Tantos anos e eu nem havia percebido isso. Claro, ele sempre foi ali o pai da Laura, a figura mais alta e grisalha que aparecia para dar bom-dia quando eu dormia na casa dela, o cara que mandava a gente baixar o som da madrugada. Mas nunca o vi. De verdade. Até aquele sábado. Estava na piscina com a Laura, boiando naquele calor de fim de mundo que só dezembro tem. A água gelada era um alívio na pele, mas o sol castigava. Falávamos sobre a faculdade, sobre os cursos diferentes, sobre como ia ser estranho não se ver todo dia. A Laura, com seu cabelo vermelho queimado pelo sol, estava de braços dados comigo. — Vai ser uma bosta, mas a gente se vê. Fim de semana, pelo menos. Pode vir aqui sempre, meu pai não liga. Foi quando ouvi o barulho do portãozinho de ferro que dava na área da churrasqueira. Ele entrou, vindo do trabalho, com uma pasta preta na mão. De terno e gravata, suando. Ele olhou para nós e sorriu. — Boa tarde, meninas. Não dá pra relaxar, né? Laura riu. — A gente tenta, pai. Pelo menos a água tá boa. Ele balançou a cabeça, largou a pasta na mesa e começou a se despir. Tirou o paletó, a gravata, a camisa. Deixou tudo dobrado numa cadeira. Fiquei olhando sem querer, mas era impossível não. O corpo dele era diferente. Lembro dele sempre como um homem grande, mas agora, ali, sob o sol, via a definição. Peitoral largo, covinhas no estômago, braços fortes com uma penugem branca e grisalha. Não era o corpo de um velho, era o corpo de um homem que cuidava, que tinha força. Ele abriu a calça, dobrou também e só então percebi que ele estava de sunga por baixo do terno. Uma sunga de surfe preta, simples. Ele caminhou até a borda da piscina e mergulhou de cabeça, fazendo um barulho enorme e molhando tudo. Quando saiu, passando a mão pelo cabelo grisalho, a sunga molhada grudou no corpo dele. E aí eu vi. O volume, o contorno nítido sob o tecido preto. Meu peito deu um nó estranho, uma espécie de aperto quente que desceu até a barriga. Desviei o olho, o rosto quente, tentando me concentrar nos azulejos da borda da piscina. Laura não notou nada, claro. Para ela, era só o pai dela. Para mim, de repente, era um homem. E eu nunca tinha visto ele daquele jeito. Ele sentou numa cadeira, pegou a cerveja que Laura tinha deixado gelando. — Alguma novidade no mundo das futuras universitárias? — ele perguntou, tomando um golo longo. — Só a saudade antecipada — respondeu a Laura, mergulhando de novo. — A Clarinha aqui vai me abandonar. Ele olhou para mim. O olhar dele era diferente. Mais direto. — Não vai ser abandonar, Laura. Vai ser crescer. E você também. — Ele fez uma pausa, os olhos ainda em mim. — E você, Clarinha? Tem medo? A pergunta me pegou de surpresa. Eu era eu, espontânea, que falava o que pensava, mas naquele momento fiquei sem ar. — Um pouco — admiti, a voz mais baixa do que eu queria. — Mas também tô com muita vontade. Ele assentiu, um sorriso fino nos lábios. — Essa é a porção. A vontade tem que ser maior que o medo. Laura subiu na borda, pingando água pelo chão. — Pai, me conta aquele caso do seu primo de novo, o que casou com a moça do interior e foi parar no meio do nada? Ele riu, uma risada alta e genuína, e começou a contar a história. Eu ouvia, mas minha mente estava em outro lugar. Eu o via de canto de olho, a maneira como a água escorria pelos pelos do peito, o jeito seguro com que ele gesticulava. E aquela imagem da sunga molhada não saía da minha cabeça. *** Naquela noite, depois do jantar, Laura e eu ficamos no quarto dela deitadas na cama, rindo de vídeos no celular. O cheiro do sol do dia ainda estava no meu cabelo. De repente, ela virou para mim, o rosto sério. — Clarinha, posso te contar uma coisa meio esquisita? — Claro, sempre pode. Ela fez uma pausa, brincando com a ponta do edredom. — Sabe que meu quarto é do lado do dos meus pais, né? E a parede não é tão grossa. Eu nem imaginei o que vinha a seguir. — Pois é... Ontem eu não conseguia