a bexiga apertada a acordou, uma consequência inevitável dos vinhos da noite. Clara se sentou na cama, a cabeça um pouco leve, o quarto iluminado pela luz fraca da lua que entrava pela janela. O quarto ao lado estava silencioso. Eu, ao seu lado, ressonava suavemente. Ela se levantou com cuidado, os pés descalços no piso frio, e caminhou em direção ao banheiro principal, o mais próximo.
Ao se aproximar do corredor, ela percebeu que a luz estava acesa. E a porta, entreaberta. Seu coração deu um pulo, um susto rápido. Lembrei-a que o convidado estava ali. Ela freou, a mão na parede, a respiração suspensa. Deveria voltar, usar o banheiro do quarto. Mas uma curiosidade absurda, um impulso que ela não compreendeu, a manteve parada.
Ela espiou pelo vão da porta.
A cena a deixou estática.
Carlos estava de costas, encostado no vaso sanitário, mas no espelho do banheiro ela viu seu reflexo. Ele usava apenas uma cueca boxer branca, justa em seu corpo largo e musculoso. Seus cabelos brancos pareciam prateados sob a luz artificial. Ele terminava de se lavar as mãos, o torso em movimento, a pele pálida marcada por algumas veias e a textura de uma vida ativa.
Foi quando ele se virou que a visão a atingiu como um choque elétrico. O tecido da cueca não escondia nada. Pelo contrário, delineava uma proeminência que parecia desproporcional, um volume alongado e pesado repousando sobre sua coxa. A cabeça do pênis, mesmo flácida, era um inconfundível borrão arredondado sob o algodão branco.
Clara sentiu o ar faltar. Ela jamais vira algo assim. Era... arcaico. Primitivo. A imagem de um antigo deus da fertilidade em um corpo de homem moderno. Ela se comparou mentalmente a mim, ao meu corpo, ao que conhecia. A diferença não era apenas de tamanho, era de espécie. Era como comparar uma árvore frondosa a um arbusto.
Ela ficou ali, paralisada, por talvez dez, quinze segundos que se eternizaram. Não era desejo, não ainda. Era pura e absoluta perplexidade. Um choque anatômico. Era a cena mais inesperada, mais bizarra, e ao mesmo tempo, mais fascinante que já testemunhara.
Com um esforço sobre-humano, ela recolocou o cérebro em funcionamento e deu um passo para trás, depois outro, se afastando silenciosamente como uma ladra no escuro. Seu coração martelava contra as costelas. Ela voltou para o quarto, fechando a porta com um clique suave.
Deitou-se na cama, o corpo tenso, a mente girando. Eu me mexi, resmungando alguma coisa no sono, e a abracei instintivamente, puxando-a para perto.
— Está tudo bem? — murmurei, os olhos ainda fechados.
O cheiro de meu corpo, a familiaridade de meu toque, tudo isso parecia de repente tão... doméstico. Tão seguro.
— Tudo bem, meu amor. — ela sussurrou, a voz um pouco trêmula. — Apenas um susto com a porta do quarto.
Eu apertei ela mais forte e voltei a dormir. Clara ficou de olhos abertos, olhando para o teto. A imagem daquele corpo no banheiro estava gravada atrás de suas pálpebras. O susto inicial estava passando, e em seu lugar algo mais complexo começava a germinar. Uma pergunta silenciosa que ecoava em sua mente: o quê, exatamente, aquelaquele fim de semana reservava?
***
O sol da manhã de sábado já batia forte na piscina quando finalmente me sentei à mesa da cozinha. A ressaca era um tambor surdo nas minhas têmporas, mas o café preto e forte estava trabalhando seu milagre. Clara já estava de pé, radiante como sempre, usando um short jeans e um top cropped que mostrava sua barriga lisinha. Ela movia-se pela cozinha com uma graça que eu amava, preparando uma bandeja com frutas e pães.
A porta se abriu e Carlos entrou. Ele vestia um bermudão de linho e uma camiseta regata que deixava a mostra seus braços fortes e cobertos por pelos claros. Ele parecia surpreendentemente bem para um homem que tinha bebido tanto na noite anterior.
