O Beira-Rio estava lotado naquela noite. Mais de cinquenta mil pessoas. O jogo tinha acabado, mas a torcida colorada ainda não tinha se dispersado. Minha mãe estava no setor das cadeiras quando dois homens da segurança a puxaram pelo braço e a levaram direto para o gramado. Ninguém impediu. No meio do campo, sob os holofotes ainda acesos, eles a fizeram ajoelhar. Um rasgou a blusa na frente de todo mundo. O outro puxou a calça e a calcinha. Em segundos minha mãe estava nua no centro do Beira-Rio, os seios à mostra, a bunda descoberta, enquanto a torcida gritava, ria e filmava com os celulares. O primeiro tapa no rosto ecoou. A cabeça dela virou. O segundo veio logo em seguida. Depois as mãos desceram para os seios: tapas fortes, uma atrás da outra, fazendo a carne tremer sob as luzes. A torcida vaiou e gritou ao mesmo tempo. Eles a viraram de quatro no gramado. As mãos grandes começaram a bater na bunda com força. O estalo seco se repetia sem parar. A pele foi ficando vermelha, depois roxa. Um dos homens abriu as pernas dela e desceu a mão várias vezes na buceta, bem no meio, enquanto o outro continuava batendo nas tetas e no rosto. Minha mãe gritava, o som se perdendo no barulho da arquibancada. — Castigo de puta no meio do Beira-Rio! — alguém gritou da torcida. Um dos homens já estava com o pau para fora. Cuspiu no cu de minha mãe e enfiou de uma vez, na frente de dezenas de milhares de pessoas. A estocada foi funda e violenta. Ele meteu com força enquanto o outro continuava a surra: tapa no rosto, tapa nos seios, tapa na bunda, tapa na buceta. Cada golpe fazia o corpo dela tremer em volta do pau que a fodia. Depois trocaram. O segundo homem enfiou na buceta e continuou o ritmo bruto. Alternavam. Cu, buceta, cu de novo. Sempre batendo. O corpo de minha mãe ia ficando marcado em todo lugar: rosto inchado, seios vermelhos, bunda roxa, coxas ardidas, buceta latejando. A torcida gritava: — Mais forte! — Bate nela! — Fode a puta no meio do campo! Eles obedeceram. As estocadas ficaram mais violentas. As mãos bateram sem dó em cada parte do corpo. Minha mãe quase não conseguia mais gritar. O corpo inteiro tremia, a respiração curta, a consciência ameaçando falhar debaixo dos holofotes do Beira-Rio. Quando o primeiro gozou no cu dela, a torcida aplaudiu. Quando o segundo gozou na buceta e no rosto, os gritos aumentaram. Ainda deram mais algumas tapas pesadas na bunda e nos seios enquanto ela ficava caída de lado no gramado, nua, marcada, escorrendo, ofegante. Os dois homens se afastaram. Minha mãe permaneceu no meio do campo do Beira-Rio, sob os holofotes, o corpo inteiro destruído pela surra e pela foda, enquanto dezenas de milhares de pessoas ainda olhavam e filmavam. Eu estava na arquibancada. Vendo tudo. E o estádio inteiro via também.
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