O PROFESSOR DE BEACH TENNIS



Sou professor de beach tennis e, entre aulas e conversas, não imaginava que isso aconteceria.

— Posso ajustar sua empunhadura?

A pergunta me trouxe de volta à quadra de areia. O sol da tarde forte, castigando minhas costas. Eu olhei para o lado e vi Rafael, sorrindo, com a raquete na mão. Não era a primeira vez que ele me corrigia, mas algo naquele momento era diferente. A proximidade, talvez. O calor do corpo dele, mesmo com o espaço entre nós.

— Claro — respondi, tentando parecer casual.

Ele se aproximou. Sua mão cobriu a minha na empunhadura da raquete. O toque foi breve, mas suficiente para enviar uma descarga elétrica por todo o meu braço. Seus dedos eram firmes, com calos de quem passa horas todos os dias com uma raquete na mão. Cheirava a protetor solar e ao mar.

— Fica mais assim. Você tem força, só precisa direcionar melhor.

Ele se afastou e a areia parecia ter se tornado instável sob meus pés. Aquilo havia começado como um convite da minha amiga Carolina, uma forma de sair da rotina de advogada, de contas para pagar. "Vai ser divertido, Ju. Você vai adorar", ela disse. Eu não fazia ideia.

Nas primeiras semanas, beach tennis era só uma atividade física. Um jeito de suar, de sentir a queimação nas pernas. Rafael era o professor. Charmoso, sim. Atencioso, sem dúvida. Mas ele é casado. Ele estava casado. A matemática era simples. A linha estava clara.

A linha, no entanto, começou a borrificar-se. Começou com as conversas depois das aulas.

— Você evoluiu muito, Juliana — disse ele certa vez, enquanto guardávamos as bolas. Os outros alunos já tinham ido embora. A areia esfriava sob meus pés descalçosn quanto lavavamos os pés no chuveirinho ao lado da quadra.

— Obrigada. Você é um bom professor. Sabe explicar sem fazer a gente se sentir burro.

— Não é isso. É que você tem uma boa leitura de jogo. E você não tem medo de errar. Isso é raro.

Ele se encostou no muro, a camisa molhada de suor colada ao torso atlético. Eu me virei para encará-lo, o jato d'água fria nos meus tornozelos.

— E você? Gosta só de ensinar ou também joga profissionalmente?

Ele riu, um som baixo e gostoso.

— Já tentei. Não tinha a cabeça para a competição. Prefiro ensinar. É mais... controlável. Menos pressão.

Nesse dia, falamos por quase uma hora. Sobre os nossas vidas. Ele mencionou Patrícia de passagem, como um fato da sua vida, não como o centro. "Onze anos", disse ele. "A gente se conhece desde a faculdade. Às vezes a rotina pega, sabe?"

Eu falei do meu namorado, de quase seis anos.

— O Thiago é um bom homem — disse eu, secando o rosto na toalha. — Mas vivemos em piloto automático. Trabalho, academia, jantar, Netflix, dormir. Repete no dia seguinte. Às vezes sinto que estamos mais sendo colegas de apartamento do que um casal.

Ele assentiu, com um olhar que dizia que ele entendia perfeitamente. E nesse momento, percebi que a linha não só tinha borrado, eu já estava do outro lado, sem nem ter percebido a travessia.

A partir dali, as mensagens começaram. Inicialmente sobre os horários das aulas.

— Aula amanhã às 8. A previsão é de chuva, mas vamos tentar até o limite. Avisa aí se não puder ir.

Depois, as mensagens se tornaram pessoais.

— Vi aquele filme que você recomendou. O final me pegou de surpresa.

Ainda tentávamos manter as aparências. Na quadra, ele era o professor, eu era a aluna. Mas os olhares se cruzavam com mais frequência. Uma brincadeira depois de uma jogada malfeita, um toque casual no braço, a forma como ele me observava quando eu apanhava a água no bebedouro. Cada pequeno interação era carregada de uma tensão elétrica, silenciosa e perigosa. Eu comecei a chegar mais cedo, para ter uns minutos a sós com ele antes da turma chegar. Comecei a demorar mais para ir embora, inventando desculpas para uma conversa a mais.

Numa tarde de terça-feira, a aula tinha pouca gente. Apenas eu, um casal de idosos e um rapaz novato. A chuva tinha assustado a maioria. No final, o casal foi embora logo, e o novato se retirou antes, apressado.