dormir. E... eu ouvi coisas. Coisas de casal, sabe? Meu coração deu um pulo. — Que coisas, Laura? — Ah, tipo... barulhos. Gemidos. A voz da minha mãe, bem baixinha. E... do meu pai. — Ela corou, mas continuou. — Eles ainda... tipo... fazem isso. Muito. A mãe às vezes comenta com as amigas, que ele não para. Diz que é um tesão, mas com uma cara de queixa, entende? Eu engoli em seco. "Tesão". A palavra saiu da boca dela tão natural, mas na minha cabeça ela ganhou um novo formato, uma nova imagem. A imagem da sunga preta molhada. — Nossa — consegui dizer. — Eu nem imaginava. — Pois é. É estranho, né? Pensar nos pais assim. Mas ao mesmo tempo... é bom saber que eles ainda se agarram. Acho que é por isso que eles aguentam tanto tempo juntos. Eles não são só sócios de casa. Ela se virou para o outro lado, pegou o celular, mas eu fiquei parada, olhando para o teto. A conversa dela não foi uma grande revelação, mas para mim, foi. Era como se eu tivesse ganhado uma peça que faltava num quebra-cabeça que eu nem sabia que estava montando. "Tesão", ela disse. E a palavra ecoava na minha mente, ligada a ele, a um homem que eu estava começando a ver. *** Voltei lá no fim de semana seguinte. Dessa vez, Laura me pediu uma ajuda com uns livros velhos que a mãe dela queria guardar no sótão. Fomos lá, subindo aquela escada estreita, cheia de poeira e cheiro de tempo. — Meu pai não vai conseguir subir aqui, ele é muito grande — ela riu, empurrando uma caixa de papelão. — Você que é pequena e ágil, ajuda aí pra empurrar isso pro fundo. Empurrei a caixa, sentindo o pó subindo e fazendo meu nariz coçar. Laura ficou lá embaixo, organizando outras coisas. Enquanto eu estava no sótão, ouvi a voz dele embaixo. — Laura, você viu a pasta marrom que estava na minha mesa? — Tá aqui, pai! Vou levar pro seu escritório! Fiquei sozinha no sótão por uns minutos. Quando desci, ele estava na cozinha, de costas para mim, pegando uma água no filtro. Vestia apenas um shorts de moletom velho e camiseta regata. Ele era grande mesmo, os ombros largos enchendo a porta da cozinha. Ele se virou quando ouviu meus passos. — Ah, Clarinha. Ajudando a bagunçar mais ainda? — Tentando organizar — ri, limpando a poeira da minha calça jeans. — Mas acho que só conseguimos espalhar mais. Ele sorriu, e aquele sorriso continuava me desestruturando. Havia algo nele, uma confiança tranquila, que era totalmente diferente dos rapazes da minha idade. — É o que dá quando tenta guardar o passado. Deveria jogar tudo fora e começar de novo. Ele me ofereceu um copo d'água. Aceitei, e meus dedos roçaram nos dele. A pele dele era quente, áspera. Senti outra vez aquele aperto na barriga. — O senhor já pensou em começar de novo? — perguntei, sem pensar muito. A frase saiu mais íntima do que eu pretendia. Ele me olhou por um segundo, os olhos cinzentos me avaliando de um jeito novo. — Já. Com 18 anos, quando fui pra São Paulo tentar a vida como musico. Durou seis meses. — Ele deu um gole na água. — Era eu, uma viola e um sonho. Mas a realidade bateu forte. Tive que voltar, fazer faculdade, conseguir um emprego sério. Nunca soube disso. Ele nunca foi o "pai da Laura" que toca viola. — E o senhor ainda toca? — Raramente. Às vezes, quando a casa tá vazia e a saudade aperta. Lembro das letras, mas os dedos não obedecem como antes. Ficamos em silêncio por um momento. Laura voltou correndo da sala, interrompendo a atmosfera que se formava entre nós. — Pai, a Clarinha vai ficar pra almoçar, pode ser? — Claro. Já tô mandando a empregada preparar um bife pra você também, Clarinha. O almoço foi estranho. Eu sentia o olhar dele sobre mim quando ele pensava que eu não estava olhando. Laura, alheia, falava sobre um novo seriado que ela tinha começado a assistir. Eu participava da conversa, mas minha mente estava lá, cozinhando o que ele tinha me contado. O músico frustrado, o rapaz de 18 anos que um dia foi igual a mim, cheio de sonhos e