O ritmo de Lucas era possessivo, cada golpe fundo e deliberado. O pêlo áspero da virilha dele roçava minhas nádegas a cada entrada, um lembro visceral da nossa união. Ele puxava meu cabelo, forçando meu pescoço para trás, sussurrando obscenidades no meu ouvido.
— Você é minha esta noite, Helena? Gosta de sentir assim?
Eu gemia, incapaz de formar palavras, apenas assentindo. Ele tirou o membro de mim abruptamente, deixando um vazio que me fez chorar. Ele se virou na cama, deitado de costas, o pênis ereto e brilhante com a lubrificação.
— Venha aqui. Limpa tudo para mim.
Eu me virei, um pouco vacilante, e o vi. Era maior do que eu lembrava, grosso, com veias salientes que pulsam sob a pele. A cabeça era arredondada, vermelha, gotejando o líquido pré-ejacular. Eu me curvei sobre ele, a língua traçando a saliência das veias, sentindo o sabor de mim mesma misturado ao dele. O engoli todo, profundamente, sentindo-o bater no fundo da minha garganta, enquanto minhas mãos massageavam suas bolsas. Ele gemeu, as mãos segurando firmemente a minha nuca.
— Agora toda, Helena. Quero ver você me engolindo.
Ele se sentou na cama, comigo ajoelhada entre as pernas dele. Ele masturbou-se em frente ao meu rosto, a mão deslizando rapidamente sobre o pênis molhado pela minha saliva. Eu o olhava nos olhos, a boca entreaberta, a língua para fora, esperando. Seu corpo se arrepiou, um gemido baixo escapou dos lábios dele, e então ele veio. Jatos quentes de esperma atingiram minha boca, meu rosto, meu peito. Era muito, mais do que eu esperava, e alguns escorreram pelo meu queixo. Eu peguei o pênis dele, ainda pulsando, e o levei à boca novamente, sugando até o último vestígio de seu sabor, limpando-o com a língua, engolindo tudo. O gosto era forte, salgado, e eu o saborei como se fosse o néctar mais precioso.
Ele me puxou para cima, seus lábios encontrando os meus em um beijo lento, profundo. Suas mãos percorreram meu corpo, molhado de suor e do seu próprio esperma. Ele me empurrou de costas na cama, o corpo sobre o meu, e entrou em mim novamente. Desta vez, era diferente. O ritmo era mais lento, mais intenso. Ele olhava nos meus olhos, e eu via neles não apenas desejo, mas algo mais. Conexão. Ele fez amor comigo de uma forma que eu não sentia há anos, explorando cada centímetro do meu corpo, ouvindo meus gemidos, respondendo a eles. Eu o envolvi com as pernas, puxando-o para mais perto, para mais fundo, e os dois rolamos pela cama, trocando de posição, até que eu fiquei por cima dele, montando-o, controlando o ritmo.
Ele segurava meus seios, os polegares roçando meus mamilos duros, enquanto eu subia e descia, sentindo-o se expandir dentro de mim. A velocidade aumentou, e eu me inclinei para frente, os seios pressionados contra o peito dele, o rosto enterrado no seu pescoço.
— Vou gozar de novo, Lucas. Vou gozar agora.
Ele respondeu com um golpe profundo, e eu explodi. O orgasmo foi avassalador, uma onda de prazer que me percorreu da cabeça aos pés, deixando-me trêmula, sem fôlego. Ele continuou a me mover por mais alguns segundos, até que também veio, um grito abafado contra o meu ombro, o corpo tremendo sob o meu.
Ficamos enroscados na cama, os corpos exaustos, o ar pesado. O celular, que estava na bolsa, vibrou. Foi a segunda ou terceira vez. Eu sabia quem era.
— É o Ricardo — sussurrei, o pânico começando a substituir o êxtase.
Lucas me beijou a testa. — Responde.
Eu apanhei o celular, a mão trêmula. Eram três mensagens dele. "Tudo bem, amor?". "Já passou das 2, está tudo bem?". "Helena, se liga, estou preocupado." E uma chamada perdida.
Eu respirei fundo e digitei. "Desculpa, amor. A Cláudia e eu nos demos mal, bebi demais. Vou dormir na casa dela para não dirigir. Beijos". A mentira saiu com uma facilidade que me assustou.
Ele respondeu quase imediatamente. "Ok, querida. Bom descanso. Te amo".
Eu li a mensagem e uma onda de culpa me atingiu como um soco no estômago. "Eu também", respondi, mas as palavras pareciam vazias.
Lucas passou a mão pelo meu cabelo.
Eu olhei para ele, para o quarto desconhecido, para o vestido no chão. Pensei em Ricardo, em casa, sozinho, acreditando na minha mentira. Pensei na manhã seguinte, na conversa que teríamos. E então, pela primeira vez na noite, soube exatamente o que queria.
— Não vou voltar para casa esta noite — disse para Lucas, e a decisão me deu uma sensação estranha de alívio e terror.
Ele apenas sorriu, um sorriso que dizia que ele já sabia.
***
A cama do nosso lado estava vazia quando acordei. As sete da manhã. O sol já batia forte nas janelas do apartamento. A primeira coisa que fiz foi olhar para o celular. A mensagem de Helena estava ali, da 2:17 da manhã. "Desculpa, amor. A Cláudia e eu nos demos mal, bebi demais. Vou dormir na casa dela para não dirigir. Beijos".