— Bom dia, anfitriões! — ele cumprimentou, a voz já rouca e cheia de energia. — Espero que não tenha feito muita barulheira.
— Dormiu como um anjo, meu caro. — respondi, oferecendo-lhe uma caneca de café. — A menos que anjos ronquem.
Ele deu uma risada, se sentando à mesa. Clara se virou, um sorriso largo no rosto.
— Bom dia, Carlos. Descansou bem?
— Impecavelmente. Cama de cinco estrelas. E o silêncio aqui... é um luxo. Na fazenda, o galo começa a cantar às quatro da manhã.
O café da manhã transcorreu de forma leve. Falamos sobre a festa, sobre os amigos, rimos de alguma gafe que eu não me lembrava de ter cometido. Mas eu notei uma mudança sutil em Clara. Ela estava mais... observadora. Seus olhos demoravam um pouco mais em Carlos, não de forma flagrante, mas com uma curiosidade analítica. Ela o ouvia falar de sua rotina na fazenda, de como ele mesmo construíra a casa onde morava, com uma atenção que ia além da simples educação. Era como se ela estivesse tentando juntar as peças de um quebra-cabeça, comparando o homem maduro e experiente à frente dela com a imagem bruta e inesperada que ela testemunhara na madrugada.
— ...e então eu tive que derrubar três pinheiros sozinho. A moto-serra pesava. — Carlos estava contando uma história, fazendo gestos com as mãos grandes. — Minhas costas doeram por uma semana.
— Parece um trabalho pesado demais. — disse Clara, a voz suave. — Deve mantê-lo em forma.
Ele a olhou, um pequeno sorriso se formando em seus lábios.
— A natureza é a melhor academia. Não tem aparelho que supere um dia de trabalho na terra. Ou uma boa cavalgada, claro. Você gosta de cavalgar, Clara?
A pergunta, aparentemente inocente, flutuou no ar por um segundo. A maneira como ele olhou para ela, direto nos olhos, fez com que o clima mudasse sutilmente.
— Amei a única vez que montei. — respondeu ela, sem se desconectar do olhar dele. — Mas confesso que fiquei com um pouco de medo. Da força do animal.
— A chave é sentir o ritmo, não lutar contra ele. — disse ele, a voz um tom mais baixo. — Deixar o animal guiar você. É uma questão de confiança... e de entrega.
Eu não entendi a submersão daquele diálogo na época, mas me lembro de ter sentido uma pontada de... o quê? Inveja? Ciúme? Não sei. Era apenas uma sensação estranha, a de que eles estavam falando em um código que eu não compreendia. Pus a culpa na minha ressaca e na minha cerveja.
— Bem, falando em atividades físicas — eu interrompi, tentando trazer a conversa de volta ao terreno seguro —, que tal começarmos a preparar esse churrasco que a prometida aqui tanto falou?
O churrasco foi um sucesso. A carne ficou no ponto, a cerveja gelada, a conversa fluindo. Carlos se sentia cada vez mais à vontade, contando piadas que só ele achava graça e compartilhando histórias escandalosas de sua juventude com meu pai. Eu estava relaxado, feliz, bêbado de novo, mas de um jeito bom, de sol da tarde. A música tocava e o mundo parecia perfeito.
Vamos à piscina. Clara, quer vir?
— Já vou. Vocês vão indo, só preciso organizar uma coisa aqui.
Fomos para o quarto trocar. Eu peguei uma sunga e outra limpa para ele.
— Usa essa aí, velho. Acho que vai servir.
Carlos pegou a sunga. Enquanto eu já estava pronto, ele começou a se despir sem cerimônia. Tirou a camisa e depois a bermuda, ficando apenas com a cueca. E foi nesse momento que a percepção que eu tive na noite anterior se tornou brutalmente concreta. Ele dobrou a bermuda, a deixou sobre a cama, e então baixou a cueca.