medos. A diferença de quarenta anos entre nós parecia, por um instante, menor. *** Na semana seguinte, um churrasco. A casa estava cheia. Parentes da família dele, amigos dos pais da Laura. Eu estava lá, como sempre estive, como a melhor amiga da filha. Mas me sentia diferente. Mais observadora. Ele estava na churrasqueira, o dono da festa. Com a calça jeans e a camisa xadrez aberta, mostrando o peito cabeludo, ele comandava tudo com uma calma impressionante. Orquestrava o ritmo dos salgadinhos, a temperatura da carne, o gelo no cooler. Via ele interagir com os amigos, contando piadas, rindo alto, mas com um olhar atento a tudo. Vi ele passar o braço pela cintura da mulher, a mãe da Laura, puxá-la pra um beijo rápido na bochecha. Era um gesto de casal, de hábito. Mas mesmo assim, meus olhos se pregaram neles. Senti uma pontada de... o quê? Ciúme? Inveja? Não sei. Era uma mistura confusa de sentimentos. Laura me puxou pra um canto, perto da piscina. — Meu tio aqui me contou que a Clarissa, a prima da Luana, tá traindo o noivo com o personal dela. pode acreditar nisso? Fiquei ouvindo, mas minha atenção estava em outro lugar. Vi a mulher dele se afastar para conversar com uma vizinha. Ele ficou sozinho na churrasqueira, virando um espetinho de picanha. Aproveitei a oportunidade. Fui até lá. — Precisa de ajuda com algo? Ele me olhou, um sorriso desenhando-se no rosto. — Sempre. Especialmente de uma ajudante bonita. Achei que eu ia desmaiar. O coração martelava no peito. — Posso virar esses espetinhos pra você? — Claro. Mas cuidado pra não queimar as mãozinhas delicadas. Fiquei ao lado dele, em silêncio, virando a carne. O cheiro da fumaça, o calor do fogo, a proximidade do corpo dele. Era eletricidade. Ele me passou um espetinho de coraçãozinho que já estava pronto. — Experimenta. Ve se tá bom. Comi, sentindo o gosto da carne e o sabor daquele momento. O salgado, a pimenta. Ele observava minha reação. — Tá uma delicia — disse eu, com a boca cheia. Ele riu, um som baixo que vibrou dentro de mim. — Você é fácil de agradar, Clarinha. Foi aí que a Laura veio correndo, com a prima dela nos calcanhares, puxando meu braço. — Clarinha, vem nadar com a gente! A água está perfeita! Ele deu de ombros, um sorriso meio cínico nos lábios, quando me virei para ir embora. — Vá. Divirta-se. Eu mergulhei na piscina, mas a água fria não conseguiu apagar o calor que ele havia acendido em mim. Lá do fundo da piscina, eu o via. O pai da minha melhor amiga. E eu o queria. *** Depois do churrasco, a casa esvaziou. Laura e eu ajudamos a arrumar um pouco e depois nos sentamos no sofá da sala, exaustas. A TV estava ligada, mas nenhuma de nós estava prestando atenção. — Hoje foi bom — disse a Laura, bocejando. — Parecia que tínhamos dezoito anos de novo. — Tínhamos — respondi, rindo. Ela ficou quieta por um momento, olhando para a TV. — Você tá estranha hoje, Clarinha. Mais quieta. Tudo bem? Senti um frio na barriga. Ela tinha notado. — É só o fim da escola se aproximando. Sinto que tudo tá mudando muito rápido. Ela concordou com a cabeça, aparentemente satisfeita com a resposta. Mas eu sabia que não era só isso. Tudo estava mudando, mas não do jeito que ela imaginava. Eu estava mudando. Naquele fim de semana, encontrei com ele na cozinha de novo. Desta vez, ele estava fazendo um café. A casa estava silenciosa. Laura tinha ido ao banco com a mãe. Eu estava esperando ela voltar. Ele se virou com duas xícaras na mão. — Café preto, forte. Como a vida. Quer uma? — Por favor. Sentamos na mesa da cozinha, em silêncio, por um tempo. Ele foi quem quebrou o silêncio. — Você e a Laura são muito amigas, não são? — A melhor amiga que eu poderia ter. — É bom ter isso. É raro. — Ele tomou um gole do café. — Mas a vida leva a gente por caminhos diferentes. É preciso saber quando seguir em frente e o que deixar para trás. A frase soou como uma dica. Ou um aviso. Eu não sabia qual. — O senhor deixou algo