— Acho que vamos ter que encerrar por aqui, Rafael. A nuvem está preta.

Ele olhou para o céu, depois para mim. A chuva começou a cair, fina e insistente.

— Vamos esperar um pouco no vestiário. Deve passar rápido.

O vestiário era pequeno, dividido apenas por uma cortina fina. O som da chuva no telhado de zinco criava uma intimidade forçada, um casulo. Ele sentou no banco de madeira, e eu fiquei em pé, de costas para ele, olhando pela janela.

— Você está quieta hoje — disse ele.

— É só o trabalho. Um caso chato.

Ele se levantou e ficou atrás de mim, mas não muito perto. Bastava para eu sentir o calor do corpo dele.

— Qualquer coisa em que eu possa ajudar?

— Não. Só queria... não sei. Não pensar por um tempo.

Ele não disse nada. Apenas colocou a mão no meu ombro. Um gesto simples, de apoio. Mas meu corpo reagiu como se ele tivesse me tocado com fogo. Eu me virei devagar, o rosto a poucos centímetros do dele. O cheiro dele, misturado com o cheiro de chuva, era intoxicante.

— Rafa...

Ele não me deixou terminar. Beijou-me. Não foi um beijo de professor para aluna. Foi um beijo faminto, desesperado. Um beijo que dizia que ele também estava esperando por aquilo. Eu retribuí, minhas mãos subindo pelo seu peito até encontrarem seu cabelo, úmido de suor e chuva. A barba dele fez um atrito gostoso na minha pele. Eu beijei-o como se minha vida dependesse daquele momento.

Ele me afastou um pouco, o olhar dele escuro, intenso.

— Juliana... Isso não é uma boa ideia.

— Eu sei — falei, a voz trêmula. — Eu sei que você é casado. E que eu estou arruinando tudo.

Ele fechou os olhos, como se estivesse em luta interna.

— Patrícia...

— Não fale dela agora — eu pedi, a voz baixa, quase um sussurro. — Por favor. Apenas por hoje. Deixa a gente ser só nós dois aqui.

Ele olhou para mim, e a decisão estava feita. Ele me puxou de volta para si, e o beijo que veio a seguir foi diferente. Mais lento, mais profundo. Explorador. Sua mão desceu pelas minhas costas, parando na curva do meu bumbum, apertando com força. Eu gemi contra a boca dele. Era tudo o que eu queria e tudo o que eu não deveria querer.

A chuva lá fora continuava a cair, mas dentro daquele vestiário, só havia o som da nossa respiração ofegante, o roçar das nossas roupas, o clique dos dentes. Ele me guiou até o banco, e eu me sentei, abrindo as pernas para que ele ficasse entre elas. A camiseta dele estava colada ao corpo, e eu pude ver a definição dos músculos do abdômen. Eu a levantei, passando a mão pela pele quente e lisa. Ele estremeu.

— Ju... Nós não devemos.

— Então pare — desafiei eu, olhando nos olhos dele. — Me diga para parar, e eu paro.

Ele não disse nada. Apenas abaixou a cabeça e beijou meu pescoço, mordiscando a pele com suavidade. Eu arquei as costas, entregando-me completamente. Suas mãos subiram pela minha coxa, por baixo da saia do calção de beach tennis. O calor da palma da mão dele na minha pele nua me deu calafrios.

— Você tem ideia de há quanto tempo eu queria fazer isso? — ele sussurrou no meu ouvido.

— Talvez tanto tempo quanto eu.

Ele riu, um som rouco, cheio de desejo. Seus dedos encontraram o fio da minha calcinha, e ele a puxou para o lado. O dedo dele deslizou pela minha umidade, e eu soltei um gemido alto.

— Shhh... — ele pediu, cobrindo minha boca com a dele. — Alguém pode ouvir.

Mas não havia ninguém. Estávamos sozinhos em nosso pequeno mundo de chuva e desejo. Ele começou a me tocar com mais confiança, os dedos dançando em meu clitóris, entrando em mim, me deixando louca. Eu o segurei com força, as unhas cravadas nas suas costas. Eu queria mais. Eu queria tudo.

— Eu te quero, Rafa. Agora.

Ele não hesitou. Abriu o velcro da própria bermuda, e eu o ajudei a puxar para baixo, junto com o boxer. Ele estava duro, pronto. O tamanho dele me fez prender a respiração. Ele se ajoelhou na frente de mim, o pau dele ereto pulsando entre nós.