Meu cérebro levou alguns segundos para processar o que meus olhos estavam vendo. Era... descomunal. Flácido, ainda assim tinha um peso e um tamanho que desafiavam qualquer lógica. Não era apenas comprido, era incrivelmente grosso. A pele era pálida, quase branca, em contraste com a cabeça rosada. A coisa balançava entre suas pernas como um pêndulo vivo. Ele apanhou a sunga que eu lhe dei e tentou vestir. O tecido lycra se esticou ao máximo, lutando para conter aquela massa. Ele ajeitou o membro para o lado, mas a silhueta era inegável, proeminente, quase grotesca.
Ele percebeu meu olhar fixo, paralisado.
— Problemas, meu amigo? — ele perguntou, com um tom de humor. — A sunga é apertada demais?
— Não... não, é isso aí. Vai ser ótimo. — eu gaguejei, me virando para pegar minha toalha, sentindo o rosto queimar.
Clara nos esperava na beira da piscina, de óculos escuros, deitada na espreguiçadeira. Quando nos viu se aproximando, ela se sentou. O sol dava em seu corpo, o biquíni triangulo mal cobria o essencial.
— Olha só a dupla de Tarzões. — ela brincou.
Mas seu sorriso vacilou quando seu olhar pousou em Carlos. Ela viu o mesmo que eu. A sunga, o volume, a impossível anatomia contida ali. Seu olhar se fixou por uma fração de segundo, um tempo que pareceu uma hora, antes de ela se recompor e voltar a sorrir, mas o sorriso estava diferente. Mais focado.
Entramos na piscina. A água fria foi um alívio. Bebemos caipirinhas que Clara preparou, conversamos. Eu estava mais relaxado, a bebida desmanchando o choque anterior. Mas fiquei notando como o olho de Clara, atrás dos óculos escuros, seguia Carlos. O modo como ele se movia na água, com uma facilidade e uma força que não combinavam com a idade. Era um predador em um tanque de peixes ornamentais.
— Nossa, essa caipirinha tá forte. — disse ela, rindo. — Alguém precisa passar protetor solar nas minhas costas antes que eu vire um camarão.
Eu estava com a caneca na mão, pronto para ir ao banheiro que ficava do lado de fora da casa.
— Ah, minha querida, já vou. — respondi, me levantando.
Então, olhei para Carlos, que estava perto da borda da piscina, a água lhe cobrindo até o peito largo. A ideia me veio de forma espontânea, natural, movida pela bebida e pela camaradagem do momento.
— Por que o nosso hóspede de honra não faz o favor? Assim eu já volto.
Clara removeu os óculos. Seus olhos me encontraram, e depois pousaram em Carlos. Havia uma dúvida? Uma expectativa? Não consegui decifrar.
— Claro. — disse ela, a voz mais suave do que o normal. — Se não for incomodar.
Carlos sorriu. Subiu os degraus da piscina. A água escorria por seu corpo, e a sunga colada nele parecia ainda mais reveladora.
— Um prazer ajudar a anfitriã. — ele disse.
Eu me virei e fui em direção ao banheiro, sentindo o sol nas minhas costas.
Enquanto eu mijava, uma calma estranha tomou conta de mim. A cena na sala, no dia anterior, a conversa sobre cavalgar, a sunga... tudo isso flutuava em minha mente ressaca. Por que eu tinha sugerido aquilo? Era só a caipirinha? Ou uma parte de mim queria ver? A ideia era tão absurda que a descartei imediatamente.
Voltei para a área da piscina. A cena que encontrei fez mim parar na sombra do alpendre.
Clara estava deitada de bruços na espreguiçadeira. Carlos estava ajoelhado ao lado dela. Ele tinha o frasco de protetor solar na mão, mas seus movimentos eram lentos, deliberados. Ele espalhava a loção pelas costas dela, dedos longos e fortes massageando sua pele. A mão dele desceu pelas costas, até o fio do biquíni.
— Não se queima não, hein? — ouvi a voz dele, baixa.
— Acho que... acho que precisa passar aqui também. — respondeu a voz de Clara, um pouco embargada. —
Vi a mão dele E então, vi o que aconteceu. Ele "acidentalmente" tocou a lateral do seio dela, que estava espremido contra a espreguiçadeira. Clara estremeceu. Um arrepio visível. Depois, a mão dele subiu novamente, e no caminho de volta, seus dedos roçaram o local onde o tecido do biquíni mal cobria seus lábios vaginais.