para trás quando decidiu voltar da São Paulo? Ele olhou para mim, os olhos sérios. — Deixei um sonho. Mas ganhei uma vida. Uma mulher, uma filha. Uma casa. Não sei se foi um bom negócio, no final das contas. Às vezes, ainda acordo no meio da noite com a sensação de que perdi alguma coisa importante. Eu nunca o tinha visto daquele jeito. Vulnerável. Perdido. — E a viola? Ele sorriu, um sorriso triste. — A viola fica no armário, juntando poeira. Como os sonhos antigos. — Podia tocar pra mim um dia — ouvi minha voz dizer, surpresa com a minha própria ousadia. Ele me olhou por um longo tempo, o olhar dele tão intenso que eu senti como se ele estivesse lendo minha alma. — Talvez eu toque um dia — ele disse, a voz baixa. — Talvez. Fiquei na casa deles até a noite. Quando Laura e a mãe voltaram, a atmosfera mudou. Ele voltou a ser o pai, o marido. Eu voltei a ser a amiga da filha. Mas aquela conversa na cozinha ficou comigo. A imagem dele, sozinho com sua xícara de café, confessando seus sonhos perdidos. E a promessa silenciosa de uma viola que talvez um dia tocasse para mim. *** Fui para a casa deles na próxima quinta-feira. Era um dia de semana, e eu tinha combinado com a Laura de estudar juntas para o vestibular de específico que ainda ia fazer. Mas quando cheguei, Laura estava com uma crise de dor de barriga e não conseguiu sair do quarto. — Desculpa, Clarinha. Acho que comi alguma coisa que me fez mal. Vou ter que cancelar. Fiquei sem saber o que fazer. Já estava lá. Pensei em ir embora, mas ele me encontrou na sala. — Laura não está bem? — Não, uma dor de barriga. Acho que vou indo embora. — Não precisa não. Pode ficar. A gente pode conversar um pouco. Ou você pode estudar aqui na sala, se quiser. É mais silencioso que sua casa. Fiquei. Ela me propôs estudar na varanda. Puxou uma cadeira para mim ao lado da sua. Ele estava de bermuda e camiseta. A tarde estava quente. Ele abriu uma cerveja e me ofereceu um suco. — Então, Clarinha. O que uma moça como você quer fazer da vida? A pergunta foi direta. E eu respondi com a mesma sinceridade. — Quero ser arquiteta. Quero projetar casas. Lugares onde as pessoas possam ser felizes. Ele pareceu surpreso com a minha resposta. — Isso é bom. É criar. É deixar uma marca no mundo. — E o senhor? Acha que deixou uma marca? Ele pensou por um momento antes de responder. — Talvez. No trabalho. Na minha família. Mas não é a mesma coisa. Não é uma marca que eu possa ver e tocar. Ficamos em silêncio por um momento. Ele olhou para mim, e senti que ele queria dizer algo mais. — Você é muito diferente da Laura — ele disse, a voz baixa. — Ela é... mais leve. Você tem uma profundidade que a sua idade não permite. Senti o rosto queimar. Não era um elogio. Era uma observação. Uma percepção que me deixou nua e exposta. E, ao mesmo tempo, vista por ele de uma forma que ninguém nunca me tinha visto. — Acho que é porque eu sempre tive que lutar mais pelas coisas — respondi, a voz um pouco trêmula. — A Laura sempre teve tudo na mão. Ele concordou com a cabeça. — A vida é assim. Uns nascem para a luta, outros para a colheita. Olhamos um para o outro por um momento que pareceu uma eternidade. O ar entre nós estava carregado de uma energia que eu nunca tinha sentido antes. Era perigoso. Era proibido. Era irresistível. — Sabe... — ele começou, hesitante. — A viola... tá no meu escritório. Se você quiser... Eu não deixei ele terminar. — Quero. Ele se levantou, e eu o segui. O escritório dele era no final do corredor, um quarto que eu mal tinha entrado antes. Era escuro, cheio de livros e papéis. Ele fechou a porta atrás de nós. A viola estava no canto, num suporte de madeira. Era velha, gasta, com marcas do tempo. Ele a pegou com um cuidado reverente, como se estivesse pegando um pedaço da sua própria alma. Ele sentou numa poltrona de couro gasto, e eu sentei no tapete em frente a ele. Ele tocou as cordas, um som desafinado, hesitante. Ele as