas minhas costas. Me fodeu com uma perna levantada, apoiada na pia, o ângulo fazendo o pau bater ainda mais fundo. Me fodeu de bruços contra a parede fria, a bochecha no azulejo. Em todas as vezes eu gozei de novo, ou quase. O pau dele não amolecia. Parecia que ele podia continuar a noite toda. Eu estava destruído, as pernas tremendo, o cu latejando, a boca inchada, mas continuava pedindo mais.
Em determinado momento ele me virou de novo de frente, me puxou pela cintura e meteu fundo, segurando meu rosto com as duas mãos.
— Eu quero gozar dentro.
— Goza — eu pedi, a voz completamente rouca. — Goza fundo. Quero sentir.
Ele meteu com força uma última sequência. As estocadas ficaram irregulares, profundas, o corpo dele tremendo. Ele gemeu baixo, quase um rosnado, e eu senti o pau latejar e o gozo quente encher meu cu. Muito. Eu sentia escorrendo enquanto ele ainda empurrava, descarregando tudo, o corpo quente colado no meu.
Ele não saiu logo. Ficou metido, respirando pesado, a mão apertando minha bunda. Depois tirou devagar. O gozo escorreu pela minha coxa, quente e viscoso. Eu estava completamente usado. As pernas tremendo, o cu latejando, a boca inchada, o peito arfando.
Ele se limpou com papel toalha, me passou um pouco também. Ajeitou a calça, ajeitou a camiseta. Eu levantei a minha, ainda sentindo o líquido escorrer pela coxa interna. O cheiro de sexo ainda pairava no ar do banheiro.
— Você fuma? — ele perguntou, como se nada tivesse acontecido, a voz ainda um pouco rouca.
Eu ri, cansado, o corpo ainda tremendo.
— Agora eu fumo.
Ele acendeu um cigarro, me passou. Ficamos ali, no banheiro trancado, fumando em silêncio por uns minutos. O rosto dele estava calmo, os olhos ainda escuros, o suor secando na testa. Não tinha pressa. Não tinha vergonha.
— Se quiser de novo… — ele disse, sem olhar direto pra mim. — Eu passo por aqui de noite. Quase sempre.
— Eu também — respondi. — Vou passar.
Ele abriu a porta, olhou pra fora, e saiu primeiro. Eu fiquei mais um minuto, me olhando no espelho. Rosto vermelho, cabelo bagunçado, a marca da mão dele ainda na cintura, o gozo ainda escorrendo. Saí depois. A noite continuava a mesma: morna, quieta, com o cheiro de asfalto. Mas eu já não estava.
Andei de volta pra casa com o cu latejando a cada passo e o gosto dele ainda na boca. Naquela noite eu não precisei de mais nada. Tinha saído sem ter o que fazer… e voltei completamente usado.
E, se ele aparecesse de novo, eu daria de novo. Horrores. Sem pensar duas vezes.

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Ficha do conto

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thiagop

Nome do conto:
Dando mais q um cigarro

Codigo do conto:
274731

Categoria:
Gays

Data da Publicação:
15/10/2026

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