Ela reagiu. Em vez de se afastar, ela abriu as pernas, um movimento quase imperceptível, um convite silencioso. Foi um movimento de pura entrega, a mesma que ele tinha mencionado no café da manhã.
Eu fiquei paralisado. Não era raiva. Era... fascinação. Estava assistindo a um ritual antigo, um aprendizado, e meu papel era o de espectador. Ele percebeu o sinal. Seu polegar pressionou com mais força, passando lentamente sobre o tecido molhado. Ela arqueou as costas, um gemido baixo escapando de seus lábios.
— Está bom assim? — ele perguntou, a voz cheia de uma calma diabólica.
Ela não respondeu com palavras. Apenas anuiu com a cabeça, o rosto enterrado na toalha.
Ele terminou de passar o protetor, se levantou e se sentou na espreguiçadeira ao lado dela, pegando sua própria caipirinha. O momento havia passado, mas a energia no ar estava completamente diferente. Carregada. Ele olhou para mim e me fez um sinal com a cabeça, como se nada tivesse acontecido.
Voltei para perto deles, o coração martelando. Sentei-me em uma cadeira.
— Tudo bem por aí?
— Perfeito. — disse Clara, virando o rosto para mim. Seus olhos estavam brilhantes. — Fiquei muito bem protegida.
Olhei para o relógio. Já eram quase cinco da tarde.
— Nossa, o tempo voou. — disse Carlos, se levantando. — Vou tomar um banho rápido para me refrescar para o jantar.
— Vou fazer um lanche rápido. — disse Clara, se levantando também. — Um café, bolo... Algo assim.
Enquanto eles entravam na casa, eu fiquei lá fora, recolhendo as garrafas vazias, guardando as espreguiçadeiras. Meu mundo estava inclinado sobre seu eixo, e eu não fazia a menor ideia do que fazer a respeito. Dentro da casa, a porta do banheiro ficou semiaberta. Enquanto ela ia para a cozinha, Clara passou pelo corredor e viu. Carlos estava no chuveiro, a água caindo sobre seu corpo nu. Ela parou. Ele a viu olhando. Ele tentou se cobrir com uma mão, mas era inútil. Aquilo era grande demais para ser escondido. Ficava para fora, branco e maciço. Ela olhou para trás, para a área da piscina, me viu distraído com as coisas. Entrou.
Lembro-me do som do chuveiro e de um ruído molhado. Um som de sucção, um gemido abafado que não era meu. Fiquei na piscina, imaginando, meu corpo tenso. Cerca de quinze minutos depois, eles saíram. Ela foi para a cozinha, ele se vestiu. Quando ela veio me trazer um pedaço de bolo na beira da piscina, seus lábios estavam mais vermelhos do que o normal. Inchados. Ela se inclinou para me dar um beijo. Foi um beijo mais profundo do que de costume. E aí eu senti. Um gosto salgado, levemente amargo, familiar. Era o gosto de mim mesmo depois que ela me chupava. Fiquei parado, com o pedaço de bolo na mão, enquanto ela sorria, inocente.
— Tudo bem, meu amor? Parece que viu um fantasma.
Engoli em seco. Sabia o que era. E ao invés de nojo, senti uma onda de tesão tão forte que quase me derrubou.
— Tudo ótimo. — consegui dizer. — O melhor bolo do mundo.
O jantar foi uma extensão daquele estado de sonho. Comemos, bebemos vinho. A conversa fluiu, mas agora era um trio. As piadas eram para nós três. Os olhares eram compartilhados. Era como se Carlos sempre tivesse feito parte da nossa família.
Depois do jantar, caímos no sofá da sala, exaustos e felizes. Carlos estava de calção de banho, sem camisa. Eu só de cueca. Clara tinha trocado o biquíni por um vestidinho curto e leve, um tecido fino que se colava ao corpo quando ela se movia.