afinou, os dedos movendo-se com uma memória muscular que o tempo não tinha apagado completamente. Ele começou a tocar uma música que eu não conhecia. Uma melodia melancólica, bonita e triste. Ele não cantou. Apenas tocou. E eu ouvi. E entendi. Eu entendi o rapaz de 18 anos que um dia tinha sonhado em ser um musico. Eu entendi o homem de 58 anos que tinha perdido esse sonho, mas ainda carregava a saudade dele. Quando ele terminou, o silêncio no quarto era pesado. Ele colocou a viola de lado e me olhou. — Foi há muito tempo — ele disse. — Antes mesmo de eu conhecer a mãe da Laura. — Foi lindo — eu disse, a voz embargada. Ele se inclinou para frente, e eu senti o cheiro dele. Um misto de perfume, café e homem. Ele estendeu a mão e tocou meu rosto. Os dedos dele eram quentes, ásperos. Eu não me mexi. Eu não queria me mexer. — Você é uma mulher muito perigosa, Clarinha — ele sussurrou. — E você é um homem muito perigoso — eu respondi, a voz mal saindo. Ele se inclinou mais, e seus lábios encontraram os meus. Foi um beijo diferente de todos que eu tinha tido antes. Não era o beijo apressado de um rapaz da minha idade, cheio de urgência e insegurança. Era um beijo de homem. Lento, profundo, experiente. Um beijo que dizia tudo o que as palavras não podiam dizer. Ele me beijou como se ele estivesse com fome, e eu era o único alimento que podia saciar sua fome. Minha cabeça girava. Minhas mãos encontraram o peito dele, sentindo o cabelo grisalho sob a camiseta. Ele me puxou para mais perto, seus braços fortes me envolvendo. Eu me sentia pequena, delicada, totalmente nas mãos dele. E eu amei aquela sensação. Ele me levantou do chão como se eu não pesasse nada e me sentou no colo dele, na poltrona de couro. O beijo se aprofundou, tornando-se mais urgente, mais faminto. Suas mãos percorriam meu corpo, explorando cada curva, cada centímetro de pele. Minhas mãos estavam no cabelo dele, sentindo a textura grossa dos fios grisalhos. Ele parou o beijo por um momento, seus olhos encontrando os meus. — Tem certeza disso? — ele perguntou, a voz rouca. — Sabe o que tá acontecendo? Eu sabia. Eu sabia da amizade com a Laura. Eu sabia que ele era casado. Eu sabia da diferença de idade. Eu sabia de todos os riscos, de todos os perigos. Mas naquele momento, nada disso importava. — Tenho certeza — eu respondi, a voz firme. Ele sorriu, um sorriso que foi ao mesmo tempo de alívio e de vitória. Ele me beijou de novo, e desta vez suas mãos foram mais ousadas. Ele desabotoou a minha blusa, seus dedos traçando a linha do meu sutiã. Ele o deslizou para cima, libertando meus seios. Seus lábios deixaram os meus e desceram pelo meu pescoço, pela minha clavícula, até encontrarem meu seio. Sua língua girou em torno do meu mamilo, endurecendo-o instantaneamente. Eu gemi, um som baixo e profundo que veio do fundo da minha alma. Ele me pegou no colo e me levou até a escrivaninha. Ele empurrou os papéis e os livros para o lado com um gesto brusco, e me sentou na madeira fria. Ele ficou de pé na minha frente, entre minhas pernas. Ele tirou a camiseta, revelando o peito largo e cabeludo que eu tantas vezes tinha imaginado. Ele era lindo. Maduro, forte, viril. Ele desabotoou a minha calça jeans, e eu levantei os quadris para que ele a puxasse para baixo, junto com a minha calcinha. Fiquei nua na escrivaninha dele, sob o olhar dele. Seus olhos percorreram meu corpo, e eu senti uma onda de calor e vergonha, mas também de poder. Eu o estava fazendo desejar. Eu, a Clarinha, a amiga da filha dele. Ele se ajoelhou na minha frente. Ele abriu minhas pernas com delicadeza, e seus lábios encontraram meu interior. Eu gemi alto quando a língua dele tocou meu clitóris. Ele sabia o que estava fazendo. Ele usava a língua e os lábios com uma maestria que eu nunca tinha experimentado antes. Ele me levou até o limite, até eu estar prestes a explodir, e então ele parou. Ele se levantou, um sorriso de arrogância nos