— Tem certeza? — perguntou pela última vez, o olhar dele cheio de uma mistura de desejo e preocupação.

Eu respondi com um gesto, puxando-o para mim, guiando-o para minha entrada. Ele entrou devagar, inchando-me de forma dolorosa e deliciosa. Eu fechei os olhos, sentindo cada centímetro dele preenchendo-me. Ele começou a se mover, um ritmo lento e profundo que me deixou sem fôlego. Cada golpe era uma declaração, cada movimento uma promessa de prazer proibido.

Ele me beijava, me mordia, me sussurrava palavras no ouvido que me deixavam ainda mais molhada. A mão dele apertava meu bumbum, enquanto a outra segurava minha cintura, controlando o ritmo. Eu o envolvi com as pernas, puxando-o para mais fundo, querendo sentir tudo.

— Mais forte — eu pedi. — Por favor, mais forte.

Ele atendeu ao meu pedido, o ritmo aumentando, os golpes ficando mais profundos, mais selvagens. O som dos nossos corpos se batendo, misturado ao som da chuva, era a música mais erótica que eu já tinha ouvido. Eu sentia o orgasmo se aproximando, uma onda de calor subindo pelo meu corpo.

— Não pare, Rafa, não pare... Eu vou gozar...

Ele acelerou, os golpes se tornando quase brutais. E então, eu explodi. Um orgasmo tão intenso que me deixou tonta, tremendo em seus braços. Ele me segurou com firmeza, continuando a se mover dentro de mim, procurando o próprio clímax.

— Onde, Ju? — ele perguntou, a voz tensa.

— Dentro. Tudo dentro.

Com um gemido profundo, ele obedeceu. Eu o senti liberar, quente e abundante, preenchendo-me por dentro. Ficamos assim por um momento, colados um ao outro, ofegantes, o suor e a chuva misturando-se em nossa pele.

Quando a respiração voltou ao normal, ele se afastou devagar. A realidade começou a invadir nosso pequeno casulo. Ele se arrumou, e eu fiz o mesmo, a sensação do esperma dele escorrendo por minhas pernas um lembrete tangível do que tínhamos feito.

— Juliana... — ele começou, mas não sabia o que dizer. O que havia para dizer?

— Eu sei — eu respondi, evitando o olhar dele. — Foi um erro.

Ele aproximou-se, levantou meu queixo.

— Não foi um erro. Foi... inevitável. Mas isso complica tudo.

— Eu sei.

Ele me beijou, um beijo diferente. Menos faminto, mais carinhoso.

— Nós precisamos conversar. Mas não agora. E não aqui.

Eu assenti. A chuva tinha parado. O mundo lá fora continuava a existir.

***

Depois daquele dia, tudo mudou. As aulas se tornaram um campo minado de olhares e toques furtivos. Uma pisada acidental no pé, um "bom trabalho" dito com um tom que só nós dois entendíamos. As mensagens se tornaram mais ousadas.

— Não consigo parar de pensar em como você saboreia.

— E eu não consigo tirar da cabeça o seu rosto quando você gozou.

— Você está me matando, Ju.

— O sentimento é mútuo, professor.

Nosso encontro seguinte foi na casa dele. Patrícia estava viajando a trabalho.

— Patrícia só volta sexta — ele disse, como se isso tornasse tudo certo. Ele me pegou pela mão, a pele dele quente contra a minha. — Vamos?

Eu não disse nada, apenas o segui pelo corredor escuro até o quarto. A cama era grande, com uma cabeceira de madeira escura. Há livros empilhados na mesinha de cabeceira dela. Do lado dele, um despertador digital e um carregador de celular. Pequenos territórios em um mapa de onze anos.

Ele se virou para mim e me beijou. Este beijo era diferente. Não havia a urgência do vestiário, o medo de sermos pegos. Havia tempo. Havia a cama inteira à nossa disposições. A mão dele subiu pela minha blusa, deslizando pelas minhas costas. O zínger do meu vestido desceu com um som quase inaudível.

Ele me olhou, o olhar dele escuro de desejo. O vestido caiu no chão, formando um pequeno monte de tecido. Eu fiquei de frente para ele, de sutiã e calcinha. O corpo dele era uma obra de arte, músculos bem definidos por anos de beach tennis e treino. Ele tirou a própria camisa e a jogou numa cadeira. O abdômen dele era uma tablete de chocolate perfeita.