Eu me levantei para ir ao banheiro. Quando voltei, a cena estava acontecendo.
Clara estava sentada no sofá, ao lado de Carlos. Mas a cabeça dela estava no colo dele. E a mão dele estava debaixo do vestido dela, entre as pernas. O movimento do tecido era inequívoco. Ela tinha os olhos fechados, um pequeno sorriso nos lábios. Ela percebeu que eu estava olhando. Seus olhos se abriram e me encontraram. E ela não parou. Pelo contrário. Seu sorriso se alargou. Ela abriu as pernas mais, convidando a mão dele a ir mais fundo.
Fiquei parado no meio da sala, atônito, com um tesão que me doía. Era a cena mais erótica e mais aterrorizante que eu já tinha visto. Era a minha mulher, com o nosso amigo, e eu era um convidado em meu próprio pesadelo delicioso.
Me aproximei, em transe. Ela estendeu a mão livre para mim. Eu peguei. Ela me puxou para perto, para um beijo. Enquanto nossas línguas se encontravam, senti a mão de Carlos subindo pelas minhas costas. A dinâmica tinha mudado para sempre.
Não houve mais palavras. Apenas corpos. A sala se tornou nosso território primitivo. Clara se ajoelhou no tapete felpudo, um altar improvisado. Ela olhou de mim para ele, um sorriso de poder em seus lábios. Primeiro, ela me pegou. Sua boca, quente e familiar, me envolveu, enquanto sua mão segurava a base de meu pau. Mas logo ela se virou para Carlos. O contraste foi chocante. Ela teve que abrir bem a boca, esticar a mandíbula para acomodar aquela cabeça maciça. Vi a bochecha dela protuberar, o esforço em seu pescoço. Seus olhos me encontraram, cheios de lágrimas de esforço e de um prazer indescritível. O som era diferente, mais úmido, mais profundo.
Ela nos alternava, uma rainha com dois tesouros para devorar. Às vezes, nossas cabeças se roçando, uma imagem tão proibida que me fez estremecer.
— Na cama. — sussurrou Carlos, a voz rouca de desejo.
Subimos para o quarto, o nosso quarto. A cama king-size parecia pequena para a magnitude do que estávamos prestes a fazer. Clara se deitou de costas, as pernas abertas, um convite silencioso. Eu me posicionei entre suas pernas, pronto para entrar, para reafirmar meu território. Mas antes que eu pudesse, Carlos se ajoelhou ao lado da cabeça dela. Ele virou o rosto dela para si.
— Abre a boca, minha linda. — ele ordenou, e ela obedeceu.
Enquanto eu a penetrava, sentindo sua umidade e seu calor, ele a enchia. Eu a via, lá embaixo, sendo tomada pelos dois lados. Era uma visão que queimaria minha retina para sempre. A cada meu movimento para dentro, ela era empurrada para mais fundo no pênis dele. O ritmo se tornou uma dança violenta e perfeita.
— Agora troca. — disse ele.
Eu sai dela, meu pau duro e pulando. Carlos se posicionou onde eu estava. Ele não entrou de imediato. Ele esfregou aquela cabeça enorme nos lábios dela, molhando-a nos sucos dela.
— Você quer isso? — ele perguntou.
— Sim... por favor. — gemeu Clara.
Ele começou a entrar. Devagar. Muito devagar. Vi o corpo dela se arquear, um misto de dor e prazer extremo. Ele avançou centímetro por centímetro, abrindo caminho, reivindicando um espaço que nenhum outro homem jamais ocupara. Quando finalmente estava todo dentro, ela soltou um longo gemido, um som de rendição total.
Eles transaram diante de meus olhos. Foi brutal e belo. A força dele, a entrega dela. Eu me sentia como um descobridor assistindo a um ritual de uma tribo perdida. Em um momento, ele a pegou pelo cabelo, virou seu rosto para mim.
— Chupa ele. — ele disse.
Ela o fez, enquanto ele a possuía por trás. Depois, a mudança veio de novo.
— Vome o cu dela. Agora. — ele me disse.