Cláudia. A amiga que eu mal via, cujo contato de telefone Helena nem tinha salvo. A história era conveniente. Talvez demais.
Levantei-me, tomamos o café do hotel, e o apartamento pareceu estranhamente silencioso. Eu não me sentia traídora. Não ainda. Apenas... deslocada. Como se estivesse vivendo um dia que não era o meu. A rotina de um sábado de manhã — o café, o jornal, a previsão do tempo — parecia uma farsa.
Acordei de sobressalto, não sei se por causa da luz forte da manhã que invadia o quarto do hotel ou pelo som do trânsito lá embaixo. Por um segundo, não sei onde estava. Aí o corpo me lembrou. As dores, os latejos entre as pernas, a pele marcada, o cheiro de Lucas nos lençóis e no meu próprio corpo. A culpa que eu havia conseguido afastar por algumas horas voltou com toda a força, um nó no estômago. Ricardo. "Te amo". A mensagem dele me queimou a memória.
— Bom dia — sussurrou Lucas ao meu lado, já acordado, me olhando.
— Bom dia.
Ele passou a mão pelo meu cabelo. — Dormiu bem?
— Um pouco.
— Tens medo dele? — perguntou ele, direto. Sem rodeios.
— Não de medo. De decepcioná-lo. De estragar tudo.
— Você acha que era tudo tão perfeito assim?
A pergunta me atingiu em cheio. Era? Nossa vida era confortável, estável. Mas perfeita? Eu não me lembrava da última vez que Ricardo e tínhamos tido uma conversa que não fosse sobre contas, sobre o trabalho dele, sobre a reforma do banheiro. A última vez que ele me olhou com os olhos cheios de desejo, como Lucas me olhava ontem? Eu não lembrava.
— Vou tomar um banho — disse, escapando da pergunta e do seu olhar.
O chuveiro quente pareceu lavar um pouco da noite anterior, mas não conseguiu remover a certeza de que nada mais seria como antes. Enquanto me enxaguava, o meu toque nos meus seios, na minha coxa, me trouxe de volta à memória a forma como Lucas me tocou. A forma como ele me fez sentir. Viva. Perigosa. Eu não queria perder aquela sensação.
Saí do banheiro, a toalha enrolada no corpo. Lucas já estava vestido.
— Tenho que ir. Encontro de trabalho.
Fiquei de pé, sem saber o que dizer. O que acontece agora?
Ele se aproximou, me beijou. — Foi uma noite incrível, Helena. Muito além do que eu imaginava.
— Para mim também.
Ele tirou um cartão de visitas do bolso e o entregou para mim. — Meu celular particular. Quando quiser... ou precisar.
Aceitei o cartão. Era um ponto final. Ou um recomeço, não sabia ao certo. Ele se foi e fiquei sozinha no quarto, o silêncio agora era um grito. Pedi o café da manhã no quarto e comi sem saber o sabor. Tinha que voltar para casa. Enfrentar a música.
Cheguei em casa quase ao meio-dia. Ricardo estava na sala, de jeans e camiseta, lendo um livro. Parecia calmo. Demasiado calmo.
— Oi — disse eu, a voz um pouco trêmula.
Ele levantou o olhar. — Oi. Dormiu bem na casa da Cláudia? Pensei que vocês não eram tão próximas assim.
A pergunta foi casual, mas senti o gancho. Minha mente trabalhou rápido.
— Não somos. Mas ontem rolou aquela coisa, você sabe? Conversa de mulher, vinhos, a gente desabafo... Estava com uma dor de cabeça horrível e ela não me deixou ir embora, disse que era perigoso dirigir. Não queria te acordar no meio da noite para me buscar.
Ele me olhou em silêncio, os olhos azuis, tão familiares, pareciam ver através da minha história.
— Certo. Ela está bem?
— Sim. Estávamos cansadas, a conversa rolou...
Ele se levantou e veio na minha direção. Me beijou na boca, um beijo de marido. E eu, que horas antes tinha lambido o esperma de outro homem, beijei ele de volta. O contraste me deixou tonta.
— Vou malhar — disse ele. — Quando voltar, a gente almoça.
Ele saiu, e eu me encostei na porta, sentindo o joelho fraco. Achei que tinha me safado. Estúpida de mim.
O tempo que ele levou na academia me deu para organizar a bagunça. Lavei o vestido, escondi o cartão de Lucas no fundo da gaveta de meias, apaguei as conversas no celular. Tentei voltar ao normal, mas eu sentia o cheiro de Lucas na minha pele.
Quando ele voltou, o almoço foi tenso. Não por causa dele, mas por minha causa. Eu estava super-irritável, respondendo tudo com monossilábos.
— Helena, o que foi? Você está diferente hoje.
— Nada, só cansada. A noite foi longa.
— A Cláudia contou algum segredo de Estado?
A piada dele, que em outro dia me faria rir, soou como uma acusação.
— Que é isso, Ricardo? Pára de me interrogar.
Ele calou-se, mas continuou me olhando. O resto do dia foi um inferno. Eu não conseguia relaxar. Cada som, cada olhar dele me parecia uma ameaça. Eu esperava que ele estourasse, que me chamasse de mentirosa. Mas ele não fez nada. Apenas continuou seu dia, calmo, observador. E aquilo era muito pior.
À noite, ele disse que ia encontrar uns amigos para assistir ao jogo. Eu quase dancei de alívio. Precisava de espaço.
— Divirta-se — disse, tentando soar casual.