Ele me puxou para a cama. Eu caí de costas sobre o edredom macio. Ele se deitou ao meu lado, o corpo dele colado ao meu. Seus lábios encontraram o meu, e a mão dele desceu pelo meu corpo, parando no meu bumbum, apertando com força. Eu gemi contra a boca dele. Ele me beijou com mais força, a língua dele explorando a minha.

Ele desatou o sutiã, libertando meus seios. Ele os acariciou, os beliscou, e eu senti um calor se espalhando pelo meu corpo. Ele levou a boca a um dos meus mamilos, sugando com força. Eu arquei as costas, entregando-me completamente. Ele passou para o outro seio, repetindo o gesto, enquanto a mão dele descia pela minha barriga, encontrando o fio da minha calcinha.

— Eu quero te provar — ele sussurrou no meu ouvido.

Ele desceu pelo meu corpo, beijando meu estômago, meus quadris, a parte interna das minhas coxas. Eu estava molhada, pronta para ele. Ele tirou minha calcinha e jogou-a longe. Ele me olhou por um momento, um olhar de pura admiração. Em seguida, ele abaixou a cabeça e sua língua me encontrou.

Eu gritei de prazer. A língua dele era mágica, dançando em meu clitóris, entrando em mim. Eu segurei sua cabeça com força, pressionando-a contra mim. Ele me fez esquecer tudo, o namorado, a esposa, as consequências. Só havia eu, ele e o prazer avassalador.

Ele me levou ao orgasmo com a boca. Foi intenso, avassalador. Eu tremi em seus braços, meu corpo explodindo em mil pedaços. Ele não parou, continuou a me beijar, a me provar, até que eu implorasse por misericórdia.

— Agora eu quero você dentro de mim — eu pedi, a voz rouca de desejo.

Ele subiu pelo meu corpo, o pau dele duro pressionando minha coxa. Ele me beijou, e eu pude me provar em seus lábios.

— Como você quer? — ele perguntou.

— De todos os jeitos.

Ele sorriu. Ele me pegou pelas pernas e as colocou em seus ombros. Ele entrou em mim com um movimento firme e profundo. Eu gritei de prazer. Ele era grande, e eu senti cada centímetro dele se abrindo caminho dentro de mim.

Ele começou a se mover, um ritmo lento e profundo que me deixou sem fôlego. Cada golpe era uma declaração, cada movimento uma promessa de prazer proibido. Ele me beijava, me mordia, me sussurrava palavras no ouvido que me deixavam ainda mais molhada. A mão dele apertava meu bumbum, enquanto a outra segurava minha cintura, controlando o ritmo. Eu o envolvi com as pernas, puxando-o para mais fundo, querendo sentir tudo.

— Mais forte — eu pedi. — Por favor, mais forte.

Ele atendeu ao meu pedido, o ritmo aumentando, os golpes ficando mais profundos, mais selvagens. O som dos nossos corpos se batendo era a música mais erótica que eu já tinha ouvido. Eu sentia o orgasmo se aproximando, uma onda de calor subindo pelo meu corpo.

— Não pare, Rafa, não pare... Eu vou gozar...

Ele acelerou, os golpes se tornando quase brutais. E então, eu explodi. Um orgasmo tão intenso que me deixou tonta, tremendo em seus braços. Ele me segurou com firmeza, continuando a se mover dentro de mim, procurando o próprio clímax.

- Posso tentar colocar aqui? - disse ele, apontando pro meu cuzinho.

- Você já fez isso? perguntei

- Nunca - respondeu.

- Então quero ser sua primeira vez disse, sorrindo.

Ele me virou de bruços, e eu senti o calor do corpo dele sobre mim. Ele passou o lubrificante e começou a me beijar as costas, a mão dele descendo pela minha espinha. Ele encontrou meu cuzinho, e eu estremeci.

— Tem certeza? — ele perguntou.

— Sim. Tenho.

Ele entrou devagar, com cuidado. Eu senti uma pontada de dor, que logo se transformou em prazer. Ele começou a se mover, um ritmo lento e profundo que me deixou sem fôlego. Eu nunca tinha sentido nada igual. Era intenso, primitivo. Eu gemia, os rostos enterrados no travesseiro.

— Isso é incrível — ele sussurrou no meu ouvido.

— Não pare, por favor, não pare...