Clara ficou de quatro, o traseiro erguido, oferecido. Ele pegou o gel, passou generosamente em mim e nela. A entrada foi apertada, dolorosa no início, mas logo o prazer tomou conta. A sensação era diferente, mais intensa. Enquanto eu a tomava por trás, Carlos se deitou de baixo dela, o pênis monumental ereto diante do rosto dela. Ela o pegou com as duas mãos, como se segurasse um objeto sagrado.
— Vamos te dar tudo o que você merece, Clara. — ele sussurrou.
Ele me olhou.
— Juntos.
Entendi. Ele iria entrar na buceta dela enquanto eu estava no cu. A dupla penetração. Um mito, uma fantasia, prestes a se tornar realidade na minha cama, com a minha mulher. Ele se posicionou, a cabeça dele roçando minha pica através da fina parede que nos separava. A sensação era incrível. Quando ele entrou, senti a pressão. Clara gritou, um grito agudo de prazer avassalador. Fomos tomados por ela. Cada movimento era uma onda de sensações, um caos controlado. Eu senti o corpo dela tremer em um orgasmo que pareceu durar uma eternidade. Depois, senti meu próprio prazer se acumulando, um ponto sem retorno.
— Onde? — eu gritei.
— Na cara dela. — respondeu Carlos. — Nos dois.
Saí dela, me virei. Ele também. Nós nos masturbamos, mirando em seu rosto. Ela estava lá, de boca aberta, a língua para fora, uma deusa oferecida. Primeiro eu, depois ele. Jatos quentes de porra cobriram seu rosto, seus seios, entraram em sua boca. Ela o engoliu, o sorriso mais satisfeito que eu já vi.
Exaustos, caímos na cama. Aos poucos, a respiração voltou ao normal. Carlos se levantou.
— Vou para o meu quarto. Deixem vocês... Descansarem.
Ele se vestiu e saiu, fechando a porta suavemente. Eu abracei Clara. Seu cheiro estava misturado com o cheiro dele. Com o cheiro de nós três.
— Te amo. — eu disse.
— Eu também te amo. — ela respondeu.
Dormimos. No meio da madrugada, acordei. Um som me despertou. Um gemido baixo, ritmado. Abri os olhos. A cama ao lado estava vazia. Me levantei, o corpo ainda dolorido. Olhei para a porta do quarto de hóspedes, que estava entreaberta.
A cena que vi me paralisou.
Clara estava montada em Carlos. Mas não na buceta. Ela o estava cavalgando com o cu. O rosto dela era de êxtase puro, os olhos fechados, os seios balançando a cada movimento. O pênis dele desaparecia dentro dela, uma visão impossível e perfeitamente real. Ela o possuía, o usava para seu próprio prazer, sem dó nem piedade.
Eles me viram. Não pararam. Clara abriu os olhos e me olhou, um convite. Meu pau endureceu na mesma hora. Entrei no quarto. Ela estendeu a mão para mim. Eu me aproximei, fiquei na frente dela. Ela me pegou, me levou à boca. E a transa recomeçou. Fomos mais longe, mais fundos. Exploramos cada centímetro de prazer, cada limite. Era um fim de semana de descobertas, e a maior delas foi descobrir quem éramos quando todas as regras eram quebradas.
***
O domingo amanheceu cinzento e calmo. O sol não apareceu, como se o céu também estivesse exausto. Acordamos tarde, os três, um silêncio confortável entre nós. O café da manhã foi silencioso, mas não estranho. Era um silêncio de pós-tempestade. Falávamos do tempo, do jornal. Evitávamos o óbvio. Não era necessário. A noite anterior ainda pulsava no ar, um cheiro de sexo e segredo impregnado nos lençóis e na pele.
Por volta do meio-dia, a campainha tocou. Eram meus sogros. Tinham vindo para o almoço de domingo combinado há semanas. O caos da realidade invadiu nossa bolha. O cheiro de café e pão de queijo foi substituído pela tensão palpável.
— Carlos! Que surpresa maravilhosa! — exclamou minha sogra, abraçando o velho amigo com um carinho genuíno.