lábios. — Ainda não, pequena — ele disse. Ele tirou o shorts e a cueca, e aí eu o vi. Totalmente nu. O membro que eu tinha visto apenas marcado na sunga agora estava ali, na minha frente. Era grande, grosso, impressionante. Fiquei sem ar por um momento. Ele se aproximou de mim, e eu o peguei na mão, sentindo o peso e o calor dele. Ele gemeu, fechando os olhos. Eu comecei a movimentar a mão, para cima e para baixo, sentindo-o crescer mais ainda. Ele parou minha mão. — Pare — ele disse. — Ou eu acabo agora. Ele me pegou nos braços e me virou, de costas para ele. Ele me dobrou sobre a escrivaninha, meu bumbum para o alto. Ele me comeu de quatro, com força e com uma fome que me fez gritar. Cada golpe era uma afirmação do desejo dele, uma prova do meu poder sobre ele. Eu me sentia usada, mas de uma forma que me fazia sentir viva e desejada. Ele me pegou pelos cabelos, puxando minha cabeça para trás. — Gosta disso, Clarinha? Gosta de ser comida pelo papai da sua amiga? A palavra "papai" me chocou e me excitou ao mesmo tempo. Era proibido, errado, mas era tão bom. — Sim! — eu gritei. — Gosto! Ele riu, um som baixo e animal. Ele me bateu na bunda, uma palmada forte que deixou minha pele vermelha e ardendo. A dor misturou-se com o prazer, criando uma sensação avassaladora. Ele me enterrou com mais força, o tamanho do pau dele esticando meus limites, preenchendo-me completamente. Cada movimento era uma mistura de dor e prazer intenso, uma sensação avassaladora que me tirava o fôlego. Eu gemia sem parar, me agarrando às bordas da escrivaninha para não cair. Ele me pegou pelos cabelos, puxando minha cabeça para trás. — Gosta disso, Clarinha? Gosta de ser comida pelo papai da sua amiga? A palavra "papai" me chocou e me excitou ao mesmo tempo. Era proibido, errado, mas era tão bom. — Sim! — eu gritei. — Gosto! Ele riu, um som baixo e animal. Ele me bateu na bunda, uma palmada forte que deixou minha pele vermelha e ardendo. A dor misturou-se com o prazer, criando uma sensação avassaladora. Ele se retirou de mim, e eu senti um vazio imediato. Ele me virou e me sentou na escrivaninha de novo. Ele se ajoelhou na minha frente e me olhou nos olhos. — Chupe — ele disse. Eu me ajoelhei também e peguei o pau dele na mão. Era enorme, coberto com o meu suco e o dele. Eu o levei à boca, sentindo o gosto salgado do nosso sexo. Eu o chupei com avidez, sentindo-o endurecer ainda mais na minha boca. Ele pegou minha cabeça com as duas mãos e começou a foder minha boca, cada vez mais fundo. Eu engasguei, mas não parei. Eu queria tudo. Eu queria engolir ele por inteiro. Ele gemeu alto, e senti o corpo dele endurecer. Ele explodiu na minha boca, um jato quente e grosso de esperma. Eu engoli tudo, sentindo o gosto dele na minha língua, na minha garganta. Eu continuei chupando, até não sobrar mais nada. Ele gemeu de satisfação. — Boa menina — ele disse. — Boa menina mesmo. Ele me levantou e me beijou, um beijo profundo e carinhoso, que me fez sentir amada e protegida. Nós nos vestimos em silêncio, o cheiro do sexo ainda impregnando o ar. Quando saímos do escritório, a casa estava silenciosa. Laura ainda estava no quarto. Ele me acompanhou até a porta. — Isso não pode acontecer de novo — ele disse, a voz baixa. — É errado. É perigoso. Eu concordei com a cabeça, mas no fundo, eu sabia que não era verdade. Aquilo tinha apenas começado. Fui para casa, o corpo ainda vibrando com a lembrança dele. Eu me sentia culpada, sim, mas também viva. Eu tinha cruzado uma linha, uma linha que nunca deveria ter cruzado. E eu não me arrependia. *** Nos dias seguintes, eu evitei a casa deles. Eu tinha medo do que podia acontecer. Medo de mim mesma, medo dele, medo de estragar tudo com a Laura. Ela ligava, perguntava se eu estava bem, e eu dizia que sim, que só estava ocupada com os preparativos para a faculdade. Mas eu estava mentindo. Eu estava me escondendo.
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