Ele acelerou, os golpes ficando mais profundos, mais selvagens. Eu sentia o orgasmo se aproximando, uma onda de calor subindo pelo meu corpo.

— Eu vou gozar, Ju... Onde?

— Na minha boca. Eu quero provar.

Ele se retirou de mim, e eu me virei para enfrentá-lo. Eu o peguei em minhas mãos, o pau dele duro e pulsante. Eu o coloquei na minha boca, saboreando cada centímetro dele. Eu o senti explodir, quente e abundante, e engoli tudo, sem deixar escapar uma única gota. Nós caímos na cama, exaustos, satisfeitos.

Ficamos ali em silêncio por um longo tempo, apenas ouvindo a respiração um do outro. A realidade começou a invadir nosso pequeno casulo. Ele se virou para mim e me beijou, um beijo diferente. Menos faminto, mais carinhoso.

— Juliana... — ele começou, mas não sabia o que dizer. O que havia para dizer?

— Eu sei — eu respondi, evitando o olhar dele. — Foi um erro.

Ele aproximou-se, levantou meu queixo.

— Não foi um erro.

***

No dia seguinte, a rotina voltou. As aulas, as mensagens, as mentiras. Eu comecei a sentir o peso da situação. Patrícia era uma fantasma, uma sombra em todos os nossos momentos. A culpa começou a corroer meu prazer.

Um dia, depois da aula, fui ao banheiro para me trocar. Enquanto lavava o rosto, uma mulher entrou. Ela era alta, loira, com olhos inteligentes e observadores. Ela sorriu para mim.

—Oi. Você é aluna do Rafael, certo?

Eu fiquei paralisada. Era ela. Patrícia. A fantasma tinha adquirido um rosto.

— Sim. Sou Juliana.

— Eu sou Patrícia, a esposa dele. Ele fala muito de você. Diz que você é a sua aluna mais talentosa.

O sangue gelou nas minhas veias. Eu tive que me apoiar na pia para não cair.

— É... ele é um ótimo professor. Muito paciente.

— Ele é — ela concordou, passando o batom. — Às vezes até demais. Ultimamente ele andou tão dedicado... Aulas extras, reuniões... Às vezes eu sinto que o conheço mais pelos depoimentos dos alunos do que pela conversa com ele.

Ela me olhou no espelho, e o olhar dela era direto, perspicaz. Ela não estava fazendo uma acusação, mas a pergunta estava lá, pairando no ar entre nós. Meu coração batia com tanta força que eu achava que ela podia ouvir.

— A vida de professor de esporte é assim, né? Sempre ocupado.

— Talvez — disse ela, guardando o batom na bolsa. — Ou talvez ele só tenha encontrado um novo hobby.

Ela me deu um último sorriso, um sorriso que não chegava aos olhos, e saiu. Eu fiquei ali, olhando meu próprio reflexo no espelho, sentindo o cheiro do sexo com o marido dela ainda impregnado na minha pele. A fantasma não era mais uma sombra. Ela era real. E ela sabia.

Eu não voltei para a aula na semana seguinte. Enviei uma mensagem para Rafael, uma desculpa sem muita explicação. "Muito ocupada com o trabalho". Ele respondeu com um "ok" frio. Pela primeira vez, percebi que eu não sabia o que ele sentia. Se ele sentia alguma coisa. A ideia era aterrorizante.

Duas semanas se passaram. Eu evitava o clube, evitava a Carolina, evitava qualquer coisa que me lembrasse daquele verão, daquela areia, daquele homem. Tentei voltar para o meu namorado, para a nossa vida de "colegas de apartamento". Mas era inútil. Eu estava marcada.

Um dia, enquanto eu almoçava sozinha em um restaurante perto do escritório, ele entrou. Rafael. Ele não estava sozinho. Ele estava com Patrícia. Eles sentaram-se em uma mesa perto da minha. Eu fiquei paralisada, com o garfo no meio do caminho até a boca.

Eles não pareciam um casal em crise. Eles conversavam, riam. Ele a serviu, ela enxugou um fio de molho no canto da boca dele. Pequenos gestos de uma intimidade construída por onze anos. Gestos que ele também tinha tido comigo. A dor foi física, um aperto no peito.

E depois nao o vi mais.


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Ficha do conto

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Nome do conto:
O PROFESSOR DE BEACH TENNIS

Codigo do conto:
276711

Categoria:
Traição/Corno

Data da Publicação:
07/11/2026

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