Ele retribuiu o abraço, o modelo de cavalheirismo.
— Decidi estender a visita. Seu genro sabe como receber um velho amigo.
Meu sogro, um homem mais reservado, cumprimentou-o com um aperto de mão firme.
— Conte-nos as novidades da fazenda. Deve ser uma vida diferente.
Enquanto eles conversavam na sala, eu observei Clara. Ela estava na cozinha, organizando a salada. Ela parecia calma, serena. Como se tivesse acabado de voltar de uma meditação. Nós nos cruzamos perto da pia.
— Você está bem? — perguntei, a voz baixa.
Ela me olhou, um brilho de diversão em seus olhos. Passou a mão pelo meu rosto.
— Nunca estive melhor. — disse ela. — Estou faminta.
O almoço foi um exercício de atuação. Comemos, rimos das piadas do meu sogro, comentamos sobre política. Carlos brilhou, o anfitrião perfeito, contando histórias que encantavam meus sogros. Clara estava radiante, a esposa amorosa e atenciosa. Eu me sentia como se estivesse em uma peça de teatro, interpretando o papel de marido feliz. Exceto que, pela primeira vez, eu não estava interpretando. Aquele caos era minha nova realidade, e eu nunca me senti tão vivo.
Depois do almoço, meu sogro teve a ideia de uma caminhada no jardim. Clara se ofereceu para fazer o café. Carlos disse que ia ajudar a "organizar a cozinha". Eles desapareceram pela porta dos fundos. Eu fiquei na sala com meus sogros, vendo um documentário sobre aves no canal que meu sogrou adora. O coração batia forte. Eu sabia. Eles não estavam organizando a cozinha.
Fiquei ali, sentado no sofá, por cerca de vinte minutos. Sorrindo, assentindo. Mas minha mente estava na cozinha. Eu os via em minha cabeça. Ela, sentada na bancada, as pernas envolvendo a cintura dele. Ele, a cabeça entre seus seios, as mãos apertando seu bumbum. O som abafado dos gemidos dela misturado com o barulho da cafeteira. A imagem era tão vívida, tão poderosa, que senti um calor se espalhar por meu corpo. Não era ciúme. Era compartilhamento. Era saber que ela estava sendo explorada, levada a um lugar de prazer que eu jamais poderia levá-la sozinho.
Quando eles voltaram, a expressão no rosto de Clara era de uma paz serena. Seus lábios estavam novamente um pouco inchados. Seus olhos brilhavam. Carlos tinha um sorriso satisfeito no rosto. Ele se sentou e pegou uma xícara de café que eu nem tinha visto minha esposa fazer.
— O café está excelente, Clara. — disse ele, o olhar?? o dela. — Melhor que o da fazenda.
— É que tem um ingrediente especial. — respondeu ela, a voz doce como mel.
Meus sogros não perceberam nada. Para eles, era apenas um domingo agradável. Mas para nós três, era a despedida. A tarde se arrastou, lenta e melancólica. Quando meus sogros finalmente se foram, o silêncio que ficou foi diferente. Era o silêncio do fim. A mala de Carlos estava ao lado da porta. Ele já tinha se vestido.
— Bem, acho que é hora de ir. — ele disse, a voz mais séria.
Clara foi até ele. Eles se olharam por um longo tempo. Não houve beijo, nem abraço. Apenas um olhar que continha um fim de semana inteiro de transgressão.
— Obrigado por tudo, Carlos. — disse ela.
— O prazer foi todo meu. — ele respondeu. — Os dois. Ele se virou para mim e estendeu a mão. — Cuide bem dela, meu amigo.
— Sempre. — respondi, apertando a mão dele.
Ele pegou a mala e saiu pela porta. Não olhou para trás. Fomos até a varanda e o vimos entrar no carro e desaparecer no final da rua.
Clara se encostou em mim. O sol da tarde começava a se pôr, pintando o céu de laranja e roxo. O mundo parecia normal lá fora. Mas aqui dentro, na nossa pequena varanda, nada seria normal novamente.
E ficamos ali, em silêncio, observando o fim do dia. O início de uma nova era.
